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CAPÍTULO 4 – ESTUDO COMPARATIVO DOS PROGRAMAS E GRUPOS DE

4.3. PROGRAMAS AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO

4.3.6. DINÂMICAS ENTRE (P/N, INTELIGÊNCIA E MEIOS)

Conforme antecipado, a seguir são estudadas as dinâmicas entre P/N x Inteligência, Meios x P/N, Inteligência x Meios, propostas no ME modificado.

Tabela 26 – Correlação Inteligência x Meios

PROGRAMAS TOTAL DE PROJETOS DE PESQUISA (meios) Número de docentes nos NP Inteligência Correlação H 4 5 B 20 18 I 21 9 F 16 11 E 30 12 D 19 18 G 17 9 A 55 17 C 45 16 0,60

A correlação de 0,60 sugere que há correspondência entre a inteligência,

medida pelo número de docentes e a capacidade de realização de projetos. Não

obstante há que considerar os distintos graus de dificuldade entre as áreas, o que reforça a idéia de que tais comparações somente fazem sentido entre pares ou pela evolução de cada grupo per se.

Tabela 27 – Correlação Inteligência x Produção Acadêmica - 2004

PROGRAMAS PUBLICAÇÕES docentes ns NP Número de Correlação

H 3,4 5 B 8,4 18 I 8,3 9 F 5,2 11 E 9,3 12 D 5,4 18 G 4 9 A 12,1 17 C 6,9 16 0,53

A correlação entre inteligência e produtividade de 0,53 é significativa, sugerindo a relação de interdependência, o que revela um resultado óbvio, mas reforça as conclusões do capítulo 3.

Conforme correlações feitas com base nas respostas ao questionário se obteve os seguintes resultados:

Tabela 28 – Correlação P/N x Inteligência / programas

P/N x Inteligência

Item Item Correlação

8PN-Proporção de membros do grupo que

tem conseguido realizar o que sonha 9I-Proporção de membros do grupo com competências para realização dos projetos

assumidos pela equipe 0.53965 8PN-Proporção de membros do grupo que

tem conseguido realizar o que sonha 15I-Suas competências são bem aproveitadas 0.53490 5PN-Proporção de membros do grupo que

o estimulam a experimentar novas idéias e a realizar novos projetos/atividades

16I-As relações entre as pessoas do grupo são abertas (não cautelosas, formais ou

difíceis) 0.49275

Tabela 29 – Correlação Meios x Inteligência / programas

Meios x Inteligência

Item Item Correlação

13M-As estratégias que o grupo tem adotado têm sido bem sucedidas para alcançar os seus objetivos, inclusive para captação de recursos externos.

18I-O grupo tem obtido resultados

inovadores 0.56874

Tabela 30 – Correlação P/N x Meios / programas

P/N x Meios

Item Item Correlação

8PN-Proporção de membros do grupo que

tem conseguido realizar o que sonha 12M-Há meios – infra-estrutura, recursos financeiros ou outros – para realizar os

projetos a contento. 0.38910

8PN-Proporção de membros do grupo que tem conseguido realizar o que sonha

13M-As estratégias que o grupo tem adotado têm sido bem sucedidas para alcançar os seus objetivos, inclusive para captação de recursos externos

0.32875

Este resultado sugere que, há correlações mais significativas entre P/N x Inteligência e Inteligência x Meios, que entre P/N x Meios.

Destes resultados decorre a matriz de correlações cruzadas, apresentada a seguir, que permite investigar a dinâmica do conjunto dos programas, com base nas operações do SAS e a partir das respostas ao questionário.

Tabela 31 – Matriz de correlações cruzadas / programas

P/N Meios Inteligência Interdependência

P/N 1 0,36 0,52 1,88

Meios 0,36 1 0,57 1,93

Inteligência 0,52 0,57 1 2,09

Interdependência 1,88 1,93 2,09

Interpretação

Não se trata de uma matriz de impactos cruzados, mas de relação de interdependência. A relação de influência e de pesos entre as variáveis não foram medidas.

