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FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

As disputas que envolvem os rumos da formação de professores de educação física estão inseridas no contexto das disputas pelo rumo da formação dos trabalhadores que, por sua vez, constituem a disputa pelos rumos da sociedade. Como dissemos anteriormente, a disputa do projeto histórico é pano de fundo da disputa dos rumos dos projetos de educação. Neste sentido, ao estudar formação profissional, é fundamental conhecer o aparato legal que regulamenta a formação em educação física compreendendo que o aparato legal é decorrente das correlações de forma na economia e na política em vigor.

Podemos afirmar que as leis são determinadas pelo sistema econômico e decorrem da luta que acontece na superestrutura da sociedade para manutenção/superação do modo de produção. Ou seja, no capitalismo as leis são configuradas de forma a garantir a hegemonia de quem tem o poder econômico. Elas são mediações do Estado para garantir a manutenção do poder econômico, político e ideológico da burguesia, uma vez que, segundo Lênin (2007), o Estado representativo moderno é um instrumento de exploração do trabalho assalariado pelo capital. Entretanto, as leis também refletem as pressões exercidas pela classe trabalhadora por sua sobrevivência.

Para Taffarel (2012), é fundamental a recomposição do aparato legal porque este corresponde às tendências econômicas. Para ajustar a força de trabalho à atual fase do capitalismo, são aprovadas leis que desregulamentam o trabalho e arrancam direitos, como mecanismo de aumentar a mais valia30. Entre estas leis, podemos identificar aquelas que atuam na fragilização da formação inicial com a flexibilização dos currículos e divisão na formação acadêmica, rebaixando a formação da classe trabalhadora na tentativa de ampliar lucros do capital, como veremos neste tópico.

A seguir, apresentamos um breve histórico sobre o ordenamento legal da formação profissional em educação física. Destacamos a luta em torno da definição das Diretrizes Curriculares Nacionais, que são as orientações do governo para direcionar o processo de formação humana nos projetos de escolarização do sistema nacional de educação, ou seja, representam a direção e a centralização da orientação curricular sob os auspícios do Estado (TRANZILO, 2006).

30 Segundo Marx, mais valia é diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador, que

Segundo Andrade Filho (2001), a história da formação de professores de Educação Física no Brasil está organizada em quatro diferentes fases: a primeira, marcada pela criação da ENEFD (Escola Nacional de Educação Física e Desportos), atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que funcionou com um currículo padrão, responsável pela formação dos primeiros profissionais civis em substituição ao modelo médico-militar; a segunda se iniciou com a implantação do Currículo Mínimo, e foi marcada pelo conflito entre uma visão estritamente ligada ao esporte e outra visão pedagógico-educacional; a terceira é delimitada por um currículo dividido por Áreas de Conhecimento; e, a quarta fase é marcada pelo funcionamento de cursos de graduação de acordo com as novas Diretrizes Curriculares determinadas pelo CNE/MEC, se ajustando à pressão do capitalismo.

Sabemos que atualmente, a formação profissional no âmbito da educação física está delimitada por legislações específicas da área e também aquelas que regulamentam os cursos de licenciatura31. Entretanto, optamos por levantar o histórico apenas da legislação específica

da formação profissional em educação física, entendendo que o debate no campo das licenciaturas é mais amplo e não está nos objetivos deste estudo.

As legislações que mais impactaram a formação profissional na educação física, em nossa análise, no Brasil estão expressas no quadro abaixo.

Quadro 2 - DCNEF na história

Ano Decreto/Resolução Modalidade Duração do Curso

1939 Decreto-Lei 1212/39 Licenciatura em Educação Física 02 anos 1945 Decreto-Lei 8270/45 Licenciatura em Educação Física 03 anos 1962 Resolução CFE 298/62 Licenciatura em Educação Física e Técnico

Desportivo

03 anos

1969 Resolução 69/CFE/69 Licenciatura em Educação Física e Técnico de Desportos

03 anos

1987 Resolução 03/CFE/87 Licenciatura e/ou Bacharelado em EF 04 anos 2004 Resolução CNE 07/2004 Licenciado e/ou Graduado em Educação Física 04 e 03 anos

Fonte: Elaboração própria.

