PERÍODO DE ATUAÇÃO NOME
1915 – 1917 Irmã Carolina de Apresentação
1918 – 1921 Irmã Rosa de São Luiz
1922 Irmã Rosa Maria de São Francisco
1922 – 1928 Irmã Leocádia de São Bernardo 1929 – 1932 Irmã Rosário do Espírito Santo 1933 – 1939 Irmã Dora de Santíssima Trindade 1940 – 1945 Irmã Cândida de Maria Imaculada
1946 – 1950 Irmã Maria Aldete
1951 – 1953 Irmã Glória de Maria Imaculada 1954 – 1955 Irmã Maria Augusta de São José
1956 Irmã Margarida da Eucaristia
1957 – 1961 Irmã Inês de Maria Imaculada
1962 Irmã Maria Cecília d’ Assunção
1963 Irmã Maria Cândida de Jesus Hóstia 1964 – 1968 Irmã Maria da Conceição Aparecida
1969 Irmã Maria de Lourdes e Silva
1970 Irmã Maria de Lourdes Martins Barroso
FONTE: Livro de Registro do Corpo Docente do Colégio Nossa Senhora das Graças. De 1915 a 1973.
Segundo o estatuto, a Congregação não remunera seus membros, nem os da diretoria, tampouco as suas sócias. Não distribui lucros, dividendo, ou vantagens de qualquer espécie, aplicando, integralmente, os recursos adquiridos na manutenção dos objetivos institucionais. Assim, a Congregação não responde pelos compromissos assumidos pelas instituições
mantidas, a não ser nos casos em que, expressamente, tenha declarado fazê-lo, mediante instrumento idôneo, na forma da lei.84
2.3 – A Escola de Santo Antônio: caridade ou preconceito?
O Colégio Nossa Senhora das Graças destinava-se a meninas que pudessem pagar qualquer tipo de mensalidade para sustento do mesmo. Porém, com o prestígio alcançado pelo Colégio e o respeito adquirido pelas irmãs, outras pessoas da comunidade local e circunvizinhança também queriam dar instrução de boa qualidade moral e intelectual a suas filhas. Mas, não possuíam condições financeiras e, por isso, ficavam impedidas de matriculá- las no Colégio das Freiras.
Com o intuito de sanar este problema, as Irmãs foram, logo no ano de 1916, abrindo a Escola de Santo Antônio, uma instituição gratuita. O problema, então, estendeu-se para a separação: de um lado, as filhas da elite e, do outro aquelas, mais desprovidas socialmente. Ao que tudo indica, as alunas das duas instituições eram educadas por membros da mesma congregação; porém, de maneira diferenciada, acabavam não mantendo muito contato e deixando transparecer, atualmente, que as oportunidades, os cuidados e as atenções derivavam da condição social de cada uma das alunas.
Diferenças, distinções, desigualdades [...] A escola entende disso. Na verdade, a escola produz isso. Desde seus inícios, a instituição escolar exerceu uma ação distintiva. Ela se incumbiu de separar os sujeitos, tornando aqueles que nela entravam distintas dos outros, os que a ela não tinha acesso. Ela dividiu também, internamente, os que lá estavam, através de múltiplos mecanismos de classificação, ordenamento, hierarquização. A escola que nos foi legada pela sociedade ocidental moderna começou por separar adultos de crianças, católicos de protestantes. Ela também se fez diferente para os ricos e para os pobres e ela imediatamente separou os meninos das meninas.85
84 Cf. Id.
85 LOURO, Guacira Lopes. Gênero, Sexualidade e Educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis –
O espaço onde funcionou a Escola de Santo Antônio era um ambiente muito simples. Dentro do mesmo espaço do Colégio, diferentemente da suntuosidade que este deveria apresentar, já que para a instalação do mesmo foi escolhido um local de destaque, sendo este local o ponto mais alto da cidade e o prédio um casarão de grande porte, justamente para atrair a atenção dos pais de família e incentivá-los a matricular suas filhas lá, para exercer uma determinada concorrência com a escola da capital, o Colégio Nossa Senhora de Lourdes, e assim, convencer a sociedade de que, na região ribeirinha do baixo São Francisco, suas filhas teriam o mesmo rigor e a mesma qualidade da instituição que funcionava em Aracaju.