Os resultados das correlações cruzadas, analisadas de forma sistêmica mostram que, no momento, há razoável equilíbrio entre os três ativos e que não há depreciação de nenhum deles. Por outro lado, mostram que há relação de interdependência entre os três ativos. Além disso, que não se deve fixar nenhum deles, ou considerar apenas as

relações entre esses ativos tomados dois a dois, pois como se mostrou analiticamente Johnson, Jefferies e Ming Hui (2003 apud ROCHA, 2006), se deixaria de observar a complexidade da dinâmica. Há necessidade de interação não linear de três variáveis para se obter dinâmica complexa. O valor da correlação entre Inteligência x Meios obtido nesta secção de 0,60 comparado a 0,57 obtido das respostas ao questionário também sugere outra conjectura que confirma a percepção de- Zeferino Vaz descrita no capítulo 3, quanto ao ativo “Inteligência”, implicando capacidade de obtenção dos meios em um ambiente de P/N dentro dos limites de Losada.

Os fatores explicativos do desempenho dos programas com base nos dados colhidos nos questionários foram destacados nas tabelas anteriores, envolvendo a correlações entre os três ativos, ou seja, os que apresentaram correlações acima de 0,49, com exceção da correlação P/N x Meios.

Resta examinar os programas considerando a variável P/N, que segundo o MA, poderia explicar o desempenho dos programas em conexão com a variável conectividade.

Tabela 32 – Correlação P/N x Conectividade / programas

PROGRAMAS P/N Conectividade Correlação

A 4 80% B 1 52% C 8,14 94% D 0,66 44% E 3 85% F 1 69% G 0,82 70% H 2,76 69% I 1,33 75% 0,76 Memória de Cálculo:

• P/N = (muitas vezes + sempre + ½ algumas vezes + ½ não opinaram)/(nunca + raras vezes + ½ algumas vezes + ½ não opinaram).

Para Losada, P/N determina o desempenho do grupo. De forma similar, nesta pesquisa, Grau de Satisfação ajuda a explicar o desempenho dos grupos, visto que as correlações entre P/N x Conectividade (tabela acima), P/N x Grau de Satisfação e Conectividade x Grau de Satisfação (tabelas abaixo) são “bem parecidas”.

Tabela 33 – Correlação P/N x Grau de Satisfação / programas

PROGRAMAS P/N Grau de Satisfação Correlação

A 4 93% B 1 71% C 8,14 98% D 0,66 81% E 3 90% F 1 89% G 0,82 93% H 2,76 87% I 1,33 77% 0,64

Tabela 34 – Correlação Conectividade x Grau de Satisfação / programas

PROGRAMAS Conectividade Grau de Satisfação Correlação

A 80% 93% B 52% 71% C 94% 98% D 44% 81% E 85% 90% F 69% 89% G 70% 93% H 69% 87% I 75% 77% 0,71

A correlação 0,76 entre P/N e conectividade, medida a partir das respostas ao questionário sugere que esta medida se assemelha à variável de Losada e justifica parcialmente suas conclusões, e também confirma a hipótese de que uma variável isolada não explica o desempenho dos grupos em ação, pois Meios e Inteligência são assumidos como pressupostos nas atividades de planejamento.

Assim, de acordo com este critério, semelhante ao empregado por Losada e Heaphy (2004), 3 dos 9 programas apresentam alto desempenho. Entretanto, as classificações diferem em relação aos demais critérios.

Como se pode depreender a medida P/N conforme percepção dos protagonistas se correlaciona com os graus de sucessos relativos dos programas, mas este resultado não invalida as conclusões de Losada e Heaphy (2004), dado que se trata de medidas distintas. Enfim, conforme esperado, há correlação alta entre grau de sucesso e P/N conforme os limites do MA.

Pontualmente, as seguintes observações – detalhadas no Anexo C – são relevantes.

Positividade/Negatividade

Quanto à proporção de membros que o estimulam a experimentar novas idéias e a realizar novos projetos/atividades (18%, 33%, 20%, 13%, 14%) declararam como “pouca”. Um grupo (33%) declarou essa proporção como nenhuma.

Somente um grupo (50%) declarou “intensa” a proporção de membros que o estimulam a experimentar novas idéias e a realizar novos projetos/atividades.

Percentuais referentes à proporção de membros do grupo que “raras vezes” interpretam as decisões tomadas pela alta gerência da UCB como estímulo foram observados altos (40%, 45%, 17%, 20%, 40%, 43%). Chamam atenção dois grupos (17%, 40%) com relação à proporção de membros do grupo que “nunca” interpretam as decisões tomadas pela alta gerência da UCB como estímulo à equipe.

