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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 EXPERIMENTO 1 – DUPLA-TAREFA

4.1.5 Discussão do Experimento 1 – DUPLA-TAREFA

Como esperado, a condição de DT acarretou numa diminuição da performance do lançamento de precisão, confirmando que a tarefa auditiva utilizada para induzir a sobrecarga cognitiva foi o suficiente para modificar a performance. Estes resultados, em acordo com pesquisas anteriores (CARR et al., 2013; EBERSBACH et al., 1995; SHUMWAY-COOK; WOOLLACOTT, 2003; TEASDALE et al., 1993), suportaram a hipótese de que a performance performance do movimento de lançamento de precisão é prejudicada com a implementação de uma carga cognitiva adicional.

Mais especificamente, as análises da duração do lançamento mostraram que os participantes dispenderam maior tempo para a preparação do movimento na condição DT do que na condição C. Reciprocamente, eles dispenderam mais tempo para a execução do movimento na condição C do que em DT. Com uma carga cognitiva adicional, os participantes dedicaram mais tempo para a preparação do movimento e menos tempo para a execução efetiva do mesmo.

Estes achados estão de acordo com estudos prévios (CARR et al., 2013; CARSON et al., 1999; LAM et al., 2009; MÜLLER et al., 2004), mostrando que a preparação do movimento requer maiores recursos de atenção do que na execução propriamente dita, confirmando desta forma a importância da preparação da tarefa na condição de DT.

Em relação às análises dos deslocamentos do CP, os resultados mostraram que os participantes apresentaram uma maior oscilação em DT do que na condição C, como mostrado pelo aumento da amplitude e velocidade média dos deslocamentos do CP. Estas modificações foram acompanhadas por uma significante alteração, sobretudo na direção AP (ANDERSON et al., 1998; MAKI; MCLLROY, 1996; SCHUMMWAY-COOK; WOOLLACOTT, 2003). Embora nenhuma diferença significante tenha sido observada na direção ML, os resultados mostraram uma tendência a um aumento da instabilidade também nesta direção.

Estes achados suportaram a hipótese que o sistema neuromuscular desenvolveria estratégias apropriadas para compensar o efeito da segunda tarefa que demandou uma atividade cerebral extra, e ainda assim realizar adequadamente o movimento de precisão enquanto manteve o equilíbrio. Resultados similares foram encontrados em outras pesquisas (ANDERSSON et al., 1998; HEIDEN; LAJOIE, 2010; HIYAMIZU et al., 2012; KERR et al., 1985; PELLECCHIA, 2003; TEASDALE et al., 1993).

Neste sentido, duas estratégias, do tornozelo e do quadril, foram reconhecidas por manterem o controle postural em apoio uni ou bipodal, ou reconhecido também por se tratar de um dos principais mecanismos de restauração do controle do balanço em resposta às perturbações externas (HORAK & NASHNER, 1986; WINTER, 1996; MASSION et al., 2004). Estas estratégias provavelmente modificaram o padrão de organização postural, no qual aumentando-se a atividade dos flexores plantares, faz o CP mover-se anteriormente, ao passo que, uma maior ação dos inversores, faz o CP mover-se na direção lateral (ARUIN; LATASH, 1995 a; GATEV et al., 1999; HORAK; MACPHERSON, 1996; WINTER, 1996). No presente experimento, as principais diferenças entre condições foram observadas durante o pré-lançamento, e APCs certamente foram gerados, principalmente na condição de DT. De fato, em condição de DT observou-se uma ação mais efetiva da estratégia do tornozelo, na qual induziu um aumento da magnitude da ação dos flexores plantares, verificado principalmente pelas respostas EMG do músculo FL, o qual induziu a um aumento na direção anterior do CP e consequentemente, do CM deslocando-se à frente da base de suporte (BS).

Por um lado, na condição C, os deslocamentos à frente ou para trás dos voluntários não produziram modificações significantes das forças aplicadas durante a transferência de apoio bipodal para unipodal. Por outro lado, na condição de DT, foi observado que os deslocamentos, tanto à frente quanto para trás produziram um aumento nas forças (Fx ou Fy), opondo-se ao movimento de oscilação do corpo. De qualquer maneira, observou-se que em

condição C, os deslocamentos do CP foram menores, sugerindo que o CM permaneceu mais estável dentro da BS do que em condição de DT.

