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Diretrizes para Inform´ atica na Educa¸c˜ ao

3.4 An´ alise de Softwares Educacionais

3.4.1 Diretrizes para Inform´ atica na Educa¸c˜ ao

O ProInfo, inicialmente denominado Programa Nacional da Inform´atica na Educa¸c˜ao, foi cri- ado pelo Minist´erio da Educa¸c˜ao (MEC) com a finalidade de promo¸c˜ao do uso da tecnologia como ferramenta de enriquecimento pedag´ogico no ensino (FNDE, 2012). A partir de 2007, o ProInfo passou a ser o Programa Nacional de Tecnologia Educacional, tendo como obje- tivo promover o uso pedag´ogico das tecnologias de informa¸c˜ao e comunica¸c˜ao nas redes de educa¸c˜ao brasileiras. O seu funcionamento se d´a de forma descentralizada em cada unidade da Federa¸c˜ao com uma coordena¸c˜ao Estadual, as quais possuem, de acordo com (FNDE, 2012), infraestrutura de inform´atica e comunica¸c˜ao que re´unem educadores e especialistas em tecnologia de hardware e software.

Desta forma, anteriormente `a escolha dos modelos de avalia¸c˜ao de softwares educacionais, ´e fundamental a compreens˜ao das orienta¸c˜oes que regem o uso da inform´atica na educa¸c˜ao no Brasil. Conforme apresentado pelas Diretrizes para o Uso de Tecnologias Educacionais do Governo do Estado do Paran´a (Melo et al., 2010), para esta compreens˜ao se faz relevante a discuss˜ao de alguns conceitos no contexto educacional, a come¸car pelo de “media¸c˜ao”, uma vez que este subsidiar´a o trabalho do professor quanto ao uso de Tecnologias da Informa¸c˜ao e Comunica¸c˜ao (TIC).

(Melo et al., 2010), atrav´es da orienta¸c˜ao do MEC de que “o uso das tecnologias na educa¸c˜ao deve estar apoiado numa filosofia de aprendizagem que proporcione aos estudantes

oportunidades de intera¸c˜ao e, principalmente, a constru¸c˜ao do conhecimento”, reitera a ne- cessidade de clareza quanto ao trabalho que o professor desempenha enquanto mediador deste conhecimento. Portanto, (Melo et al., 2010), atrav´es da fundamenta¸c˜ao em um conjunto de autores incluindo Vygotsky, compreende que a aprendizagem ´e um produto das rela¸c˜oes es- tabelecidas entre os sujeitos, ou seja, um produto da sua intera¸c˜ao com o meio social, em que o professor tem a fun¸c˜ao de mediador did´atico-pedag´ogico. O processo de media¸c˜ao ´e deste modo tido como:

“A media¸c˜ao do professor consiste em problematizar, perguntar, dialogar, ouvir os estudantes, ensin´a-los a argumentar, abrir-lhes espa¸co para ex- pressar seus pensamentos, sentimentos, desejos, de modo que tragam para a aula sua realidade vivida.” (Melo et al., 2010, p. 12)

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A vista disso, entende-se que ´e de responsabilidade do professor prover aos estudantes os conhecimentos hist´orica e culturalmente constru´ıdos, al´em de mediar o processo de aprendi- zagem com vistas `a reconstru¸c˜ao do conhecimento, atrav´es de uma “metodologia espec´ıfica, estrat´egias de ensino, e os mais diversos recursos did´aticos dispon´ıveis, dentre os quais as tecnologias educacionais, pois nisso consiste o processo de ensino” (Melo et al., 2010).

De acordo com estas diretrizes, o papel de media¸c˜ao do professor envolve ent˜ao a de- termina¸c˜ao de novas formas de processar e utilizar a informa¸c˜ao com envolvimento ativo e emocional dos educandos no desenvolvimento de a¸c˜oes.

