6. RESULTADOS E DISCUSSÃO PARCIAIS
6.1 DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E TEMPORAL DE OVOS E LARVAS
Ao longo das seis campanhas mensais foi coletado um total de 672 amostras de ictioplâncton, das quais 20% foram consideradas amostras positivas, ou seja, aquelas onde foram observadas presenças de ovos e/ou larvas e 80% representaram amostras não positivas, conforme a Figura 22.
Figura 22. Número de amostras positivas e não positivas analisadas ao longo das seis campanhas de (Nov/2014 a Abr/2015).
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Figura 23. Distribuição temporal das amostras positivas analisadas ao longo das seis campanhas de (Nov/2014 a Abr/2015).
Nessas amostras positivas foi encontrado um total de 699 Larvas (73,5%) e 251 Ovos (26,5%), distribuídas nos 14 pontos de amostragem durante os seis meses de coleta (Tabela 01).
Tabela 1. Densidade de Ovos e Larvas distribuídas por ponto amostral ao longo das seis campanhas (Nov/2014 a Abr/2015).
No tocante a distribuição espacial de ovos a calha principal do rio registrou as maiores densidades (243), enquanto que nos tributários registrou apenas (8) ovos, conforme Figura 24.
Figura 24. Densidade de ovos de peixes (Ind/10m³) ao longo das seis campanhas (Nov/2014 a Abr/2015).
Na calha principal do rio, ao longo das seis campanhas de coleta, o trecho do ponto 11 apresentou a maior abundância (188) ovos seguido do ponto 01 (14) e ponto 8 (10) conforme Figura 25.
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Nos tributários, houve uma significativa redução na abundância de ovos em relação à calha principal do rio, sendo registrada a presença de ovos apenas nos pontos 07 (Arroio Tigre) e ponto 05 (Lageado das Pedras) (Figura 26).
Figura 26. Densidade de Ovos de peixes (Ind/10m³) por pontos amostral ao longo das seis campanhas (Nov/2014 a Abr/2015).
Do total de ovos coletados, 61% (152) foram classificados em semi-densos, 36%
(90) em densos e 4% (9) pelágicos (Figura 27).
Figura 27. Densidade de Ovos de peixes (Ind/10m³) por pontos amostral ao longo das seis campanhas (Nov/2014 a Abr/2015).
Em relação à distribuição de larvas, a tendência observada foi inversa à encontrada para ovos, já que nos tributários foram registradas as maiores densidades (Figura 28).
Figura 28. Densidade de Larvas de peixes (Ind/10m³) por pontos amostral ao longo das seis campanhas (Nov/2014 a Abr/2015).
Nos tributários, durante as seis campanhas, as maiores capturas ocorreu no trecho que compreende o ponto 9 (Arroio Encantado) (206), seguido do ponto 12 (Arroio Uruquá) (189) (Figura 29).
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Na calha principal do rio, os pontos que registraram maiores densidades de larvas foram os pontos 03 – local de soltura (72), seguido do ponto 11 (63) e ponto 08 (53), conforme Figura 30.
Figura 30. Densidade de Larvas de peixes (Ind/10m³) por pontos amostral ao longo das seis campanhas (Nov/2014 a Abr/2015).
No tocante a distribuição temporal foi constatada uma marcante sazonalidade na abundância de ovos e larvas, com pico de abundância de ovos registrada no mês de novembro/2014, sendo que nos meses de março e abril não foi coletado nenhum ovo na área em estudo e pico de abundância de larvas no mês de dezembro/2014 se estendendo até o mês de março (Figura 31).
Figura 31. Densidade de Ovos e Larvas de peixes (Ind/10m³) distribuídas ao longo das seis campanhas (Nov/2014 a Abr/2015).
Em relação ao método de coleta, durante os seis meses de coleta, no presente estudo, o método utilizando a rede de arrasto demonstrou mais eficiência com a captura de 550 larvas e 142 ovos, enquanto que a armadilha luminosa capturou 149 larvas e 109 ovos (Figura 32).
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Quanto à utilização da área do rio, os dados revelam que, de modo geral, as margens do rio foram mais eficientes do que a área do meio do rio, em especial, a margem esquerda, a qual contribuiu com 43% das capturas de ovos e larvas, seguidos da margem direita com 37% e por fim o meio com 19% do total de capturas (Figura 33).
Figura 33. Comparação da eficiência da área de coleta do rio distribuídas ao longo das seis campanhas (Nov/2014 a Abr/2015).
O Rio ijuí apresentou uma alta densidade de larvas e baixa densidade de Ovos.
Do total de organismos ictioplanctônicos capturados, 73,5% foram larvas e 26,5% eram ovos.
