• Nenhum resultado encontrado

As injúrias dentais traumáticas em crianças e adolescentes são muito difundidas na população (BORSSEN; KÄLLESTAL; HOLM. 2002), e é um problema sério de saúde pública dental entre as crianças. Considerando que, o gênero, a idade e a história do trauma são fatores predisponentes que aumentam o risco do trauma dental (ALTAY; GÜNGOR, 2001).

A maioria das injúrias dentais envolve os dentes anteriores e, portanto, podem ser tratadas e prevenidas diminuindo o impacto físico e pscicológico. Devido à sua alta prevalência, as injúrias dentais contam com uma alta porcentagem das reclamações nos serviços dentais de emergência (MARCENES; ALESSI; TRAEBERT, 2000).

Os estudos de prevalência das injúrias dentais em crianças diferem em várias investigações (ZERMAN; CAVALLERI, 1993; ALTAY; GÜNGOR, 2001). De acordo com ALTAY; GÜNGOR (2001) existe uma maior prevalência nos grupos de idade entre 7-9 anos (41,5%) do que nos outros grupos, enquanto que ZERMAN; CAVALLERI (1993) verificaram esta maior prevalência entre a idade de 6-13 anos. Nos dados epidemiológicos de PRATA et al. (2000), verificou-se que 62,91% dos pacientes que procuraram tratamento na UNESP eram do gênero masculino e a maior incidência dos traumatismos ocorreu aos 9 anos de idade. Não houve diferenças significantes para ALTAY; GÜNGOR, 2001, entre os jovens do gênero masculino e feminino e nos estudos realizados por ZERMAN; CAVALLERI, (1993) a razão foi de 2,7:1, respectivamente, enquanto que nas investigações de CHEN; TSAI; SEE, 1999, foi observado uma razão para um trauma dental anterior de 1,4:1, e para SKAARE; JACOBSEN (2003) os meninos tiveram quase duas vezes mais injúrias freqüentes do que as meninas, e esta diferença aumentou com a idade.

A etiologia das injúrias verificada por ALTAY; GÜNGOR, 2001 registrou que 45,35% de todas as injúrias aconteceram em casa e no playground da rua, 30,7% na escola/ no playground da escola e 19,3% em casa. O alto número de injúrias ocorridas em casa/ no playground da rua deve ser explicado pelas variações de estação (levemente maior no verão/primavera), pois, as crianças brincam fora de casa ou na escola nestas estações. Não houve relação

30

estatisticamente significante entre idade/ gênero e local das injúrias (p>0,05). Os acidentes devido às quedas parecem ser o fator mais comum em todos os grupos de idades neste estudo (42,7%). Os outros fatores etiológicos mais altos foram pancadas, acidentes de esportes e colisões (18%, 16% e 14%, respectivamente).

Ao avaliar os dados epidemiológicos e as causas das injúrias dentárias traumáticas dos pacientes, PRATA et al. (2000) verificaram que 62,91% dos pacientes eram do gênero masculino e a maior incidência dos traumatismos ocorreu aos 9 anos de idade. A causa mais comum foi queda (48,34%), seguida por queda de bicicleta (22,52%) e golpe (15,89%), com o dente mais afetado sendo o incisivo central superior (92,8%) e os traumas mais freqüentes foram as fraturas coronárias (42,81%), seguidas de avulsão (25,76%), fratura radicular (7,57%), luxação lateral (7,2%), luxação extrusiva (6,44%), concussão (1,89%), fratura corono-radicular (1,14%) e subluxação (0,76%). Enquanto que, ZERMAN; CAVALLERI (1993) verificaram a prevalência das injúrias traumáticas nos incisivos permanentes nos pacientes, com idade entre 6 – 21 anos, observaram que as causas mais freqüentes foram às quedas e os acidentes de tráfego e a maioria envolveram dois dentes, sendo que por volta de 80% dos dentes foram os incisivos centrais superiores. O tipo mais comum foi de fratura coronária não complicada.

