3.1 MÉTODO
3.1.2 Procedimentos por tarefa
3.1.2.2 Discurso dialógico
Esta segunda tarefa examina o comportamento verbal e não-verbal em situação de conversação. O participante é orientado a falar um pouco sobre um assunto familiar, ou seja, a estabelecer um diálogo não-dirigido e o examinador o estimula a manter uma conversação o mais natural possível por cinco minutos. Logo após este intervalo de tempo, um novo assunto deve ser introduzido por, novamente, cerca de cinco minutos. O primeiro deles é sobre a sua família. Caso não se sinta à vontade para abordar tal tópico, as outras opções são, consecutivamente: seu trabalho, suas atividades de lazer e atualidades.
Na adaptação desta tarefa ao PB, após a realização da tradução simples e da backtranslation, os 54 juízes neutros julgaram os três primeiros termos, de acordo com o critério de familiaridade lingüística. O último termo não foi submetido a este procedimento de adaptação, à medida que foi acrescentado como assunto desta tarefa apenas na última versão do Guia de Aplicação e Pontuação da Bateria MEC, o qual foi finalizado após a coleta de análise dos juízes. Por fim, a tarefa foi aplicada no estudo piloto.
3.1.2.3 Compreensão de metáforas
A terceira prova verifica a compreensão de vinte sentenças metafóricas. Os autores utilizaram critérios de familiaridade na língua francesa (as dez primeiras são pouco familiares e as dez últimas são bastante familiares). A orientação é para que os indivíduos leiam cada uma das metáforas, expliquem o que estas sentenças significam e, posteriormente, assinalem uma entre três alternativas que melhor representa sua mensagem. Estas alternativas são apresentadas nas modalidades auditiva (leitura pelo examinador) e visual (alternativas escritas no Caderno de Aplicação da Bateria MEC).
Esta prova exigiu um rigoroso trabalho de adaptação lingüística em função do critério de grau de familiaridade das metáforas propriamente ditas ou das palavras que as compõem, proposto pelos autores da Bateria MEC e indicado pela literatura (Bottini e colaboradores, 1994). Assim, as primeiras dez expressões metafóricas deveriam ser desconhecidas pelos participantes (metáforas novas), sendo as palavras referentes aos dois conceitos principais familiares aos mesmos. O indivíduo, apenas por seu conhecimento de cada conceito, deveria saber explicar a ligação entre os dois vocábulos. Por exemplo, na metáfora “O professor é um sonífero”, a expressão em si não deveria ser familiar, mas sim as palavras “professor” e “sonífero”. As próximas dez deveriam consistir em expressões idiomáticas, ou seja, mais familiares. Por exemplo, na metáfora “Este homem joga dinheiro no lixo”, a expressão “jogar dinheiro no lixo” é familiar no PB.
A adaptação desta prova foi promovida a partir de cinco procedimentos específicos. O primeiro consistiu na realização de uma tradução simples e de uma backtranslation. O segundo procedimento aplicado foi a análise de cada metáfora traduzida pelos três juízes cultos, que promoveram modificações de alguns termos e de algumas metáforas propriamente ditas. O terceiro procedimento de adaptação desta tarefa consistiu na aplicação da primeira versão adaptada desta prova, obtida a partir dos dois primeiros procedimentos, em uma amostra piloto (n=12). Esta era composta por 12 indivíduos, agrupados de acordo com sua
faixa etária e seu nível de escolaridade em quatro grupos: três adultos jovens com escolaridade superior a oito anos, três idosos com escolaridade superior a oito anos, três adultos jovens com escolaridade inferior a oito anos e três idosos com escolaridade inferior a oito anos. Foram solicitados a responder, individualmente, se sabiam ou não o significado de cada metáfora e, logo após, qual explicação poderia ser dada para cada uma. A segunda parte da escolha de alternativas não foi promovida neste momento. O quarto procedimento correspondeu à análise dos 54 juízes neutros, que julgaram a familiaridade dos termos componentes das primeiras dez primeiras metáforas (novas) e das dez últimas metáforas (expressões idiomáticas). Por fim, o quinto procedimento consistiu na aplicação da versão adaptada integral da Bateria MEC, incluindo esta tarefa, no estudo piloto, de forma mais contextualizada.
3.1.2.4 Evocação lexical
Esta prova avalia três modalidades de evocação lexical: (1) livre, (2) com restrição ortográfica e (3) com restrição semântica. Na primeira modalidade, as pessoas são orientadas a dizer o maior número possível de palavras num intervalo de tempo de 2 minutos e 30 segundos. Na segunda, devem falar a maior quantidade de palavras que começam com a letra ‘p’, em 2 minutos, com exceção de nomes próprios. Na terceira, são instruídas a emitir o maior número de vocábulos do campo semântico de roupas, em 2 minutos. Somente na primeira modalidade, solicita-se aos participantes que mantenham seus olhos fechados, para que pistas do ambiente não sejam facilitadores.
