Capítulo III – Desenho do Estudo
3.6. Discussão global dos resultados
Ao longo deste projeto de investigação-ação foi possível observar uma evolução em relação à confiança dos alunos em participar nas “Thinking Tasks”. Estes, que no início se mostraram um pouco reticentes a esta nova dinâmica na sala de aula, acabaram por se mostrar entusiasmados na presença das atividades de pensamento. De forma constante, os alunos foram capazes de reconhecer o ícone das “Thinking Tasks” (ver Anexo 6) e sabiam que era altura de “pensar”, revelando-se empolgados em mostrar que sabiam o que o ícone representava, a atividade que se seguia e as exigências da mesma.
Os resultados mostram que os alunos no início do 1º ciclo de investigação-ação sentiam que as “Thinking Tasks” eram difíceis e não se sentiam confiantes em participar nas mesmas. Já no fim do 1º ciclo de investigação-ação, estes sentiam mais confiança em participar nas “Thinking Tasks” mas continuavam a sentir dificuldades em pensar sozinhos. De forma progressiva, no 1º ciclo de investigação-ação, os alunos viram as
“Thinking Tasks” como algo mais atingível, mas ainda existia espaço para mais trabalho.
O 2º ciclo de investigação-ação persistiu nas mesmas áreas do 1º ciclo de investigação-ação. Os resultados mostram que, comparando os resultados do 1º ciclo de investigação-ação ao 2º ciclo, esta persistência e exposição às “Thinking Tasks” conduziu a uma maior confiança em participar nas mesmas e que estas se foram tornando cada vez mais atingíveis para os alunos. Ademais, no fim do 2º ciclo de investigação-ação, estes sentiam-se mais confortáveis em pensar sozinhos do que no início do projeto, processo esse que agora se mostrava menos desafiante e difícil. Por fim, os participantes referiram
a ser criativos nas respostas e a fazer escolhas. Esta evolução visível nos resultados obtidos demonstra mostra que o desenvolvimento cognitivo pode ser treinado através da educação (Feng, 2013), que questões do professor são capazes de trazer ao de cima diversas qualidades de resposta por parte dos alunos (Tantawy, 2017) e desenvolvem o seu raciocínio (Lee at al., 2010).
Em relação ao uso de inglês nas respostas dos alunos em ambos ciclos de investigação, como referido anteriormente, este, apesar de encorajado, não era o foco principal do estudo. Os alunos foram capazes de maximizar o uso do inglês nas suas respostas às “Thinking Tasks”, utilizando o vocabulário aprendido nas aulas. Para além disso, existiu uma tentativa por parte dos alunos de não só utilizar o vocabulário aprendido, mas, também, de formar frases completas. A intenção das “Thinking Tasks”
centrava-se no desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos na sala de inglês como língua estrangeira, como tal, um dos elementos de investigação era a possível aliança entre dito desenvolvimento cognitivo e as temáticas de inglês. Consequentemente, as questões do professor eram sobre o tópico corrente da disciplina, realizadas sempre em inglês e o uso da língua inglesa sempre encorajado. Contudo, estas questões eram sobretudo oportunidades para os alunos pensarem sobre os tópicos aprendidos na sala de inglês e consequente resposta às questões do professor, ao invés do desenvolvimento de vocabulário para formularem justificações em inglês. Desde o início era esperado que os alunos utilizassem a língua materna para explicar o seu pensamento não só porque era a forma como se iriam sentir mais confortáveis, o que resultaria em respostas mais fundamentadas e pensadas, mas também porque ensinar o vocabulário necessário para explicar o seu pensamento em inglês nas “Thinking Tasks” não era o foco principal do estudo. No início do projeto, foi mostrado aos alunos como estes poderiam responder às questões do professor (ver Anexo 7), ensinando as estruturas “I think that…” e
“because…”. Assim, desde o início se esperava que os alunos utilizassem o vocabulário aprendido e a estrutura linguística acima mencionada, mas que explicassem o seu pensamento em português. Como tal, o uso do inglês mostrou-se limitado, o que pode inclusive ser uma área futura de estudo. Ainda assim, os alunos eram sempre encorajados a utilizar o vocabulário que aprendiam em inglês, mesmo este sendo limitado, pois, apesar de este não ser o foco primordial, o estudo tomava lugar na sala de inglês como língua estrangeira e era um elemento fulcral.
