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O trabalho será considerado, para os fins da presente pesquisa, a principal espécie de direito social – levando em conta o rol previsto no artigo 6º da Constituição Federal –, uma vez que a violação de direitos humanos relacionados à esfera laboral tem sido cada vez maior, o que chamou a atenção para a realização da presente pesquisa.

O papel que o homem tem desempenhado no campo das relações de trabalho e o valor que o labor ocupa na vida das pessoas são questões em constante metamorfose, intensificadas diariamente com a naturalização do sentimento de que o trabalho é uma característica inata ao ser humano.

Imaginar uma sociedade cujos meios de produção prescindam, em grande parte de tal processo, da atividade humana, tem sido uma possibilidade cada vez mais concreta nos dias atuais.

A integração do homem pela sociedade contemporânea, dotada de uma série de conflitos e contradições, demonstra um caminho deveras dialético acerca do qual não é possível estabelecer qualquer perspectiva sobre a que ponto pretende o homem chegar em relação à sua própria espécie, no sentido de que a cada dia os outrora imagináveis limites são superados por novas formas de exploração.

A automação, como um dos recursos de que se vale para otimizar o processo produtivo e, consequentemente, valorizar o capital no crescimento exponencial do lucro, desempenha papel importantíssimo – talvez o de protagonista – no universo do direito ao trabalho.

Destaque-se a diferença básica entre as expressões direito ao trabalho e Direito do Trabalho; aquela, entendida de maneira romântica como a garantia que possui o homem para buscar não só o mero sustento, mas também a edificação de sua própria vida nos termos consagrados pela sociedade, para atuar no seio social como construtor de um mundo que valorize o esforço e, acima de tudo, a condição humana; esta, relacionada ao campo científico autônomo e interdisciplinar dedicado ao estudo das garantias conferidas não apenas pelo ordenamento jurídico, como por fontes extralegais, aos trabalhadores, de

forma a estabelecer condições mínimas a serem observadas nos pactos de natureza trabalhista.

Com efeito, embora pareça inicialmente inútil refletir acerca das implicações advindas da relação direito ao trabalho e direito do trabalho, impõe-nos avaliar a própria atuação do homem frente a si mesmo, e mais, o exercício aplicado pelos agentes do direito face às controvérsias que lhes são apresentadas.

3.1. CONCEITO

A tarefa de definir o Direito do Trabalho é bastante complexa, haja vista a amplitude exigida para que se esgote o significado de tal ramo da ciência. Vários juristas buscaram tal definição, partindo de perspectivas distintas ou complementares, ou seja, há várias tentativas de se exprimir a essência do Direito do Trabalho.

Considerando as concepções atinentes ao Direito do Trabalho, merece destaque aquela atribuída a Arnaldo Sussekind, segundo o qual:

Direito do Trabalho é o conjunto de princípios e normas, legais e extraestatais, que regem tanto as relações jurídicas, individuais e coletivas, oriundas do contrato de trabalho subordinado e, sob certos aspectos, da relação de trabalho profissional autônomo, como diversas questões conexas de índole social, pertinentes ao bem-estar do trabalhador47.

Baseando-se no conceito acima, é possível observar as principais relações do Direito do Trabalho que, enquanto ciência objeto do presente estudo, é norteado por um conjunto de princípios informadores de todo o arcabouço legislativo editado pelo Estado.

Todavia, as normas do Direito do Trabalho não são oriundas exclusivamente do aparelho estatal, por meio dos três poderes48. Elas também podem advir das normas coletivas (acordos ou convenções coletivos de trabalho, provenientes de negociações) e, até mesmo, das relações contratuais específicas, desde que observadas as condições mínimas estabelecidas no campo normativo.

Vê-se que as relações jurídicas integrantes do campo do Direito do Trabalho não se restringem à perspectiva individual, transcendendo para o âmbito coletivo, de sorte que as entidades sindicais possuem um papel importantíssimo na esfera das relações trabalhistas, consagrado especialmente pelo artigo 8º da Constituição Federal.

As relações ora mencionadas são especialmente aquelas atinentes ao contrato de trabalho subordinado, entendido como aquele enquadrado nos termos do artigo 3º da CLT49.