Em relação aos estudos de CHEN; TSAI; SEE (1999) foi notado que a maioria das injúrias ocorreu em casa (63,7%), seguido pela escola, e os incisivos superiores foram os dentes mais comumente afetados, e 67% destes casos envolveram fratura do esmalte. Sendo que para, MARCENES; ALESSI; TRAEBERT (2000), ao observarem as causas e a prevalência das injúrias traumáticas dos incisivos permanentes de crianças escolares de ambos os gêneros constataram que, as principais causas foram às quedas (26 %), acidentes no tráfego (20,5 %), esportes (19,2%), violência (16,4%) e colisões com pessoas e objetos inanimados (6,8 %). Para AL-JUNDI (2002), a principal causa do trauma dental foi a queda durante a brincadeira (58,5%) e a causa menos comum foi de acidentes com veículos (1,5%), sendo que, a maioria ocorreu em casa (41,5%) e os dentes mais normalmente envolvidos foram os incisivos centrais superiores permanentes contando com 79,5% de todos os dentes envolvidos pelo trauma dental.

Por conseguinte, através destes estudos anteriormente mencionados, a injúria de ambos os dentes decíduos e permanentes e suas estruturas de suporte é um dos problemas mais comum vistos nas crianças. O trauma dental pode estar acompanhado de conseqüências econômicas significantes. Tem sido mostrado que quando uma criança atinge a idade escolar, os acidentes no meio escolar em forma de quedas são bem comuns e a causa principal das injúrias dentárias traumáticas. O trauma dentário pode variar de um pequeno desgaste no esmalte a um extenso dano maxilofacial envolvendo as estruturas de suporte e deslocamento ou avulsão dos dentes. Isso pode resultar em distúrbios funcionais e estéticos que envolvem ambos, os pacientes e seus pais (CHAN; WONG; CHEUNG, 2001; GABRIS; TARJAN; ROZSA, 2001; ROBERTSON; NOREN, 2001).

A maioria dos profissionais da saúde e educadores concorda que a prevenção é o curso de ação mais preferível a que tratar as conseqüências, que normalmente significa o tratamento da injúria. Portanto, o melhor tratamento para o trauma dentário seria a prevenção. Infelizmente, mesmo no campo odontológico, a prevenção do trauma acidental para os dentes é talvez ofuscada por um tremendo interesse universal na prevenção e controle de outras doenças dentárias (CHAN; WONG; CHEUNG, 2001).

Os professores escolares deveriam garantir um meio ambiente seguro durante as lições. A identificação dos fatores causais e grupos de alto risco são importantes para o modelo de medidas preventivas. Por exemplo, a maior consciência pelos professores e supervisores de playgrounds da probabilidade das injúrias dentárias que ocorreram no playground e durante as aulas de educação física resultaria em medidas de maior precaução. O objetivo seria reduzir tais incidentes como colisões, lutas e quedas, que são os principais fatores etiológicos para o trauma dentário (GABRIS; TARJAN; ROZSA, 2001). Existindo a necessidade de uma interação entre professores e pais por meio de informações e de meios para a prevenção de traumas, como o uso adequado de protetores bucais em aulas de esportes de contacto, qual o melhor meio para transportar um dente avulsionado, como adotar as adequadas precauções e tratamentos de emergência. Com isso, as campanhas de prevenção podem começar com a provisão de informação ao público sobre o primeiro recurso apropriado para melhorar o prognóstico em muitas situações de trauma; isto

32

pode melhorar o conhecimento público sobre a necessidade do cuidado de emergência, bem como reduzir os altos custos do tratamento (BORUM; ANDREASSEN, 2001).

O manejo e a prevenção da injúria dentária deveriam ser reconhecidos com uma grande questão de saúde pública e as fontes adequadas para a pesquisa nesta área e o desenvolvimento de programas de prevenção. Existe na atualidade uma falta aparente de dados recentes na literatura sobre a ocorrência de injúrias dentárias. Em vista das amplas diferenças culturais existentes e, portanto, as atividades que os escolares possam estar engajados, pesquisas posteriores deveriam ser conduzidas para obter dados relevantes nesta área. Por exemplo, a identificação dos grupos de idade propícios aos traumas ajudaria quando designar as medidas preventivas e programas educacionais sobre as injúrias dentárias traumáticas e indicaria como elas deveriam ser direcionadas – para os pais, pré-escolares ou educadores - e conseqüentemente diminuiria os gastos no consultório odontológico para os pais e serviços de saúde pública (BORUM; ANDREASEN, 2001; SAE-LIM; LIM, 2001; PACHECO et al. 2003). Finalmente, seria interessante e vantajoso estender a pesquisa ao público, a outros grupos leigos relevantes e também aos grupos de profissionais tais como a equipe médica e odontológica (CHAN; WONG; CHEUNG, 2001).

Documentos relacionados