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- CENTENÁRIO DO IHG/RN -

Enélio Lima Petrovich

Presidente do IHG/RN

Este é um momento de emoção, de júbilo, de congraçam ento. Evocativo e histórico. Uma tarde que realça a todos nós, parlamentares, sócios de nosso Instituto c convidados, a importância da Casa da Memória Norte-rio-grandense, no contexto cultural do Estado e do país.

Daí a nossa manifestação de apreço e de louvor a quantos integram a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte pela iniciativa oportuna do Exmo. Sr. Deputado Antônio Jácome, promovendo, juntam ente com os seus ilustres pares, esta magna solenidade, unindo o Poder Legislativo à Cultura, à voz do povo, aqui representado plenamente, numa prova cabal de que os fatos que envolvem a nossa H istória não se dissociam das finalidades maiores do civismo, do amor à pátria, do estímulo às promoções valorizadoras da inteligência e do humanismo.

Há cem anos, justamente em 29 de março de 1902, estava fundado o nosso IHG/RN. Celeiro de vivas tradições potiguares, graças a uma plêiade de intelectuais e historiadores, à frente Vicente Simões Pereira de Lemos, seu fundador.

Acrescentem-se, ainda, cinco governadores de Estado — Pedro Velho, Alberto Maranhão - o mecenas da cultura potiguar, Joaquim Ferreira Chaves, Augusto Tavares de Lyra (a quem se deve a doação da sede própria), e Antônio de Souza. Todos, ao lado de mais 20 saudosos construtores daquele Templo secular.

Realizamos, ali, agora com o seu ANEXO, doado pela jornalista e sócia benemérita Ana Angélica Timbó de Oliveira, uma missão séria, nobre e gratificante, em prol do desenvolvimento cultural da boa terra, berço, entre tantos dignitários da sabedoria, de um Amaro Cavalcanti, Tobias Monteiro, Augusto Severo, Nísia Floresta, Rodolfo Garcia, Nestor Lima, Auta de Souza, Henrique Castriciano, Seabra Fagundes, Manoel Rodrigues de Melo, José Augusto e, p rim us in te r pares, de um Luís da Câmara Cascudo, genial e humilde.

Nosso propósito, firme e permanente, tem sido preservar o patrimônio

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histórico do Rio Grande do Norte, em dimensões universais. Promovemos, dia após dia, com obstinação e, até, coragem, um a série de eventos consagradores, à luz do idealismo dos pioneiros, fixando para o presente e o porvir os fundamentos básicos da História e da Geografia, no tempo e no espaço.

Repetimos sempre:

Ai daqueles que olvidam o nosso passado e somente buscam, pelo fascínio da vulgaridade e do trivial, extravasar as suas vaidades e seu egocentrismo, não alcançando, sequer, a memória contemporânea.

Portanto, naquele santuário de conhecimento, de tradição e do saber, em milhares de livros, periódicos, manuscritos, documentos raros, que remontam ao século XVII (desde 1647), está a própria história de nosso torrão norte-rio-grandense.

Sentimos, por isso, nesta magna solenidade, como que um misto do atual e do pretérito, na lembrança dos que, ainda em nossa convivência pacífica e jubilosa, constituem exemplo, imagem, lição de vida. Tudo, em nosso Instituto Histórico, é fruto da persistência, do devotamento às letras, da humildade e da honradez; sem quaisquer recompensas pecuniárias.

Um encontro assim, Poder Legislativo Estadual e IHG/Río Grande do Norte, traduz e sintetiza a evidência emocional, histórica e telúrica, de que devemos valorizar mesmo a criatura humana, em seus diversos ângulos, segm entos e fins, num a perspectiva profunda e m aior, no plano da inteligência.

Emerge o nosso posicionamento, com as vistas debruçadas para a posteridade, conscientes do dever cumprido, no agradecimento espontâneo e sincero aos dignos parlamentares que honram o Legislativo potiguar, com o discurso eloquente e erudito do Deputado Antônio Jácome; pelas moções de aplausos recebidas das Deputadas Márcia Maia e Fátima Bezerra e do Deputado Alexandre Cavalcanti.

Por tudo, afinal reafirmamos, neste instante solene e histórico, a expressão de nosso melhor reconhecimento.

E o que dizer no epílogo destas breves palavras, senão proclamar?:

Vale a pena viver, preservando o passado, na visão de um futuro venturoso e feliz, sob a égide da História, abençoados por Deus.

