4.2. Estudo das peças
4.2.1 Peça 01
4.2.1.3 Intratextual
4.2.1.3.2 Dispositivos discursivos e expressivos
a) Tematização
Quanto aos dispositivos discursivos da ordem da tematização, a narrativa ratifica a todo momento o segmento telejornalismo, configurando-o como tema central, ao reunir jornalistas, âncoras e correspondentes internacionais, junto com imagens de coberturas realizadas pela TV Globo. Devido à impossibilidade de projeção de notícias, os jornalistas ficam restritos ao fazer jornalístico da emissora, o que fica explícito na fala inicial do
jornalista William Bonner (“Notícia não tem hora para acontecer, nem escolhe o lugar”) e Fátima Bernardes (“Por isso trabalhamos 24 horas por dia, Brasil a dentro, mundo a fora”), que, em 2006, eram os âncoras do principal telejornal da emissora, o Jornal Nacional. Nessa direção, é possível projetar as principais coberturas daquele ano a serem realizados, como a Copa do Mundo e as Eleições, como anuncia o jornalista Pedro Bial (“Este ano tem Copa do Mundo e eleições, 4 anos atrás você lembra, a cobertura do jornalismo da Globo não deixou o país dormir”); além de reiterar a referência aos telejornais, feitos pelos âncoras; a apreciação dos produtos ofertados ao telespectador; a ênfase à qualificação da estrutura; e o progressivo investimento em recursos tecnológicos.
Todas as falas dos jornalistas, quando remetem à atenção da emissora a valores como imparcialidade, independência e confiabilidade na transmissão da notícia para o telespectador recorrem a dispositivos expressivos de várias ordens: seja exibição de imagens no lado esquerdo da tela que perpassam todo o comercial, seja na trilha sonora tema dos principais telejornais da emissora, seja na configuração da vestimenta dos jornalistas, deixando em evidência o traço da seriedade; seja na qualificada transmissão das notícias para o telespectador.
b) Figurativização
No que diz respeito aos dispositivos discursivos da ordem da figurativização, o programa se vale dos jornalistas âncoras de telejornais de prestígio e renome, para dotar de confiabilidade o tema, além de recorrer às equipes qualificadas dos correspondentes internacionais, exibindo cenas já veiculadas anteriormente pela emissora e projetando a presença em grandes eventos, Copa do Mundo de Futebol e Eleições 2006, o que remete à referência explícita ao cuidado e atenção que a TV GLOBO imprime a suas edições.
No que concerne aos dispositivos expressivos, o comercial organiza o discurso de forma cronológica e linear: apresenta primeiramente a emissora (TV Globo), área de atuação (no Brasil e no mundo), quantidade de correspondentes internacionais (Estados Unidos da América, França, Itália, Alemanha, Inglaterra, China, Argentina e Oriente Médio), imparcialidade e seriedade (caracterização dos jornalistas), tamanho da equipe (4.500 profissionais), quantidade de afiliadas (121 emissoras), alcance (mais de 5.000 municípios) e audiência (aproximadamente 105 milhões de pessoas), utilizando reportagens já exibidas anteriormente. Também se evidenciam o enquadramento do plano
americano, característico do segmento telejornalismo, sobreposição de imagens e sons, que imprimem o ritmo acelerado da peça.
c) Actorialização
No que se refere aos dispositivos discursivos da ordem da actorialização, o ator principal é a TV Globo, que, pela impossibilidade de materializar-se como um personagem, delega poder aos jornalistas da emissora, em especial, os âncoras dos principais telejornais, conhecidos pelo telespectador: William Bonner, Fátima Bernardes, Pedro Bial, Sérgio Chapelin, Glória Maria, Zeca Camargo, Priscila Brandão, William Waack, Cristiane Pelajo, Evaristo Costa, Sandra Annemberg, Renata Vasconcellos e Renato Machado. Esses personagens, além de reforçarem o segmento jornalístico, assumem o papel de emissores da mensagem, apresentando e reforçando ao telespectador o diferencial do segmento jornalismo na emissora.