Em relação à questão de investigação “É possível aliar o desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos aos temas da sala de inglês como língua estrangeira?”, os resultados obtidos neste estudo mostram que é possível aliar atividades focadas no desenvolvimento cognitivo dos alunos com as temáticas da sala de inglês como língua estrangeira. Através de questões analíticas, especificamente questões que exigem comparação entre elementos, foi possível aliar o desenvolvimento das capacidades cognitivas de alta ordem dos alunos com os temas correntes da disciplina. É importante referir que esta aliança cai sobre o professor pois existiu uma necessidade de escolher o instrumento utilizado para este meio e a criação das questões de forma a estas serem adequadas às necessidades do projeto. Mesmo assim, este é um processo possível e atingível, inclusive com alunos do 1º ciclo do Ensino Básico.
Em relação à questão de investigação “É possível melhorar as capacidades cognitivas dos alunos, na sala de inglês como língua estrangeira, através de questões do professor?”, foi possível concluir que questões do professor podem servir como um ótimo instrumento para o desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos. Os resultados mostram que os alunos se apresentaram capazes de pensar criticamente, realizar uma escolha e elaborar justificações sobre as mesmas quando confrontados com questões do professor. Estes elementos demonstram inteligência cognitiva e estiveram presentes nos resultados obtidos no decorrer do estudo. Como tal, é possível inferir que as questões do professor têm um grande papel no desenvolvimento cognitivo dos alunos e, como tal, podem ser o instrumento escolhido para melhorar as capacidades cognitivas de alta ordem dos jovens aprendizes.
Em suma, os resultados obtidos demonstram a exequibilidade de uma tentativa de desenvolver as capacidades cognitivas dos alunos na sala de inglês de 1º Ciclo como língua estrangeira. Através de questões do professor, nos momentos denominados
“Thinking Tasks” os alunos foram capazes de treinar e melhorar as suas capacidades cognitivas. Este estudo demonstrou que é possível melhorar as capacidades cognitivas dos alunos do 1º ciclo do Ensino Básico, na sala de inglês como língua estrangeira aliando as temáticas da disciplina com questões do professor, resultando em alunos mais cognitivamente capacitados. Através da criação de situações que estimularam a cognição dos alunos, como referido nas Aprendizagens Essenciais (Direção Geral da Educação,
alunos para a estrutura de linguagem e conteúdo aprendido (Liu et al., 2021) mas também desafiar os alunos e trabalhar na sua cognição.
Conclusão
A falta de atividades que estimulem as capacidades cognitivas de alta ordem dos alunos (Feng, 2013; Tofade, Elsner e Haines, 2013) é, de facto, algo alarmante. Contudo, é algo que pode ser mudado. Este estudo demonstra que esta tarefa é exequível e pode ser realizada em conjunto com as temáticas da disciplina de inglês. Pode inclusive funcionar como um elemento de apoio ao ensino, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo, a aquisição de uma língua, a atenção a vocabulário aprendido, o desenvolvimento de capacidades comunicativas, entre outros. As atividades apresentadas neste estudo podem ser realizadas por qualquer professor de inglês desta faixa etária e existe a possibilidade do estudo ser continuado ou até expandido para outras áreas.
À luz dos resultados obtidos durante este estudo, o uso de questões do professor como instrumento de desenvolvimento cognitivo dos alunos é possível e benéfico. Ao longo deste percurso foi possível concluir a viabilidade de desenvolver o pensamento de alta ordem dos alunos do 4º ano de escolaridade. Através de questões abertas e comparativas do professor, os alunos mostraram-se progressivamente mais confortáveis com o seu pensamento, mais seguros perante situações que exigissem pensamento crítico em contextos incomuns, revelando-se interessados e motivados em participar nas atividades, demonstrando vontade e confiança em partilhar as suas ideias. A boa resposta dos alunos às atividades propostas e os dados recolhidos evidenciam a importância de desenvolver a criança como um todo, incluindo o pensamento crítico, o raciocínio lógico e a criatividade na resolução de problemas (Direção Geral da Educação, 2018).