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Realizada a análise do corpus, percebemos que as metáforas situadas construídas nas notícias e reportagens sobre a economia brasileira do período 2015-2018 parecem ter sido regidas por metáforas conceptuais. Com o intuito de confirmar tal suspeita, julgamos importante utilizar o procedimento de identificação de metáforas conceptuais – bootstrapping (DUQUE, 2018b), tendo em vista que essa constatação pode acrescentar informações importantes a uma de nossas questões de pesquisa (de que modo metáforas situadas enquadram a economia brasileira?). Em vista disso, ofereceremos ao leitor, nos próximos parágrafos, um levantamento geral acerca de tudo o que foi observado, e, na seção dedicada às considerações finais, responderemos as demais questões que nortearam este trabalho.

Categoria I: notícias e reportagens que associam a economia brasileira a órgãos humanos

Com base em tudo o que foi observado e descrito nos excertos (01), (02), (03), (04), (05) e (06), verificamos que a economia foi entendida como um organismo, porque órgãos e membros, como coração, pulmões, esqueleto, musculatura, braço e calcanhar, por exemplo, a ela foram metaforicamente associados. Em outras palavras, essas metáforas situadas recrutaram componentes específicos dos frames ORGANISMO e ECONOMIA, como mostra a figura 13:

Observamos, na figura 13, que a projeção entre componentes dos frames ORGANISMO e ECONOMIA permite a construção de diversas metáforas situadas. Essas combinações, como já exposto, parecem não ser circunstanciais, dado que determinados componentes do frame fonte ORGANISMO foram mais frequentemente focalizados.

BM&FBOVESPA empresas soja e milho safrinha consumo

investimento agricultura dívida externa privada coração pulmões

esqueleto musculatura calcanhar braço

ECONOMIA ORGANISMO

Fonte: autoria própria.

Figura 13: Alguns dos componentes constituintes dos frames ORGANISMO e ECONOMIA, que, quando projetados, licenciam a construção de metáforas situadas.

Notamos que partes do corpo consideradas centrais (como coração e pulmão) ou frágeis (calcanhar) foram relacionadas a diferentes aspectos da economia (frame alvo), associações estas que viabilizaram a construção das metáforas situadas apresentadas entre os excertos (01) e (06), como ilustra o quadro 5:

Frame ORGANISMO Frame ECONOMIA Metáforas situadas

coração BM&FBOVESPA BM&FBOVESPA é coração da economia

brasileira

pulmões soja e milho safrinha colheita de soja e cultivo de milho safrinha

são pulmões da economia

pulmões empresas pequenas e médias empresas são pulmões

da economia brasileira

esqueleto consumo consumo é esqueleto

musculatura investimento investimento é musculatura

braço agricultura agricultura é braço

calcanhar dívida externa privada dívida externa privada é o calcanhar de

Aquiles da economia brasileira

O quadro 5 mostra que determinados componentes do frame fonte ORGANISMO, quando projetados a componentes do frame alvo ECONOMIA, licenciaram a emergência das metáforas situadas que foram identificadas nos excertos (01), (02), (03), (04), (05) e (06): BM&FBOVESPA é coração da economia brasileira; soja e milho safrinha são pulmões da economia; pequenas e médias empresas são pulmões da economia brasileira; consumo é esqueleto; investimento é musculatura; agricultura é braço; e dívida externa privada é o calcanhar de Aquiles da economia brasileira. O ato de recrutar, para a construção dessas metáforas, termos linguísticos específicos, é, a nosso ver, intencional, pois, como já sinalizamos, a seleção lexical é utilizada como uma estratégia argumentativa para produzir determinados impactos discursivos.

A projeção entre “BM&FBOVESPA” e “coração”, observada em (01), por exemplo, evocou o entendimento de que a bolsa de valores brasileira é um órgão essencial para a economia do país, da mesma forma que o coração é primordial para a vida do corpo humano, dada uma de suas principais funções: a de bombear o sangue que circula no organismo.

De modo semelhante, nos excertos (02) e (03), a utilização metafórica dos itens “pequenas e médias empresas”, “soja”, “milho safrinha” e “pulmões” construiu a tese de que as pequenas e médias empresas, assim como a colheita de soja e o cultivo do milho

Fonte: autoria própria.

safrinha, são os elementos responsáveis pela respiração da economia, tal qual o pulmão em função de um organismo.

No excerto (04), foi possível inferir que as palavras “esqueleto”, “musculatura”, “consumo” e “investimento” construíram a ideia de que o consumo e o investimento fornecem os meios necessários para que a economia se movimente (da mesma maneira que agem o esqueleto e a musculatura no que se refere ao corpo humano).