O procedimento de tradução simples e backtranslation foi o mais importante para sua adaptação. A versão adaptada desta prova foi, ainda, aplicada no estudo piloto.
3.1.2.5 Prosódia lingüística
A quinta prova investiga a compreensão e a produção repetida de prosódia lingüística. Na tarefa de compreensão deste tipo de prosódia, os indivíduos devem reconhecer, pela entonação da voz do examinador, se a frase ouvida é uma pergunta, uma afirmação ou uma ordem, devendo responder verbalmente, com o auxílio da apresentação visual de imagens correspondentes às variações prosódicas (ponto de interrogação, ponto final e uma mão com dedo indicador sugerindo ordem, respectivamente), presentes no Caderno de Aplicação da Bateria MEC. Na prova de repetição, o participante deve repetir cada frase respeitando as entonações vocais utilizadas pelo experimentador. Em cada uma delas, são emitidas 12 sentenças interrogativas, afirmativas ou imperativas, gravadas pela examinadora em
equipamento de áudio (CCE – OS-125R). Esta gravação foi comparada à gravação efetuada por um ator profissional. Os três juízes cultos selecionaram a gravação feita pela pesquisadora, pelo fato de esta representar melhor as entonações previstas.
Para que o objetivo desta tarefa fosse alcançado, ou seja, avaliar a habilidade dos indivíduos de reconhecer a entonação de cada frase apenas pela compreensão de suas variações prosódicas, seus autores escolheram sentenças com equivalência semântica e sintática. Em função desta necessidade de ausência de pistas de conteúdo ou de forma, houve adequação de termos das sentenças, após a tradução e a backtranslation. Os procedimentos de análise por três juízes cultos e de aplicação no estudo piloto também foi realizado na adaptação desta tarefa.
3.1.2.6 Prosódia emocional
Esta tarefa diz respeito à avaliação da compreensão e das produções repetida e espontânea de prosódia emocional, de modo semelhante à prova anterior. Na tarefa de compreensão, o participante é orientado a reconhecer, pela modalidade auditiva de apresentação dos estímulos, com auxílio de três imagens correspondentes a cada entonação presentes no Caderno de Aplicação da Bateria MEC (expressões faciais indicativas de cada sentimento) entre 12 sentenças com entonação vocal de tristeza, alegria ou cólera, se a pessoa está triste, alegre ou brava. Na tarefa de repetição, os indivíduos devem repetir cada uma das 12 sentenças respeitando as entonações vocais utilizadas pelo examinador. Já, na prova de produção espontânea, o sujeito escuta uma frase, seguida de três situações diferentes de tristeza, alegria e raiva, nas quais ela poderia aparecer e, posteriormente, deve emitir a mesma frase utilizando uma entonação vocal adequada para cada situação.
A gravação foi realizada conforme os procedimentos descritos na tarefa de Prosódia Lingüística. Além dos procedimentos de tradução simples e backtranslation, foi promovida uma pequena adequação de termos. Além disso, esta tarefa foi testada no estudo piloto.
3.1.2.7 Discurso narrativo
A sétima tarefa examina o reconto parcial e integral de discursos narrativos, além da compreensão destes. No reconto parcial, os participantes são instruídos a relatar a história ouvida após cada parágrafo, resumindo, com suas próprias palavras, o que aconteceu. No reconto integral, os indivíduos são solicitados a ouvirem o mesmo texto, sem pausas entre os parágrafos. Em um segundo momento, devem recontar toda a história (reconto integral). Para
a testagem da compreensão deste tipo de discurso, são realizadas treze perguntas sobre a mensagem do texto. Na versão adaptada, o texto foi reformulado por um dos juízes cultos com domínio de redação de textos, de acordo com critérios de equivalência semântica entre as duas línguas e de coesão e coerência textuais. O objetivo foi o de manter a clareza da narrativa, assim como seu encadeamento cronológico, dando à narrativa características da nossa língua e da nossa cultura.
Esta prova também exigiu um rigoroso trabalho de adaptação para a seleção das informações essenciais e não essenciais. Primeiramente, com base na reformulação feita pelo juiz culto, a divisão dos parágrafos em unidades de informação textuais foi submetida a uma primeira adequação. Após esta primeira versão da divisão dos parágrafos (exposta no Protocolo da Bateria MEC, no Anexo A), os 54 juízes neutros foram solicitados a julgar a essencialidade das informações textuais, tendo sido este procedimento detalhadamente descrito na Seção 3.1.1. A partir deste segundo procedimento, a última versão da divisão de parágrafos foi definida. Esta última versão foi testada no estudo piloto.