• Nenhum resultado encontrado

DISCLOSURE AMBIENTAL

No documento Download/Open (páginas 61-64)

1 INTRODUÇÃO

2.5 DISCLOSURE AMBIENTAL

Com as atuais transformações e adaptações às questões sociais e ambientais, tornou-se constante a demanda por maior disclosure, accountability, boas práticas de governança corporativa e comportamento moral e ético por parte das organizações, especialmente no que se refere às informações de caráter ambiental (ROVER et al., 2012). Frente a esta conjuntura, vem surgindo à necessidade de mudanças sobre a conduta adotada pelas empresas, principalmente no que se refere às suas relações com o meio ambiente (GUBIANI; SANTOS; BEUREN, 2012).

O mercado e a sociedade têm intensificado a demanda por informações relacionadas à atuação e comportamento das empresas. Portanto, a atenção acerca da gestão ambiental tem aumentado vertiginosamente em todos os segmentos da economia. Sustentando a afirmação de Murcia et al. (2010) ao destacar que a sociedade como um todo tende a demandar maior

accountability por parte das empresas.

A accountability é interpretada por Nakagawa, Relvas e Dias Filho (2007) como a razão de ser da Contabilidade. Pode ser também, entendida, como o princípio de prover à sociedade a informação que ela tem direito, a saber (GRAY; MILNE, 2004).

Campos (1990) sinalizou em seu estudo que não era possível encontrar na nossa língua pátria um vocábulo que corresponda de forma fiel o conceito de accountability. Os autores Pinho e Sacramento (2009, p. 1365) explicam que “podemos dizer que estamos mais perto da tradução do que quando Campos se defrontou com a questão, mas ainda muito longe de construir uma verdadeira cultura de accountability” e complementam, afirmando que esse conceito está em construção.

Dentre as muitas contribuições trazidas pelas pesquisas realizadas, pode-se dizer que a palavra confiabilidade representa de forma adequada o termo em inglês accountability. (NAKAGAWA; RELVAS; DIAS FILHO, 2007).

O disclosure por sua vez, refere-se à qualidade das informações de caráter financeiro e econômico, sobre as operações, recursos e obrigações de uma entidade, que sejam úteis aos usuários das demonstrações contábeis, compreendidas como sendo relatórios que de alguma forma influenciem na tomada de decisões, envolvendo a entidade e o acompanhamento da evolução patrimonial, possibilitando o conhecimento das ações passadas e a realização de inferências em relação ao futuro (NIYAMA; GOMES, 1996).

Assim, entende-se que o disclosure é um compromisso inalienável da contabilidade com seus usuários e com os seus próprios objetivos. As formas de evidenciação podem até variar, mas a essência deve ser sempre a mesma: proporcionar informações quantitativa e qualitativa de maneira ordenada, deixando o menos possível para ficar de fora dos demonstrativos formais, a fim de propiciar uma base adequada de informação para o usuário (IUDÍCIBUS, 2004).

O disclosure está relacionado ao conceito de transparência corporativa, como a disseminação de informação relevante e confiável acerca do desempenho operacional, financeiro, oportunidades de investimento, governança, valores e risco (BUSHMAN; PIOTROSKI; SMITH, 2004).

Berthelot, Cormier e Magnan (2003), apud Rover et. al (2012), definem disclosure ambiental como um conjunto de informações que relata passado, presente e futuro do desempenho e da gestão ambiental da companhia, assim como as implicações financeiras das ações e das decisões ambientais.

Gubiani, Santos, Beuren, (2012) relatam que no Brasil o disclosure ambiental não é obrigatório, porém existem algumas recomendações que objetivam orientar quantos aos aspectos relacionados à divulgação ambiental, como o Parecer de Orientação n.º 15/87 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Norma e Procedimento de Auditoria n.º 11 do

Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) e a Resolução n.º 1.003/04 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) que aprova a NBC T15.

Neste contexto, atenta-se para a importância de como e quais informações de ordem ambiental são evidenciadas nos relatórios de sustentabilidade, pois conforme discorre Sampaio et al. (2012), a falta de um padrão para o disclosure de indicadores ambientais torna mais complexa a análise comparativa de empresas do mesmo setor em suas diferentes necessidades.

Na visão de Marques et al. (2010) a divulgação de informações sociais e ambientais é uma extensão das divulgações não tradicionais, que podem ou não compor as demonstrações tradicionais. Elas abrangem informações a respeito de funcionários, processo produtivo, produtos, serviços à comunidade, prevenção da poluição e impactos ambientais, o que quer dizer que devem levar em conta as externalidades causadas pelas empresas.

De acordo com Fernandes (2013) o disclosure refere-se à divulgação de dados necessários para analisar o desempenho da companhia. Essa divulgação deve ser realizada de maneira clara, útil e oportuna. Para tanto, destacam-se três tipos de disclosure: o voluntário, o obrigatório e o involuntário.

O disclosure voluntário é apresentado por Distadio, Fernandes e Yamamoto (2007) como sendo a evidenciação realizada pelas empresas sem que exista algum órgão ou legislação que as tenha obrigado. É, portanto, a divulgação que excede a normatização (MEEK; ROBERTS; GRAY, 1995).

O disclosure obrigatório refere-se à evidenciação requerida pelos órgãos reguladores e pelas legislações comerciais pertinentes (DISTADIO; FERNANDES; YAMAMOTO, 2007). As informações de caráter obrigatório possuem regulamentação específica para os diferentes setores do mercado, através das regulamentações procura-se assegurar maior confiabilidade e padronização das informações divulgadas (GONÇALVES; OTT, 2002).

O disclosure involuntário refere-se à divulgação realizada sem a permissão da empresa ou contra a sua vontade (SKILLIUS; WENNBERG, 1998).

Um dos estudos que buscou identificar as principais práticas de disclosure voluntário ao setor elétrico foi o de Silva, Alberton e Vicente (2013). Os resultados deixaram evidente a existência de uma grande variabilidade em relação ao nível de disclosure voluntário por parte das empresas do setor elétrico. Tendo em vista, que algumas empresas evidenciam um número significativo de informações, enquanto outras se preocupam apenas em cumprir o que é exigido por lei, e divulgam poucas informações de forma voluntária.

A próxima seção desenvolve uma abordagem acerca das particularidades do setor elétrico brasileiro e faz um apanhado de alguns estudos que se dedicaram a tratar da temática da evidenciação ambiental no setor supracitado.

No documento Download/Open (páginas 61-64)