3 JESUS, MESSIAS E REI
3.8 DISCÍPULOS: JO 17, 6 – 19
Uma segunda marca desta Oração Sacerdotal é a parte em que Jesus se refere e intercede em favor dos discípulos, dos versículos 6 a 19 do capítulo em pauta. A frase “Manifestei o teu Nome”, com o uso do verbo “manifestar – fareoo”. O uso do termo “nome” em vez de dizer Deus, está pleno de muita reverência, porque é a epifania de Jesus, e o uso do termo “Nome”, não se encontra em nenhum outro lugar na Bíblia. A frase quer dizer, Deus revelando glória, como herança do Pai à
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comunidade, ou seja, é a condensação do ministério de Jesus. No entanto, esta manifestação é impedida ao mundo (7,4; 14,22), porque o mundo não a entende, e nem a aceita. Quando Jesus disse isto, estava aludindo ao conhecimento mais intenso que o Filho tem de Deus, transbordando a glória e o amor (17,24,26). Jesus continua a sua intercessão, descrevendo que eles têm conservado a palavra de Deus por Ele comunicada, preservada e sendo praticada em suas vidas. Eles comprovaram que o ensino que Jesus transmitiu provinha de Deus. Ainda mais: atestaram que Ele veio de Deus, como o “Enviado”. O verbo conhecer supera sobre crer para indicar uma fé plenamente corporificada.
A fé tem início pela análise da origem divina de Jesus (20,31), pelo conhecimento, o que quer dizer ao mesmo tempo, acolher o amor do Pai pelo mundo. Os discípulos aceitaram a exigência do amor que Jesus apresentou a eles e chegaram à certeza e conheceram a origem de Jesus e creram na sua missão. Os seguidores de Jesus pertencem ao Pai e a Jesus simultaneamente, não há conflitos de ser do Pai ou do Filho, entre ambos, existe um entendimento total, portanto os discípulos são objeto de amor inseparável dos dois e a ambos pertencem. No entanto, as criaturas do mundo encontram-se separados de Deus – “Eu lhes dei a tua palavra; e o mundo os odiou” (v.14).
Esta é ainda uma oração de consagração em favor daquele por quem o sacrifício é oferecido. A intercessão toma o lugar da santificação e do amor fraternal, e estes dois objetos constituíam as recomendações fundamentais feitas aos primeiros cristãos. Jesus inicia a sua oração de santificação dos fiéis, nesta Oração Sacerdotal, com o vocativo “Pai Santo”. O sentido deste chamamento primeiro, significa separado do pecado e da morte, dessa maneira, Deus está distanciado do Mundo, das coisas profanas existentes nele. Suas atividades santificadoras se opõem aos procedimentos com o mundo. A segurança exclusiva da união com o Pai, é permanecer com Ele, e Ele implora a filiação dos fiéis com o Pai mesmo.
Judas Iscariotes, o representante do reino terrestre, no meio dos seus adeptos, é aquele que não desempenhou a prática do amor, era inimigo e pertencente ao diabo (6,70); era ladrão (12,6); homicida (8,40; 11, 53); foi mentiroso (8,44); filho da perdição e maligno (17,12.15). Jesus fez referência a ele nesta oração final, a fim de servir de admoestação a todos, porque no meio dos fiéis, há os que se assemelham a ele, e que não vivem o testemunho de Cristo. E ele conclui esta parte da oração com uma súplica pungente: “Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do
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Maligno”. Jesus está deixando a comunhão com os fiéis, neste mundo hostil, a fim de desempenhar a missão incumbida, a morte na cruz. Antes de suplicar ao Pai pela santificação dos seus adeptos, Jesus declara algo incontestável e culminante em razão de eles permanecerem no mundo, motivo da ruptura do mundo, perseguição e da necessidade de proteção e consagração, porque “Eles não são do mundo” (v. 16), consequentemente, os fiéis não são do mundo, em virtude de Jesus não pertencer a um sistema maligno de governo.
A consagração é obra do Pai (17,17), mas todas as atividades do Pai manifestam-se através do Filho. Assim, Jesus havia se santificado (v.19) naturalmente por meio do Pai (10,36). Este fato se baseia e sustenta o seu título e a sua atividade de Messias (10,24), e ora para que assim como o Filho foi consagrado, os discípulos sejam santificados (17,19), para engajar-se na missão. A santificação que Jesus declara é que “sejam santificados na verdade”, quer dizer: verdade divina procedente do Espírito.
3. 9 FUTURO: JO 17, 20 – 23
A terceira parte da oração intercessora emprega a visão do futuro da comunidade, recém organizada: “Rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela palavra hão de crer em mim” (17,20). O Espírito que atua na consagração dos crentes, determina a obrigação de se sujeitar ao seu controle. Não está sugerindo, algo como: decidir entre o querer ou não querer. Pelo fato de ser da autoridade de Deus, o devoto tem de atender ao mando do Espírito. Outrossim, Deus, por sinal consiste em capacitar o aprendiz a executar a proposta de missões. As suas mensagens não são conceitos e princípios sobre o amor e sim a exposição da vida e morte de Jesus. O que Jesus aguarda e quer da sua comunidade, de todas as épocas, é a união dos seus congregados, harmonia nas suas expectativas, expressão e provas de que revelam o amor dos seus membros e presença da glória de Jesus, sobretudo, o exame e o cumprimento das Escrituras (17,10). Conforme dedução lógica, a presença do Pai verifica-se na unidade perfeita, efeito do amor recíproco expresso no mútuo serviço. Não se convence com palavras, mas com atos.
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Jesus procura encerrar a sua oração almejando a comunhão d’Ele com aqueles que receberam a Ele e se tornaram filhos de Deus (1,12). E não somente um mero convívio dele com os que foram dados a Ele pelo Pai, mas para que continuassem contemplando a natureza gloriosa que Jesus reconquistaria, quando o Pai havia entregue no “princípio”. Nos dois versículos finais Jesus enfatiza a magnitude de fazer conhecer – ginorizw, “o teu nome” – fazer conhecer o amor de Deus. É claro que a revelação de Jesus continuará junto aos seus adeptos mediante a ação do Espírito da verdade, que permanecerá para sempre.
“É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem” (12,23), e cônscio de que o Calvário era onde haveria de suportar a cruz, instrumento desta glorificação, com a finalidade de cumprir o propósito do Pai, para abençoar o seu povo com vida eterna.
Na Oração Sacerdotal, quando Jesus faz referência a comunhão recíproca, paralelamente na visão de Roma e Pilatos, desencadeia uma imensidade de atos contrários à comunhão, tais como desacordo e falta de compartilhamento de sentimentos, insuflando divisão de modo inflexível, desprezando, sacrificando e matando o povo dominado.
Dessa maneira, o imperador não consegue falar a linguagem do Paráclito, mas fala a linguagem da divisão, da morte. Era uma época conturbada, farta de práticas cruéis, crimes nefandos com os menos favorecidos.
Enquanto um lado, o de Pilatos, se mostra transbordante de ódio e perseguições, o outro lado, o de Jesus, o Messias, enviado do Pai, ensina a comunhão, a humildade e propaga o mandamento do amor.
Em suma, diante desse quadro de terror, apresenta-se contrariamente o reino de Jesus, que não é deste mundo, é um reino de comunhão, de amor, porque a realeza de Jesus é propriedade do Pai e do Espírito Santo.