Proferido em 23 de abri 1 de 2002, em Sessão Solene na Assembléia Legislativa do Estado, comemorativa dos 100 anos do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

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O INSTITUTO HISTÓRICO

E GEOGRÁFICO - RN

AOS 100 ANOS

David Silva Sócio Efetivo

O nosso Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte completa neste memorável e festivo ano de 2002 os seus “ 100 anos” de fundação. Foi no dia 29 de março de 1902 que o des. Vicente Simões; o presidente do Tribunal de Justiça, Francisco Sales; o procurador da Fazenda Nacional, Tomás Landim; e mais oito intelectuais, com o apoio do então governador do Estado Alberto Maranhão, fundaram o sonhado Instituto

Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, que logo recebeu as

documentações dos órgãos públicos, e de início teve sua sede provisória no antigo Atheneu do Estado; depois em outras localidades; e sempre com novo presidente; sendo que Olímpio Manuel dos Santos foi aclamado o primeiro presidente; depois Vicente Simões; Pedro Soares de Araújo; Hemetério Fernandes Raposo de Melo, este na sua gestão, em que Rafael Fernandes era governador do Estado, reivindicou ao citado governador, uma sede própria para o Instituto Histórico, o que o chefe do Estado, sensibilizado, fez ao Instituto Histórico a doação de uma sede permanente, na rua da Conceição, n° 622, na Cidade Alta, Natal.

Antes, de início, o Instituto Histórico foi dividido em gabinete e sala da presidência, salão nobre, museu, 3 bibliotecas e galerias; o gabinete da presidência, tendo conjunto de 1 marquesão, 2 cadeiras do século XIX, e uma pintura de J. Amaral.

No salão nobre, primeira galeria com grandes personagens históricos, por exemplo: Padre Miguelinho, Isabel Gondim, D. Pedro I, Dom Antônio, Felipe Camarão, Ruy Barbosa, Rafael Fernandes, Dom Joaquim Antônio de Almeida, e dezenas de tantos homens ilustres; além do crucifixo do museu cívico de Pisa. Forte dos Reis Magos, desenho e pintura de Neusa Brito; fotografia da cadeira, em brozeado, do saudoso Luís da Câmara Cascudo, e tantas outras relíquias históricas em exposição.

Na 2a galeria, tem os ricos acervos dos grandes personagens históricos, como, por exemplo: José Bonifácio de Andrada e Silva; D. Pedro II; Padre Diogo Antônio Feijó; Quintino de Souza Bocaiúva; Marquês de Olinda; Duque de Caxias; Visconde de Mauá; Marquês de Tamandaré; Benjamin Constant; brasão da família Wanderley; Luís da Câmara Cascudo;

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Enélio Lima Petrovich; e dezenas e dezenas de tantos outros intelectuais ilustres.

Tendo as bibliotecas - Manuel Dantas, Israel Nazareno e um rico acervo de documentações públicas do Rio Grande do Norte.

Estantes contendo todas as divisões do conhecimento humano, através de mais de 40 mil livros e periódicos. Arquivos de documentos públicos e eclesiásticos; estante de antigos e novos jornais do nosso estado do Rio Grande do Norte.

No museu do Instituto são encontradas diversas peças históricas, como a estola que pertenceu ao padre Miguelinho; a pia que pertenceu à antiga matriz de Natal; o primeiro cofre da tesouraria da província, 1704, estando vazio, não contendo nenhum real, é claro, na época, esse dinheiro não existia; tendo também o primeiro telefone de Natal e diversas outras peças que o próprio tempo vem conservando o seu valor, através de vários presidentes que assumiram o Instituto Histórico; e que dedicaram zelo e cuidado a todas as peças que representam a memória na história do Rio Grande do Norte. Sim, refiro-me a todos aqueles que foram presidentes do Instituto Histórico, inclusive Antônio Pereira de Carvalho e Nestor dos Santos Lima; também o dr. Enélio Lima Petrovich, o mais recente presidente, que em 1963, assumiu a direção do nosso Instituto, e que o trabalho tem sido elogiado por todos os seus amigos e confrades, ou melhor, por todos que fazem o Instituto Histórico, isso pelas constantes programações de eventos que são apresentados. Daí, temos o dever de exaltar a presidência na pessoa do Dr. Enélio Lima Petrovich, que é digno de elogios e louvor pelas suas qualidades, disposição no mural, nobreza e aptidão. E um homem de ciência jurídica e social, escritor e historiador, advogado militante na área do Direito Previdenciário; é membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras e sócio da Academia Catarinense de Letras, da Academia Brasileira de Previdência Social (São Paulo), membro efetivo da Academia Brasileira de Teatro de Natal e da Associação da Polícia Civil do Rio Grande do Norte.

Merece destacar a outorga da medalha Vital Brasil, pelo governador de São Paulo, em reconhecimento aos serviços prestados à.cultura brasileira,

no campo da literatura e história. Distinguindo também com a comenda

Dom Pedro, sob o patrocínio do Instituto Histórico e Geográfico e do governo daquele Estado. Diploma de colaborador emérito do Exército Brasileiro, medalha Ana Néri, concedida pela Sociedade Brasileira de Educação e Integração (São Paulo), atesta, de maneira idônea, as qualidades do meu estimado conterrâneo Enélio Lima Petrovich.

