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O objetivo do Experimento 1 foi verificar se um procedimento de MTS é o bastante para que ocorra a formação de classes de equivalência entre ideogramas japoneses, palavra escrita (romanizada) e suas correspondentes figuras utilizando MTSS. O procedimento foi inspirado no de Eilertsen e Arntzen (2020), em que foi realizado um treino de relações AB AC, pois, assim como o presente trabalho, foram formadas três classes de três elementos cada. O treino consistiu de protocolos divididos por porcentagem de feedback, 100%, 80%, 20% e 0% respectivamente. Após a realização do treino eram aplicados os testes para avaliar a formação de classes de equivalên-cia.

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Verificou-se emergência das relações para todos os participantes, portanto pode-se dizer que todos os participantes aprenderam. Esses dados corroboram os resultados de estudos anteriores para o ensino de conceitos de linguagem e conceitos acadêmi-cos (e.g Rebello et al., 2013). De forma geral, assim como em César e Moroz (2018), os resultados se mostraram favoráveis à hipótese de que apenas uma sessão de treinos é o suficiente para a formação de classes de equivalência.

Joyce et al. (1993) realizaram uma pesquisa em que buscou-se estabelecer 20 relações entre vocabulários em inglês e em espanhol. Os participantes, adolescentes que so-freram algum tipo de lesão cerebral, atingiram um alto nível de acerto nas tarefas, e esse nível foi mantido quando foi realizada uma avaliação de acompanhamento dois meses depois. Uma avaliação de acompanhamento pode mostrar se os participantes mantiveram as relações que estabeleceram anteriormente, portanto seria interessante fazer essa avaliação em uma pesquisa futura que tem como procedimento ensinar ideogramas da língua japonesa.

Na pesquisa de Joyce et. al. (1993) foi utilizado um número muito superior de rela-ções entre estímulos em relação ao que se buscou formar neste trabalho. Conside-rando que os níveis de acerto atingidos foram altos, mesmo com um grande número de relações para serem treinadas, e que os participantes eram adolescentes com lesão cerebral, pode-se supor para ensinar ideogramas japoneses a estudantes universitá-rios sem qualquer comprometimento cerebral o número de relações treinadas neste trabalho configura um treino excessivo de discriminações condicionais.

Os participantes da presente pesquisa atingiram o critério de aprendizagem já no Treino 100%. Nos treinos seguintes, em que a porcentagem de feedback diminuía, com 80%, 20% e 0%, verificou-se 100% de acerto. Esse dado pode indicar que houve overtraining no caso de todos os participantes, e de acordo com o desempenho dos três participantes sugere-se a realização de menos treinos, visto que já houve 100%

de acerto no primeiro treino com diminuição de feedback. Ou então um aumento no número de estímulos utilizados, assim como visto no trabalho de Joyce et al. (1993).

Em 2013, Bortoloti et al. buscaram investigar se o treino excessivo de discriminações condicionais é necessário para que se fortaleça a relação entre estímulos em uma classe de equivalência. Para isso, compararam dois grupos formados por estudantes universitários, em um grupo foi dado um treinamento regular, e em outro foi dado um treinamento excessivo, em que o número de tentativas era o dobro do grupo re-gular. Verificou-se que os dois grupos obtiveram resultados similares entre si.

Em função do período de pandemia a coleta de dados foi realizada inteiramente de maneira online. A coleta online traz algumas vantagens, tais como a comodidade, o baixo custo e a segurança, principalmente no período de pandemia, em que o conta-to presencial com o participante poderia promover a contaminação. Praticamente qualquer pessoa com acesso a internet em qualquer lugar do mundo é um

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pante potencial, o que facilita o recrutamento. Além disso, o registro e a gravação dos dados também é facilitada quando realizada de maneira online.

Embora haja vantagens na coleta online, esse tipo de coleta apresenta novos desafios em termos de controle experimental. O andamento da pesquisa dependia da veloci-dade da internet, tanto da aplicadora, quanto dos participantes. Essa diferença de velocidade pode ter permitido que ocorressem oscilações na apresentação dos estí-mulos para os participantes durante a coleta de dados. Além disso, com os partici-pantes em seus ambientes domésticos, é pouco provável que haja o mesmo controle de variáveis e interferências externas como há em um ambiente pré selecionado, mesmo com todas as orientações para a realização da pesquisa com o mínimo de in-terferências, assim como no trabalho de Pereira e Moreira (2021), e em outros reali-zados durante o período da pandemia.

