4. Artigo Experimental
4.5 Discussão
4.5 Discussão
O propósito deste estudo foi descrever qual o efeito que um programa de exercício combinado, sob a forma de treino em circuito de alta intensidade durante 10 semanas, tem na composição corporal e nos marcadores inflamatórios, nomeadamente na adiponectina e na interleucina 6, em adolescentes com excesso de peso.
Tem sido evidenciado que o exercício é seguro e eficaz na influência que exerce na adiposidade e composição corporal (Garcia-Hermoso et al., 2017). No presente estudo, verificou-se que o protocolo de exercício desenhado foi eficaz na alteração significativa dos indicadores somáticos e de composição corporal, nomeadamente na redução do peso corporal, circunferência abdominal, IMC, massa gorda em quilogramas e em percentagem, bem como no aumento da massa muscular. Similarmente ao nosso estudo, Racil et al, (2013) num protocolo de treino de 12 semanas com raparigas obesas comparou o treino aeróbio intervalado de moderada intensidade com o de alta intensidade, verificando que o treino aeróbio de alta intensidade (TIAI) teve melhores resultados na diminuição significativa do peso corporal, circunferência abdominal e percentagem de gordura corporal. O mesmo se verificou num protocolo de treino de alta intensidade durante 12 semanas realizado em rapazes com excesso de peso (Heydari et al., 2012). Um estudo com adolescentes obesos testou o impacto do treino combinado (TC) e do treino aeróbio (TA) tendo sido observado que o TC foi mais eficaz na redução da gordura visceral e subcutânea (Damaso et al., 2014). Numa meta-análise sobre a eficácia do exercício físico na perda de peso em adolescentes com excesso de peso e obesidade, sugeriu-se que a intervenção com exercício físico melhora a composição corporal e reduz a massa gorda. No entanto a heterogeneidade dos estudos incluídos é alta e os resultados não permitem sugerir com rigor o tipo de exercício físico mais eficaz na melhoria da composição corporal (Stoner et al., 2016). Relativamente ao treino em circuito de alta intensidade, dois estudos publicados em adultos obesos sugerem que este tipo de treino pode ser uma opção rápida e eficiente na melhoria da composição corporal (kilka & Jordan, 2013). O nosso estudo parece ser o primeiro a observar resultados idênticos
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em adolescentes com excesso de peso. A grande vantagem deste tipo de programa parece advir do recrutamento simultâneo de elevada massa muscular a grande intensidade e com intervalos de recuperação de curta duração , com benefícios na aptidão aeróbia e metabólicos até 72 horas após o término do treino (Klika & Jordan, 2013). Ou seja o treino em circuito de alta intensidade consegue ser rápido e eficiente na perda de massa gorda corporal, sendo também caraterizado por períodos de treino mais curtos, o que pode beneficiar a adesão ao exercício, a motivação e o a grau de satisfação com a atividade para quem tem menos tempo para treinar (Klika & Jordan, 2013).
Com o nosso protocolo de 10 semanas de treino observamos que os níveis plasmáticos de adiponectina diminuíram após a intervenção mas não houve diferenças estatisticamente significativas. De forma similar aos nosso resultados, Nassis et al. (2015), num protocolo de treino aeróbio de 40 minutos por sessão durante 12 semanas com 19 meninas com excesso de peso, verificou uma diminuição não significativa da adiponectina, no entanto observou na mesma uma melhoria na sensibilidade à insulina, concluindo que a adiponectina não exerceu influência neste fator. Também Lopes et al. (2016), não observaram diferenças significativas na adiponectina, tendo constatado uma diminuição da mesma através do seu protocolo de treino combinado durante 12 semanas com raparigas com excesso de peso. No entanto, Nemet et al. (2013) verificaram um aumento significativo da adiponectina com um protocolo de treino aeróbio de uma hora por sessão, durante 12 semanas realizado com meninas. Linares-Segovia et al. (2013) num estudo com rapazes e raparigas onde realizaram um treino aeróbio de alta intensidade durante 16 semanas, também observaram uma melhoria significativa da adipocina anti-inflamatória adiponectina. Numa meta-análise sobre o exercício, adipocinas e crianças obesas, realizada por Gárcia- Hermos et al. (2017) concluíram que o exercício é realmente eficaz no aumento substancial de adiponectina, verificando que existe uma relação entre estas e a gordura corporal, contudo na análise de alguns estudos foi observada uma alteração não significativa da adiponectina nos protocolos de treino de intensidade moderada e intensidade moderada-vigorosa.
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Acreditamos que os resultado observados no nosso estudo se devem principalmente ao facto da amostra ser reduzida e heterogénea com apenas 3 rapazes e 7 raparigas.
No nosso estudo verificou-se que os níveis circulantes de IL-6 se encontravam significativamente aumentados após a intervenção. Contrariamente ao nosso estudo existem outros que apresentam uma diminuição da IL-6 após a intervenção de exercício físico com TA e TC, no entanto, encontramos outros estudos com ausência de significância estatísitica (Lopes et al., 2016; Nascimento et al., 2016; Nassis et al., 2005). A IL-6 é classicamente reconhecida pelo seu papel inflamatório quando é libertada pelas células do sistema imunitário ou adiposas. No entanto, sabe-se hoje que a IL-6 também pode ser secretada pelo músculo em contração muscular, sendo que nesse contexto se demonstrou um papel anti- inflamatório e insulino-sensibilizador desta miocina (Pal et al., 2014). Os efeitos anti-inflamatórios da IL-6 quando é produzida pelo músculo são demonstrados pelo facto desta estimular interleucina 10 e interleucina-1ra (receptor antagonista da interleucina 1) (Petersen & Pedersen, 2005). Assim, sendo as células musculares conhecidas por libertar IL-6 durante o exercício, sugerem que a IL-6 quando produzida pelo músculo durante o exercício tem um papel benéfico no metabolismo (e não inflamatório como se pensava) (Pedersen & Febbraio, 2012). Embora o nosso estudo não permita identificar o tecido de origem da IL-6, é possível que os níveis elevados de IL-6 possam traduzir, pelo menos em parte, IL-6 secretada pelo músculo e não pelo tecido adiposo. De facto, a nossa intervenção resultou num aumento significativo da massa muscular e redução da massa gorda.
O nosso estudo apresenta algumas limitações que deverão ser considerada: a amostra foi reduzida; a distribuição pro género não é equilibrada; a composição corporal inicial e final é bastante heterogéneas; ausência de um grupo controlo.
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4.6 Conclusão
O nosso estudo sugere que o protocolo de treino de 10 semanas realizado em circuito de alta intensidade com exercícios combinados, melhora a composição corporal de adolescentes com excesso de peso. No entanto não foi o suficiente para que houvesse um aumento da adipocina anti-inflamatória adiponectina. Curiosamente, verificamos um aumento significativo da produção de interleucina 6, que poderá ser devido ao aumento da massa muscular, o que neste caso leva a que a IL6 tenha um papel benéfico e anti- inflamatório.