• Nenhum resultado encontrado

DIRETRIZES ADAPTADAS DE “A GREEN VITRUVIUS” PARA

II. REABILITAÇÃO ARQUITECTÓNICA E SUSTENTABILIDADE! !11!

2.6. DIRETRIZES ADAPTADAS DE “A GREEN VITRUVIUS” PARA

GREEN VITRUVIUS” PARA CONSTRUÇÃO

DE UM EDIFÍCIO VERDE

!

Há duas etapas que marcam atitudes opostas relativamente ao desenho de edifícios: a primeira, negligenciava as questões ambientais e aproveitava a produção de energia barata até 1973 quando surgiu a primeira crise petrolífera; a segunda, equaciona os custos energéticos e ambientais com impacto nas economias familiares e empresariais e no meio ambiente, na sustentabilidade do planeta.

A destruição da camada do ozono (carta de Montreal 1987), a poluição, a destruição dos eco sistemas e da diversidade ambiental, a desertificação, são alguns aspetos que refletem a desestruturação dos sistemas.

É dentro destas preocupações que o desenho verde é entendido, um conjunto de procedimentos que se devem ter em conta nas intervenções, preocupações que têm vindo a ser colocadas na União Europeia no âmbito da arquitetura e das cidades com o trabalho das Cidades Europeias Sustentáveis.

A UIA produziu em 1993 a “Declaração de Chicago” no sentido de criar padrões de resposta qualificada dos edifícios no domínio ambiental e energético.

A questão subjacente pode ser colocada a dois níveis: o primeiro tem a ver com a consciência de que um edifício tem de integrar preocupações quanto à forma, ao programa e à gestão de modo a viabilizar a sua existência; o segundo incide nas qualidades que os edifícios devem possuir e, para que isso aconteça, devem–se reduzir os custos de manutenção.

Não deveria ser novidade, mas é inerente ao processo de fazer arquitetura responder adequadamente a todas as questões. É um princípio presente na arquitetura popular que partindo dos materiais locais, da correta inserção no terreno, produz soluções cujo conhecimento foi sedimentado durante gerações.

Hoje as variáveis são imensas, mas há que garantir princípios inerentes a saber pensar arquitetura: luz natural, ventilação natural, condições térmicas

aceitáveis decorrentes dos materiais utilizados, tudo pensado e executado corretamente duma forma simples e integrada.

A atitude perante a construção, deve fazer a síntese entre dois princípios que têm sido dissociados: a construção e a ideia.

No século XVIII com Boulée, a ideia prevaleceu em relação à construção porque o arquiteto se tinha autonomizado dos estilos e antes de construir era necessário ter uma ideia.

Contudo, a ideia converge com a construção para optimizar as soluções estruturais e a tectónica que hoje envolve o meio ambiente onde se situa. Assim, é necessário criar as condições estruturantes para que haja um envolvimento global em termos materiais e imateriais, equacionar o edificado em termos de comportamento aos fatores externos e em termos energéticos. A necessidade imperativa de se fechar o ciclo de vida do edifício, contabilizando a sua construção e desempenho em termos energéticos, verde e de gestão, altera radicalmente os pressupostos do desenho que não equacionava estes princípios, um desenho que traduzia um pensamento por subsistemas, que encontrava sempre soluções mecânicas para resolver problemas que não tinham sido resolvidos a priori.

As qualidades da ‘pele reativa e responsiva’ também são importantes ser equacionadas mas, sobretudo há que atender a um conjunto de fatores determinantes conceptuais que é necessário referenciar à partida e que constituem uma estrutura de boas práticas para uma construção verde conforme refere o livro A Green Vitruvius. 51

A construção deve ser sólida com uma estrutura resistente e conter uma disponibilidade que permita adaptar a vários tipos de programas.

O dimensionamento dos compartimentos deve ser generoso e ter pés direitos altos. Este princípio permite uma melhor circulação do ar criando um maior arrefecimento.

Outro aspeto a considerar é a qualidade da massa térmica das paredes, garantir uma boa ventilação natural em todas as circunstâncias e utilizar elementos de sombreamento adequados.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

51!Fitzgerald, E. et al., 2001. A Green Vitruvius, Princípios e Práticas de Projecto para uma

São princípios utilizados por Le Corbusier nos seus edifícios (brise-soleils) que acrescentaram estes princípios à gramatologia do Movimento Moderno, e cuja expressão tem evoluído em termos de desenho de acordo com princípios estéticos.