31 Segundo Taffarel (2012), a legislação em vigor no âmbito das licenciaturas e que também regulamenta a

formação em educação física é: Parecer CNE/CP n. 09/2001 - Diretrizes Curriculares para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica em Cursos de Nível Superior. Parecer CNE/CP n. 27/2001 - Dá nova redação ao Parecer CNE/CP n. 09/2001, que dispõe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em Cursos de Nível Superior. Parecer CNE/CP n. 21/2001 - Dispõe sobre a duração e carga horária dos cursos de Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Resolução CNE/CP n. 01/2002 - Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Resolução CNE/CP n. 01/2005 - Altera a Resolução CNE/CP n. 01/2002, que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de Licenciatura de graduação plena. Parecer CNE/CP n. 28/2001 - Dá nova redação ao Parecer CNE/CP n. 21/2001, que estabelece a duração e a carga horária dos cursos de Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior.

Entretanto, as determinações que incidiram sobre a aprovação do Decreto-Lei 1212/39 são anteriores a 1939, elas têm relação com as concepções hegemônicas na Europa de fins do século XVIII e inicio do século XIX, quando se consolidava uma nova sociedade, a sociedade capitalista. Entre as décadas de 1920 e 1950, a educação física se insere em um projeto educacional que visa preparar corpos fortes, robustos, sadios, assim como, o preparo do caráter e das qualidades morais da juventude que coadunassem com a ideia de ordem e progresso, lema da bandeira brasileira e da ciência positivista (GHIRALDELLI JR, 1988). Esses elementos atrelam a educação física à área da saúde e no campo militar, com seu ensino sendo realizado até 1938 pelos militares e direcionado para a educação do físico.

São esses os princípios que orientam a criação da primeira escola da Marinha, em 1926, e também no Estado Novo (1937- 1945), quando são criadas as primeiras escolas de Educação Física civis: em São Paulo e Rio de Janeiro (COSTA Apud TAFFAREL, 1993). Segundo Faria Junior (1987, p.15-33), a formação profissional na Educação Física estabelece uma relação de coerência com suas instituições de origem e respectivas ideologias, que viam na Educação Físic um tivid de esse ci p r primor r ―r ç br si eir ‖. Ou seja, a Educação Física insere-se no novo projeto econômico brasileiro, e é assegurada nos planos do governo a partir dos anos de 1930 a partir desta perspectiva.

Segundo Cruz (2009), nas primeiras décadas do século XX, a Educação Física é uma prioridade para o Estado brasileiro que buscava disseminar valores que assegurassem a manutenção dos seus interesses, entre eles o embranquecimento do povo brasileiro. sendo condizente com uma política higienista implementada de forma incisiva pelo Estado. Também destacamos a forte influência do taylorismo, sistematizado, na área de currículo, no pensamento e Ralph Tyler. Esta influência foi conferindo enfoque empírico-analítico no trabalho pedagógico já nos primeiros cursos de formação de professores de educação física.

Em 1939, foi fundada a primeira Escola Superior de Educação Física Civil, que ainda foi supervisionada por militares (CASTELLANI FILHO, 1988). O Decreto-lei 1212/39 criou um currículo único para as primeiras escolas de educação física. Este currículo foi organizado para formar o Técnico Desportivo, sem nenhuma preocupação com a preparação pedagógica.

Outro fato importante neste primeiro período da regulamentação da educação física no Brasil foi a orientação de a disciplina integrar a formação no nível secundário. O que reforça o projeto de preparar a nova força de trabalho, com ênfase no trabalho braçal para a classe trabalhadora.

Até a década de 1950, a formação em Educação Física tinha um perfil diferenciado dos outros profissionais do magistério, com uma exigência menor para o ingresso no curso e também durante o processo de formação. Principalmente a partir da atuação do Movimento Estudantil, é que se torna necessária a conclusão do curso científico (correspondente ao ensino médio) para cursar Educação Física (TAFFAREL, 1993, p.32).

A década entre 1950 e 1960 é marcada pela pedagogização da Educação Física, baseada especialmente no escolanovismo. Com essa referência a educação física ganha uma importância significativa no processo de aprendizagem entendido como a ampliação do conhecimento sobre corpo e a forma de relacionamento com o mundo, construindo suas experiências. Esta concepção estava baseada na psicologia de Dewey (DUARTE, 2003).