A projeção entre “agricultura” e “braço”, como vimos na análise do exceto (05), criou a tese de que a agricultura funciona como uma espécie de apoio para a economia, além de poder exercer tarefas semelhantes às de um braço humano, como, por exemplo, mover as mãos para empurrar, segurar, puxar, entre outras.

Por fim, no excerto (06), verificamos que a escolha de “calcanhar”, para fazer referência à dívida externa privada, remeteu à expressão “calcanhar de Aquiles”, que, por denotar a noção de fragilidade, enquadrou a dívida externa privada como o ponto fraco da economia brasileira.

Como mencionamos, essas metáforas situadas parecem ter sido orientadas por uma metáfora conceptual. Para atestar tal suspeita, vejamos, no quadro 6, a aplicação do procedimento de identificação de metáforas conceptuais – bootstrapping (DUQUE, 2018b).

Como se verifica no quadro 6, utilizamos o procedimento de identificação de metáforas conceptuais – bootstrapping – com base nas metáforas situadas identificadas na primeira parte do corpus (BM&FBOVESPA é coração da economia brasileira, colheita de soja e cultivo de milho safrinha são pulmões da economia, pequenas e médias

assertivas A (se...) assertivas B (e...) Metáfora Conceptual (logo...)

economia é algo que tem coração quem tem coração é organismo

ECONOMIA É ORGANISMO (CORPO HUMANO) economia é algo que tem pulmões quem tem pulmões é

organismo economia é algo que tem

esqueleto

quem tem esqueleto é organismo economia é algo que tem

musculatura

quem tem musculatura é organismo

economia é algo que tem braço quem tem braço é organismo economia é algo que tem

calcanhar

quem tem calcanhar é organismo

Fonte: autoria própria.

Quadro 6: Procedimento de identificação de metáfora(s) conceptual(ais) – bootstrapping – subjacente(s) às metáforas situadas referentes à primeira parte do corpus.

empresas são pulmões da economia brasileira, consumo é esqueleto, investimento é musculatura, agricultura é braço e dívida externa privada é o calcanhar de Aquiles da economia brasileira).

A partir de cada uma delas, construímos dois blocos de assertivas. No primeiro deles, as afirmações foram organizadas condicionalmente, a exemplo do que está ilustrado (se a economia é algo que tem coração, se a economia é algo que tem pulmões, se a economia é algo que tem esqueleto etc.); e, no segundo, foram acrescidas informações complementares, como: se a economia é algo que tem coração e quem tem coração é organismo, se a economia é algo que tem pulmões e quem tem pulmões é organismo, e assim por diante. Com base nesses dois blocos, criamos uma espécie de equação (se + e = logo) por meio da qual identificamos a metáfora conceptual subjacente às situadas: se a economia é algo que tem coração (pulmões, esqueleto, musculatura etc.) e quem tem coração (pulmões, esqueleto, musculatura etc.) é organismo, logo, ECONOMIA É ORGANISMO.

Em se tratando das metáforas situadas observadas entre os excertos (01) e (06), inferimos que o organismo evocado parece fazer referência, especificamente, a um corpo humano. Isso pôde ser atestado, sobretudo, com o auxílio do item “calcanhar”, o qual se associa a um membro encontrado em toda a espécie a humana. Essa constatação, é válido pontuar, vai ao encontro da ideia proposta por Vereza (2013, 2016), segundo a qual construções do nível episódico de cognição, como as metáforas situadas, podem recrutar instâncias do nível estável, como as metáforas conceptuais.

A metáfora conceptual ECONOMIA É ORGANISMO, que funcionou como pano de fundo para as metáforas situadas analisadas na primeira parte do corpus, trouxe, consigo, teor eminentemente argumentativo e discursivo. Isso se deve, como já mencionado, ao fato de que a economia, algo mais distante de nossas experiências físicas, nos foi apresentada em termos de algo extremamente próximo de nossa realidade: o próprio corpo humano. Isso parece provocar, a nosso ver, uma sensação de proximidade, ou seja, por sabermos da importância, da fragilidade e da funcionalidade dos órgãos e membros que constituem nossos corpos, passamos a entender a economia de modo semelhante, o que elimina, consequentemente, uma série de outras possibilidades de compreendê-la. Isso também pôde ser observado nas notícias e reportagens que foram organizadas, no corpus, em uma segunda categoria, como será exibido a seguir.

