As TIC tornaram-se importantes para as mais diversas áreas de produção e bens, principalmente nos países mais desenvolvidos, chegando a atingir o campo da economia, política e, até mesmo, as guerras. A máquina, por si só, é estática, cabendo ao homem dar vida às suas necessidades de criação. Foi isso que ocorreu na metade século XX com a criação do computador o qual, ao longo dos tempos, vem se tornando funcional para sociedade, utilizado em pesquisa científica, leituras e escritas, que há tempos se compunham através de outro formato.
O uso e a prática das TIC têm sido constantes em razão do acesso maior e cada vez mais aos pacotes para escritórios fornecidos tanto pela Microsoft, através do word, pela Libreoffice, através do write, e da internet, a partir da qual cresceu o barateamento dos meios de produções e o acesso fácil de bens que estão postados nas redes. Por outro lado, isso tem possibilitado/facilitado práticas ilegais, tais como utilização de materiais sem licenças abertas, o que na lei brasileira caracteriza-se como crime, tendo em vista que o uso é realizado sem prévia autorização do autor. Essas ditas práticas ilegais na rede impossibilitam que artistas restrinjam o acesso, pela população, aos meios e bens culturais tendentes a ficar restritos aos interesses de empresas, limitando, assim, o alcance ao público.
Nesse contexto, muito se fala sobre a necessidade de criação de uma cultura livre, na qual os produtos possam ser acessados livremente, sem impedimentos. Em outras palavras, a sociedade deve aprender a reservar a autoria das produções culturais, garantindo o reconhecimento do artista, no caso de uso de produtos disponíveis na internet. Até mesmo porque, várias obras e artistas jamais teriam sido descobertos se não fosse pela livre circulação de arquivos na internet (STEVÃO et al 2012, p.8).
Conforme Stevão (2012), essa cultura livre não é bem vista pelas empresas, principalmente para as gravadoras, pois passam a ter lucros menores causados pelos bens disponíveis livremente na rede. Essa cultura livre, no Brasil, é executada por uma minoria através da licença Creative Commons, enquanto os direitos autorais ou direitos reservados ainda são a maioria em todo tipo de produção intelectual e artística. Segundo Morais, Ribeiro e Amiel (2015, p. 1), os direitos autorais “são os direitos do autor, do criador, do tradutor, do pesquisador ou do artista, para controlar e garantir o uso que se faz de sua obra”.
Consoante com o que está disposto na Lei do Direito Autoral, cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar e dispor suas obras como quiser. Consoante com a legislação brasileira, a Lei de n° 9.610/98, de 19 de fevereiro, no art. 1°, capítulo I, que trata das disposições preliminares, os direitos autorais englobam os direitos do autor propriamente dito, relacionado às criações do espírito que a norma protege, estando subdivididos em direito moral e patrimonial.
De acordo com a Constituição Federal Brasileira de 1988, em seu art. 5°, inciso XXVII, “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar”. (BRASIL, 1988, s/p). Pelo que se percebe, diante dessa lei, o direito autoral é algo que precisa ser compreendido e respeitado por todos, haja vista que a criação objetiva fins comerciais até mesmo para os livros didáticos. Nesse sentido, é de profunda importância compreender bem a lei dos Direitos Autorais, pois, caso ela não seja cumprida, o indivíduo pode sofrer sérias consequências perante a justiça.
Ainda no art. 18 da lei n° 9.610/98 preveja tal ou tais obras independam de registro, fato que se confirma com o art. 19, no qual fica explícito facultatividade do autor registrar a sua obra no órgão público, pode-se observar que isso não impossibilita o infrator sofrer sanções na esfera civil e criminal, já previstas na lei, sanções estas que estão elencadas do art. 102 ao art. 110 da referida lei.
Existem muitas informações na rede, as quais se pode acessar abundantemente através do uso da internet, no entanto, não é tudo constante na rede que está disponível para ser usado em uma network simulador (NS) em situações particulares ou coletiva. Esses materiais, que estão em diversidade na rede possuem direito autoral impossibilitando qualquer indivíduo de usá-los, pois seu uso é restrito e limitado à lei de direito autoral do país. Há de se observar que, mesmo sendo de fácil visualização, os materiais, sons, imagens, vídeos, obras, dentre outros, são protegidos pela licença que tem essa imagem: . Infelizmente, a prática de crimes, como reproduções e compartilhamentos, é incalculável, dentro e fora da rede.
Esse símbolo, em formato da letra C do alfabeto, em inglês é chamado de copyright e significa all rights reserved, ou seja, todos os direitos reservados, do qual se utiliza para indicar que o material ou obra não pode ser copiado, baixado, distribuído ou adaptado por terceiros, mesmo que seja uma prática fácil e comum de se fazer, principalmente a partir do uso da internet. Sendo assim, essa prática não é legal, tendo em vista que o autor dos materiais disponíveis em rede ou fora dela, detém os direitos autorais completos sobre suas criações, mesmo que seus materiais não venham com o símbolo ou alguma informação a respeito do uso por terceiros, pois a lei brasileira entende que se trata de conteúdo fechado.