Ademais, todas as questões de natureza social que repercutem na vida do trabalhador, ou melhor, do ser humano nesta condição, por óbvio que dialogam com o Direito do Trabalho, o que revela seu caráter eminentemente interdisciplinar.

Não significa dizer, contudo, que o Direito do Trabalho não constitui um ramo autônomo do direito. É inquestionável o necessário e real diálogo que tal ciência trava com outros campos do saber, como a sociologia, economia, psicologia, biologia, entre outros, mas a interdisciplinaridade não anula a autonomia que o Direito do Trabalho possui, uma vez que nele se insere toda a convergência dos campos do saber com vistas à formação do ramo particular.

Outro ponto de divergência que permeia a concepção do Direito do Trabalho diz respeito à classificação enquanto ramo do direito público ou privado.

Aqueles que classificam o Direito do Trabalho como parte do direito privado, o fazem sob a justificativa de que nas relações de trabalho os contratantes estão ajustados por uma relação de coordenação, no sentido de que permanecem no mesmo nível

48 O Poder Legislativo se encarrega de editar as leis propriamente ditas no campo do Direito do Trabalho; o

Poder Executivo possui um poder normativo, sobretudo por meio do Ministério do Trabalho e Emprego, valendo-se de normas regulamentadoras, portarias, resoluções, entre outros; o Poder Judiciário atua nos casos específicos que são submetidos à sua jurisdição, sejam eles de natureza individual ou coletiva, de maneira a solucionar os conflitos materializados.

49 Artigo 3º - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a

empregador, sob a dependência deste e mediante salário. In BRASIL. Decreto-lei nº 5452, de 1º de maio de 1943.

ou plano, não havendo, ademais, qualquer envolvimento do Estado no contexto contratual assumido. Consideram, pois, a natureza privada do contrato de trabalho50.

Porém, enquanto uns entendem que o Direito do Trabalho integra o direito privado, outros ressaltam a atuação do Estado no estabelecimento de condições mínimas a serem preservadas no âmbito das relações laborais, de maneira que as partes não possuem ampla liberdade para ajustar as cláusulas a serem consignadas. Segundo tal perspectiva, há uma relação triangular havida entre empregado, empregador e o próprio ente estatal, ao qual os dois primeiros estão submetidos, pelo que o Direito do Trabalho é considerado integrante do Direito Público.

Assim, tratadas as principais questões conceituais sobre o Direito do Trabalho, insta asseverar a grande discussão doutrinária existente no particular, devendo ser ressaltado, sobretudo, que o Direito do Trabalho foi concebido sob a ótica dos direitos sociais e, na condição de espécie componente de tal gênero, merece ser sempre interpretado e analisado sob tal perspectiva.

3.2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO ORDENAMENTO JURÍDICO

BRASILEIRO

A história do Direito do Trabalho no ordenamento jurídico brasileiro é relativamente recente, considerando o processo histórico e as transformações ocorridas em face das demandas sociais que surgem no decorrer dele.

50 Se a maioria dos defensores da natureza jurídica do Direito do Trabalho como direito público realça o fato

de ter ele nascido da intervenção do Estado nas relações de trabalho e da consequente publicização do seu conteúdo fundamental, os partidários da sua classificação como direito privado recordam que as normas legais que lhes correspondem nasceram nos códigos civis, sendo que o instituto básico do novo rumo da ciência jurídica é o contrato de trabalho, cuja natureza jurídica é, indubitavelmente, de direito privado. Assim, o fato de o Direito do Trabalho consubstanciar inúmeras normas irrenunciáveis, por serem de ordem pública – tal como na instituição matrimonial integrante do Direito Civil –, não tem a força suficiente para deslocá-lo para o campo do direito público, embora o coloque na fronteira com esta zona, mas, ainda, em território do direito privado. Sobretudo depois do direito comparado admitir certa flexibilização na aplicação de normas de ordem pública. In SÜSSEKIND, Arnaldo. Op. Cit. p. 102-103.