Categoria II: notícias e reportagens que evocam a vulnerabilidade da economia brasileira, que, assim como um organismo, pode ser acometida por diversas doenças

Diante do que foi exposto nos excertos (07), (08), (09), (10) e (11), notamos que a economia em crise foi compreendida em termos de um organismo doente, pois sua vulnerabilidade às mais diversas formas de enfermidade foi bastante evidenciada. Constatamos, assim, que as metáforas situadas nessa segunda parte da análise recrutaram componentes dos frames DOENÇA (ORGANISMO DOENTE) e ECONOMIA, como mostra a figura 14:

Conforme ilustrado, componentes específicos de cada frame foram realçados com o intuito de construir as metáforas situadas apresentadas entre (07) e (11). À semelhança do que foi detectado na primeira parte da análise, na qual determinados órgãos do corpo humano foram focalizados, em detrimento de outros, essas associações não parecem ter sido acidentais, pois foram bastante condizentes com as teses expressas e defendidas em cada excerto. Desse modo, percebemos que enfermidades consideradas graves ou muito graves foram mais frequentemente evidenciadas para fazer referência à economia em crise, o que pode ser verificado no quadro 7:

DOENÇA (ORGANISMO DOENTE)

Fonte: autoria própria.

Figura 14: Alguns dos componentes constituintes dos frames DOENÇA (ORGANISMO DOENTE) e ECONOMIA, que, quando projetados, licenciam a construção de metáforas situadas.

recessão desemprego crise carência de investimento taxa de juros estagnação fracasso econômico Custo Brasil aumento de imposto Ministério da Economia rombo no orçamento ECONOMIA (EM CRISE)

doença carência de nutriente anemia câncer

falta de apetite falta de disposição

doença grave UTI

respiração por aparelhos medicamento de alto risco

DOENÇA (ORGANISMO DOENTE)

Frame DOENÇA (ORGANISMO DOENTE)

Frame ECONOMIA

(EM CRISE) Metáforas situadas

infecção Custo Brasil Custo Brasil é infecção

carência de nutrientes carência de investimento carência de investimento é carência de

nutriente

anemia retrocesso econômico retrocesso econômico é anemia

doença grave estagnação econômica estagnação econômica é doença grave

câncer taxa de juros taxa de juros é câncer

doença grave crise econômica crise econômica é doença grave

organismo doente fracasso econômico fracasso econômico é organismo doente

UTI Ministério da Economia Ministério da Economia é UTI

medicamento de alto risco aumento de imposto aumento de imposto é medicamento de

alto risco

doença grave rombo de R$ 58,2 bilhões no

orçamento

rombo de R$ 58,2 bilhões no orçamento é doença grave

Observamos, nesse quadro, que os componentes descritos em cada frame, quando projetados, licenciaram a construção das metáforas situadas identificadas nos excertos (07), (08), (09), (10) e (11), quais sejam: carência de investimento é carência de nutriente; retrocesso econômico é anemia; estagnação econômica é doença grave; taxa de juros é câncer; crise econômica é doença grave; fracasso econômico é organismo doente; Ministério da Economia é UTI; rombo de R$ 58,2 bilhões no orçamento é doença grave; e aumento de imposto é medicamento de alto risco. Como dissemos, a escolha desses componentes parece ter sido intencional, pois condiz com os argumentos tecidos em cada excerto, o que reforça a ideia de Duque (2015), de acordo com a qual a seleção lexical é uma estratégia utilizada para acionar frames específicos.

A projeção entre “Custo Brasil” e “infecção”, por exemplo, evocou, no excerto (07), a tese de que o Custo Brasil é tão prejudicial à economia quanto uma infecção a um organismo. Além disso, notamos, com o auxílio de passagens como “[...] a economia está doente e a equipe de Henrique Meirelles ofereceu uma sopa reforçada [...]”, que apenas a equipe do então secretário da fazenda é capaz de tratar a doença que acometeu a economia.

Similarmente, as projeções entre “carência de investimento” e “carência de nutrientes” e “retrocesso econômico” e “anemia”, verificadas nas metáforas que orientaram o nicho metafórico tecido no excerto (08), evidenciaram que, de acordo com o Presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),

Fonte: autoria própria.

Paulo Rabello, a economia está anêmica devido à falta de disposição para investimento por parte do empresariado brasileiro.

A metáfora situada emergente em (09), taxa de juros é câncer, nos permitiu identificar a opinião do economista Amir Khair, para quem a Reforma da Previdência é prejudicial e a taxa de juros é vista como uma grave doença para a economia (assim como o câncer para um organismo).

