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5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1 DIRETRIZES DE WAYFINDING

Na primeira fase da pesquisa, foi realizada, no dia 22 de maio de 2019, uma observação sistemática na Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM) com o objetivo de coletar informações acerca dos elementos presentes no ambiente que podem cumprir o papel de orientar o usuário. Sendo assim, buscou-se elementos de wayfinding através da aplicação das diretrizes de wayfinding para bibliotecas universitárias propostas neste trabalho.

A respeito da primeira diretriz (Disponibilizar um mapa da biblioteca

universitária em um local visível e de fácil acesso), não foi observado nenhum

mapa estruturado na BCZM que apresentasse rotas ou situasse o usuário informando sua posição atual.

Um painel localizado logo na entrada (Figura 2) pode ser visto como uma tentativa de aproximação da função de um mapa: apresenta áreas de maneira hierárquica como “Mezzanino”, “Térreo” e “Subsolo” e indica a direção dos setores e tipos de coleções em cada uma delas. No entanto, além de ser uma sinalização que não contempla o anexo (o que sugere desatualização), o painel não possui elementos visuais que possam caracterizá-lo como um mapa e é composto por letras de cores claras sobre um suporte de material reflexivo e transparente tornando-o quase imperceptível ao usuário. Portanto, a primeira diretriz não foi atendida.

Figura 2 – Painel com indicação de setores e tipos de coleções

Fonte: Autoria própria (2019)

No que se refere à segunda diretriz (Planejar o leiaute da biblioteca

universitária de maneira que os caminhos auxiliem a navegação e a busca), o

primeiro problema a ser observado é o fato de que as classes não estão organizadas de modo sequencial e lógico, uma vez que as classes dos livros do anexo (parte mais distante em relação à entrada) são intermediárias e as dos livros do prédio principal (parte mais próxima à entrada) são as últimas.

O usuário que procura um padrão sequencial e lógico na realização da busca informacional através do número de chamada apresentado pelo catálogo possivelmente será obrigado a fazer um tour pela biblioteca até conseguir compreender a especificidade da organização dos assuntos que é encontrada atualmente na BCZM.

A despeito desse fato, em geral, o ambiente da BCZM proporciona parcialmente fluidez à navegação do usuário, adotando espaçamento adequado entre às estantes e entre às mesas. Os caminhos, em sua maioria, estão situados entre as estantes e se cruzam constantemente (Figura 3).

Figura 3 – Caminhos e cruzamentos na BCZM

Fonte: Autoria própria (2019).

Contudo, próximo às estantes do acervo de coleções, situado no subsolo, foram verificadas mesas e cadeiras que obstruem a passagem do usuário que necessite buscar algum material. Essa disposição dos elementos dificulta a navegação do usuário e torna aquela parte do acervo como potencialmente inutilizado (Figura 4).

Portanto a segunda diretriz foi parcialmente atendida, levando em consideração essa falha de planejamento do leiaute que dificulta a navegação e a busca informacional do usuário.

Figura 4 – Caminho obstruído por mesas e cadeiras

Fonte: Autoria própria (2019).

A terceira diretriz (empregar sinais gráficos em todo o ambiente da

biblioteca universitária, principalmente nos pontos de decisão) foi verificada e

constatou-se que há uma grande quantidade de sinalização por toda a biblioteca, porém falta padronização dos sinais em todo o ambiente. Por exemplo há placas com fontes, cores, tamanhos e formas de apresentação totalmente distintos e não padronizados (Figura 5).

Figura 5 – Exemplo de variação na apresentação da sinalização

No que diz respeito às estantes, o emprego da sinalização é padronizado por etiquetas amarelas com letras pretas que podem indicar o termo ou número de classificação dado ao assunto apresentado na região.

Os maiores problemas dizem respeito à falta de sinalização em alguns pontos de decisão importantes, como por exemplo, duas escadas no prédio principal que, além de estarem praticamente escondidas, não possuem nenhum tipo de sinalização (Figura 7).

Figura 6 – Escadas não sinalizadas

Fonte: Autoria própria (2019).

Outro ponto de decisão, desta vez muito mais importante, diz respeito ao início do corredor que leva ao Setor de Coleções Especiais. Não há nenhum tipo de sinalização nem no corredor, nem próximo à entrada que indique que estes materiais estão localizados ali (Figura 8). Desta forma, conclui-se que a terceira diretriz foi parcialmente atendida.

Figura 7 – Ponto de decisão não sinalizado

Aplicando-se a quarta diretriz (criar uma identidade específica para cada

ambiente da biblioteca universitária, favorecendo a capacidade de diferenciação do usuário), verificou-se que a BCZM, em geral, não diferencia seus

espaços de maneira intencional, pois não há uso de elementos visuais que permitam que os usuários identifiquem os diversos tipos de acervo existentes. A única forma de identificação dos tipos de acervo diz respeito à localização das estantes, que são agrupadas separadamente de acordo com o tipo de fonte informacional como pode ser visto a seguir. (Figura 9). Logo, conclui-se que a BCZM atende parcialmente à quarta diretriz.

Figura 8 – Agrupamentos de estantes de acordo com o tipo do acervo

Fonte: Autoria própria (2019).

Aplicando-se a quinta diretriz (fornecer pontos de referência que se

destaquem na biblioteca universitária a fim de auxiliar a memorização do usuário durante o percurso), observou-se alguns elementos na BCZM que podem

ser utilizados como pontos de referência para a memorização do usuário. Levando em consideração que qualquer elemento que se destaque do ambiente em tamanho,

formato, cor, entre outros aspectos, podem ser utilizados como referencial, são listados os seguintes marcos em potencial encontrados na BCZM: caixa de extintor de incêndio (ou os próprios extintores), totens para consulta do catálogo, móvel em formato peculiar e tapeçarias (Figura 10).

Figura 9 – Pontos de referência em potencial encontrados na BCZM

Fonte: Autoria própria (2019).

Portanto, considera-se que há elementos potencialmente utilizáveis como forma de facilitar a capacidade memorização do usuário em certa medida. Nesse sentido, a quinta diretriz é parcialmente atendida, uma vez que nem todos os elementos estão situados em locais adequados, como por exemplo a tapeçaria, que está localizada em um ponto isolado do ambiente e distante do acervo.

Em suma, pode-se concluir que a qualidade do wayfinding na BCZM é baixa, visto que não atendeu à primeira diretriz e atendeu apenas parcialmente a segunda, terceira, quarta e quinta diretrizes.

A fim de coletar informações acerca da percepção do usuário quanto aos elementos de wayfinding encontrados na BCZM e os impactos causados no

interesse em utilizar a Biblioteca Central Zila Mamede, foram aplicados questionários aos alunos ingressantes nos cursos do CCSA. Seguem os resultados alcançados.

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