outro lado, é, praticamente, unânime a preocupação com o alcoolismo, o uso de drogas e, em
menor proporção, mas, também, presente, com a gravidez precoce.
Aqui a juventude desocupada acaba procurando essas drogas malditas, vão se dedicar ao álcool, que também é uma droga e a prostituição, outros vão se marginalizar nas estradas, roubar. (João Gaudêncio Freire – 70 anos)
Aqui circula entre os jovens maconha, crack e cocaína; dizem que vem de Floresta, e de lá pra cá é um pulo144. Acho que aqui deveria se procurar meios
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É importante colocar que em nenhum momento as pessoas de Itacuruba remetem à produção de maconha no município; assumem o consumo, não a produção, refutam a imagem de produtores, embora sejam considerados como município pertencente ao Polígono da Maconha. De acordo com Ana Cristina de Sá, em estudo intitulado - Floresta-PE: políticas alternativas de desenvolvimento rural numa região marcada pelo cultivo da maconha, a difícil condição de vida dos trabalhadores rurais e pequenos agricultores, a geografia e o clima são questões que fazem do município de Floresta um
de tentar ocupar a mente dos jovens, ou com programa social, algum trabalho, algo que ocupe eles, pra que eles não fiquem sem ter o que fazer e acabem se envolvendo com drogas, álcool... (Adriano João – 21 anos)
O cenário aqui [cidade nova] é feio em relação ao alcoolismo; temos meninos e meninas de 12, 13, 14 anos bebendo. Estamos trabalhando, junto com o Conselho Tutelar, para identificar e trazer esses jovens para oficinas de arte. As famílias desses jovens muitas vezes são ausentes, doentes. Com a internet espaço propício aos grandes financiadores do tráfico. Os entrevistados enfatizam, também, a importância do o escândalo da mandioca, nome dado ao golpe aplicado no Banco do Brasil em meados dos anos 1980, em que produtores rurais, através de linhas de créditos, recebiam empréstimos para plantar mandioca, sendo depois descoberto haver mais dinheiro emprestado do que terras para o cultivo e nenhum pé de mandioca plantado; o que acarretou o cancelamento de crédito. Conforme os depoimentos coletados, outros fatores chamam a atenção para favorecer a expansão do cultivo da cannabis sativa: a violência da região, resultante do coronelismo, em que as guerras de família camuflam não só uma disputa política, mas a hegemonia dessa produção; a crise da cebola, que levou vários produtores à falência na década de 1990; e sobretudo a construção da darragem de Itaparica na década de 1980, desapropriando várias propriedades rurais e desalojando os pequenos agricultores. A barragem desmontou o povo, mas não deu condições de trabalho. Esse povo [ficou] sem ter onde cultivar mais, porque foram retirados das suas terras para dar lugar a ela. Depois demorou a construção das agrovilas, a juventude sem trabalho começou a produzir no tráfico (Líder de movimento social local, entrevistado [por Ana Cristina] em setembro de 2008). No entanto, mesmo com a criminalização desse tipo de cultivo no país, este passa a ser vislumbrado pelos pequenos lavradores e trabalhadores rurais assalariados como um trabalho que lhes propõe melhores condições econômicas do que as que possuíam nos cultivos tradicionais de subsistência. A sede municipal Floresta (PE) se situa a 433 km de distância de Recife está inserido na região denominada pela mídia como “polígono da maconha”, que é formado por um quadrilátero imaginário que liga as cidades de Caraibeiras, Salgueiro, Ouricuri e Petrolândia, tendo como limite o Rio São Francisco. Os municípios onde há maior concentração da produção são Floresta, Cabrobó, Orocó, Santa Maria da Boa Vista, Tacaratu, Petrolândia, Itacuruba, Caraibeiras, Lagoa Grande, Carnaubeira e a região indígena de Uma. A maioria desses municípios faz parte do Submédio São Francisco, que abrange algumas cidades da Bahia e Pernambuco, além de fazer fronteira com os estados de Sergipe e Alagoas. As estradas que dão acesso a esses estados são utilizadas pelos traficantes para escoamento da produção.
In: http://www.koinonia.org.br/bdv/detalhes.asp?cod_artigo=365&cod_boletim=39.