No Brasil, pode-se afirmar que, com a Constituição do Império (1824), foi possível destacar a influência dos princípios exaltados no período da Revolução Francesa por meio de uma abordagem específica do trabalho e a liberdade de exercê-lo. É possível notar no artigo 179 daquela carta, por meio do inciso XXIV51, representando o marco mais importante do início do Direito do Trabalho no país52.

A partir do início do século XX, até por volta de 1930, algumas leis esparsas atinentes ao Direito do Trabalho foram editadas, regulamentando questões como sindicalização, locação de serviços e proteção do trabalho da mulher.

A partir de 1919, porém, com a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), por meio do Tratado de Versailles, passou-se a ter uma visão voltada a universalizar as questões relativas ao Direito do Trabalho. E o Brasil, integrante da OIT, passou por uma mudança na seara da política trabalhista, preocupando-se com as questões a ela relativas.

Em 1930, o Ministério do Trabalho foi criado, com o posterior advento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no ano de 1943, com atuação de Getúlio Vargas.

É importante ressaltar a efetiva participação dos trabalhadores em busca de melhores condições, o que contribuiu para o surgimento da legislação trabalhista no país, especialmente as greves ocorridas em 1919, representando a atuação dos movimentos sociais na luta por direitos nessa lógica social diferenciada.

No âmbito constitucional, a primeira Carta a mencionar a ordem econômica e social foi a de 1934, por meio dos artigos 115 e seguintes, tratando especificamente do Direito do Trabalho no artigo 12153.

51 “Nenhum genero de trabalho, de cultura, industria, ou commercio póde ser prohibido, uma vez que não se

opponha aos costumes publicos, á segurança, e saude dos Cidadãos”.

52 Antes da Constituição de 1824, é possível encontrar normas esparsas, como uma lei de 1830,

regulamentando a prestação de serviços; outra lei em 1837, versando sobre justa causa no âmbito da prestação de serviços pactuada entre colonos; e o Código Comercial (1850), com algumas referências atinentes ao aviso prévio.

53 “Artigo 121 - A lei promoverá o amparo da produção e estabelecerá as condições do trabalho, na cidade e

nos campos, tendo em vista a proteção social do trabalhador e os interesses econômicos do País. § 1º - A legislação do trabalho observará os seguintes preceitos, além de outros que colimem melhorar as condições do trabalhador: a) proibição de diferença de salário para um mesmo trabalho, por motivo de idade, sexo, nacionalidade ou estado civil; b) salário mínimo, capaz de satisfazer, conforme as condições de cada região,

A Constituição de 1937, outorgada por Getúlio Vargas, por meio do artigo 13654, consagra o trabalho enquanto dever social, passando a tratar de garantias de natureza trabalhista nos artigos seguintes.

Se, por um lado, considerar o trabalho como dever social é valorizar sua importância na vida dos cidadãos e lhe atribuir um caráter obrigatório, por outro, exclui-se a parcela da população que não se insere no grupo de empregados, sobretudo num período de enorme desrespeito às relações de trabalho.

Curioso é observar os termos do artigo 13955 do último diploma constitucional mencionado, afirmando a greve como um movimento nocivo “ao trabalho e ao capital”, que contraria “os superiores interesses da produção nacional”, sendo possível ver ainda hoje os resquícios da forma como a greve é considerada no Brasil, não obstante as garantias legais estabelecidas atualmente.