Destacam-se os percentuais (9%, 33%, 50%, 40%) em 4 grupos como “pouca” e em 2 grupos (9%, 17%) como “nenhuma” a proporção dos que possuem sonhos coletivamente compartilhados.

Enquanto um grupo apresentou 33% como proporção de membros do grupo que “raras vezes” tem conseguido realizar o que sonha, outros grupos (60%, 50%, 80%, 50%) declararam como “muitas vezes” essa proporção.

Em termos gerais de positividade/negatividade, dos 9 programas, 5 apresentaram mais de 50% de suas respostas entre “sempre” e “muitas vezes”.

Conectividade

Com relação à variável conectividade modificada, os seguintes aspectos puderam ser observados:

Dos 9 programas, 7 colocaram mais de 50% de suas respostas entre “sempre” e “muitas vezes”.

Um grupo (60%) declarou como “sempre” a proporção de membros do grupo que participam efetivamente dos projetos/atividades.

Com exceção de um grupo, todos os demais declararam em mais de 50% entre “muitas vezes” ou “sempre” a proporção de membros do grupo nos confia, sente-se amigo/aliado ou se identifica mais.

Entre “muitas vezes” e “sempre” foram mais de 50% das declarações de 5 dos 9 programas quanto à proporção de membros do grupo que interagem socialmente. Entretanto, para o mesmo item, houve grupos (20%, 36%, 33%, 33%, 20%, 25%, 14%) que declararam, como “pouca” a proporção de membros do grupo que interage socialmente.

Chama atenção novamente o mesmo grupo citado antes que declarou em 45% (quase metade) como “pouca” a proporção de membros do grupo com quem tem produzido em parceria (artigos, livros, pesquisas, outras atividades). No caminho inverso, outros grupos (40%, 63%, 80%) declararam “muitas vezes” e (20%, 25%, 20%) “sempre” a proporção de membros do grupo com quem tem produzido em parceria.

Reiteradamente naquele grupo, 79% das respostas estiveram entre “nunca”, “raras vezes” ou “algumas vezes” para todos os itens referentes à conectividade.

Meios

Com exceção dos grupos A e H, os demais declararam em 50% ou mais de suas respostas que “sempre” ou “muitas vezes” as estratégias têm sido bem sucedidas para alcançar os seus objetivos, inclusive para captação de recursos externos.

Destaque negativo para o grupo com 100% de declarações como “nunca” (13%), “raras vezes” (25%) e “algumas vezes” (63%) relacionadas à existência de meios – infra-estrutura, recursos financeiros ou outros – para realizar seus os projetos a contento.

Inteligência

Foram unânimes as declarações de “sempre” ou “muitas vezes” relativas à proporção de membros do grupo com competências para realização dos projetos assumidos pelas equipes.

Em todos os demais itens – “há liberdade para desenvolver trabalhos de forma criativa e inovadora“, “suas competências são bem aproveitadas”, “as relações entre as pessoas do grupo são abertas (não cautelosas, formais ou difíceis)”, “o grupo está aberto à cooperação e benchmarcking, no sentido de trocas de experiências com outros grupos internos e externos à UCB” e “o grupo tem obtido resultados inovadores” – dos 9 programas, em 6 as respostas foram de 50% a 100% entre “sempre” e “muitas vezes”.

Destaque para um grupo, onde 45% (quase metade) das respostas foram de que somente “algumas vezes” suas competências são bem aproveitadas. Em contrapartida o mesmo grupo teve 36% (mais de um terço) de declarações de que “sempre” suas competências são bem aproveitadas.

Os grupos opinaram nas proporções de (9%, 33%, 14%) como “raras vezes” têm obtido resultados inovadores. Porém, outro apresentou um contraditório com 66% de declarações entre “muitas vezes” e “sempre”.

Resumo

Considerando os 9 programas, não houve extremos. Foi pequena a freqüência de respostas como 100% “nunca” ou 100% “sempre” aos itens do questionário.

Em todos os casos observados, especialmente nos que apresentam contradições de respostas entre os membros de um mesmo grupo, percebe-se um espaço valioso de inquietação a ser trabalhado para a melhoria de desempenho destes programas. Importante ressaltar neste ponto, o valioso espaço de aprendizagem existente na exploração dos itens referentes à variável positividade/negatividade.