A institucionalização da região como o Polígono da Maconha pelo governo, se deu pela necessidade de fornecer uma resposta eficaz à denúncia feita atravésde relatoria à ONU, sobre esta produção no país. Segundo o Superintende da Polícia Federal de Pernambuco, a produção do Polígono abastece o mercado consumidor das capitais nordestinas. A origem da cannabis sativa (maconha) na região remonta a década de 1950, conforme comenta pesquisa etnográfica realizada na área por Donald Pearson; a esta época o cultivo aparece em escala de subsistência, de produção esparsa para fins terapêuticos, fato inclusive reconhecido pelas autoridades públicas da região, entre elas o Superintendente da Polícia Federal de Pernambuco, que afirmou ter conhecimento do plantio da maconha na região desde a década de 1970. Mas, reconhecimento da escala agroindustrial da agricultura do ilícito inicia–se na décadade 1980, quando os meios de comunicação apresentavam Pernambuco, como sendo o maior produtor de maconha no Brasil. (Erika Macedo Moreira. In: caatinga.ufersa.edu.br)
gratuita, que a prefeitura liberou, à rádio, agora temos duas lanhouse e dois laboratórios de informática nas escolas, vai abrir mais a cabaça dos jovens. Na praça, toda noite, tem televisão para quem quiser assistir. (Cristina Almeida da Silva Freire – Secretária de Cultura Esportes e Turismo)
Aqui tem um número grande de pessoas viciadas, e não é só com álcool não, aí vem a maconha, que já não tem tanto sucesso assim; eu fiquei informada, por mães de família, que aqui dentro da cidade já circula crack, uma cidade pequena pra isso. As vezes eu comparo que Itacuruba parece uma parte de uma favela, porque casos de droga, de sexo na adolescência, que eu nunca tinha presenciado na velha cidade vejo aqui. Você, daqui a um tempo, não vai saber se você vai estar dentro de Itacuruba, que é uma cidade do sertão ou se você está em plena favela do Rio de Janeiro, você não vai conseguir nem discernir; se não tiver um controle agora daqui a dez anos eu não sei. É preciso fazer alguma coisa, porque hoje os jovens não têm um referencial de identidade. (Rita Dante)
A gente foi criado lá [velha cidade]; comparando a velha cidade com a nova é totalmente diferente, aqui tem pessoas no mal caminho porque não tem o recurso pra botar os jovens pra trabalhar, aí vai entrar no meio das drogas, que aqui está tendo bastante, do alcoolismo. Eu mesma preferia estar lá, no meu lugar. (Constância de Menezes Silva – 35 anos)
Nas estatísticas do estado nós chegamos a ser o município mais violento, pela população que nós tínhamos, dentro de Pernambuco, isso é um problema. (Ademilson Nunes de Souza)
Lá [cidade velha] com seis meses podia matar um cabrito que era um bode de vinte um quilos; aqui roubam, tenho um cercadinho mas os cabras roubam adoidado, bem aí perto da rua. (Antônia Maria dos Santos – 60 anos)
Fui feita aqui, nasci aqui, gosto da cidade, eu fazia licenciatura em matemática, mas tranquei a faculdade, por causa do meu filho, engravidei com 19 anos, graças a Deus. (Claudia Mayara da Silva – 20 anos)
Aqui é tudo bêbado, tenho abuso de bebida, não gosto de bebida não, nem meu marido nem meus filhos bebiam, aqui um filho bebia, eu dizia Zé meu filho seu pai não gostava de cachaça, e você bebendo assim, mas ele agora deixou. (Alzira de Sá – 93 anos)
Eu nasci em Belém, vim pra cá com 11 meses, eu gosto daqui, porque é uma cidade calma, tranqüila. Eu gosto da educação aqui também, faço o 1º período do Travessia, que é um programa do governo destinado a pessoas de dezesseis anos acima, que não estão na série correta, no meu caso eu parei dois anos, quando engravidei de Renato, com dezessete, aí eu decidi fazer esse ano pra ver se termino, é um ano e meio. Legalmente não estou casada, mas estamos juntos, no início da gravidez foi um susto, mas depois foi ótimo, faria de novo; eu não tenho emprego, é só em casa mesmo, agora ele trabalha na Secretaria de Educação. (Cíntia Teles dos Santos – 18 anos)
Itacuruba para mim é uma cidade muito boa, sem violência, mas faltam algumas coisas a serem feitas para os jovens; falta muito espaço, lazer, é o que falta aqui. Aqui há muita gravidez na adolescência, mas acho que não é por falta de informação, em todo lugar há sempre informação sobre o uso da camisinha, de prevenções, várias coisas, aqui é o que não falta é informação. (Laryane Dante – 15 anos)