Contudo, nunca se pode esquecer o facto de que na orientação poente o sol aquece e está mais baixo, pelo que os quebra-luzes devem ser verticais. A sul, basta uma pala na horizontal de modo a obturar a entrada de sol direto. Estes princípios reportam-se a Portugal, havendo que ter em atenção a carta solar em diferentes países.

No hemisfério sul as orientações são diferentes, mas o problema é o mesmo. Inversamente, há uma exigência mínima de aquecimento nas estações frias: neste caso, o desenho da pele dos edifícios devem garantir que haja ganhos solares e uma insolação adequada.

É de evitar o recurso a elementos mecânicos que oneram as construções, têm impacte energético, criam sistemas de dependência e de manutenção. Foi uma das questões que esteve na base da implosão do conjunto Pruigg- Igoe de Minoru Yamasaki em Saint Louis Missouri em 15 de julho de 1972 às 15,32h que Charles Jencks enunciou como o fim do Movimento Moderno e o começo do Pós-Modernismo.

Deve-se equacionar o conjunto de fatores adversos em cada lugar, princípio que os Chineses utilizam no Feng Shui.

Em Portugal nas zonas graníticas existem bolsas de rádon, gás radiativo emanado do granito. O gás inodoro é inspirado e não sai do corpo, sendo a segunda causa de cancro em Portugal, logo a seguir ao tabagismo.

Como resposta adequada a este princípio, há que criar uma barreira ou um pavimento que tenha uma caixa ventilada por baixo.

Em termos programáticos, há que prever locais para armazenamento de resíduos sólidos que permitam a separação para reciclagem.

Os edifícios devem ser adequadamente isolados garantindo um bom desempenho por todos os componentes que constituem um sistema, de modo a evitar as pontes térmicas.

Deve-se garantir a estanquidade de modo a isolar o interior do ruído assim como das humidades e da poluição do ar.

Como procedimento essencial é de evitar o derramamento de materiais ou líquidos que podem contaminar e poluir o terreno.

Correspondendo a um princípio de boas práticas, há que criar zonas protegidas do sol direto no exterior através de sombreamentos por árvores, elementos construídos ou os dois conjugados.

O abrigo contra os ventos dominantes é um factor de aprazibilidade e de adequação para que haja uma utilização dos espaços. Complementarmente há que garantir que não haja correntes de ar e controlar as brisas frescas. A modelação do terreno, as associações vegetais (árvores, arbustos e gramíneas) de modo a atirar o vento para níveis superiores, a construção de elementos de proteção, orientação na criação de espaços exteriores, são variáveis a equacionar. Complementarmente, as associações vegetais contribuem para absorver o pó e o CO2.

A pavimentação dos espaços exteriores deve ter em consideração a permeabilidade do solo garantindo que haja uma boa infiltração de modo a permitir uma boa irrigação, evitando as enxurradas. Este princípio deve estar presente no desenho dos espaços equacionando as pendentes e o ciclo de escoamento.

Deve-se potenciar o uso da iluminação natural. É um princípio inerente à arquitetura a sua modelação espacial. A criação de uma iluminação homogénea ou de acordo com as funções e ambientes pretendidos é um determinante da concepção evitando o recurso a luz artificial desnecessária. Neste sentido, para além dos pés direitos elevados, a utilização da cor branca que é refletora nos materiais e acabamentos, deve ser complementada pelo desenho adequado dos vãos e elementos de fachada bem como por lanternins e claraboias.

O edifício deve ser concebido de forma a haver uma exigência mínima de aquecimento. Pode ser criada uma estufa solar para fornecer calor na estação fria. É vantajoso instalar um permutador de calor no circuito de ventilação natural.

Para o arrefecimento deve-se privilegiar a utilização de cores claras nos revestimentos exteriores (paredes e coberturas frias), especialmente nos climas mais quentes.

Deve-se potenciar um desenho que evite a utilização de subsistemas mecânicos como é o caso do ar condicionado. A criação de correntes de convecção nos edifícios e o controlo da entrada e saída de ar é um princípio essencial do desenho.

A constituição do invólucro exterior deve garantir um bom desempenho térmico e acústico em todos os seus componentes e ligações.