às necessidades normais do trabalhador; c) trabalho diário não excedente de oito horas, reduzíveis, mas só prorrogáveis nos casos previstos em lei; d) proibição de trabalho a menores de 14 anos; de trabalho noturno a menores de 16 e em indústrias insalubres, a menores de 18 anos e a mulheres; e) repouso hebdomadário, de preferência aos domingos; f) férias anuais remuneradas; g) indenização ao trabalhador dispensado sem justa causa; h) assistência médica e sanitária ao trabalhador e à gestante, assegurando a esta descanso antes e depois do parto, sem prejuízo do salário e do emprego, e instituição de previdência, mediante contribuição igual da União, do empregador e do empregado, a favor da velhice, da invalidez, da maternidade e nos casos de acidentes de trabalho ou de morte; i) regulamentação do exercício de todas as profissões; j) reconhecimento das convenções coletivas, de trabalho. § 2º - Para o efeito deste artigo, não há distinção entre o trabalho manual e o trabalho intelectual ou técnico, nem entre os profissionais respectivos. § 3º - Os serviços de amparo à maternidade e à infância, os referentes ao lar e ao trabalho feminino, assim como a fiscalização e a orientação respectivas, serão incumbidos de preferência a mulheres habilitadas. § 4º - O trabalho agrícola será objeto de regulamentação especial, em que se atenderá, quanto possível, ao disposto neste artigo. Procurar-se-á fixar o homem no campo, cuidar da sua educação rural, e assegurar ao trabalhador nacional a preferência na colonização e aproveitamento das terras públicas. § 5º - A União promoverá, em cooperação com os Estados, a organização de colônias agrícolas, para onde serão encaminhados os habitantes de zonas empobrecidas, que o desejarem, e os sem trabalho. § 6º - A entrada de imigrantes no território nacional sofrerá as restrições necessárias à garantia da integração étnica e capacidade física e civil do imigrante, não podendo, porém, a corrente imigratória de cada país exceder, anualmente, o limite de dois por cento sobre o número total dos respectivos nacionais fixados no Brasil durante os últimos cinqüenta anos. § 7º - É vedada a concentração de imigrantes em qualquer ponto do território da União, devendo a lei regular a seleção, localização e assimilação do alienígena. § 8º - Nos acidentes do trabalho em obras públicas da União, dos Estados e dos Municípios, a indenização será feita pela folha de pagamento, dentro de quinze dias depois da sentença, da qual não se admitirá recurso ex –offício”.

54 “Artigo 136 - O trabalho é um dever social. O trabalho intelectual, técnico e manual tem direito a proteção

e solicitude especiais do Estado. A todos é garantido o direito de subsistir mediante o seu trabalho honesto e este, como meio de subsistência do indivíduo, constitui um bem que é dever do Estado proteger, assegurando-lhe condições favoráveis e meios de defesa”.

55 “Artigo 139 - Para dirimir os conflitos oriundos das relações entre empregadores e empregados, reguladas

na legislação social, é instituída a Justiça do Trabalho, que será regulada em lei e à qual não se aplicam as disposições desta Constituição relativas à competência, ao recrutamento e às prerrogativas da Justiça comum. A greve e o lock-out são declarados recursos antissociais nocivos ao trabalho e ao capital e incompatíveis com os superiores interesses da produção nacional”.

A Justiça do Trabalho foi criada em 1º de maio de 1941, numa fase de efervescência da legislação trabalhista no ordenamento jurídico brasileiro, com o posterior surgimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A Constituição de 1946 manteve o olhar sobre o trabalho de sua antecessora. O artigo 14556 do referido diploma constitucional consagrou o trabalho como obrigação social, e o artigo 157 trouxe algumas garantias mínimas aos trabalhadores. Ademais, o artigo 158 reconheceu o exercício do direito de greve, modificando o tratamento outrora dispensado pelo Estado, mas atribuiu a regulamentação de tal direito a lei a ser editada.

Segundo Arnaldo Sussekind, a Constituição de 1946 representou a melhor Constituição brasileira, integrando a Justiça do Trabalho no âmbito do Poder Judiciário e conferindo várias garantias aos trabalhadores (SUSSEKIND, p. 44-45).

Com efeito, a Constituição de 1967, promulgada com o intuito de manter o aparelhamento nas mãos do regime militar e, portanto, permitir sua continuidade, trouxe, no seu artigo 150, os direitos e garantias individuais, colocando o trabalho como condição da dignidade humana (artigo 157, II) e, ademais, dispôs especificamente sobre os direitos sociais no artigo 15857, com vinte e um incisos voltados a garantias mínimas no âmbito das relações de trabalho.

56 “Artigo 145 - A ordem econômica deve ser organizada conforme os princípios da justiça social,

conciliando a liberdade de iniciativa com a valorização do trabalho humano. Parágrafo único - A todos é assegurado trabalho que possibilite existência digna. O trabalho é obrigação social”.