Em relação aos dispositivos expressivos, o programa recorre ao plano americano, característico do segmento telejornal, para mostrar a seriedade e imparcialidade com que a mensagem é transmitida; combina adequadamente a linguagem sonora e visual, na medida em que as vozes dos jornalistas que aparecem ao lado esquerdo da tela, em pequena janelas, algumas vezes se sobrepõem às vozes dos jornalistas do lado direito; dá uma atenção especial ao figurino, sobretudo dos jornalistas que se apresentam nos telejornais.
d) Temporalização
Em relação aos dispositivos discursivos da temporalização, o comercial tem a duração aproximada de 3’ e 10”, seguindo uma estrutura simples e lógica: de um lado, aparecem atores que se situam no tempo presente, enquanto, do outro lado, passam imagens de atores em um tempo passado e, ao fundo, algumas vezes, também aparecem imagens do tempo passado. No comercial, é apresentado o segmento jornalístico da TV GLOBO, sendo assim, e por trabalharem com fatos atuais e diários, o segmento não apresenta imagens a serem veiculadas em um tempo futuro, pelas restrições do próprio segmento.
Quanto aos dispositivos expressivos, o comercial articula linguagens sonoras e visuais, enfatizando imagens de cenas já exibidas, alternâncias cromáticas e composição musical que reforçam o que está sendo exibido e referenciado em tela.
e) Espacialização
Quanto à espacialização, o comercial acontece em um espaço restrito, semelhante àquele em que se desenvolvem os telejornais: os atores ficam dispostos no lado direito da tela, em frente a um fundo com a marca da TV Globo e, no lado oposto ao dos atores, pequenos retângulos, que simulam telas de aparelhos televisores, movimentam-se de baixo para cima, com imagens de repórteres apresentando notícias. Tanto as imagens dos repórteres em tela, quanto algumas imagens que reforçam o que foi dito anteriormente, como por exemplo o atentado de 11 de setembro, estão ambientados em ambientes externos, mostrando os possíveis cenários em que acontecem as transmissões jornalísticas.
Em relação aos dispositivos expressivos, o cenário do comercial é predominantemente claro, com as cores do logotipo da emissora, o tom acinzentado predomina em relação às cores azul, vermelho, verde e amarelo, enquanto o tom da roupa dos jornalistas é, frequentemente, neutro. Em alguns momentos, a marca da emissora dá lugar a imagens de reportagens já exibidas, enriquecendo as alternâncias cromáticas. Quanto aos planos de câmera, há uma predominância do plano americano, característico do segmento jornalístico.
f) Tonalização
Referente às estratégias de tonalização, o comercial, ao apresentar a TV Globo e evidenciar o segmento jornalístico, faz uso de valores tonais que destacam a imparcialidade, em detrimento da parcialidade, manifestada pela forma como as notícias devem ser transmitidas, mantendo, na fala dos jornalistas, poucas expressões faciais, nenhuma gestualidade brusca, bem como um mesmo tom de voz. Também convoca os valores da racionalidade, em detrimento da emoção, caracterizada, por exemplo, na fala do jornalista Willian Waack quando relata a importância das coberturas jornalísticas: “Notícias que afetam sua vida, afetam o mundo”; os valores de formalidade, em detrimento da informalidade, quando os jornalistas utilizam notícias reais para figurativizar a
importância do segmento apresentado perante a sociedade; os valores de exaltação, em detrimento da moderação, quando os atores enaltecem as produções, a qualidade do quadro funcional, o nível das suas coberturas, a preocupação com a sociedade e o constante investimento aperfeiçoamento da equipe.
Em relação aos dispositivos expressivos, o tom principal da peça é assegurado pela articulação das linguagens sonora e visual, pela combinação do revezamento dos jornalistas, que estão no lado direito da tela, com a rápida transição das imagens do lado esquerdo, que contrastam com a neutralidade do cenário. Todos esses recursos são fortalecidos pelo arranjo musical do plantão de notícias da emissora, já conhecido pelo público telespectador, seguido das trilhas dos demais telejornais da TV GLOBO.