Julgo oportuno, como forma de demonstrar o verdadeiro manancial de inteligência e sabedoria que é o professor Enélio Lima Petrovich, citar alguns trabalhos por ele publicados: Segmund Freud, sua ciência e a sociedade atual, (1958); Eu, os colegas e os mestres (1959); Complexos

(1959); O diarista ou pessoal de obras; Forte dos Reis Magos. Um patrimônio Luso-Brasileiro (1967); A ordem saúda a justiça; Os arquitetos

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da história do Rio Grande do Norte\ Dinâmica do Direito Previdenciário

(1981); Enélio Petrovich - um discípulo de Cascudo.

Foi uma forma especial que tive para também homenagear a este ilustre amigo intelectual, o Romildo, que tem “ações germinadas no âmago do seu coração pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte”.

Aqui transcrevo pequeno trecho - (19, J), do Tempo de Agradecer... (I), do próprio Enélio Petrovich:

... É tempo de agradecer, ainda, ao eminente colega e amigo Hélio Xavier de Vasconcelos, que, a convite do Lions Clube de Natal, proferiu erudita e emocional palestra sobre “O Direito do Menor ” (9/8), durante o Conselho Distrital do L- 25, dele p a rticip an d o centenas de com panheiros e domadoras deste Estado, da Paraíba e de Pernambuco. Não, Hélio, não somos “loucos-gênios ”, em luta constante a favor da História, tão mal compreendida pelos poderes públicos. E ajudada. O nosso trabalho, é fruto do amor da obstinação e, até da coragem, isento de paixões políticas e das influências maléficas das críticas insolentes e recalcadas.

“Louco-gênio” fora, isto sim, o mestre. Câmara Cascudo, que soube, com humildade, inteligência e cultura, projetar, em dimensões universais, o Rio Grande do Norte e o Brasil. Um “louco-gênio ”, sublimado e insubstituível. Este é o tempo de relembrar e agradecer. Ao confrade David, com um fraternal abraço de Romildo Azevedo. Natal, 30.07.88.

Saudação e bênção neste ano de 2002.

Graças ao nosso grande Deus e ao seu amado filho, Nosso Senhor Jesus ressuscitado, alcançamos o ano de 2002 o tempo esperado, que deixará marcado os 100 anos da fundação do nosso venerável Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, a que pessoalmente, tenho gratidão de pertencer ao seu quadro de sócio efetivo, desde 1986; conferindo responsabilidade, que cabe-me honrar e enaltecê-lo na contribuição dos ideais e anseios do Instituto Histórico e Geográfico, que não pertence somente aos seus membros. Pois, de tanto cultivar história e memória, tomou-se patrimônio vivo da história geográfica, social e cultural do nosso Estado, por isso pertence ao povo.

O nosso Instituto H istórico vem sendo presidido pelo grande historiador Enélio Petrovich, que, com habilidade e excelente trabalho e grande dedicação às letras e amor à cultura, e sempre viajando para contato de ordem advocatícia e cultural, esqueceu-se, ou melhor, não teve tempo de ganhar dinheiro. Mas, valeu-lhe o resultado e o empenho da causa que abraçou, e hoje, com merecimento, consagrado um gênio sublimado, e que pedimos a Deus, o Todo-Poderoso, que o ilumine sempre, dando-lhe

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discernimento e sabedoria na presidência do Instituto Histórico e Geográfico. Pedimos também que ajude a todos nós, em nossos trabalhos e pesquisas, e em cada um de nós derrame sua bênção de paz e felicidade. É tudo que pedimos neste ano de 2002, que é comemorado em Natal! Pelo aniversário do nosso Instituto Histórico e Geográfico; é um ano de alegria para todos os que participam e fazem a história do Rio Grande do Norte. Aqui, todos num pensamento altruísta, podemos refletir os acontecimentos mundiais passados recentemente, e podemos ver e analisar qual dos trabalhos que devemos desenvolver em benefício da cultura, da paz e do bem-estar de nossa gente; pois os acontecimentos recentes têm atemorizado diversos países, que temem conflitos e guerras entre irmãos. Porém, o que se deseja é paz para todos, nossa família e nossos filhos.

Confrades amigos do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, cultivemos o espírito de paz e felicidade neste ano de 2002, nos fortalecendo para nâo nos faltar o ânimo e a coragem de vencer na vida, e procuremos dar a César o que é de César e a Deus o que Ele exigir de nós, assim não seremos devedores e poderemos alcançar a paz e a felicidade que tanto almejamos.

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