57 “Artigo 158 - A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos

termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: I - salário mínimo capaz de satisfazer, conforme as condições de cada região, as necessidades normais do trabalhador e de sua família; II - salário-família aos dependentes do trabalhador; III - proibição de diferença de salários e de critérios de admissões por motivo de sexo, cor e estado civil; IV - salário de trabalho noturno superior ao diurno; V - integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos; VI - duração diária do trabalho não excedente de oito horas, com intervalo para descanso, salvo casos especialmente previstos; VII - repouso semanal remunerado e nos feriados civis e religiosos, de acordo com a tradição local; VIII - férias anuais remuneradas; IX - higiene e segurança do trabalho; X - proibição de trabalho a menores de doze anos e de trabalho noturno a menores de dezoito anos, em indústrias insalubres a estes e às mulheres; XI - descanso remunerado da gestante, antes e depois do parto, sem prejuízo do emprego e do salário; XII - fixação das percentagens de empregados brasileiros nos serviços públicos dados em concessão e nos estabelecimentos de determinados ramos comerciais e industriais; XIII - estabilidade, com indenização ao trabalhador despedido, ou fundo de garantia equivalente; XIV - reconhecimento das convenções coletivas de trabalho; XV - assistência sanitária, hospitalar e médica preventiva; XVI - previdência social, mediante contribuição da União, do empregador e do empregado, para seguro-desemprego, proteção da maternidade e, nos casos de doença, velhice, invalidez e morte; XVII - seguro obrigatório pelo empregador contra acidentes do trabalho; XVIII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico ou intelectual, ou entre os profissionais respectivos; XIX - colônias

Por fim, a Constituição Federal de 1988, após um período marcado pelo regime militar, nas instâncias de poder brasileiras desde 1964, trouxe uma nova perspectiva da formulação do Estado para seus indivíduos, consagrando um Estado Democrático de Direito (artigo 1º, caput).

Conforme se depreende do texto constitucional, a própria estruturação da carta, ao colocar primeiramente os direitos e garantias fundamentais, antecedendo a organização do Estado, tem uma justificativa: demonstrar que o Estado existe para servir aos indivíduos, e não o contrário, além do fato de que os direitos fundamentais ganharam uma importância enorme num período representado pela supressão de inúmeras garantias e desrespeito a várias outras. Diante da nova formulação e do conteúdo voltado aos direitos fundamentais, a Constituição Federal de 1988 ficou conhecida como Constituição Cidadã.

O texto constitucional traz, no artigo 7º, após o rol dos direitos sociais (artigo 6º), a regulamentação atinente às relações de trabalho, seguido da garantia de associação profissional ou sindical (artigo 8º) e do direito de greve (artigo 9º), cujo exercício se encontra assegurado.

A carta constitucional de 1988 unificou o salário mínimo no território nacional, sendo que as necessidades básicas a serem satisfeitas foram ampliadas – embora o valor nominal esteja muito distante de atendê-las (vide item 2.1.9). Além disso, o artigo 7º admitiu o piso salarial no inciso V, consagrou a irredutibilidade salarial e a flexibilizou, sujeitando tal possibilidade apenas mediante previsão expressa por normas coletivas, o que também foi admitido com relação aos turnos ininterruptos de revezamento, sendo possível que as normas coletivas aumentem a jornada de trabalho limitada inicialmente a seis horas.

A história da legislação trabalhista no Brasil é complexa, demandando luta e atuação dos movimentos sociais.

É visível o fato de que o trabalhador brasileiro se encontra protegido por uma grande quantidade de leis, um aparato legislativo considerável surgido no século

de férias e clínicas de repouso, recuperação e convalescença, mantidas pela União, conforme dispuser a lei; XX - aposentadoria para a mulher, aos trinta anos de trabalho, com salário integral; XXI - greve, salvo o disposto no art. 157, § 7º. § 1º - Nenhuma prestação de serviço de caráter assistencial ou de benefício compreendido na previdência social será criada, majorada ou estendida, sem a correspondente fonte de custeio total. § 2º - A parte da União no custeio dos encargos a que se refere o nº XVI deste artigo será

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