Em 1962, é realizada a segunda grande modificação no aparato legal nacional no campo da educação física. Com a aprovação do Parecer nº 292/62, são instituídas matérias pedagógicas nos currículos mínimos das licenciaturas e, no mesmo ano, com a aprovação do Parecer nº298/62, é fixado o currículo mínimo da Educação Física. Mesmo com a obrigatoriedade das matérias pedagógicas, o principal curso de formação de professores de educação física e que era a base para outros cursos - Escola Nacional de Educação Física e Desportos da Universidade do Brasil - só é modificado em 1969. É quando surge, efetivamente, a disciplina Prática de Ensino sob forma de Estágio Supervisionado na Educação Física. Estas modificações acontecem a partir da Resolução nº 69/69, diante das pressões do movimento estudantil, mesmo durante a Ditadura Militar.

Somente assim, com sete anos de atraso em relação à legislação (Parecer n. 292/62 do CFE) e com trinta anos, de fato, em relação às demais Licenciaturas. Matérias pedagógicas como Didática, Prática de Ensino, Psicologia, etc., foram efetivamente incluídas nos currículos de Educação Física, aproximando a formação deste profissional da dos demais. Restou ainda como diferença a duração do curso, uma vez que até hoje, ainda se encontram escolas que ministram o curso em três anos (FARIA JUNIOR, 1987, p.23).

A partir da década de 1960, torna-se comum a formação de técnicos em Educação Física como sinônimo de professores de Educação Física, sem que os mesmo tenham cursado nível superior. Isso se dá especialmente pela valorização da técnica, principalmente nas modalidades esportivas futebol, voleibol, basquetebol e handebol. Esse fato está ligado à elevação do esporte como critério para mensurar poder politico e econômico, depois da II Guerra Mundial. Assim, acontece uma super valorização da técnica, quando atletas e profissionais técnicos assumem a tarefa de professores em muitas regiões do país com carência de professores formados em nível superior. Estes técnicos foram responsáveis em desenvolver

a Educação Física nessas regiões. Segundo Cruz (2009), este tipo de formação, caracterizada como tecnicista, especializada e de base teórica fragilizada, que enfoca apenas na formação esportiva e, principalmente, em quatro modalidades esportivas, trouxe para a formação de professores um novo padrão de formação, o de form r p r o ― to Re dime to‖. Segu do Cruz (2009):

Como a Educação Física historicamente esteve atrelada ao militarismo e o Brasil vivia uma ditadura (golpe de 1964), foram implementados programas na área para o desenvolvimento do esporte de alto rendimento, o que resultou, por exemplo, na conquista de títulos por seleções de diferentes modalidades e a ―emergência‖ do futebol como esporte oficial do país (CRUZ, 2009, p. 74).

A década de 1970 é marcada pelo inicio de seminários específicos para tratar da formação em educação física. Eles acontecem no Rio de Janeiro (1977) e já na década de 1980 em Florianópolis (1981) e Curitiba (1983), sob a coordenação do Ministério de Educação - Secretaria de Educação Física e Desportos. A criação do CBCE (1978) também impulsiona as discussões na área, especialmente sobre a formação/intervenção profissional.

Em consonância com a luta pela reconstituição de liberdades democráticas por parte de segmentos sociais organizados, na década de 1980, se acirram os embates ideológicos e os questionamentos à concepção tecnicista de Educação Física e Desportos aumentam. São diversificadas as teorias pedagógicas da Educação Física. Podemos encontrar tanto os que defendem a Educação Física na perspectiva da aptidão física e saúde, como os que questionam este papel e buscam explicações dentro de perspectivas sociológicas e psico-pedagógicas, além daqueles que compreendem a Educação Física como cultura corporal e esportiva (TAFFAREL, 1993, p.36). Em torno destas teorias é que acontecem os principais debates. Não se trata de um debate em torno da nomenclatura ou apenas por termos, mas sim sobre explicações e proposições de caráter epistemológico – teoria do conhecimento – elaboradas a partir da consideração do que é ciência e do que é Educação Física e seu objeto de estudo. Podemos afirmar que questões sobre a legitimidade do pensamento científico na educação física e sua constituição como campo acadêmico foram problematizadas.