Esta predominância de larvas, constatada no presente estudo, corrobora com o dados obtidos por (FUENTES et al., 1998) para o médio rio Paraná, onde houve o predomínio de larvas em estágios avançado. Ademais, de acordo com Hahn (2000), os peixes reofílicos subiriam o rio Uruguai para desovar próxima a região de Itá, no entanto, devido à alta velocidade de correnteza, os ovos seriam carreados até as regiões do médio Uruguai, regiões do rio Ijuí onde estão às barragens Passo São João e São José, as quais as larvas se criariam nas lagoas marginais existentes nesta região.
A grande captura de ovos e larvas no período de novembro de 2014 a janeiro de 2015 demonstra um pico de desova bem marcado neste período do ano em todos os pontos amostrais.
MANTERO & FUENTES (1997) em estudos de distribuição de ovos e larvas de peixes na região do baixo rio Uruguai, observaram que a atividade reprodutiva nesta
região ocorre principalmente entre outubro e março, tendo sido registrado picos de desova nos meses de dezembro e janeiro.
Segundo Vazzoler (1996), a maioria das espécies de peixes do Alto Rio Paraná apresentam maior atividade reprodutiva entre novembro e janeiro; no entanto, dependendo do tipo de estratégia reprodutiva, este período pode antecipar-se para setembro e pode prolongar-se até abril.
Na região do alto rio Uruguai a época de desova concentrou-se entre os meses de novembro a janeiro, onde foi observada uma nítida influencia da elevação da temperatura da água e da vazão dos rios para desencadear o início da reprodução dos peixes (HERMES-SILVA, 2003), havendo ocorrência de ovos e larvas tanto no rio principal como nos tributários (HERMES-SILVA, 2003; REYNALTE-TATAJE &
ZAMBONI FILHO 2008b), corroborando com os resultados desse trabalho.
Espécies como o dourado (Salminus brasiliensis), a Piracanjuba (Brycon orbignyanus) e grumatã (Prochilodus lineatus) que realizam migrações reprodutivas iniciam o processo de maturação gonadal com o aumento da temperatura da água (primavera – verão), aguardando, no entanto, as primeiras chuvas da estação, que permitem o deslocamento rio acima, para realizar a desova (ZANIBONI-FILHO e SCHULZ, no prelo), sendo registrada a desova para estas espécies no alto Rio Paraná na região de confluência de dois rios, ocorrendo tanto na calha do rio principal como nos tributários (REYNALTE-TATAJE, 2007).
A maior quantidade de ovos foi encontrada nos pontos amostrais localizados na calha principal do rio, em especial no ponto 11. Este fato pode estar relacionado à proximidade deste ponto amostral com áreas de desova, possivelmente localizada rio acima, uma vez que neste ponto foram registradas as maiores densidades de ovos e larvas vitelinas, sugerindo a utilização deste habitat como um local de deriva.
No que se refere a maior concentração de larvas nos tributários, em especial no trecho que corresponde ao ponto 09 (Arroio Encantado) (206), seguido do ponto 12 (Arroio Uruquá) (189), pode ser explicado devido este locais de amostragem apresentarem características mais compatíveis com locais de criação ou crescimento, sendo observada uma maior abundância de larvas em estágios avançados de desenvolvimento, embora todos os estágios tenham sido capturados.
Esses pontos apresentam características ambientais observadas na região de
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A maior captura de exemplares do Ictioplâncton no período noturno, observada no presente trabalho, confirma a periodicidade diária de deriva dos ovos e larvas citada por BAUMGARTNER (2001).
Como sugere VAZZOLER (1996), os peixes apresentam diversas táticas reprodutivas que variam em função de variações no ambiente, como a qualidade e as flutuações das condições abióticas, a disponibilidade de alimentos e a predação, buscando, com isso, garantir o sucesso da reprodução e maximizar a sobrevivência da prole. As desovas ao entardecer são induzidas pela diminuição da intensidade luminosa e pelos maiores valores de temperatura da água registrados no período (GRAAF et al., 1999).
Além disso, a abundancia de larvas no período noturno pode estar relacionado à busca por alimento e fuga de predadores visuais (BAUMGARTNER et al., 1997;
BAUMGARTNER (2001); NAKATANI et al., 1997).
OLIVEIRA & ARAÚJO-LIMA (1998) em estudo realizado no rio Solimões – AM encontrou maior abundância de larvas de Mylossoma sp. concentrada nas regiões de margens do rio, causada provavelmente devido a processos hidráulicos do rio, como correntes secundárias radiais e a um comportamento ativo das larvas. Comportamento semelhante foi observado no presente trabalho, onde as margens esquerda e direita apresentaram maior eficiência em relação ao meio do rio.