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DIRETRIZES DE SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

5. CONCEITO E DIRETRIZES PROJETUAIS

5.4 DIRETRIZES DE SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

Os materiais a serem usados na edificação serão pensados de modo a promover o conforto térmico, dispensando assim o uso de ar-condicionado ou outros equipamentos que funcionem como aquecedor ou resfriador dos ambientes. Para a escolha será levado em consideração a distância dos materiais até a obra, o uso de produtos e tecnologias que sejam ambientalmente amigáveis e demais aspectos que possam contribuir para que a edificação seja sustentável e não gere tantos problemas ao meio ambiente e a comunidade local.

A edificação será proposta de modo mais compacto, usando cores em tons médios nos ambientes exteriores reduzindo os ganhos térmicos no verão e aumentando no inverno. Também será proposto o uso de ventilação cruzada em todo o Centro e os ambientes onde ocorrerá a maior permanência pelo público serão construídos na melhor orientação solar.

Para a construção serão usados tijolos ecológicos, pois os mesmos oferecem uma ótima qualidade, estética, um custo-benefício muito melhor quando comparado aos tijolos convencionais e não são queimados evitando assim a poluição do ar. Os tijolos ecológicos também dispensam o uso de massa de assentamento e o uso de mão-de-obra especializada.

Figura 32. Tijolos ecológicos.

Também será utilizado tintas e vernizes a base de terra, as quais são necessárias as repinturas a cada 08 ou 10 anos apenas, e não agridem o meio ambiente, a saúde e não descascam ou desbotam com o tempo. A tinta à base de terra também auxilia no retardamento do fluxo de calor no interior da edificação, melhorando as condições térmicas dos ambientes.

Figura 33. Tinta à base de terra.

Fonte: Tintas Solum (s.d)

5.5 PROGRAMA DE NECESSIDADES

Nessa etapa será apresentado o programa de necessidades, o qual foi desenvolvido através de análises e conversas com os integrantes da comunidade indígena, observando os ambientes que a comunidade não possui e são fundamentais para atingir o objetivo da monografia. Os ambientes foram divididos em setor administrativo, setor social e setor de serviço conforme apresentado na tabela abaixo.

Tabela 5. Programa de Necessidades

Ár

ea

S

oc

ial

Ambiente Dimensão Mobiliário

Sala de Informática 30 m² Computadores, mesas e cadeiras Oficina de

Artesanato

40 m² Mesas, cadeiras e armários

Sala de Uso

Múltiplo 60 m²

Cadeiras e mesas

Oficina de Pintura 30 m² Mesas, cadeiras, cubas, armários Depósito 15 m² Armários

Biblioteca 50 m² Armários, mesas e cadeiras Área Expositiva 30 m² Telas

Auditório 70 m² Poltronas Sanitários Público 12 m² Cubas, vasos sanitários

Ár

ea

S

erviç

o

Sanitários Serviço 18 m² Cubas, vasos sanitários, chuveiro, armários

Cozinha 35 m² Cuba, refrigerador, bancada, fogão, forno e microondas

Central de Gás 5 m²

DML 6 m² Armários, tanque e máquina de lavar Reservatório 15 m² -

Almoxarifado 20 m² Armários Central de Lixo 5 m² Lixeiras

Copa/Estar Funcionários

15 m² Fogão, cuba, refrigerador, poltrona e cadeira

DML 6 m² Armários, tanque e máquina de lavar Depósito Comida 10 m² Armários

Depósito Bebida 10 m² Armários

Ár

ea

Admini

stra

ti

va Recepção 30 m² Balcão, poltronas

Sala de Reuniões 25 m² Mesa, poltronas e armários

Administração 35 m² Mesa, computador, cadeira, poltrona e armários

Fonte: Autora (2020)

5.6 ESTUDO DE MANCHAS

A primeira proposta (Figura 34) pensada para a implantação do projeto consiste em dois blocos com formatos dessemelhantes, buscando dessa forma representar as antigas moradias indígenas onde as edificações ficavam dispersas ao longo do terreno. Essa proposta busca unir as edificações com o ginásio poliesportivo construído ao lado do terreno. Também conta com uma praça central, a qual funciona como conectora entre os dois blocos existentes.