Nas caixilharias deve ser utilizado vidro baixo emissivo de elevado desempenho.

Podem ser utilizados dispositivos para direcionar a luz – pala refletora, vidro prismático, etc.

A inércia térmica forte atenua as diferenças de temperatura, sendo benéfica tanto na estação fria como na estação quente. Exceptua-se a situação de edifícios com uso intermitente.

A especificação de aparelhagens e equipamentos energeticamente eficientes é um fator essencial para a poupança de energia.

Devem-se potenciar ao máximo e sempre que for adequado todos os tipos de ventilação natural: ventilação transversal, ventilação por efeito de chaminé nos edifícios mais altos. Podem ser utilizadas ventoinhas no teto para ajudar a circulação do ar.

Como princípio de adequabilidade e integração no lugar, devem-se usar os materiais locais dum modo significativo.

A opção pelos materiais a utilizar deve equacionar o tempo de vida do edifício e o seu comportamento, devendo ser duráveis, sem necessidade de manutenção nem renovação a curto prazo.

Nos interiores, deve-se garantir acabamentos em todas as superfícies que se conjuguem agradavelmente, criando ambientes humanizados e atmosferas com apelo aos sentidos (olfato e tacto). Complementarmente, há que garantir o seu desempenho químico evitando que haja libertação de gases tóxicos e/ou a emanação de produtos que causem alergias.

DIRETRIZES PARA CONSTRUÇÃO DE UM EDIFÍCIO VERDE:

ASSIM, DEVE-SE CUMPRIR A SEGUINTE LISTA:

- Construção durável;

- Construção folgada capaz de futuras adaptações para diferentes usos; - Pés direitos altos;

- Usar massa térmica; - Prever ventilação natural; - Utilizar quebra-luzes;

- Exigência mínima de aquecimento nas estações frias; - Evitar as pontes térmicas;

- Isolar as fontes interiores de ruído, vapor de água e poluição do ar; - Projetar para evitar a necessidade de elevadores;

- Proteção contra o radão;

- Prever o armazenamento separado de resíduos sólidos.

1. ARRANJOS EXTERIORES:

1.1 Sombrear o ambiente exterior em zonas excessivamente quentes; 1.2 Proteção dos ventos dominantes (sem interferir com a ventilação natural); 1.3 Árvores e arbustos para absorver o CO2 e o pó;

1.4 Minimizar a pavimentação do terreno;

1.5 Preferir pavimentos permeáveis para infiltração das águas pluviais; 1.6 Evitar o derramamento de poluentes no terreno.

2. ILUMINAÇÃO NATURAL:

2.1 Uso de iluminação natural.

3. AQUECIMENTO:

3.1 Exigência mínima de aquecimento nas estações frias; 3.2 Estufa solar para fornecer calor na estação fria; 3.3 Permutador de calor no circuito de ventilação natural.

4. ARREFECIMENTO:

4.1 Cores claras nos acabamentos exteriores;

4.2 Necessidade mínima de arrefecimento na estação quente; 4.3 Evitar o ar condicionado.

5. INVÓLUCRO:

5.1 Bom isolamento; 5.2 Boa vedação; 5.3 Controlo de vapor;

5.4 Vidro baixo emissivo de elevado desempenho; 5.5 Dispositivos para direcionar a luz;

5.6 Inércia térmica forte.

6. ENERGIA:

6.1 Especificar equipamentos energeticamente eficientes.

7. VENTILAÇÃO:

7.1 Ventilação natural; 7.2 Ventilação transversal;

7.3 Ventilação por efeito de chaminé nos edifícios mais altos; 7.4 Ventoinhas no teto.

8. MATERIAIS:

8.1 Aplicar materiais locais, sempre que possível; 8.2 Acabamentos duráveis;

8.3 Acabamentos que não libertem gases tóxicos.

9. QUEBRA-LUZES:

9.1 Persianas;

9.2 Sombreamentos ajustáveis nos lanternins existentes a sul (no hemisfério norte).

10. ENERGIAS RENOVÁVEIS:

10.1 Energia fotovoltaica, eólica, outras renováveis.

11. ÁGUA:

11.1 Baixo consumo de água;

11.2 Usar dispositivos economizadores.

12. VEGETAÇÃO:

2.7. DIRETRIZES PARA ARQUITETURA