Neste processo de media¸c˜ao, o uso das tecnologias educacionais proporciona oportunidades de “desafios, de cria¸c˜ao e reconstru¸c˜ao de novos conhecimentos”. Ou seja, conforme (Melo et al., 2010), as tecnologias educacionais tem o objetivo de n˜ao apenas o repasse de conceitos e conhecimentos cient´ıficos, mas sim a expans˜ao dos espa¸cos de aprendizagem, o que vem a ampliar as possibilidades de leitura e express˜ao da realidade dos educandos, potencializando a aprendizagem destes ao mesmo tempo em que enriquece a pr´atica do professor.

Para a transforma¸c˜ao da tecnologia em recursos educativos efetivos, (Melo et al., 2010) enfatiza que se faz necess´ario o planejamento das situa¸c˜oes de ensino-aprendizagem, o que requer “inten¸c˜ao, sistematiza¸c˜ao e objetivos definidos do que se quer ensinar, para quem, com que recursos e como ensinar”. A compreens˜ao do contexto educacional se faz essencial, uma vez que ultrapassa o pensamento linear no qual se tenta fazer com que todos aprendam necessariamente “nos mesmos tempos e espa¸cos” (Melo et al., 2010). A contextualiza¸c˜ao tamb´em quanto ao uso das tecnologias auxiliaria, desta forma, a produ¸c˜ao de conhecimen- tos que levem `a transforma¸c˜ao, promovendo uma sociedade mais “participativa, cr´ıtica e igualit´aria”, ou seja, a tecnologia a servi¸co da cidadania.

No que tange a cidadania, (Melo et al., 2010) determina que as TIC, pelo fato de po- der potencializar a articula¸c˜ao do conhecimento das diversas ´areas, podem contribuir para a

integra¸c˜ao das disciplinas e tamb´em permitir que discentes e professores se envolvam em ati- vidades socialmente relavantes e significativas. Ao mesmo tempo, (Melo et al., 2010) refor¸ca a importˆancia de estas tecnologias educacionais serem acompanhadas da devida consciˆencia n˜ao apenas social, mas tamb´em pol´ıtica e pedag´ogica das escolas, o que evita a prepondera¸c˜ao da racionalidade t´ecnica e portanto, a desumaniza¸c˜ao da mesma. Esta desumaniza¸c˜ao acon- teceria na medida em que a escola, sem as devidas precau¸c˜oes inclusive quanto `a utiliza¸c˜ao da tecnologia, correria o risco de se transformar num espa¸co de meras “decis˜oes tecnicistas”. Assim, o papel desempenhado pela mesma ´e definido por:

“A escola, concebida como espa¸co de s´ıntese, estaria contribuindo efeti- vamente para uma educa¸c˜ao b´asica de qualidade: forma¸c˜ao geral e pre- para¸c˜ao para o uso da tecnologia, desenvolvimento de capacidades cogniti- vas e operativas, forma¸c˜ao para o exerc´ıcio da cidadania cr´ıtica, forma¸c˜ao ´etica.” (Melo et al., 2010, p. 13)

Uma vez que s˜ao feitas estas considera¸c˜oes acerca da aprendizagem e da utiliza¸c˜ao da tecnologia no contexto educacional, a recomenda¸c˜ao geral prevista por (Melo et al., 2010) ´e a de que, apesar da existˆencia de diferentes modelos pedag´ogicos que se apoiam na utiliza¸c˜ao das TIC para o processo de aprendizagem, caber´a aos professores, coerentemente com as finalidades expressas nos planos de ensino e no Projeto P´ublico Pedag´ogico das institui¸c˜oes, a compreens˜ao desses modelos como “recursos configurados hist´orica e culturalmente como parte do processo educativo, incorporando-os `a sua realidade e contexto de forma cr´ıtica e cri- ativa”, para que essa apropria¸c˜ao tecnol´ogica possa de fato contribuir para o desenvolvimento efetivo/significativo da aprendizagem.