Efeitos vinculados ao processo de fragmentação, como alterações no tamanho, o tempo desde o isolamento e o histórico de perturbação do fragmento e/ou de seu entorno mostraram-se como promotores importantes de alterações e variações observadas em diferentes níveis de organização: comunidade (capítulo 1, 2 e 3), guilda (capítulo 2 e 3) e população (capítulo 2). A combinação destes fatores ou de parte destes possibilitou a obtenção dos resultados encontrados a exemplo de alta diversidade β e de fragmentos pequenos apresentando riqueza de espécies superior a de fragmentos médios (capítulo 3), bem como de ausência de diferenças na dinâmica da comunidade entre a região da borda e do interior do fragmento (capítulo 2).
Três questões nortearam o estudo: como a fragmentação afeta a dinâmica da comunidade arbórea e de populações de árvores; o tamanho do fragmento influencia a composição florística e a riqueza de espécies e, o isolamento e a perturbação reduzem a diversidade.
A fragmentação florestal trouxe ao processo natural de dinâmica da comunidade a influência do efeito do espaço temporal transcorrido desde o isolamento do fragmento, do tamanho do fragmento e, da intensidade e frequência de modificações na matriz de hábitat vizinha ao remanescente. A dinâmica foi caracterizada por mudanças na estrutura da comunidade com redução no número de indivíduos independente da classe de tamanho e uma tendência a estabilidade em área basal. Em termos de composição, a comunidade apresentou diminuição no número de espécies, porém sem alteração na hierarquia das espécies dominantes, onde preponderaram espécies de grupos ecológicos mais tardios. Tempo de isolamento e transformações na matriz de habitat promoveram reestruturação da borda (MATLACK, 1994; KAPOS et
minimizaram eventos de mortalidade normalmente observados em maior incidência nesta região (WILLIAMS-LINERA, 1990; FERREIRA & LAURANCE, 1997; LAURANCE et al., 1998 a e b; BAEZ & BALSLEV, 2007). A reestruturação da borda permitiu a presença e manutenção de espécies de fases mais tardias e estas por serem de ciclo de vida longo e apresentarem baixo incremento anual em diâmetro, contribuíram e levaram a tendência em estabilidade em área basal apresentada pela comunidade. O tamanho reduzido do fragmento e a borda estruturada também auxiliaram a existência de um ambiente estruturalmente mais homogêneo, com ocorrência de clareiras de pequena dimensão na porção mais interna do fragmento, o que se refletiu na ausência de espécies preferenciais por ambiente de borda ou de interior (OLIVEIRA-FILHO et al., 1997; APPOLINÁRIO et al., 2007), em perdas proporcionalmente maiores de biomassa no interior e no favorecimento a presença de condições ambientais locais mais apropriadas a persistência de espécies climáxicas tolerantes ou não à sombra, características de fases mais tardias do desenvolvimento de comunidades vegetais.
Na avaliação de variações na composição e riqueza de espécies em resposta ao tamanho do fragmento, a maioria das variações nestes dois aspectos pode ser atribuída mais fortemente à proximidade geográfica e ao grau de perturbação do remanescente, do que ao tamanho do fragmento. Na escala do fragmento, o tamanho da área possui um papel muito importante, visto que a este está associada uma série de fatores que irão contribuir para a presença, distribuição e abundância de espécies no remanescente (MACARTHUR & WILSON, 2001). Além disso, em populações menores o risco de extinção é aumentado por eventos estocásticos na demografia, genética e no ambiente (FISCHER & LINDENMAYER, 2007) e quanto menor o fragmento menor será a região nuclear mais preservada (MURCIA, 1995). Entretanto, a despeito da relevância do parâmetro tamanho da área, para a diferenciação qualitativa e quantitativa na
composição e riqueza de espécies observada entre os fragmentos amostrados este parâmetro teve sua importância diminuída. Maior heterogeneidade ambiental, condicionando áreas espacialmente mais diversas que abrigam maior variedade e número de espécies e a proximidade entre fragmentos, agindo como agente facilitador do movimento de fluxos biológicos entre manchas (FAHRIG, 2003; UEZU et al., 2005) apareceram como fatores mais atuantes.
Em relação ao papel do isolamento e da perturbação na diversidade de espécies arbóreas os resultados encontrados indicam que o grau de perturbação do fragmento afetou a diversidade de espécies, em desacordo com o padrão esperado de uma relação positiva entre tamanho e diversidade (MACARTHUR & WILSON, 1967). O fato de alguns fragmentos de menor tamanho terem alcançado valores superiores a fragmentos maiores indica a forte atuação da heterogeneidade espacial. Perturbações provocam alterações na vegetação e nas condições ambientais, aumentando a heterogeneidade ambiental e espacial prévia do remanescente. Para muitas espécies as transformações podem ter sido de tal forma que as condições do habitat tornaram-se impróprias a sua permanência. Para outras, em geral aquelas espécies mais adaptadas a ambientes perturbados, as modificações teriam sido benéficas condicionando sua presença e/ou aumento de suas populações. Assim espécies de fases iniciais do processo sucessional podem ser beneficiadas, enquanto espécies de fases mais tardias poderão desaparecer ou apresentar drásticas reduções populacionais. Porém, perturbações dependendo de sua intensidade e frequência podem estar associadas à perda de habitat, podendo levar a reduções na abundância de espécies ou falhas no sucesso reprodutivo (LINDENMAYER & FISCHER, 2006). Desta forma, é possível que espécies hoje presentes nas áreas amostradas, ainda persistam por um tempo, porém, não sendo mais
capazes de se reproduzir ou ocorrendo apenas como indivíduos adultos (FOSTER, 1990; GENTRY & TERBORGH, 1990).
Portanto, para a paisagem aqui considerada as respostas da comunidade e de suas populações de espécies, em termos de ocorrência e abundância de espécies e de sua dinâmica, mostraram-se intimamente associadas e serem influenciadas por uma série de fatores em escala da paisagem e em escala local. Estes abrangeram desde as condições ambientais e estruturais do remanescente, até os níveis de contraste com a área circunvizinha e a quantidade e qualidade dos remanescentes de habitat na paisagem.