• Nenhum resultado encontrado

Director (fundador) e programa dor do Curtas Vila do Conde Fo

No documento Agência, uma década em curtas (páginas 119-121)

co-responsável da Programação

e Produção do Departamento de

Cinema, Audiovisual e Multimédia,

do Festival “Odisseia Nas Imagens”

e co-produtor da série “Estórias de

Duas Cidades” de Porto 2001, Capi-

tal Europeia da Cultura e membro

do Conselho de Administração na

Coordenação Europeia de Festivais

de Cinema. Fundador da Agência

da Curta Metragem e da Solar –

Galeria de Arte Cinemática onde é

também co-director artístico. Foi

responsável do Departamento Inter-

nacional de Aquisições da Atalanta

Filmes em 2004 e 2005.

120 121

ou a Periferia Filmes de Rodrigo Areias (agora com o novo projecto Bando à Parte) que viu premiado o filme “Corrente”. Estas são apenas algumas das que trabalham com a confiança de quem participa de um momento de grande dificuldade em termos económicos mas que, ainda assim, constroem a sua carreira com bons filmes (dos quais muitos deles são exibidos e premiados em Vila do Conde). Contudo, gostava de destacar O Som e a Fúria, que, enquanto estrutura de produção, cresceu a partir de um grupo de jovens cineastas que saíram da Escola de Cinema, e que como pequena produtora se foi afirmando passo a passo sem nunca querer crescer depressa demais. Escolheram antes trabalhar com os seus autores de eleição que participavam nos filmes uns dos outros - exemplo disso são os filmes de Miguel Gomes, Sandro Aguilar e, mais recentemente, João Nicolau -, sempre em regime de grande proximidade, um pouco como o grupo de programadores que há 18 anos atrás formou o Curtas Vila do Conde.

A história das duas estruturas ficará para sempre ligada pois a afirmação dos dois pro- jectos foi acontecendo um pouco por impulsos vindos dos dois lados durante um longo perí- odo de grande pujança criativa e que viu, por repetidas vezes, os seus filmes premiados na Competição Nacional. Esse trajecto culminou com um grande prémio do Festival na Com- petição Internacional para “Rapace” de João Nicolau em 2006.

3.

Será de bom-tom deixar claro que é com alguma dificuldade que me vejo forçado, num questionário deste género, a escolher um só filme, quando me apetecia escolher dez (um por cada ano). Todos mereceriam ser destaca- dos pela qualidade e inovação de linguagens que trouxeram ao novíssimo cinema portu- guês. Mas a escolher um vou eleger o “31”, de Miguel Gomes, por vários motivos, e desta vez a história do Festival terá que ser de novo convocada.

Estávamos em 2002 e, no dia da entrega de prémios, aconteceu o momento mais ingrato da nossa história enquanto organizadores do Curtas Vila do Conde; mas, há que reconhecer, acabou por ser também um sinal da mudança que então chegou. Porém, chegaria da forma mais inesperada para o Festival e para os rea- lizadores portugueses com filmes na Compe-

tição Nacional - na altura, a única competição do género em Portugal. Nesse festival quis o júri fazer um manifesto, que provocou um mal-estar no seio dos autores, produtores e críticos de cinema, bem como junto do público. Segundo esse manifesto, não havia nenhum filme que se destacasse, no conjunto de obras seleccionadas, para atribuir o prémio para a melhor curta-metragem portuguesa. Com alguma estupefacção, mas sabendo que o júri é soberano e independente, acatámos a sua decisão final, constrangidos entre o dever, a responsabilidade, o conhecimento pleno da realidade e o sentido de democracia que nos assistia.

Volvidos 8 anos, parece-nos que não será grave para ninguém dizer que este filme era provavelmente a grande curta-metragem portuguesa do ano e anunciava já o autor multifacetado, inquieto, genial nas abordagens, inovador e experimental, como era Miguel Gomes.

Também decidi destacar o filme “31” porque representa na perfeição uma década de auto- res e de filmes novos que correram o mundo depois estrearem em Vila do Conde. Mesmo sem o prémio, que bem poderia ter sido dele em 2002, este filme fez uma carreira interna- cional invejável. Foi um período conturbado e muito se falou e escreveu sobre este momen- to de crise. Ficou o filme como sinal - um momento decisivo e um autor que, espero, nos dê o imenso prazer de nunca se esquecer de voltar à realização de curtas-metragens.

120 121

1.

Sendo responsável, desde 2005, por uma pro- gramação de curtas-metragens internacionais na Cinemateca Francesa, o meu ponto de vista não abarcará a década toda. Nesse sentido, o meu olhar é o de um estrangeiro e está longe de ser exaustivo. O meu primeiro encontro com a curta-metragem portuguesa deu-se quando fui convidado pelo IndieLisboa, em 2006, para membro do júri Onda Curta. O meu interesse pela produção portuguesa ampliou- se e, desde então, vou todos os anos ao Indie- Lisboa e ao Festival de Vila do Conde. Essas duas portas de entrada fizeram-me descobrir algumas curtas-metragens que eram, antes de mais nada, filmes. Filmes completos, com a sua própria economia e não apenas ensaios em forma curta. Obras que possuem, na sua maio- ria, uma escrita singular e que são animadas por uma necessidade real por aqueles que as fazem, produtores e realizadores.

2.

Resposta eminentemente subjectiva... Espon- taneamente, penso em filmes produzidos pelo O Som e a Fúria, em particular os de João Nicolau, Miguel Gomes e Sandro Aguilar. Mas também posso citar dois filmes recentes pro- duzidos pela Filmes do Tejo: “Arena” (2009), de João Salaviza, e “Um Dia Frio” (2009), de Cláu- dia Varejão. E também “China, China” (2007), de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, e “A Olhar para Cima” (2003), de João Figueiras, produzidos pela Black Maria. Finalmente, há um electrão livre de quem eu programei os filmes “Olympia I e II” (2008) na Cinemateca Francesa: Gabriel Abrantes.

3.

Resposta impossível! Ela será dupla: “Rapace” (2006), de João Nicolau, pela sua capacida- de de ser um precipitado lúcido numa era sombria, através do prisma de uma cidade e de parte de uma juventude que aí vive. E também “Um Dia Frio” (2009), de Cláudia Varejão. Um

filme que, para tocar no coração daquilo que está em jogo no Homem, trabalha, com a maior delicadeza, o despercebido, o quotidiano, o banal.

françois

No documento Agência, uma década em curtas (páginas 119-121)