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Capítulo III – Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar

2. Gestão dos serviços farmacêuticos

3.5. Distribuição a doentes em regime ambulatório

A dispensa de medicamentos a doentes em regime de ambulatório pelos SF tem como objectivo a vigilância e o controlo de certas patologias e da medicação utilizada que pode originar efeitos adversos graves. Vai permitir também incentivar a adesão à terapêutica, uma vez que esta é cedida num regime de comparticipação a 100 %. Par além disto, o tratamento em regime de ambulatório tem vantagens em relação ao tratamento em regime de internamento, entre elas a redução dos custo relacionados com o internamento, a redução dos riscos associados ao internamento e a hipótese do doente continuar o tratamento em

A dispensa de medicação em regime de ambulatório é efectuada a doentes da consulta externa, do hospital de dia, do internamento aquando da alta e excepcionalmente da urgência. Podem ainda ser cedidos medicamentos biológicos a doentes de outros hospitais segundo o Despacho n.º 18419/2010, de 2 de Dezembro [5, 9].

As patologias para as quais está legislada a cedência de medicação em regime de ambulatório são doenças oncológicas, esclerose múltipla, hepatite C, insuficiência renal crónica e vírus da imunodeficiência humana, entre outras. Para além destas existem ainda outras patologias não legisladas para as quais o conselho de administração do CHCB permitiu a cedência de medicação, entre elas, a hepatite B, a hipertensão pulmonar ou alguns medicamentos órfãos [5].

A dispensa de medicação apenas é feita mediante a apresentação de receita médica, que pode ser em suporte de papel ou online. A prescrição deve conter a identificação do doente e do médico, a medicação e a data de emissão da mesma. Sempre que o utente venha levantar a medicação é necessário que traga sua identificação para o registo do seu número de identificação, ou no caso de se tratar de terceiros, a pessoa deve fazer-se acompanhar da sua identificação assim como da do doente [5, 10].

Sempre que a medicação se destine a mais de um mês apenas é cedida medicação para um mês de tratamento. No entanto existem excepções a esta regra, como o caso dos contraceptivos que são cedidos para 3 meses e, caso o doente resida a mais de 25 km do CHCB ou não seja possível a sua deslocação ao hospital, no dia da consulta é cedida medicação para 2 meses e depois esta é enviada por correio de 2 em 2 meses. No entanto, nem toda a medicação pode ser enviada por correio, como sucede com os hemoderivados, a talidomida, os contraceptivos, os medicamentos muito caros (custo total superior a 50 €) e os medicamentos que requeiram refrigeração para a sua conservação [5, 10].

As prescrições são primeiramente validadas pelo farmacêutico, sendo que, em caso de dúvida se deve contactar o médico prescritor para esclarecimento, e só depois proceder à sua dispensa. A dispensa da medicação é acompanhada por informação verbal, reforçada com pictogramas e informação escrita sob a forma de folhetos informativos (efectuados pelos farmacêuticos do sector do ambulatório), principalmente na primeira dispensa da medicação. Um dos indicadores da qualidade deste sector é o aumento do número de medicamentos com folheto informativo. O farmacêutico pretende assim promover a adesão e correcta utilização da terapêutica. Para além disto, quando a terapêutica tem um custo superior a 200 €, no acto da cedência, o doente deve ser sensibilizado sobre o custo elevado da terapêutica através da emissão de um documento com este valor de forma a promover a adesão à terapêutica [5, 10].

Quando o doente inicia uma terapêutica este tem que assinar um termo de responsabilidade, onde se responsabilizam pela terapêutica e se comprometem a fazê-la de forma correcta. Estes termos de responsabilidade são depois arquivados por ordem alfabética. Durante o meu estágio procedi ao arquivo destes termos de responsabilidade.

No dia seguinte são conferidas as receitas do dia anterior a fim de detectar algum erro e as receitas em papel, são depois arquivadas. O farmacêutico também procede ao envio do receituário facturável para a facturação, ou seja, envia para a facturação toda a medicação cedida cujos encargos não são da responsabilidade do hospital. Quanto ao controlo da qualidade, a monitorização do número de erros ocorridos na dispensa e a correcta imputação aos centros de custo fazem parte dos indicadores da qualidade deste sector [5].

Os farmacêuticos afectos ao sector de ambulatório possuem um papel bastante importante na monitorização de interacções farmacológicas, efeitos adversos e da adesão à terapêutica. Esta monitorização é mais apertada na medicação de certas doenças, como por exemplo da medicação da esclerose múltipla ou da hepatite C. Caso o farmacêutico detecte alguma falta de adesão à terapêutica avisa o médico prescritor. Esta monitorização da adesão terapêutica também auxilia os farmacêuticos na gestão dos stocks. E na eventualidade de ocorrência de algum efeito adverso o farmacêutico procede ao preenchimento de impresso próprio e fala com o médico [1, 5, 10]. Durante o meu estágio participei na pesquisa de alguma interacção e/ou efeito adverso a nível hepático devido à administração de bicalutamida.

O sector do ambulatório possui um stock definido que se encontra armazenado num armário, em duas arcas frigoríficas, no Consis (sistema robotizado de dispensa automática) e possui ainda um armário metálico de dupla fechadura no qual estão armazenados os MEP. O stock do armazém afecto ao sector do ambulatório é conferido duas vezes por semana, comparando o

stock físico com o constante no sistema informático, sendo um dos indicadores de qualidade a

diminuição do número de regularizações do stock. Também possui como objectivo a diminuição do número de regularizações efectuadas no armazém afecto ao sector do ambulatório, aquando das contagens de stock [5].

Durante o estágio colaborei na contagem dos stocks, na verificação das listagens de requisição de reposição de stock e na arrumação da medicação e reposição do Consis. Tive também a oportunidade de elaborar uma apresentação em Microsoft PowerPoint® sobre o fármaco

sunitinib (Anexo III) que apresentei aos farmacêuticos afectos a este sector.

3.6. Medicamentos sujeitos a controlo especial