No Brasil, na lei de direitos autorais, cada autor é detentor de direitos patrimoniais e morais, já que a lei tem especificações diversas para cada uma delas. O direito patrimonial trata de direito disponível, em que a criação pode ser total ou parcialmente transmitida a terceiros, contrariamente ao direito moral, que não pode ser transferido a terceiros. Diante disso, torna-se imprescindível que alunos, professores, e todos aqueles que pesquisam e gostariam de fazer uso do que está disponível na rede usem materiais com licenças abertas, como a do Creative Commons, que fisicamente é uma organização sem fins lucrativos, com dois escritórios, um em Berlim (Alemanha) e outro em São Francisco, nos Estados Unidos da América.
O Creative Commons é uma licença que nasceu nos E.U.A e se espalhou por mais de 60 países. Define-se como sendo “uma organização não-governamental que tem como foco a elaboração e manutenção de licenças livres que auxiliam na cultura de criação e compartilhamento, que tomou força com a expansão mundial da internet” (MORAIS; RIBEIRO; AMIEL, 2015, p. 3). As licenças do tipo Creative Commons já foram adotadas por vários países, nos quais se inclui o Brasil, onde pode ser encontrada no site crreative commons.org.br, mantido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com Stervão et al. (2012, p. 8), (...) “a ideia desse movimento é uma mudança no conceito de copyright, fazendo com que ele migre do “all rights reserved” para “some rights reserved”, alguns direitos reservados”. Esse tipo de licença permite que o autor possa usar e licenciar sua criação, fazendo as atribuições que achar necessário para terceiros, de modo que não infrinja a sua autoria.
Através do site http://www.creativecommons.org.br, o autor pode escolher qual licença (quadro 5) melhor se adéqua às suas necessidades.
Quadro 5 - Tipos e atribuições das licenças creative commons
Fonte: Adaptado de Morais, Ribeiro e Amiel (2015).
Para chegar a uma dessas licença explicitas pelo quadro 8, o autor pode acessar o site da Creative Commons e preencher pequenos passos que são realizados através de perguntas feitas ao ciador da obra a ser registrada, possibilitando sua escolha por uma das licença e atribuição desejada. Necessariamente, o usuário irá precisar responder apenas duas perguntas básicas: Permitir o uso comercial da sua obra? Permitir alteração à sua obra? Para respondê-
LICENÇAS ATRIBUIÇÕES
Permite que outros distribuam, remixem, adaptem ou criem obras derivadas, mesmo que para uso com fins comerciais, contanto que seja dado crédito pela criação original. É o tipo de licença menos restritiva de todas as oferecidas, em termos de quais usos outras pessoas podem fazer de uma obra.
Permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas ainda que para fins comerciais, contanto que o crédito seja atribuído ao autor e que essas obras sejam licenciadas sob os mesmos termos. Esta licença é, geralmente, comparada a licenças de software livre. Todas as obras derivadas devem ser licenciadas sob os mesmos termos desta. Dessa forma, as obras derivadas também poderão ser usadas para fins comerciais.
Permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre sua obra, sendo vedado o uso com fins comerciais. As novas obras devem conter menção ao autor nos créditos e também não podem ser usadas com fins comerciais. Porém, as obras derivadas não precisam ser licenciadas sob os mesmos termos desta licença.
Permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre uma obra com fins não comerciais, contanto que atribuam crédito ao autor, licenciem as novas criações sob os mesmos parâmetros. Outros podem fazer o download ou redistribuir a obra da mesma forma que na licença anterior, mas eles também podem traduzir, fazer remixes e elaborar novas histórias com base nessa obra. Toda nova obra feita com base em outra de autoria diferente, deverá ser licenciada com a mesma licença, de modo que qualquer obra derivada, por natureza, não poderá ser usada para fins comerciais.
Permite a redistribuição e o uso para fins comerciais e não comerciais, contanto que a obra seja redistribuída sem modificações e completa, e que os créditos sejam atribuídos ao autor.
Esta licença é a mais restritiva dentre as seis licenças principais, permitindo redistribuição. Ela é comumente chamada “propaganda grátis”, pois permite que outros façam downloaddas obras e as compartilhem, contanto que mencionem e façam o linkao autor, mas sem poder modificar a obra de nenhuma forma, nem utilizá-la para fins comerciais.
las, basta o autor escrever sim ou não. Existem perguntas segundárias facultadas ao criador, as quais servem como metadados para possiblilitá-lo a encontrar mais fácilmente a sua criação na rede. Essas perguntas são de fundamental importância para quem deseja licenciar de forma aberta, ou quase aberta, uma criação, e não entende sobre direito autoral.
A lei de direitos autorais restrinje alguns usos, por outro lado, ela permite algumas possibilidades, como o uso de obras literárias, artísticas e científicas para uso exclusivo e não comercial para atender às necessidades do deficiente visual, através do sistema braille ou outro suporte. Assim, para usar a licença da Creative Commons não se exije do criador uma especie de mestre da internet, basta acessar o site da licença e contribuir com criação, porque esta vai contribuir não só para alimentar uma plataforma, mas, para dar oportunidade de acesso a conhecimento a muitos que não podem ter acesso a uma aprendizagem, por causa de variados fatores. Além disso, o autor também contribuirá para uma educação aberta e democrática.