Figura 3- Conflitos na Profissão de Controle: Atitudes e Comportamentos
Fonte: Elaboração própria
Esta pesquisa explorou como os controllers, que atuam no Brasil, experimentam os diferentes conflitos de identidades e como isso afeta as atitudes e comportamentos desses profissionais. Com base em tais discussões, o modelo de pesquisa pode ser expandido, a partir dos achados anteriormente discutidos, como os conflitos afetam as atitudes e comportamentos dos controllers no ambiente organizacional (micro). Especificamente, acredita-se que, em concordância com as afirmações de Horton e Wanderley (2016), os conflitos em diferentes identidades agem como um impulso importante para a mudança. Contudo, tais achados nos trazem a novamente refletir sobre como o contexto das organizações, seja seu modelo de gestão ou sua cultura, conseguem afetar o profissional da controladoria de modo que ele construa suas identidades a partir dessa relação.
Ademais, essa investigação trouxe contribuições para o escopo dos estudos da Contabilidade Gerencial ao agregar-se às pesquisas nacionais sobre o tema e, na prática, pode trazer às organizações, informações acerca da influência dos conflitos de identidades, apesar do conhecimento sobre o tema ser ainda limitado. Contudo, foi evidenciado que os controllers brasileiros não estão isentos de conflitos identitários ao
84 desempenhar suas funções e que esse trabalho contribui para o entendimento das identidades adotadas no ambiente de trabalho de várias maneiras.
Em primeiro lugar, foi colocado na revisão da literatura que ainda existem certas lacunas a serem preenchidas sobre o tema, dentre as quais, o problema respondido pela presente pesquisa. Recentemente, a Chartered Global Managemen Accountant (CGMA) divulgou um documento em que destaca os princípios globais de contabilidade gerencial. Nele, o papel dos contadores gerencias deve dar suporte e permissão à implementação e desenvolvimento de estratégias bem como criar valor para a organização, nesse sentido, tais habilidades podem ser observadas a partir das descrições analisadas, segundo as quais o controller seria o responsável por trabalhar os aspectos da empresa que possam gerar valor, isto é, ser um “guardião de valor”. Outro ponto de destaque nessa pesquisa, nos remete a capturar as diferentes atitudes e comportamentos, visto que a identidade pode ser recorrida de diferentes formas pelo controller (HORTON; WANDERLEY, 2016), ademais, essas podem ser adotadas para mitigar vários conflitos ao mesmo tempo.
Em seguida, foi identificado que as percepções dos controller, a respeito do maior envolvimento, podem influenciar as práticas organizacionais e são diferentes a depender dos estímulos, experiências que esses possuem, e das atividades que desempenham dentro da empresa. Isso foi perceptível, principalmente, pois o envolvimento percebido está voltado a decisões operacionais (dia-a-dia) e de curto prazo. Foi proposto que para o envolvimento ser identificado, o controller deveria estar envolvido nas decisões estratégicas da organização. Além disso, a independência para tomar decisões é uma identidade desejável, desde que seja permitida, pois o grande desafio de sua adoção é a flexibilidade da gestão para que o controller desempenhe suas funções. Toda via, vale refletir sobre a capacidade de envolvimento do profissional devido suas limitações estruturais, em que a gestão precisa conhecer as funções desempenhadas pelo controller, de modo a usufruir da capacidade máxima de sua atuação.
Em terceiro lugar, outra contribuição que a pesquisa traz, incide sobre a falta de clareza existente em torno dos papéis dos controllers, desencadeando, dessa forma, os conflitos aqui estudados, sobretudo porque o controller foi colocado, segundo os relatos, um executivo importante dentro da organização. Vale ainda ressaltar a visão do papel desempenhado pelo controller, pois a função pode desencadear falsos deslumbres quando de não estar claramente delimitada, isto é, em um ambiente onde as pessoas não conhecem o papel do controller existirá um conflito, pois as expectativas quanto ao desempenho irão de contrapartida às do profissional.
85 Em um quarto momento, os dados qualitativos, coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, permitiram uma maior profundidade na análise, interpretação dos fenômenos e percepções dos pesquisados. A pesquisa revestiu-se de informações qualitativas a respeito das experiências e percepções dos controllers, agregando para a discussão da questão de pesquisa. Através das entrevistas, foi possível ter uma compreensão mais detalhados dos conflitos, assim como das posturas adotadas afim de mitiga-los.
Outra contribuição levantada surge pela necessidade de a classe profissional compreender o que se tem feito para alavancar o perfil do controller, ou seja, a classe tem sentido impactos relevantes que afetam o cotidiano desses profissionais no desempenho de suas funções diárias? Tem-se criado ações que ajudem a disseminar o conhecimento sobre o papel do controller? Isso são reflexões que nos motivam a discutir sobre a área de controladoria.
Por fim, de maneira ampla, existem muitas perguntas sobre as funções que os
controllers desempenham nas organizações e sobre as questões de conflitos trazidas pela
profissão do contador, visto que é uma área do conhecimento ainda incipiente na contabilidade gerencial, a qual se coloca como conhecimento-chave no campo da controladoria.