Em sua tese, Albuquerque (2009) faz um levantamento do papel da Educação Física na história política do Brasil. Sobre o aprofundamento dos debates na área da educação física na década de 1980:

No que diz respeito à Educação Física, Castellani Filho (2000) afirma que no início da década de 80 houve abertura para congressos de professores e alunos, com o objetivo de discutir a disciplina como uma área de conhecimento que pudesse auxiliar na formação de indivíduos conscientes e inteirados dos problemas políticos e econômicos da sociedade brasileira. Paiva (2004, p.54) assegura que ―os anos 70 e 80 caracterizam

novo encaminhamento para a área, com a implantação da pós-graduação e/ ou com ‗a crise‘ da educação física‖. Para Daólio (2003), a Educação Física, até a década de 1970, esteve aprisionada a paradigmas cientificistas e ao modo positivista de fazer ciência. [...] Dessa maneira, após a ―crise de legitimidade‖ do regime militar e dos seus preceitos ―eminentemente técnicos‖ de administrar o país, a Educação Física brasileira iniciou um processo de reflexão histórica e conceitual (ALBUQUERQUE, 2009, p. 254, 255).

Taffarel (2002) classifica as principais teorias da educação física como não propositivas e propositivas. As primeiras são aquelas que abordam a Educação Física sem estabelecer ou propor parâmetros e princípios para o seu ensino. As segundas agrupam-se ainda em propositivas sistematizadas e as não sistematizadas – são as que propõem novos princípios ou parâmetros para o ensino da Educação Física sem, contudo, apresentá-los na forma sistematizada de uma metodologia de ensino. Segue um esquema atualizado que expressa as principais teorias explicativas da educação física no Brasil:

Quadro 3 - Teorias explicativas/ Educação Física

Concepções Autores

I – Concepções não propositivas

Sociológica Betti; Bracht; Tubino

Fenomenológica Moreira; Picollo; Santin

Cultural Daolio

História Goellner; Melo; Soares

II – Concepções Propositivas

2.1 Não sistematizadas

Desenvolvimentista Go Tani

Construtivista com ênfase na psicogenética Freire

A partir da referência do Lazer Marcelino; Costa; Bracht

A partir da referência do Esporte para Todos Dieckert

Plural Vago

2.2 Sistematizadas

Crítico-emancipatória Kunz; Bracht

Concepção de aulas abertas às experiências; Escola Móvel Hildebrandt-Stramann Aptidão Física/ Saúde e/ou Atividade Física e Saúde Araújo; Gaya

Crítico-Superadora Coletivo De Autores

Fonte: Elaboração própria a partir de dados de Taffarel (2002)

Para além do debate sobre as concepções teóricas, destacamos o debate sobre o objeto de estudo da área. Diferentes concepções teóricas preveem diferentes objetos de estudo, pois partem de diferentes pressupostos de educação física, de ser humano e de sociedade. Segundo Taffarel (2002), os principais objetos de estudo já propostos para a educação física são os seguintes:

Quadro 4 - Objetos de estudo da educação física Objeto de estudo da Educação

Física

Autores

Ciências do Esporte CBCE

Movimento Humano Jean Lê Boulch

Motricidade humana Manoel Sergio

Atividades Corporais Cagigal

Treino Corporal Bento

Desporto Gaya

Motricidade Humana Manoel Sérgio

Esporte Frogner

Arte da Mediação Lovisolo

Filosofia das artes corporais Santin

Projeto Antropológico Gaya

Vivências Sociais Bracht

Movimentar-se humano Dieckert; Kunz; Bracht; Hildebrandt-Stramann Cultura Corporal de Movimento Dieckert; Kunz; Bracht; Hildebrandt-Stramann

Cultura Corporal Coletivo De Autores

Fonte: Elaboração própria a partir de dados de Taffarel (2002)

Diante dessas possibilidades, finalmente, em 1987, é aprovada uma nova legislação para a Educação Física que acaba refletindo a vontade política de setores hegemônicos da sociedade (CARMO, 1987). A Resolução nº. 03/87 definiu o marco legal da fragmentação dos cursos de Educação Física, pois permite a divisão destes em licenciatura e bacharelado, conforme os estudos de Santos Júnior (2005), Figueiredo (2001), e como explicita Taffarel:

esta resolução extinguiu o currículo mínimo, orientou a organização do currículo pleno, por campos do conhecimento, bem como proporcionou dois tipos de titulação, a licenciatura e o bacharelado (TAFFAREL, 2005, p.89).