Assim como a presente pesquisa, várias outras demonstram a eficácia da formação de classes de equivalência em repertórios acadêmicos. No entanto, assim como o desta pesquisa, utilizam softwares e controles experimentais que dificultam o uso aplicado pela comunidade fora da academia, pois são criados com o único propósito de serem utilizados em seus respectivos trabalhos. Há, no entanto, softwares comer-ciais ou de livre acesso que possuem certas características compatíveis aos de MTS, tais como o kahoot.com, quizlet.com e liveworksheets.com, que além de permitirem a criação de treinos e testes de maneira similar ao MTS, ainda contam com recursos lúdicos e competitivos para o uso em sala de aula.

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Experimento 2

Levando em consideração a eficácia para o estabelecimento de classes de equivalên-cia no experimento anterior, notou-se a utilidade do acesso popular por professores de idiomas. Buscou-se então replicar o primeiro experimento, porém sem a utiliza-ção de um software restrito, e sim com um de uso comercial e com maior aplicabili-dade. Softwares como o WordWall, Kahoot e Quizlet estão disponíveis gratuitamente na internet e permitem a elaboração de treinos de MTS.

Método

Participantes

Participaram da pesquisa outros três estudantes universitários, também duas mulhe-res e um homem com idade entre 21 e 25 anos. O critério para inclusão do partici-pante na pesquisa era o mesmo, não possuir conhecimento prévio do idioma japo-nês.

Delineamento

Foi utilizado um delineamento experimental de caso único do tipo pré-teste e pós-teste.

Variável independente.

O treino de pareamento ao modelo.

Variável dependente.

Formação de classes de equivalência entre os estímulos de imagens de animais, ide-ogramas e escrita romanizada.

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Softwares

Para o encontro da pesquisadora com o participante foi utilizado o Google Meet, as-sim como no Experimento 1. Os softwares utilizados para a coleta de dados foram o WordWall (https://wordwall.net/pt), um site de domínio público e que pode ser usado por professores em sala de aula como forma de ensino alternativa, e o Google Formulário, uma ferramenta que permite a elaboração e aplicação de testes.

Estímulos

Foram utilizados como estímulos imagens de três animais, três ideogramas japone-ses e três palavras romanizadas. A Figura 1 apresenta 3 clasjapone-ses com três elementos cada, representadas pela imagem de um pássaro, seu ideograma japonês, e sua escri-ta romanizada; a imagem de um macaco, seu ideograma japonês, e sua escriescri-ta roma-nizada; e a imagem de um tigre, seu ideograma japonês, e sua escrita romanizada.

Figura 4

Estímulos Utilizados no Experimento 2

Procedimento

O Experimento 2 ocorreu em sessão única na qual foram treinadas as relações entre três classes de estímulos, cada classe com três elementos cada, com o procedimento de MTS simultâneo. Teve início com o Treino AB AC, seguido pelos Testes de Sime-tria, Transitividade e Equivalência. Toda a aplicação se deu pelo Google Meet, para

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que o participante pudesse compartilhar sua tela e a experimentadora pudesse acompanhar o andamento do treino.

Treino AB/AC. Para dar início ao Treino AB AC era enviado um link para acessá-lo no site WordWall. Ao clicar no link era apresentada a tela de início, em que o partici-pante digitava seu nome e poderia avançar para a primeira instrução. Essa instrução dizia “Selecione a opção que melhor representa a imagem. Caso não atinja os 30 acertos ao final clique em ‘começar de novo'''. Após a confirmação de que o partici-pante havia entendido como se dava o funcionamento da tarefa ele clicava no botão

‘play’ e iniciava a primeira tentativa. O treino era composto por um bloco de 30 ten-tativas com 5 apresentações de cada classe. Cada tentativa iniciava-se com a apresen-tação (Ver Figura 5) do estímulo modelo do lado esquerdo da tela e as comparações do lado direito, sendo que cada uma estava em ordem randomizada abaixo da outra.

Caso o participante clicasse no S+, aparecia na tela um símbolo de check sobre a res-posta, acompanhado de um som. Caso o participante clicasse no S- era mostrado um X sobre a resposta em que clicou, acompanhado de um som. Além disso, ainda apa-recia o símbolo de check sobre a resposta correta. O critério de aprendizagem era 100% de acerto, ou seja, as 30 tentativas. Se não atingisse esse critério o próprio site indicava o recomeço da tarefa.

Testes. Após a finalização do Treino AB AC foi disponibilizado aos participantes um link para um formulário construído no Google Forms. Neste formulário estavam 90 tentativas que testavam as propriedades de simetria, transitividade e equivalência, novamente de forma randomizada.

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Figura 5

Telas do Software WordWall com Apresentação dos Estímulos, Resposta e Con-sequência (certa ou errada)

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Figura 6

Tela de Apresentação de uma das Tentativas dos Testes de Simetria, Transitividade e Equivalência

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