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7 – GEOLOGIA DA ÁREA ESTUDADA 7.1 – INTRODUÇÃO

7.6 – DIQUES DE METADIABÁSIO 7.6.1 – Aspectos de Campo

Os diques de metadiabásio ocorrem como saprólitos avermelhados ou blocos in situ, estes últimos parcialmente alterados e com uma distribuição irregular, sendo observados na área de distribuição de todas as unidades mapeadas. As rochas dos diques mostram cor natural cinza escuro, quase preto, com cerca de 60% de minerais máficos e apresentam granulação fina menor que 1mm. A orientação dos diques é incerta devido a escassez e a descontinuidade na distribuição dos blocos, tendo sido especulado um strike NE-SW, através de algumas medidas muito duvidosas realizadas em alguns pontos. Essas rochas, embora reunidas em uma mesma unidade podem corresponder a famílias distintas de diques.

7.6.2 – Petrografia

Duas amostras (GR-89B e GR-59) foram analisadas e estas são rochas holocristalinas e melanocráticas com índice de cor em torno de 60%. Possuem granulação fina, geralmente entre 0,5mm e 1,2mm, porém podem chegar até 4,5mm em raros fenocristais de plagioclásio. Apresentam textura hipidiomórfica equigranular a localizadamente porfirítica e subofítica com plagioclásio intersticial aparentando estar incluso no anfibólio (Figuras 141 e 142). As texturas dos diques são primária e não foram observadas evidências de deformação, porém os mesmos apresentam feições típicas de transformações hidrotermais ou metamórficas, representadas pela presença de epidoto associado ao plagioclásio e de anfibólio substituindo pseudomorficamente o piroxênio. Em termos gerais, estas rochas são constituídas por plagioclásio, anfibólio1 e 2, apatita, minerais opacos, biotita, zoisita/clinozoisita e epidoto.

Figura 141 – Visão geral da lâmina do dique de metadiabásio evidenciando textura subofítica, onde os cristais de anfibólio (pseudomorfos do piroxênio) apresentam aspecto "sujo" no interior (anfibólio1) e

Figura 142 – Visão geral do dique de metadiabásio evidenciando os cristais de plagioclásio formando textura subofítica com o anfibólio1 (pseudomorfo do piroxênio). Lâmina GR-89B – Nicóis cruzados.

O piroxênio que estava presente foi substituído pseudomorficamente por anfibólio1

(Figura 141), que ocorre em grãos desde xenoblásticos até hipidioblásticos, que quanto mais

para o centro do grão apresentam um aspecto "sujo" (cheio de inclusões muito finas) e sem pleocroísmo, o que dificulta sua identificação (Figura 143). Já nas bordas, se observa a presença de um sobrecrescimento de um anfibólio2 mais límpido, hipidioblástico, com pleocroismo variando de verde claro a incolor (Figura 143) e granulação inferior a 0,1mm. Provavelmente o primeiro anfibólio corresponde a uma hornblenda e o segundo a uma ferro- actinolita, o que pode indicar que a rocha passou por dois eventos metamórficos, sendo um da fácies anfibolito e outro condizente com à fácies xisto verde. Além disso, mais raramente a biotita aparece substituindo os grãos de anfibólio1 e 2, ocorrendo principalmente nas bordas, como cristais hipidioblásticos menores que 0,5mm.

Figura 143 – No centro destaca-se a presença de cristal de anfibólio1 com aspecto "sujo" (devido a

presença de inclusões muito finas) interpretado como relicto da substituição pseudomórfica do piroxênio. Este é substituído nas bordas por um anfibólio2, hipidioblástico, muito fino e com

pleocroísmo verde claro. Presença de grãos xenoblástico de biotita sobrecrescendo o anfibólio2.

Os minerais opacos ocorrem de duas formas nos diques: i) como cristais ígneos intercumuláticos (Figura 144), variando de hipidiomórficos a idiomórficos, que tiveram sua cristalização quase que simultaneamente com o piroxênio primário (que foi substituído pseudomorficamente por anfibólio1). Alguns grãos apresentam aspecto poiquilítico (Figura

145) repleto de microinclusões de piroxênio substituído pseudomorficamente por anfibólio1;

ii) massas irregulares envolvendo os grãos de anfibólio1 nas bordas (Figura 146).

Figura 144 – Cristal de mineral opaco ígneo intercumulático presente entre grãos de anfibólio1

pseudomórfico de piroxênio. Destaca-se a presença do anfibólio2 com cor verde clara nas bordas do

anfibólio1. Lâmina GR-89 – Nicóis paralelos.

Figura 145 –Mineral opaco intercumulático com textura poiquilítica e envolto por anfibólio2 com

coloração verde clara. Lâmina GR-59 – Nicóis paralelos.

Figura 146 – Cristais de anfibólio e de plagioclásio envolvidos em suas bordas por massas compostas de minerais opacos. Lâmina GR-59 - Nicóis paralelos.

O plagioclásio ocorre como grãos tabulares desde idiomórficos até hipidiomórficos, geralmente alongados (Figura 147), com granulação variando de 0,5 a 1,0mm, porém foi observado um fenocristal de 4,5mm e outros em torno de 2mm. O plagioclásio apresenta geminação polissintética ou de Carlsbad, é substituido por epidoto e zoisita/clinozoisita e ocorre de modo intersticial em meio a uma massa de grãos de anfibólio pseudomórfico de piroxênio (Figura 141 e 142). A apatita é observada em cristais idiomórficos menores que 0,1mm, inclusos no anfibólio e no plagioclásio. O epidoto e a zoisita/clinozoisita ocorrem em grão menores que 1mm, geralmente idioblásticos e substituem o plagioclásio (Figura 147).

Figura 147 – Grão tabular de plagioclásio substituído parcialmente por cristais idioblásticos e muito finos de zoisita/clinozoisita. Lâmina GR-89 – Nicóis cruzados

A apatita possivelmente foi um dos primeiros minerais a se cristalizar, pois aparece como inclusão no plagioclásio e no anfibólio. O piroxênio e os minerais opacos hipidiomórficos cristalizaram-se simultaneamente e por último o plagioclásio, desenvolvendo a textura intersticial na rocha. Posteriormente formaram-se os minerais metamórficos representados pelos anfibólios1 e 2, onde o anfibólio1 substitui pseudomorficamente o piroxênio, enquanto o anfibólio2 se desenvolve nas bordas do anfibólio1. Biotita, epidoto, zoisita, clinozoisita e minerais opacos estariam associados a fluidos hidrotermais. A biotita estaria relacionada à entrada de K no sistema ou a remobilização deste do piroxênio e plagioclásio, enquanto a cristalização de epidoto e zoisita/clinozoisita estaria associada com a circulação de fluidos, os quais teriam desestabilizado os grãos de plagioclásio e piroxênio, dando condições à remobilização de Al e Ca do primeiro e de Ca e Fe do segundo. Os minerais opacos xenoblásticos se formaram a partir da substituição posterior do anfibólio metamórfico.