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DISCUTINDO O PROTOCOLO DAS CONFECÇÕES DE UNIFORMES

CAPÍTULO 4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.4 DISCUSSÃO

4.4.3 DISCUTINDO O PROTOCOLO DAS CONFECÇÕES DE UNIFORMES

A pesquisa realizada junto às empresas de confecção de uniformes objetivava averiguar as peculiaridades do seu processo produtivo em busca de

encontrar possíveis limitações ou novas possibilidades. A análise efetuada por meio dos resultados dos protocolos respondidos pelos responsáveis pelas confecções participantes possibilitou pareceres relevantes.

Foi possível identificar inúmeras limitações que, certamente, prejudicam não só o processo produtivo como também o resultado final do produto desenvolvido. Dentre estas limitações, destacam-se as mencionadas a seguir.

O ramo da confecção de uniformes em geral, uma vez que nenhuma das empresas se destina a produzir apenas uniformes escolares, parece ainda não ter percebido a necessidade e o diferencial de designer qualificado em seu quadro de funcionários, uma vez que se verificou que apenas uma das confecções participantes possui um profissional com formação específica para atuar na criação dos produtos da empresa.

Sobre as limitações encontradas no processo produtivo, destacam-se que:

• Metade das confecções participantes não confecciona protótipos, seja para avaliação do cliente ou para acompanhamento da produção;

• Grande parte das empresas não realiza estudo para a distribuição das máquinas, o que objetiva agilizar o fluxo produtivo;

• Metade das empresas relatou não dispor de espaço suficiente nos corredores da área fabril;

• Somente uma das três empresas possui profissional ou departamento de planejamento e controle da produção;

• Apenas uma das confecções efetua controle de padrões de tempo da produção, enquanto uma das restantes alega não precisar disso por dispor de poucos funcionários. Entretanto, ressalta-se que aferir e ter conhecimento do tempo necessário para cada atividade pode servir de grande auxilio na programação da produção, pois possibilita o cálculo de tempo necessário para a produção de cada peça.

Além das limitações, foi possível, também, identificar pontos favoráveis:

• Todas as confecções possuem o maquinário mínimo necessário para o bom andamento da produção e para a obtenção de uniformes de qualidade de acordo com o que é afirmado pelo SEBRAE;

• Três das quatro confecções garantem desenvolver fichas técnicas dos seus produtos e apenas uma não tem o cuidado de complementá-la com o desenho especificado da peça;

• Todas as empresas participantes afirmam empregar costureiras que operam mais de um tipo de máquina;

• Todas as confecções garantem empregar profissionais com experiência e/ou qualificação para desempenhar suas tarefas;

• 100% das empresas dispõem de um ambiente adequado para o armazenamento dos produtos confeccionados;

• Todas afirmam entregar suas encomendas no prazo; e

• Todas as confecções participantes apontam que os índices de retrabalho e de perda de matéria-prima ocorrem em menos de 25 % da produção e do material empregado na confecção dos uniformes escolares. Entende-se que para os resíduos têxteis, este valor é ainda muito alto, porém não pode ser verificado um índice mais apurado por falta de conhecimento das confecções, apesar de duas empresas arriscarem um valor próximo à metade deste percentual.

A respeito das técnicas e do maquinário empregados, pôde-se verificar que todas as etapas do processo produtivo são efetuadas de forma essencialmente manual, apresentando baixo índice de tecnologia e automatização. Certamente, a produção, a qualidade e o valor do produto final seriam diferentes caso houvesse maior investimento em tecnologia.

Sobre as últimas duas questões do protocolo das confecções, pôde-se realizar constatações importantes: identificou-se, por meio da pergunta referente às especificidades encontradas na produção de uniformes escolares, que, apesar da exigência deste mercado, em relação à padronização ser muito maior, de fato, fabricar sempre a mesma categoria de produtos torna o trabalho mais simplificado, pois, conforme elucidou uma das representantes das empresas, a equipe de produção habitua-se a confeccionar estas peças

Já sobre a última questão, relativa aos critérios adotados para a seleção de materiais empregados nos uniformes escolares, pôde-se verificar que as confecções defendem o uso dos tecidos tradicionalmente ofertados, e nenhuma delas aponta a

pretensão de incluir alguma novidade têxtil na cartela de tecidos empregados nos uniformes.

Faz-se necessário destacar, ainda, que apenas uma das empresas fez referência ao conforto como critério para a escolha dos materiais, enquanto as demais ignoraram tanto o usuário como os princípios de ergonomia e usabilidade.

Segue abaixo a síntese das informações relacionadas acima, pertinentes à discussão do protocolo das confecções (Quadro 7):

Quadro 7: Quadro síntese da discussão do protocolo das confecções

ANÁLISES EFETUADAS

Limitações encontradas

As confecções parecem ainda não ter percebido a necessidade e o diferencial de designer qualificado em seu quadro de funcionários, uma vez que apenas uma das confecções participantes possui um profissional com formação específica para atuar na criação dos produtos da empresa

Metade das confecções participantes não confecciona protótipos, seja para avaliação do cliente ou para acompanhamento da produção;

Grande parte das empresas não realiza estudo para a distribuição das máquinas, o que objetiva agilizar o fluxo produtivo;

Metade das empresas relatou não dispor de espaço suficiente nos corredores da área fabril;

Somente uma das três empresas possui profissional ou departamento de planejamento e controle da produção;

Apenas uma das confecções efetua controle de padrões de tempo da produção, enquanto uma das restantes alega não precisar disso por dispor de poucos funcionários.

Pontos favoráveis

Todas as confecções possuem o maquinário mínimo necessário para o bom andamento da produção e para a obtenção de uniformes de qualidade de acordo com o que é afirmado pelo SEBRAE;

100% das empresas participantes afirmam efetuar revisão de qualidade ao final da confecção dos produtos;

Três das quatro confecções garantem desenvolver fichas técnicas dos seus produtos e apenas uma não tem o cuidado de complementá-la com o desenho especificado da peça;

Todas as empresas participantes afirmam empregar costureiras que operam mais de um tipo de máquina;

Todas as confecções garantem empregar profissionais com experiência e/ou qualificação para desempenhar suas tarefas;

100% das empresas dispõem de um ambiente adequado para o armazenamento dos produtos confeccionados;

Todas afirmam entregar suas encomendas no prazo;

Todas as confecções apontam que os índices de retrabalho ocorrem em menos de 25 % da produção.

Todas as empresas participantes indicam que os índices de perda de matéria-prima ocorrem em menos de 25 % do material empregado na confecção dos uniformes escolares. Entende-se que este valor é ainda muito alto, porém não pode ser verificado um índice mais apurado por falta de

Informações Gerais

Verificou-se que todas as etapas do processo produtivo são efetuadas de forma essencialmente manual, apresentando baixo índice de tecnologia e automatização.

Identificou-se que apesar da exigência deste mercado em relação à padronização ser muito maior, fabricar sempre a mesma categoria de produtos torna o trabalho mais simplificado, pois a equipe de produção habitua-se a confeccionar estas peças

Em relação à seleção de materiais, constatou-se que as confecções defendem o uso dos tecidos tradicionalmente ofertados, e nenhuma menciona a pretensão de incluir alguma novidade têxtil na cartela de tecidos empregados nos uniformes.

Durante a pesquisa, apenas uma das empresas fez referência ao conforto como critério para a escolha dos materiais, enquanto as demais ignoraram tanto o usuário como os princípios de ergonomia e usabilidade.

4.5 PROPOSTA DA PESQUISA: DIRETRIZES PROJETUAIS PARA O