As projeções observadas no excerto (10), entre “crise econômica” e “doença grave” e entre “Ministério da Economia” e “UTI”, evidenciaram o pensamento do ex- presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo o qual a economia, ao apresentar uma doença tão grave que requer UTI, só poderia ser salva mediante a intervenção do governo de transição (mais especificamente do Ministério da Economia), considerado uma “equipe médica” de excelência.

Finalmente, em (11), constatamos que as projeções entre “rombo de 58,2 bilhões no orçamento” e “doença grave” e entre “aumento de imposto” e “medicamento de alto risco” revelaram a tese de que a cura ou a morte da economia, gravemente doente (“[...] economia respirando por aparelhos [...]”), depende de um medicamento de alto risco, qual seja: o aumento de impostos.

À semelhança do que foi identificado nas notícias e reportagens que constituem a primeira parte do corpus, as metáforas situadas que sustentaram os nichos metafóricos tecidos nos excertos (07), (08), (09), (10) e (11) também parecem ter sido ancoradas a uma metáfora conceptual. Para nos certificarmos disso, aplicaremos, novamente, o procedimento de identificação de metáforas conceptuais (DUQUE, 2018b), descrito no quadro 8:

assertivas A (se...) assertivas B (e...) Metáfora Conceptual (logo...)

economia é algo que tem infecção quem tem infecção é organismo

ECONOMIA (EM CRISE) É ORGANISMO

(DOENTE) economia é algo que tem carência

de nutrientes

quem tem carência de nutrientes é organismo

economia é algo que tem anemia quem tem anemia é organismo economia é algo que tem doença

grave

quem tem doença grave é organismo economia é algo que pode estar em

uma UTI

quem pode estar em uma UTI é organismo

economia é algo que pode fazer uso de um medicamento de alto risco

quem pode fazer uso de um medicamento de alto risco é organismo

Fonte: autoria própria.

Quadro 8: Procedimento de identificação de metáfora(s) conceptual(ais) – bootstrapping – subjacente(s) às metáforas situadas referentes à segunda parte do corpus.

Percebemos, conforme o quadro 8, que a metáfora conceptual subjacente às metáforas situadas identificadas entre os excertos (07) e (11) é ECONOMIA É ORGANISMO. Entretanto, diferentemente do que foi observado nos primeiros excertos, nos quais as metáforas foram construídas com base em um componente específico do frame ORGANISMO (seus órgãos e membros), a metáfora conceptual ECONOMIA É ORGANISMO focaliza, na segunda parte do corpus, outro aspecto do organismo (as doenças pelas quais pode ser acometido) e da economia (fatores que a levam à crise).

Isso pôde ser constatado com a aplicação do método de identificação de metáfora(s) conceptual(ais). Ainda de acordo com o quadro 8, construímos os dois blocos de assertivas (se + e = logo) com base nas metáforas situadas identificadas entre (07) e (11). Notamos, assim, que, se a economia é algo que tem infecção, carência de nutrientes, anemia, câncer etc., e que, quem tem infecção, carência de nutrientes, anemia, câncer etc. é organismo, logo, inferimos que ECONOMIA (EM CRISE) É ORGANISMO (DOENTE).

Esse organismo, assim como observado nas metáforas situadas analisadas na primeira parte do corpus, foi associado a um humano. Isso pôde ser aferido com base em pistas linguísticas, especialmente com o auxílio do item lexical UTI, que evocou a unidade de tratamento intensivo para onde seres humanos gravemente doentes são levados. Tal certificação não seria válida, por exemplo, se levássemos em consideração, apenas, itens como “anemia”, “câncer”, “infecção” etc., pois outros tipos de organismos, como os animais, por exemplo, podem ser acometidos por essas e outras doenças.

Categoria III: notícias e reportagens que evocam a crise econômica em termos de fenômenos naturais

Uma vez finalizada a análise dos excertos (12), (13), (14) e (15), evidenciamos que a crise econômica foi entendida como um fenômeno da natureza cujas causas são naturais, ou seja, ocorre sem nenhum tipo de interferência humana, e cuja magnitude é imprevisível. Por essa razão, as metáforas situadas analisadas nessa última parte do corpus se apoiaram em componentes dos frames FENÔMENOS NATURAIS e CRISE ECONÔMICA, conforme ilustrado na figura 15:

É possível observar, na figura 15, quais os componentes dos frames FENÔMENOS NATURAIS e CRISE ECONÔMICA foram recrutados para a construção das metáforas situadas verificadas entre (12) e (15). Reforçamos, mais uma vez, que a escolha desses atributos não parece ter sido ocasional, haja visto que as teses defendidas em cada excerto, a de que a crise econômica decorre de fatores naturais, se apoiaram em frames que evocaram exatamente essa ideia. Além disso, notamos que fenômenos considerados de grande magnitude foram mais evidenciados que outros, como mostra o quadro 9:

Figura 15: Alguns dos componentes constituintes dos frames FENÔMENOS NATURAIS e CRISE ECONÔMICA, que, quando projetados, licenciam a construção de metáforas situadas.

