Antonio Jose Leite Guedelha
3. DISCUTIR O TRATAMENTO FARMACOTERAPEUTICO NO TRATA MENTO DA ASMA
A adesão ao tratamento é um dos itens fundamentais para a mencionada me- lhoria de qualidade de vida. A ocorrência de baixa adesão a esquemas terapêuti- cos em doenças crônicas está bem documentada, com cerca de apenas 50% dos pacientes agindo estritamente conforme as orientações recebidas da equipe de profissionais da saúde, seja em regimes preventivos ou terapêuticos (CHATKIN et al., 2006).
O tratamento tem objetivos bem definidos, até mesmo ambiciosos, e poderia ser resumido em apenas uma frase: “vida normal, com função pulmonar normal”. Visa a reduzir ao máximo a freqüência das exacerbações, a sintomatologia do pe- ríodo intercrítico, o uso de broncodilatadores de alívio, além de permitir à criança a participação normal nas atividades sociais, esportivas e escolares. Espera-se a normalização da função pulmonar e variações circadianas normais do pico do fluxo expiratório. Para tanto, é fundamental controlar os fenômenos inflamatórios e, por conseguinte, a hiper-responsividade brônquica, diminuindo a gravidade da doen- ça. As indicações dos antiinflamatórios profiláticos são, assim, muito amplas, e a importância do contexto ambiental na fisiopatologia da doença exige que a abor- dagem medicamentosa seja complementada por medidas objetivas e racionais de higiene ambiental (MOURA et al., 2020).
a maximização da função pulmonar; a prevenção das exacerbações e a manuten- ção com a dose mínima eficaz do profilático, para minimizar os efeitos adversos do tratamento. À família e ao paciente deve ser oferecida informação suficiente para dar suporte e aumentar a adesão ao tratamento. No planejamento do tratamento, devem ser levados em conta fatores como a gravidade da asma, os benefícios, os riscos, a disponibilidade de cada tratamento, as preferências culturais e as carac- terísticas do sistema de saúde. A escolha final de um determinado esquema tera- pêutico deve integrar a experiência do clínico, com as preferências familiares e as evidências científicas, clinicamente relevantes para a criança (MOURA et al., 2020).
Enquanto o controle da asma pode ser expresso pela frequência e intensidade com que suas manifestações são suprimidas pelo tratamento, a gravidade do fenó- tipo pode ser aferida pela quantidade de medicamentos necessários para atingir o controle. As recomendações para o tratamento da asma estão descritas nas Dire- trizes Brasileiras para o Manejo da Asma 2012, que se encontram primariamente fundamentadas nas recomendações da Global Initiative for Asthma – GINA. (DE CASTRO et al., 2013).
Os protocolos clínicos e as diretrizes terapêuticas como os preconizados para o tratamento da asma são recomendações sistematicamente desenvolvidas para orientar os profissionais e pacientes acerca dos cuidados de saúde apropriados em circunstâncias clínicas específicas. Ademais, cumprem importante papel nos pro- cessos de gerenciamento dos programas de saúde, com especial destaque para os aspectos da prescrição, da assistência farmacêutica e da educação em saúde para profissionais e pacientes. (DE CASTRO et al., 2013).
Os fármacos broncodilatadores foram os primeiros a serem utilizados clini- camente, com base no uso etnomedicinal. Mais tarde, com o conhecimento do mecanismo crônico da patologia outros alvos terapêuticos foram descobertos e, assim, o uso de outras séries de substâncias. Atualmente, existem duas principais categorias de fármacos utilizados no tratamento da asma: broncodilatadores e antiinfl amatórios. Adicionalmente, vários estudos estão sendo direcionados para uma nova classe de substâncias, os inibidores da enzima fosfodiesterase 4, que apresentam atividade antiinflamatória e broncodilatadora ao mesmo tempo (COR- RÊA et al., 2008).
3.1 Broncodilatadores
Uma das primeiras classes de substâncias broncodilatadoras foi inicialmen- te descoberta nas folhas de Hyoscyamus muticus (Solanaceae). Antigos egípcios utilizavam a espécie no combate aos sintomas da asma, sendo seu princípio ativo a escopolamina. Da mesma forma, o gênero Datura (Solanaceae) foi utilizado na Índia, durante séculos, no tratamento de desordens respiratórias, incluindo asma. A atividade observada está relacionada aos alcalóides tropânicos, característicos
da família Solanaceae, principalmente à presença de atropina, um bloqueador de receptores muscarínicos de fi bras colinérgicas (Barnes, 2006) (CORRÊA et al., 2008).
3.2 ARLT na Asma
Todos os consensos mundiais têm chamado a atenção para o tratamento antii- nflamatório mais agressivo na asma persistente. Apesar de outros grupos de dro- gas antiinflamatórias terem sido utilizadas (cetotifeno, nedocromil, cromoglicato dissódico), os CI continuam sendo o padrão áureo no tratamento da rinite alérgica e da asma persistente. Infelizmente, boa parte dos pacientes não controla a sua asma com o uso isolado de CI. Outro aspecto intrigante é que todas as drogas e grupos de drogas utilizados para o manejo da asma e rinite alérgica apresentam variabilidade individual de resposta (RIBEIRO et al., 2006).
Os ARLT constituem uma nova classe de drogas antiinflamatórias. Eles podem ser administrados por via oral uma (montelucaste) ou duas vezes (zafirlucaste, pranlucaste) ao dia com poucos efeitos colaterais. Embora tenham efeitos antiin- flamatórios menores do que os CI, demonstram eficácia em alguns pacientes com asma e rinite alérgica (RIBEIRO et al., 2006).
3.3 Corticosteroides
Vários estudos apontam para o tratamento de asma brônquica grave através corticoterapia inalatória e sistêmica, necessária ao controle imediato ou profilático da doença, pois, a corticoterapia inalatória é bem estabelecida e usada como um meio rápido de redução do quadro sintomático devido à redução da inflamação ge- rando melhora da função pulmonar em poucos dias ou semanas, resultando tam- bém em modificação da hiperresponsividade no decorrer de meses (PANERARI et al., 2015).
Em relação ao mecanismo de ação dos corticosteroides destaca-se que são hormônios esteroides, os quais derivam do metabolismo do colesterol. Sua ação anti-inflamatória se dá devido ao conjunto de alterações nas células que participam do processo inflamatório.Observa-se, após sua administração sistêmica, a diminui- ção da produção de linfocinas e menocinas inflamatórias, aumento de neutrófilos circulantes e indução de eosinófilos (PANERARI et al., 2015).
3.4 Inaladores
Para se utilizar o medicamento através do dispositivo Aerolizer, o paciente ne- cessita retirar a tampa, abri-lo, colocar a cápsula contendo o pó inalante dentro do reservatório, pressionar nas laterais para que as cápsulas sejam perfuradas e pos- teriormente, aspirar o medicamento. Esse tipo de dispositivo tem se mostrado flu- xo-dependente em crianças e algumas vezes, ocorre falha na rotação e perfuração da cápsula, diminuindo a eficiência da inalação e reduzindo a deposição pulmonar da droga (CANÇADO et al., 2004).
O sistema Turbuhaler contém um reservatório de partículas micronizadas da droga e uma unidade de dose, que é carregada na hora do uso. O paciente ne- cessita retirar a tampa, girar a base do dispositivo para trás e após, para frente, a cada dose, para depois utilizá-lo. Possui um contador de doses restantes, porém, o mesmo marca a cada 10 doses utilizadas, o que associado ao fato de não ter sa- bor, dificulta ao paciente perceber se inalou ou não o medicamento e, se o mesmo acabou (CANÇADO et al., 2004).