Dessa forma, a figura nomeada: Conflitos na Profissão de Controle: Atitudes e Comportamentos (vide Figura 3), a partir dos resultados encontrados. Apesar da literatura trazer fortemente que o controller é um profissional voltado para o negócio, encontrou- se que o controller, aqui no Brasil, ainda se reveste de atividades operacionais e sua atuação perante a gestão é limitada, dessa forma, pode-se perceber os diversos comportamentos adotados no intuito de minimizar os mais diversos conflitos que surgem.
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5 CONCLUSÕES
O presente estudo teve a seguinte questão de pesquisa: como os conflitos de
identidade do controller afetam suas atitudes e comportamentos? Essa questão buscou
investigar como os controller, que atuam no Brasil, experimentam os diferentes conflitos de identidades e como isso afeta as atitudes e comportamentos desses profissionais.
Esta pesquisa tem explorado as relações de conflitos do profissional controller no contexto organizacional. Em particular, pode-se apresentar as diferentes percepções, destes profissionais, quanto a formação de suas identidades, do mesmo modo que, conseguiu-se descrever situações de conflitos a partir das experiencias vividas. Especificamente, foi colocado que, assim como Horton e Wanderley (2016), o conflito em diferentes identidades, agem como um impulso importante para a mudança, ou seja, afetando suas atitudes e comportamentos. A partir do modelo de pesquisa proposto (vide Figura 3), pode-se identificar os conflitos, inerentes a profissão, e compreender como estes afetam as atitudes e comportamentos dos controllers que atuam no Brasil.
Primeiramente, pode-se compreender as colocações hierárquicas que o controller está passível, assim como desdobrar as principais funções que atualmente tem sido exigido no âmbito empresarial. Nesse sentido, as principais contribuições nos mostram que independente de sua posição, na estrutura organizacional, as funções exigidas serão as mesmas. Ao mesmo tempo, pode-se perceber que as funções do controller, variam entre o âmbito gerencial e operacional, fornecendo, desse modo, algumas contribuições a literatura gerencial, sobre as funções do controller (vide Quadro 12).
Em seguida, percebeu-se o conflito de identidade, em que foi possível identificar o conflito, a partir da adoção de múltiplas identidades, identificadas nas entrevistas. Desse modo, acredita-se que o perfil predominante é o tradicional, denominado pela literatura de “bean counter”. Como resposta a tal conflito, os profissionais agem passivelmente, demonstrando que a experiência profissional é um fator que impacta sua relação com os demais, além disso, é necessário a compreensão de seu papel na organização e sua imposição quanto a cobrança por resultados, em um contexto organizacional como um todo.
Em relação ao conflito de independência e envolvimento, nesse caso, não pode ser percebido, pois o objetivo aqui, seria a adoção simultânea dessas duas identidades. Em contrapartida, o que foi percebido, foi o envolvimento do controller em decisões operacionais e de curto prazo, já a identidade de independência pode-se se resumir a
87 relação de confiança e posição ética do controller. Portanto, foi sugerido que para ter maior envolvimento, o controller precisa se posicionar como consultor, para ser independente possuir salários atrativos e para que consiga desempenhar seu trabalho de forma imparcial, estabelecer regras e procedimentos à gestão. Desse modo, podem-se proporcionar importantes contribuições à área de gestão, pois percebe-se que apesar da crescente indicação de que o controller é um profissional estratégico e está diretamente ligado à gestão, nota-se que sua atuação pode ser limitada, devido a gestão possuir características familiares fortes.
Em um quarto momento, perceberam-se os conflitos de ideais, em que a identidade desejada foi confrontada com a identidade atual. Nesse caso, o conflito foi percebido, visto que o profissional, vislumbrava a identidade ideal (desejada) em contrapartida, essa identidade não é atendida em seu contexto atual. A adaptação ao contexto organização foi uma das sugestões propostas, apara mitigar tal conflito, a capacitação da equipe, afim de descentralizar algumas decisões que, não necessariamente faz parte do escopo da controladoria e ainda conseguir gerar valor para organização, identificando pontos chaves a serem trabalhados.
Finalmente, além das contribuições anteriormente discutidas, foi destacado ainda sobre os conflitos entre gestores. Esse conflito também foi percebido pelos controllers, pois no desempenho de suas funções, eram exigidas atribuições conflitantes ao mesmo tempo. Desse modo, deixar claro suas atribuições, assim como estabelecer diálogos e reuniões, foram algumas das táticas utilizadas para reduzir o conflito. Além do que, é necessário o posicionamento ético e claro do controller e da empresa, alinhando os interesses e valores, podendo ainda, levar o profissional a sair da função, caso esses pontos não sejam apropriadamente acordados. No entanto, espera-se com esses achados que o profissional da controladoria, assim como para literatura gerencial, os papeis desempenhados, consigam ser mais claros, assim como profissionalizar a gestão, no sentido de compreender as ações desenvolvidas na área de controladoria.
Dessa forma, os conflitos de identidade, próprios do profissional controller no ambiente organizacional (micro) afetam suas atitudes e comportamento, de modo que impulsionam o profissional a desenvolver atitudes diárias, afim de sanar/minimizar os conflitos que surgirem, além disso, tais atitudes também auxiliam a atuação do controller, que muitas vezes podem ser limitadas.
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