Neste capítulo é apresentado o produto dessa pesquisa, denominado
“Diretriz para o atendimento em territórios expostos à violência urbana”, elaborada a partir das estratégias elencadas durante as entrevistas individuais e validada no grupo focal. Nela, estão as estratégias para o atendimento em serviços de APS localizados em territórios expostos à violência.
No grupo focal, os participantes de forma coletiva acrescentaram mais uma estratégia que foi com relação ao uso do jaleco para a identificação do profissional.
Neste mesmo contexto outras estratégias tiveram seu texto alterado e foi validada de forma coletiva no grupo focal.
As estratégias estão organizadas e divididas na diretriz em três partes: (1) institucional; (2) violência no território e, (3) conflito dentro da unidade de saúde.
Esses três grupos de estratégias gerenciais, foram divididos de acordo com os âmbitos gerenciais, de modo a auxiliar no gerenciamento e na organização do trabalho.
Diretriz para Aurélio (2018) significa: “norma, indicação ou instrução que serve de orientação”. A diretriz, produto desse estudo, demonstrada na figura 2, foi confeccionada baseada em uma única realidade, a partir de um território específico, porém, espera-se que colabore com outros profissionais que atuem em cenários semelhantes e que estas, sejam adaptadas à realidade de acordo com a singularidade de cada território.
FIGURA 2: DIRETRIZ PARA O ATENDIMENTO EM TERRITÓRIOS EXPOSTOS À VIOLÊNCIA URBANA
FONTE: A autora (2018)
As estratégias gerenciais no âmbito institucional foram as que os participantes da pesquisa entenderam que depende da gestão municipal. Nela foram citados: (1) a lotação do servidor mais próximo de sua residência; (2) número de profissionais em quantidade adequada e, (3) incentivo financeiro e apoio emocional para os servidores lotados em territórios vulneráveis expostos à violência urbana.
Essas estratégias têm como objetivo para os participantes do estudo, minimizar o estresse pela distância do local de trabalho, atender de forma adequada às necessidades dos usuários, colaborar com a satisfação de estar lotado no serviço e dar suporte emocional para minimizar os impactos inerentes às situações vivenciadas no cotidiano.
No âmbito territorial, os participantes trouxeram estratégias que facilitam a comunicação a fim de que evitem situações de exposição ao risco, surpreendendo-os durante surpreendendo-os atendimentsurpreendendo-os realizadsurpreendendo-os fora da unidade de saúde. O uso de jaleco como forma de identificação como profissionais de saúde mesmo a distancia e de forma rápida.
A comunicação foi a estratégia central com relação à violência no território, tendo o ACS e as lideranças comunitárias como informantes fundamentais nesse processo. Importante ressaltar a preocupação dos participantes do estudo com relação ao conflito ético em situações de violência no território. Os trabalhadores se colocaram preocupados com relação a possível não assistência em detrimento da prevenção de suas próprias vidas em situações agudas de violência no território.
Essa foi uma questão em que os mesmos sugeriram que sempre deve ser discutida em equipe.
Com relação aos possíveis conflitos dentro da unidade de saúde, foram elencadas estratégias em um primeiro momento, para evitar e/ou minimizar um eventual conflito. Neste contexto foi citado mais uma vez a comunicação, porém, desta vez, mais voltado ao diálogo e a forma como se dirigir aos usuários. Para os participantes esta deve ser feita de maneira tranquila, assertiva, clara, evitando sobremaneira o conflito. Sendo assim, o acolhimento das necessidades de saúde e a comunicação, demonstram ter um papel de fundamental para evitar situações violentas e de conflitos dentro dos serviços de saúde.
Outra estratégia citada foi com relação ao acesso dos usuários ao serviço, demonstrando a necessidade de não se criar barreiras para o atendimento, mais uma vez, demonstrando a importância do acolhimento. Nesse sentido, foi citada ainda a influência do vínculo e do posicionamento respeitoso na relação com o usuário.
A equipe demonstrou a preocupação com a exposição de seus membros frente aos usuários, sinalizando que durante o exercício de suas atividades deve-se evitar a exposição de outros membros da equipe. Para tanto, sugeriram reuniões frequentes para se alinhar possíveis dissensos, a proteção coletiva e o trabalho em grupo.
A singularidade e privacidade dos usuários também foi estratégia citada para evitar conflito. A equipe preocupa-se com possíveis comentários que podem conflitar as relações, indo ao encontro com questões éticas em suas atividades. Foi dado
como exemplo, a clínica odontológica que é organizada em módulo, onde a privacidade da população fica aquém do ideal. Com relação a esta celeuma foi sugerido à retirada do usuário para um local mais reservado a fim de se manter e fortalecer o vínculo com este grupo de profissionais.
Em momentos de conflito, a equipe estudada demonstrou preocupação com a comunicação e o gerenciamento de situações conflituosas. A estratégia citada é retirar os envolvidos do cenário de conflito e conversar com tranquilidade abordando a maneira mais assertiva de solucionar tal situação. Foi citada ainda, a possibilidade de considerar um atendimento imediato a fim de sanar o conflito. Importante ressaltar que a equipe entende que a pessoa que gerou a situação de conflito não terá seu atendimento por esse motivo, mas que é necessário o uso de bom senso para que se evitem situações piores, impactando no atendimento à população.
Por fim, cabe ainda ressaltar que essas estratégias não são estanques, mas sim, complementares sendo utilizadas em diversos momentos e em diferentes processos.
Com as estratégias elencadas nessa diretriz, espera-se que outros profissionais inseridos em territórios expostos à violência urbana possam utilizá-las a fim de colaborar com suas ações de acordo com sua realidade e singularidade.
Percebeu-se que a comunicação, o ambiente de trabalho agradável e o coleguismo / profissionalismo entre os membros da equipe são ferramentas essenciais para nortear as ações propostas com a finalidade de ofertar uma atenção integral aos usuários do serviço.