Figura 34. Proposta Zoneamento 01.

Fonte: Autora (2020)

A segunda proposta (Figura 35) consiste em dois blocos com um grande pátio central que servirá como elemento de ligação. Através dessa proposta, foi buscado atingir um dos objetivos propostos para o estudo, a integração entre os ambientes e a utilização de uma praça central, a qual poderá ser usada pelos habitantes em horários onde o centro não estará em funcionamento.

Figura 35. Proposta Zoneamento 02.

Fonte: Autora (2020).

A terceira proposta (Figura 36) foi escolhida para dar andamento ao projeto. Ela consiste em dois blocos com formatos semicirculares de modo a representar as antigas moradias indígenas e uma praça central, buscando dessa maneira atingir os objetivos

propostos. Também será projetada uma entrada entre os blocos para dar ligação as demais vias e ao ginásio poliesportivo existente no terreno ao lado.

Figura 36. Proposta Zoneamento 02.

Fonte: Autora (2020).

5.7 ORGANOGRAMA E FLUXOGRAMA

Figura 37. Fluxograma e Organograma Social.

Fonte: Autora (2020)

Com base no programa de necessidades e nos estudos de manchas, foi realizado o organograma e fluxograma de cada um dos ambientes. A maioria possuirá fluxo médio em ambos os setores, isso deve-se ao fato de que o Centro Cultural será proposto em uma

comunidade com poucos habitantes, onde nem todos frequentaram o local ao mesmo tempo que demais visitantes.

5.8 PROPOSTA DE ZONEAMENTO

A proposta de zoneamento consistiu em dois blocos semicirculares com o raio de circunferência diferentes, conforme a Figura 38. Os blocos serão unidos através de um telhado curvo que ficará acima da circulação, facilitando o fluxo de pessoas em dias chuvosos.

Figura 38. Estudo de Manchas – Planta Baixa

Fonte: Autora (2020).

Na proposta pode-se notar que o auditório estará disposto em local onde poderá ser usufruído o desnível natural do terreno, visando assim a menor modificação de terra. Enquanto a sala de exposição também funcionará como um foyer, aumentando o fluxo de pessoas no local.

A cozinha e demais áreas de serviço se optou por serem deixadas em uma boa orientação solar, pois a intenção é que o Centro seja ocupado futuramente como uma edificação de apoio ao Centro de Assistência Social – CRAS, evitando o deslocamento de crianças e adolescentes indígenas que necessitam de atendimento diário até a cidade de Muliterno.

5.9 PROPOSTA VOLUMÉTRICA

A proposta volumetria consiste em dois blocos semicirculares, onde o telhado possuirá um desnível de modo a acompanhar o terreno. Entre as duas edificações será proposto uma praça para que a população possa usufruir, além de um espaço para eventos itinerantes, dando maior flexibilidade quanto ao uso do Centro de Valorização.

Conforme a Figura 39, as partes representadas em vermelho são os setores sociais, em cinza o setor administrativo e em rosa o setor de serviço. Também será realizada uma ligação entre as edificações com uma cobertura circular, permitindo a maior mobilidade em dias chuvosos.

Figura 39. Proposta Volumétrica

Fonte: Autora (2020).

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através dos estudos e pesquisas, a criação de um Centro de Valorização a Cultura Indígena mostrou-se extremamente necessário na cidade de Muliterno, onde a cultura e as tradições da comunidade Monte Caseros estão sendo deixadas de lado com o passar do tempo.

Apesar da comunidade possuir poucos habitantes, através dos dados obtidos em sites como o IBGE, foi possível perceber o crescente aumento da população indígena na cidade, e locais como o Centro de Valorização poderão funcionar como um integrador entre os habitantes, tornando-se um local de convívio frequente e de lazer.

A análise do local e dos estudos de caso serviram para gerar as diretrizes projetuais, visando sempre a melhor maneira de estimular a população a usufruir do espaço e continuar colaborando para que ele exista e se torne um ponto de referencia para demais comunidades Kaingangs, atingindo dessa forma um dos objetivos da presente monografia.

7. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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