4.6 Configura¸c˜ ao do outflow de um buraco negro central
5.1.2 Distribui¸c˜ ao espacial das supernovas do tipo II
Conforme descrito anteriormente, os locais de ocorrˆencia das SNe II, e consequente inje¸c˜ao de energia, s˜ao determinados, em um primeiro momento, pela densidade local do g´as: quanto maior a densidade de g´as na regi˜ao, maior a probabilidade de uma SNe II ser ali inserida. Dessa maneira, a distribui¸c˜ao espacial da SNe II em fun¸c˜ao do tempo deve seguir o movimento do g´as dentro da gal´axia. Isso ´e observado nas duas simula¸c˜oes, com halo de mat´eria escura menos maci¸co (VC21) e mais maci¸co (VC38) (Figuras 5.9 e 5.10 , respectivamente). Em ambos os casos, nos primeiros 150 milh˜oes de anos, todas as SNe II
est˜ao localizadas dentro de uma regi˜ao de raio aproximado de 200 pc, onde a densidade de g´as ´e maior (primeira linha das Figuras 5.9 e 5.10). Ap´os esse per´ıodo, a situa¸c˜ao evolui de maneira diferente em cada um dos cen´arios adotados.
Figura 5.9: Distribui¸c˜ao espacial das SNe II nos planos xy (esquerda), zx (centro) e zy (direita) em diferentes ´epocas (0-150 Mano, 150-300 Mano, 300-450 Mano e 450-1000 Mano de cima para baixo) na simula¸c˜ao VC21.
Na simula¸c˜ao VC21, g´as ´e impulsionado para regi˜oes mais externas da gal´axia pela primeiras SNe II criando zonas de alta densidade a distˆancias maiores do centro. Seguindo o movimento do g´as, a distribui¸c˜ao de SNe II tamb´em se expande para regi˜oes mais externas. Isso pode ser visto na Figura 5.9 na segunda e terceira linhas que mostram o local de ocorrˆencia de cada SNe II entre 150 e 450 Mano em cortes nos trˆes planos xy, yz e zx. Pode ser observado que o raio de ocorrˆencia das supernovas vai aumentando com o passar do tempo, ultrapassando os 400 pc entre 300 e 450 Mano. Ao contr´ario, no caso VC38, a alta densidade de g´as central dificulta o movimento do g´as, conforme mencionado na se¸c˜ao anterior. O g´as fica concentrado na regi˜ao central de at´e 200 pc,
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Figura 5.10: Distribui¸c˜ao espacial das SNe II nos planos xy (esquerda), zx (centro) e zy (direita) em diferentes ´epocas (0-150 Mano, 150-300 Mano, 300-450 Mano e 450-1000 de cima para baixo) na simula¸c˜ao VC38.
ocupando toda essa regi˜ao por at´e 300 Mano (Figura 5.10 - primeira e segunda linhas). Ap´os esse per´ıodo, as supernovas passam a explodir em regi˜oes ainda mais centralizadas, devido ao fluxo externo de g´as nas regi˜oes mais afastadas do centro causado pela inje¸c˜ao de energia pelas SNe Ia. Ap´os 450 Mano, h´a uma predominˆancia de supernovas localizadas dentro de um regi˜ao de raio ∼ 100 pc (´ultima linha da Figura 5.10).
Esse mesmo efeito pode ser observado nas Figuras 5.11 e 5.12 , para VC21 e VC38 respectivamente, que mostram, na primeira linha, a distˆancia que cada SNe II explode do centro da gal´axia em fun¸c˜ao do tempo. ´E claro o aumento na distˆancia em rela¸c˜ao ao centro da gal´axia com o passar do tempo no cen´ario VC21 (Figura 5.11): ap´os aproximadamente 50 Mano as SNe II j´a ocorrem em distˆancias superiores a 200 pc e logo ap´os 200 Mano come¸cam a ocorrer as primeiras supernovas em distˆancias superiores a 400 pc do centro. J´a no caso VC38 (Figura 5.12), pode-se observar uma aumento mais
Figura 5.11: Distˆancia em rela¸c˜ao ao centro das SNe II em fun¸c˜ao do tempo (topo), n´umero de SNe II em fun¸c˜ao da distˆancia ao centro (segunda linha) e n´umero de SNe II em fun¸c˜ao da distˆancia nos eixos x (terceira linha), y (quarta linha) e z (quinta linha) para a simula¸c˜ao VC21.
lento na distˆancia que cada SNe II ocorre, chegando a pr´oximo de 200 pc somente ap´os quase 100 Mano. Entretanto, nesse caso, ap´os 300 Mano, as SNe II passam a explodir cada vez mais perto do centro se aproximando de uma regi˜ao de raio 100 pc ao final da simula¸c˜ao. Observa-se tamb´em um esp´ecie de fluxo migrat´orio das SNe II no caso VC21, com a maioria ora se afastando do centro, ora se aproximando do centro, seguindo o movimento do g´as dentro da gal´axia. Com a alta densidade central de g´as em VC38, esse fato ´e menos evidente; a maior parte das SNe II ocorre sempre na regi˜ao central. Os
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Figura 5.12: Distˆancia em rela¸c˜ao ao centro das SNe II em fun¸c˜ao do tempo (topo), n´umero de SNe II em fun¸c˜ao da distˆancia ao centro (segunda linha) e n´umero de SNe II em fun¸c˜ao da distˆancia nos eixos x (terceira linha), y (quarta linha) e z (quinta linha) para a simula¸c˜ao VC38.