A escola gratuita para meninas não dispunha de tamanha suntuosidade, mas, representava uma oportunidade para aquelas que gostariam de estudar e não dispunham de recursos financeiros para pagar.
FOTO 16: Fachada da Escola Gratuita de Santos Antônio. FONTE: Acervo do Colégio Nossa Senhora das Graças. AUTORIA: Desconhecida
A Escola Gratuita de Santo Antônio mantinha o curso primário, oferecendo, aproximadamente, 50 vagas às crianças com faixa etária de 9 a 15 anos, e que necessitavam de seus serviços. Funcionava em um prédio nos fundos do Colégio Nossa Senhora das Graças
e recebia alunas apenas em regime de externato. Ensinava-se, além das disciplinas básicas no momento: Português, Matemática, História, Geografia, Ciências Naturais, Práticas de Trabalhos Domésticos e de Trabalhos Manuais.
O Inspetor de Ensino Ascelino Argollo, visitou no dia 07 de junho do ano de 1919, a escola gratuita para o sexo feminino de Propriá, tendo constatado e prescrito em seu relatório que os livros regulamentares da instituição estavam bem escriturados. Neste ano de 1919, foi constatado, no Livro de Registro e Mapas das Escolas Particulares86, que a escola contava
com uma matrícula de 50 crianças; porém, apesar da freqüência média ser de 42 alunas, no dia da visita somente 11 alunas estavam em sala de aula, por motivo de ser dia de feira na cidade.
Também no relatório de visita, o inspetor ressalta o fato de que, tendo assistido aos exercícios escolares, teve a impressão de que os esforços da diretora e a inteligência da professora, bem como o seu desempenho e dedicação, correspondem ao adiantamento de suas discípulas.87
O método de ensino adotado, ao que tudo indica, aproximava-se da moderna orientação pedagógica. Além de outras, o inspetor destaca a utilização da “Calligraphia Vertical” e da Geographia” e ainda, a “Lição de Coisas”, todas ensinadas com a utilização do quadro negro. Faz alusão a necessidade de um relógio, de mapas geográficos, sólidos geométricos, bem como outros objetos escolares que viessem ajudar no desempenho das aulas. O mobiliário era composto de quatorze carteiras americanas e um quadro negro. A sala, na qual funcionava a escola, na versão do inspetor, preenchia as condições reclamadas pela higiene: ampla, arejada e muito asseada.
Apesar do Colégio Nossa Senhora das Graças confirmar a existência da Escola Gratuita de Santo Antônio em alguns relatórios e poucos documentos detectados no Arquivo Público do Estado de Sergipe, os membros da Congregação das Irmãs Hospitaleiras da Imaculada Conceição não falam sobre o mesmo. O silenciamento, sobre a instituição, estende- se para outros órgãos oficiais do Estado, a ponto de não ser detectado nenhum regimento, grade curricular, estatuto, ou até mesmo fichas de matrículas das alunas. Muitos confundem esta escola com o Colégio Cenecista Santo Antônio, que foi fundado bem depois. Apenas uma depoente confirma ter ouvido falar sobre esta escola, uma vez que a sua mãe foi aluna, não
86 O motivo da escola estar no Livro de Registro e Mapas das Escolas Particulares se deve, provavelmente, ao
fato de estar vinculada, diretamente, ao Colégio das Freiras.
oferecendo informações detalhadas, deixando uma verdadeira lacuna, tanto para os 91 anos da presença das Hospitaleiras, em terras propriaenses, dedicando-se à instrução, como para a historiografia educacional sergipana.