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1 PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA COMO PRINCIPAL PROGRAMA DE

4.2 Discussão dos dados

Com base nos dados levantados sobre as condicionalidades do PBF e índices de pobreza, podemos fazer uma avaliação melhor sobre o acompanhamento das famílias beneficiadas.

Verifica-se que a condicionalidade educação tem maior evidência, exigindo da família um controle quase que diário sobre a presença dos filhos na escola. É necessário tomar o cuidado de não lançar sobre a criança a responsabilidade sobre o recebimento do benefício, mas que as famílias fiquem mais atentas a rotina das crianças que, em alguns casos, fingiam ir a escola e acabavam passando o período de aula na rua. Contudo, é importante que também a família não seja culpabilizada, pois, as questões que envolvem a evasão escolar são multicausais.

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Percebe-se que (MACEDO, 2004), a participação das escolas na dinâmica operacional do Bolsa Família vem se limitando, quase sempre, ao controle da freqüência dos alunos, ainda que o problema da qualidade educacional perpasse pela formação e atuação dos professores, pelo clima escolar - resultados das interações sociais e intelectuais entre alunos, professores e funcionários escolares - e pela gestão da educação, com ações claras e racionais de alcance de metas, monitoramento e avaliação do trabalho docente e de seus resultados junto aos alunos.

Dessa forma o PBF que visa o acompanhamento das crianças de 06 a 17 anos através de frenquencia escolar na escola, comprova que o Município de Campos Borges – RS possui 96% de suas crianças atendidas, em 2016, um índice acima da média nacional

Quanto ao acompanhamento da saúde das famílias, entre gestantes e crianças de 0 a 7 anos, no ano de 2016, chegou ao índice de 79,33%, esse também acima da média nacional no prazo determinado. Assim como o alto percentual de cumprimento do pré-natal para as gestantes, a vacinação para as crianças menores de sete anos também apresenta um resultado bastante satisfatório ao longo das vigências. Esses resultados demonstram que há um número pouco expressivo de famílias em situação de descumprimento das condicionalidades previstas, pré-natal e vacinação, o que demonstra uma considerável atuação das equipes na promoção das ações básicas de saúde.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através da utilização da pesquisa documental, de referenciais teóricos e da observação realizada durante o período que trabalhei diretamente no Programa Bolsa Família e em conversa com a gestora do programa do Município de Campos Borges- RS, foi possível concluir que o programa de fato, tem sido considerado no contexto do sistema de proteção social brasileiro como um importante instrumento utilizado pelo poder público no enfrentamento à pobreza no país.

O problema da pesquisa foi concentrado na questão do cumprimento das condicionalidades, especificamente se aquelas estariam garantindo o bem-estar e oferecendo as condições necessárias para romper o ciclo da pobreza. O PBF exige das famílias beneficiadas o cumprimento de uma série de condicionalidades.

Algumas questões relacionadas ao PBF são de suma importância para analisar sua eficiência no combate à pobreza. Uma delas refere-se a questão das condicionalidades, no sentido de que o cumprimento das condicionalidades na educação por exemplo, possibilitará as famílias com crianças e adolescentes na escola, maior possibilidade de terem um retorno econômico no futuro devido ao grau de escolaridade. Porém, devemos analisar a qualidade de ensino que está sendo oferecida, isto é, se de fato essas crianças têm sido preparadas para um mercado de trabalho exigente no âmbito da formação educacional. Por mais que no Município de Campos Borges haja um bom índice de acompanhamento quando a esta condicionalidade, a qualidade de ensino deve ser uma prioridade.

Foi possível identificar também no que tange às

condicionalidades de saúde no período avaliado que muitos avanços ainda deverão fazer parte da agenda governamental na área da saúde no município de Campos Borges, considerando a responsabilidade municipal pela organização da rede de atenção primária, e que neste cenário, as condicionalidades de saúde do PBF, são um importante meio de assegurar e garantir a atenção básica aos beneficiários.

Tal condicionalidade é feita por um tempo limitado e que não abrange a família como um todo. Pesar e medir apenas não irá modificar a saúde das crianças, servindo somente para acompanhamento e controle da situação de nutrição e no caso das gestantes e nutrizes procura garantir o bom desenvolvimento do bebê e suas mães nesse período. Ocorre que existem outros problemas de saúde que

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devem ser levados em consideração para dar condições às famílias de se desenvolverem para um processo de autonomia e emancipação, como, por exemplo, a saúde mental cujo acesso não é facilitado a uma parcela significativa dos membros da família que precisariam de acompanhamento, o que ainda não foi equacionado pelo Programa. A saúde mental deveria ser encarada de outra forma pelos gestores do programa, pois é ela que muitas vezes deixam as famílias em sofrimento e ainda mais vulneráveis, sendo de grande importância um trabalho com essas pessoas. Podemos citar que no Município de Campos Borges poderia ser realizado um trabalho em conjunto com o programa Federal NASF que conta com uma Psicóloga na Unidade Básica de Saúde, juntamente com uma Assistente Social e um Educador Físico, onde poderia ser realizado um trabalho em conjunto em prol dessas famílias procurando ir diretamente aos problemas que estão enraizados nas famílias.

Através do desenvolvimento deste trabalho, foi possível identificar que o SPS Brasileiro é insuficiente e não atende as demandas sociais na sua integralidade, resultando na centralidade desse sistema em um PTCR, no caso, o Programa Bolsa Família. Também foi possível compreender que os fatores condicionantes da proteção social no Brasil, ultrapassam as condicionalidades do PBF, e que existem muitos outros problemas sociais que limitam o acesso a direitos, como a dificuldade de acesso aos bens e serviços (de saúde, educação, transporte público, mercado de trabalho, etc) por parte das famílias beneficiárias, a precariedade dos serviços ofertados pelo Estado, a desigualdade estrutural que intensificam a situação de vulnerabilidade social.

As políticas de saúde e educação no Brasil hoje são marcadas pela precariedade e pela insuficiência, pois apesar de constituírem-se em políticas de garantia de direitos sociais, não se materializam como tais. Garantir o acesso a educação e à saúde não se esgota apenas na oferta desses serviços, conforme salienta Sposati (2011), é preciso afiançar meios para a promoção deste acesso, para a efetivação de um usufruto qualificado. Portanto, saúde e educação são direitos amplos e permeados por muitos determinantes, é preciso garantir transporte, infra-estrutura, alimentação, moradia, entre outros fatores, para que o acesso a estes direitos seja realmente efetivo. Centralizar a proteção social em um PTCR e responsabilizar a família e os indivíduos pela procura e cumprimento dessas

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condições, é exigir que estes superem dificuldades sociais e estruturais das políticas sociais e da sociedade brasileira.

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