De fato, a análise destes deslocamentos mostrou que o controle do CM foi necessário para realizar o movimento. Como resultado, participantes utilizaram diferentes estratégias para manter o CM dentro da BS.

Observou-se que na fase de pré-lançamento, os voluntários mantiveram seus corpos numa posição à frente, contrariamente à perturbação do movimento. Contrariamente, eles modificaram sua estratégia durante a fase de lançamento, na qual houve uma tendência ao deslocamento do corpo todo, principalmente do tronco para a posição posterior.

Em ambos os casos, o principal objetivo foi manter o CM dentro da BS, para realizar o movimento de forma eficaz. Na condição de dupla-tarefa, observou-se um aumento do deslocamento do CM principalmente durante a fase de pré-lançamento, sugerindo que um maior grupo de músculos foi necessário ser recrutado a fim de se realizar o movimento e manter o equilíbrio, especificamente nesta fase.

Adicionalmente, para determinar se a organização da atividade dos músculos posturais diferiu entre as condições C e DT, dados EMG foram utilizados para estimar os APAs e descrever mudanças na atividade muscular. Neste sentido, análise da atividade EMG de quatro diferentes músculos permitiram quantificar os APAs. Ambas as análises da atividade EMG, tanto quantitativa (ARUIN; LATASH, 1995 a,b; FUJIWARA et al., 2003; STRANG; BERG, 2007), quanto temporal (BOUISSET; ZATTARA, 1987 b; NOUGIER et al., 1999) foram previamente utilizadas para estimar os APAs.

Os diferentes padrões de resposta observados para as duas condições, que é a combinação da atividade EMG temporal e quantitativo, resultou em similares APAs. Os resultados elevados encontrados para os APAs na condição de DT, estimados pela análise quantitativa EMG, foram compensados por um decréscimo destes mesmos APAs estimados pela análise temporal do EMG; estes comportamentos sugeriram que estas duas medidas provém diferentes informações e têm ambos, portanto, que serem computados para uma correta estimativa dos APAs.

Como resultado, observou-se que uma adaptação funcional dos APAs ocorreu garantindo uma execução relativamente eficiente do movimento com a DT. Observou-se que na condição de dupla tarefa, o retardo nos APAs foi compensado por um longo período no intuito de prover mais tempo para a ação dos músculos posturais.

Estas modificações do padrão de atividade EMG foram remanescentes de estudos anteriores, mostrando a existência de uma estratégia adaptativa adotada pelos participantes

para executar a mesma tarefa em diferentes condições (ARUIN, 2002; MEZAOUR et al., 2010; STEELE, 2012; STRANG; BERG, 2007).

Geralmente admite-se que um movimento eficiente requer uma estabilidade postural. Neste sentido, o sistema neuromuscular é capaz de desenvolver estratégias específicas a fim de manter-se em condição de equilíbrio postural, sabendo-se que o controle da postura e do movimento podem requerer diferentes modos de coordenação.

Análises da coordenação postura e movimento sugeriram o uso de um único sistema central para controlar as interações dinâmicas entre os segmentos corporais durante a execução de uma tarefa de precisão. Desta forma, os achados desta pesquisa corroboraram com aqueles obtidos previamente (ARUIN; LATASH, 1995 b; CORDO; NASHNER, 1982; FRANK; EARL, 1990; MASSION et al., 2004; ROBERT et al., 2007), os quais reportaram que o componente postural frequentemente é iniciado antes do movimento, no intuito de minimizar perturbações do equilíbrio causados pelo movimento focal, neste caso o lançamento de precisão.

Os presentes resultados sugeriram um processo de controle único do movimento, em que os APAs e o movimento foram coordenados através do modo hierárquico de controle. Os músculos responsáveis por estes ajustamentos posturais foram ativados previamente àqueles que atuaram como motores (MASSION, 1992; ROBERT et al., 2007).

No entanto, os presentes resultados mostraram que os APAs foram ativados diferentemente, de acordo com as condições nas quais o movimento ocorreu.

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