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Distinção conceitual entre as Forças Armadas e as Polícias

1 PODER DE POLÍCIA NA ORDEM CONSTITUCIONAL SUA ORGANIZAÇÃO

2.3 Distinção conceitual entre as Forças Armadas e as Polícias

A distinção conceitual entre o que se entende Forças Armadas e Polícias é fundamental para a compreensão do tema que se está estudando, pois não se pode confundir essa organizações /instituições que estão a serviço do Estado brasileiro par a defesa da Pátria, garantia da lei e da ordem e proteção da incolumidade das pessoas e do patrimônio, bem como da ordem pública, respectivamente.

Ainda, deve-se registrar que não é uma tarefa das mais fácil, uma vez que os doutrinadores administrativistas, com destaque para Bandeira de Mello, Hely Lopes Meirelles, Jose Cretella Junior, entre outros, revelam que o significado corrente sobre polícias e Forças Armadas não têm o mesmo significado jurídico-legal.

Primeiramente, conceitua-se Forças Armadas, a partir do entendimento de Silva (2004, p. 751, sic), o qual afirma que as Forças Armadas

[...] constituem, assim, elemento fundamental da organização coercitiva a serviço do Direito e da paz social. Esta nelas repousa pela afirmação da ordem na órbita interna e do prestígio estatal na sociedade das nações. São, portanto, os garantes materiais da subsistência do Estado e da perfeita realização de seus fins. Em função da consciência que tenham da sua missão está a tranquilidade interna pela estabilidade das instituições. É em função de seu poderio que se afirmam, nos momentos críticos da vida internacional, o prestígio do Estado e a sua própria soberania. (SILVA, 2004, p. 751).

É inegável que as Forças Armadas atuam em defesa da paz social, da soberania nacional, deixa claro que está a serviço do direito e da paz social, e da manutenção das garantias dos poderes constituídos pela ordem constitucional brasileira.

O Ministério da Defesa (BRASIL, 2017) destaca que as Forças Armadas são:

Instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas sob a égide da hierarquia e da disciplina, as Forças Armadas atuam sob a autoridade suprema do Presidente da República – seu comandante-em-chefe (BRASIL, 2017).

Percebe-se que o aspecto conceitual acima exposto está de acordo com o art. 142 da Constituição Federal de 1988, bem como suas funções que são a de “assegurar a integridade do território nacional; defender os interesses e os recursos naturais, industriais e tecnológicos brasileiros; proteger os cidadãos e os bens do país; garantir a soberania da nação” (MINISTERIO DA DEFESA, 2017).

O Dicionário Online de Português define Forças Armadas como o “Conjunto das forças de combate e defesa de um país, de caráter permanente e regular, que obedece rígida hierarquia e disciplina, sob o comando do ministro da Defesa e que responde, em última instância, ao chefe de Estado ou de Governo da nação.”

Já o conceito de polícia possibilita vários entendimentos. A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSAP) do estado do Paraná, assevera “[...] ao vocábulo polícia como sinônimo de regras de polícia, isto é, o conjunto de normas impostas pela autoridade pública aos cidadãos, seja no conjunto da vida normal diária, seja no exercício de atividade específica.”

De outro lado, tem-se a explicação do conceito de polícias de acordo com o Código Penal ou da Lei das Contravenções Penais. Na verdade, falar em polícia neste contexto, não é um tema muito fácil, pois há de se diferenciar a polícia administrativa da polícia judiciária para compreendê-la melhor, o que já foi referido no primeiro capítulo dessa monografia.

A Secretaria de Segurança e Administração Penitenciária do Paraná denomina a polícia, primeiramente, como “O conjunto de atos e execução dos regulamentos assim feitos,

bem como das leis, mediante ações preventivas ou repressivas.” Aqui se distingue a Polícia Administrativa da Polícia Judiciária.

Outro aspecto relevante sobre o tema é que “[...] numa terceira acepção, polícia é o nome que se reserva às forças públicas encarregadas da fiscalização das leis e regulamentos, ou seja, aos agentes públicos, ao pessoal, de cuja atividade resulta a ordem pública.” (SSAP/PARANÁ, 2017).

Na verdade, esses conceitos sobre o que se entende por polícias é deveras interessante, pois é neste cenário que se constitui a segurança pública a ordem constitucional brasileira, na medida em que não se pode, de forma alguma, confundir Forças Armadas com polícias, já que são organizações diferentes, e como tais, possuem funções específicas.

Destaca-se que, no Brasil, as polícias são consideradas partes integrantes da organização estatal. Ou seja, “São órgãos do Estado que têm a finalidade constitucional de preservar a ordem pública, de proteger pessoas e o patrimônio, e realizar a investigação e repressão dos crimes, além do controle da violência”, são os órgãos que atuam para garantir a segurança pública nos âmbitos dos Estados, Municípios e Distrito federal, aduz Gilberto Gasparetto (2017), tema que se aborda a seguir.

Salienta-se que a segurança pública na ordem constitucional tem como finalidade dar segurança aos cidadãos, bem como assegurar a manutenção da ordem e da lei.

A segurança pública é tida como uma necessidade básica do ser humano, e como tal, cabe ao Estado garantir a sua efetividade, o que está expresso claramente na Constituição, já que esta é, segundo João Bosco Araujo Fontes Junior (2006, p. 50) “[...] o documento jurídico em que se abrigam os valores e as garantias fundamentais da sociedade.”

Além disso, é nela que está assegurada a unidade do ordenamento tendo como base os valores materiais ali expressos, com ênfase na manutenção dos princípios constitucionais e nos direitos e liberdades fundamentais.

Assim, neste último ponto, desenvolve-se o estudo sobre a segurança pública e o Estado democrático de direito, verificando na CF/88, quais os órgãos estatais encarregados de seu exercício, bem como qual a função da Forças Armadas no contexto constitucional e sua atuação nos Estados federados.