Mesmo com esta resolução, os debates sobre o tema não cessaram. A Resolução aprovada não agradou a todos os setores. Muitos identificavam um retrocesso com a separação da educação física em duas formações, identificando que a divisão fragilizava a formação e não refletia as discussões realizadas na área.

Na década de 1990, os ajustes promovidos pela política neoliberal trazem novas necessidades do ponto de vista de flexibilização dos direitos e da formação do trabalhador. Nesse contexto é que as discussões sobre as alterações de currículo são intensificadas. As exigências estabelecidas pelo novo ordenamento estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases no Br si (Lei º. 9.394/96), pe os P N’s (1998), pe Lei 9696/98 seguid s por determi ções curriculares especificas às diversas formações, assim, os cursos de todo o país iniciaram suas

reformulações curriculares32.

Em estudos anteriores (Pinho, 2011), pudemos constatar que este processo foi pautado por uma política educacional baseada no desenvolvimento de competências e habilidades, direcionando a formação para o atendimento da exigência de um novo tipo de trabalhador adequado às necessidades de mundialização do capital.

Destacamos que nossa posição é de que a aquisição de competências é um processo que faz parte da constituição do ser humano enquanto ser social, portanto, inseparável e indispensável ao próprio desenvolvimento humano. O desenvolvimento de competências e habilidades, inclusive as científicas e técnicas, é fundamental para o desenvolvimento do ser humano, não só individual, mas também enquanto espécie e para uma apreensão da realidade em sua totalidade.

Entretanto, é importante compreender que a conjuntura imprime determinadas necessidades à formação do trabalhador, no caso do atual modo de produção há um significado específico no modelo que vem sendo exaustivamente proposto quando se destacam as competências e habilidades a serem desenvolvidas. O projeto de formação baseado nas competências e habilidades é fundamentado em determinadas competências e habilidades que se referem à de omi d ―ped gogi d s competê ci s‖, que tr z em si um formação orientada pelo desenvolvimento de competências voltadas para atender às demandas do capitalismo, bem como para a adaptação ao mercado de trabalho. Portanto: é necessário que seja determinado claramente o tipo de competências que fundamenta o projeto de educação em questão e qual seu objetivo na formação. Para os organismos internacionais, a pedagogia das competências atende às novas demandas do capitalismo imperialista. Segundo Martins (2004):

[ . . . ] não compartilho de um modelo de educação escolar que a coloca com a tarefa de construir competências sem antes definir claramente duas questões básicas, quais sejam: competências para quê e a serviço de quem? Na medida em que as respostas indicam o atendimento às novas demandas do processo neoliberal globalizado, o ajuste dos indivíduos empobrecidos pela exploração do capital, às exigências dos organismos internacionais [...], urge uma recusa intencional a este ―atraente canto da

32 Edital n. 04/97, prorrogado pelo edital n. 05/99 (FIGUEIREDO, 2001, p.26), da Secretaria de Ensino Superior

(SESU) do Ministério da Educação (MEC), convocando as instituições a apresentarem propostas para as novas diretrizes curriculares dos cursos, elaboradas pelas Comissões de Especialistas nomeadas pela SESU/ME (portaria n. 972/97). Deveriam apresentar orientações gerais para que fossem referências para as IES, permitindo uma flexibilização na construção dos currículos plenos, privilegiando áreas de conhecimentos ao invés de definir disciplinas e cargas horárias, contemplando diferentes formações e habilitações para cada área de conhecimento (FIGUEIREDO, 2004, p.137).

sereia‖, antes que morramos afogados nadando em sua direção! (MARTINS, 2004, p.71-12).

Segundo Duarte (2001), resta ao professor que segue este projeto de educação a tarefa de conhecer quais competências o mercado de trabalho está exigindo para que seja possível se adaptar a ele. A docência deveria ser ponto de apoio para a construção de uma educação crítica à realidade para transformá- . Segui do s ped gogi s do ― pre der pre der‖, educação tem a tarefa de desenvolver adaptações à realidade. Sendo que deveria contribuir com a construção de novas formas de organização para mudar profundamente a sociedade.

No parecer CNE/CES 776/97, que orienta as Diretrizes Curriculares da graduação este caráter é explícito:

 flexibilidade na organização dos cursos;

 indica se evitar prolongar os cursos por tempo desnecessário;

 propõe uma tendência na redução de duração da formação;

 express ― iberd de p r s I stituições de E si o Superior re tiv c rg horária;