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3. CAMINHOS TEÓRICOS

3.3 Programas de formação continuada desenvolvidos no Sudeste do Pará

3.3.7 Discussão sobre os programas de formação continuada

Diante da exposição acerca dos programas e projetos de formação continuada de professores, observamos que estes se formalizam/formalizaram sobre forte aporte teórico sustentado pela corrente sóciointeracionista, que nas duas últimas décadas tem se apresentado como a base de sustentação das ideias educacionais brasileiras sobre o processo de ensino e de aprendizagem dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Todos os projetos e programas aqui apresentados tiveram suas matrizes curriculares construídas com base na corrente crítico social dos conteúdos, com exceção do PEA que teve sua matriz curricular centrado na concepção de ensino da Escola Nova.

Os programas e projetos apresentam estratégias metodológicas direcionadas ao fazer pedagógico dos professores que atuam diretamente com alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental. A intenção desses programas e projetos foram a de oferecer aos professores aporte teórico e atividades práticas que possibilitassem a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem, garantindo o domínio da leitura e da escrita; condição indispensável ao desenvolvimento do cidadão.

Todavia, temos observado que o currículo definido para o curso de formação inicial dos professores dos anos iniciais (Pedagogia), não tem dado conta de garantir os conhecimentos necessários para o professor desenvolver a docência, ficando a incumbência à formação continuada, razão de ser dos programas de formação continuada. Embora saibamos que os programas e projetos apresentem características próprias, mas tratam os docentes em formação como sujeitos homogêneos, por acreditar que certos conhecimentos básicos ao ato de ensinar já estejam consolidados em cada professor, percebemos o esforço conjunto em busca do conhecimento que não se encerra na universidade, mas continua nos desafios do cotidiano escolar.

Observamos que os projetos e programas aqui descritos são embasados em correntes teóricas e seguem o alinhamento com proposições didáticas relacionadas ao fazer pedagógico apresentando coerência entre a teoria e a proposta prática, ou seja, têm o propósito de melhorar a qualidade do ensino nos anos iniciais.

regional, ou seja, são criados para atender os professores de modo geral. Dessa forma, visualizamos nas propostas de formação continuada de professores que os elementos que as constituem não atendem de forma abrangente às reais necessidades dos professores alfabetizadores, e ao se tratar de uma formação continuada que atenda a demanda da educação do Campo, parece estar ainda muito distante.

Portanto, podemos dizer que os efeitos promovidos pela formação continuada de professores dos anos iniciais nas escolas do Campo no município são mínimos. O processo de exclusão sofrido por eles é muito forte, as políticas públicas têm sido pensadas de forma globalizada e os contextos não têm ocupado o devido lugar; mencionando que de todos os programas e projetos desenvolvidos entre os anos de 2000 a 2015, no município somente os PCN, PEA e PNAIC, contemplaram os professores do Campo, em parte, pois de acordo com o exposto, não foram desenvolvidos na íntegra e desses três somente o PEA desenvolveu de forma parcial uma metodologia que se aproximava da realidade do Campo.

Partindo da lógica de que discutir Educação do Campo nos parâmetros atuais implica a necessidade de estabelecer um diálogo permanente com os sujeitos do Campo, com suas histórias de vida, e com os processos por eles vividos, no sentido de compreender e consequentemente romper com a estrutura preestabelecida pelo sistema educacional brasileiro, podemos aferir por meio da nossa experiência como formadora de professora e multiplicadora dos programas de formação continuada que as contribuições desses à formação continuada dos professores foram mínimas, dada a atuação nos espaços escolares, considerando os desafios e as limitações advindas do processo de formação inicial.

Assim sendo, o direito à formação continuada na escola, em momentos de encontros com aqueles com quem é compartilhado o desenvolvimento profissional, precisa constituir-se em possibilidades de retomada do papel político dos professores, mediante o conhecimento e a valorização dos seus saberes, da reflexão individual e coletiva da prática e da ação educativa articulada ao diálogo participativo pautado nos princípios da liberdade, autonomia e, consequentemente, do pleno exercício da cidadania.

Mudanças ocorreram no campo educacional e se consolidaram a partir da transformação de certa realidade. Assim como essa transformação precisou de tempo

caminhos em direção de uma dinâmica de troca, de planejamento, de execução, na relação teoria e prática e na reflexão da ação do professor.

Entendemos que talvez o desafio maior da for mação continuada esteja em consolidar uma proposta direcionada para o coletivo de professores do Campo, que apresentem indicativos de possibilidades de um diálogo constante com a realidade dos povos que vivem e trabalham no Campo, e que a partir da compreensão da realidade possam contribuir na superação das situações limites que marcam as práticas pedagógicas daqueles professores.

Diante desse contexto, não temos a pretensão de desenvolver uma proposta de formação continuada para professores do Campo, por compreender que esse processo deve ser construído com a participação coletiva de todos os sujeitos presentes no Campo. Entretanto, apresentamos uma proposta de formação em contexto de trabalho a partir das práticas desenvolvidas em sala de aula no ensino da Matemática por professores dos anos iniciais de escolas do Campo, podendo ser implementada como piloto nas demais escolas do Campo, uma formação que possibilite reflexões sobre o fazer docente.

Assim, assumimos o desafio de desenvolver uma formação continuada em serviço, que aconteça no interior da escola e se justifique pela ação reflexiva e contínua, que considere o fazer diário, a observação, a reflexão e a intervenção na ação, um processo formativo imbuído de proposições que possibilitem a troca dos saberes entre professores e formadora que promova articulação conjunta e venha a se configurar num processo de contribuição permanente ao fazer docente dos professores do Campo.