FENÔMENOS NATURAIS CRISE ECONÔMICA

Fonte: autoria própria.

crise econômica recessão demissões corte de vagas cancelamento de contratos queda nas vendas reduções mercado escasso e competitivo

14 milhões de desempregados serviços públicos falidos fechamento de órgãos e de

instituições extinção de projetos e de

programas sociais cataclismo tempestade vítimas

manifestações sismológicas destruição fragilização estragos aniquilação terremoto avalanche

Frame FENÔMENOS

NATURAIS Frame CRISE ECONÔMICA Metáforas situadas

cataclismo crise econômica crise econômica é cataclismo

manifestações sismológicas manifestações da crise em ondas manifestações da crise em ondas são

manifestações sismológicas

destruição/fragilização demissões em massa demissões em massa são destruição/

fragilização

aniquilação parcial cancelamento de contratos cancelamento de contratos é

aniquilação parcial

aniquilação total recessão recessão é aniquilação total

tempestade crise econômica crise econômica é tempestade

estragos demissões em massa/queda nas

vendas/corte de vagas/recessão

demissões em massa/queda nas vendas/corte de vagas/recessão são

estragos no Brasil

terremoto crise econômica crise econômica é terremoto

destruição

recessão/mercado competitivo/mercado

escasso/reduções

recessão/mercado competitivo/mercado escasso/reduções são destruição

avalanche recessão recessão é avalanche

vítimas 14 milhões de desempregados 14 milhões de desempregados são

vítimas áreas atingidas

(extinção de) serviços públicos/ (fechamento de) órgãos e instituições/ (extinção de) projetos e programas sociais

serviços públicos/órgãos e instituições/projetos e programas

sociais são áreas atingidas

Percebemos, no quadro 9, os componentes realçados dos frames FENÔMENOS NATURAIS e CRISE ECONÔMICA, que, quando conectados, licenciaram a construção das seguintes metáforas situadas identificadas nos nichos presentes entre os excertos (12) e (15): crise econômica é cataclismo, manifestações da crise em ondas são manifestações sismológicas, demissões em massa são destruição/fragilização, cancelamento de contratos é aniquilação parcial, recessão é aniquilação total, crise econômica é tempestade, demissões em massa/queda nas vendas/corte de vagas/recessão são estragos no Brasil, crise econômica é terremoto, recessão/mercado competitivo/mercado escasso/reduções são destruição, recessão é avalanche, 14 milhões de desempregados são vítimas e serviços públicos/órgãos e instituições/projetos e programas sociais são áreas atingidas.

Como vimos, as metáforas crise econômica é cataclismo, manifestações da crise em ondas são manifestações sismológicas, demissões em massa são destruição/fragilização, cancelamento de contratos é aniquilação parcial, recessão é aniquilação total, observadas em (12), evocaram a crise econômica em termos de um

Quadro 9: Metáforas situadas identificadas na terceira parte do corpus.

fenômeno natural de grande magnitude: um cataclismo. Consequentemente, a tese defendida foi a de que a crise resultou de um evento natural, ou seja, não foi provocada, por exemplo, por fatores que envolvam a intervenção humana, como a má gestão dos governantes. As consequências desse cataclismo econômico, como vimos, foram as demissões em massa, o cancelamento de contratos e a recessão.

No excerto (13), notamos que, assim como em (12), a crise econômica foi compreendida como um fenômeno natural. Diferentemente de um cataclismo, entretanto, o fenômeno focalizado foi uma tempestade. As metáforas situadas construídas no nicho, crise econômica é tempestade, demissões em massa/queda nas vendas/corte de vagas/recessão são estragos no Brasil, expressaram a mesma tese defendida em (12): a de que a crise econômica decorreu de um evento natural, o que exime, assim, a responsabilidade dos governantes. Verificamos, ainda, que a tempestade evocada foi de grandes proporções, dadas suas consequências: demissões em massa, queda nas vendas, corte de vagas e recessão.

As metáforas situadas crise econômica é terremoto e recessão/mercado competitivo/mercado escasso/reduções são destruição, averiguadas no excerto (14), argumentaram que a crise econômica pôde ser equiparada a um terremoto. A tese por elas defendidas, novamente, afastou a responsabilidade dos governantes, posto que a crise, assim como um terremoto, foi provocada por causas naturais. Independentemente de sua