histrogramas das linhas 2 a 5, nos dois casos, mostram que a grande maioria das SNe II ocorrem pr´oximas `as regi˜oes centrais da gal´axia no caso VC 38, enquanto em VC21 h´a umas distribui¸c˜ao mais larga, se estendendo at´e aproximadamente 400 pc.
Essa diferen¸ca na distribui¸c˜ao espacial das SNe II, aliadas ao maior potencial gravi- tacional do caso VC38 geram diferen¸cas no fluxo de g´as e na consequente perda de massa da gal´axia.
5.1.3
Perda de massa
A perda de massa em cada caso simulado foi analisada atrav´es da evolu¸c˜ao temporal da fra¸c˜ao da massa inicial que permanece dentro de diferentes regi˜oes da gal´axia. Nas Figuras 5.13 e 5.14 ´e mostrada a fra¸c˜ao da massa inicial que permanece dentro de diferentes regi˜oes esf´ericas da gal´axia (linha preta - r = 300 pc, vermelha - r = 950 pc), nos cen´arios VC21 e VC38, respectivamente.
Figura 5.13: Fra¸c˜ao da massa inicial que permanece dentro de diferentes regi˜oes esf´ericas da gal´axia (linha preta - r = 300 pc, vermelha - r = 950 pc), no cen´ario VC21.
Nos dois casos a taxa de perda de massa ´e diferente em diferentes regi˜oes da gal´axia e em fun¸c˜ao do tempo. Na regi˜ao interna, dentro de 300 pc, a perda fracion´aria de massa ´e maior que na regi˜ao externa (at´e o raio de mar´e - 950 pc) em ambas as situa¸c˜oes simuladas. Nos primeiros milh˜oes de anos h´a uma queda abruta na quantidade de g´as dentro dos 300 pc centrais nos 2 cen´arios (linhas vermelhas nas Figuras 5.13 e 5.14). Ap´os 200 Mano, no caso VC21, aproximadamente 55% da massa inicial do g´as foi removido dessa regi˜ao, enquanto ∼ 25% ´e removido no caso VC38. Ap´os esse per´ıodo, a perda de massa na regi˜ao interna muda quando a massa do halo de mat´eria escura ´e maior (VC38), diminuindo a taxa de perda de massa at´e o final da simula¸c˜ao. Ap´os 1 Gano, a massa
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Figura 5.14: Fra¸c˜ao da massa inicial que permanece dentro de diferentes regi˜oes esf´ericas da gal´axia (linha preta - r = 300 pc, vermelha - r = 950 pc), no cen´ario VC38.
remanescente dentro do raio de 300 pc ´e ∼ 45%. J´a no caso VC21, com um halo de mat´eria escura menos maci¸co, a taxa de perda de massa continua intensa at´e o final da simula¸c˜ao, removendo quase 90% da massa inicial. A varia¸c˜ao da taxa de perda de massa em fun¸c˜ao do tempo est´a relacionada `a taxa de ocorrˆencia das SNe e da distribui¸c˜ao espacial das SNe II. A diminui¸c˜ao abrupta da massa de g´as nos primeiros Mano est´a relacionada ao aumento tamb´em abrupto na taxa de SNe II. No caso VC21, como visto anteriormente, as primeiras SNe II deslocam o g´as central para regi˜oes mais externas diminuido a massa na regi˜ao central. Por outro lado, o potencial gravitacional maior no caso VC38 n˜ao permite que muito g´as saia da regi˜ao central da gal´axia.
Na regi˜ao mais externa, at´e o raio de mar´e da gal´axia, a diferen¸ca entre os dois cen´arios adotados ´e ainda mais intensa (linhas pretas nas Figuras 5.13 e 5.14). Nos primeiros 100 Mano n˜ao h´a praticamente nenhuma altera¸c˜ao na massa inicial de g´as dentro dos 950 pc, nos dois casos. No cen´ario VC38, somente pr´oximo de 350 Mano ´e que alguma altera¸c˜ao pode ser percebida. J´a no caso do halo menos maci¸co, h´a uma queda lenta na fra¸c˜ao da massa inicial j´a em 100 Mano at´e por volta de 200 Mano, quando a perda de massa se acentua. Esse aumento na taxa de perda de massa est´a relacionado `a
ocorrrˆencia das SNe em locais mais distantes do centro, facilitando a remo¸c˜ao do g´as. Essa queda se mant´em intensa at´e o final do 1 Gano analisado, restando ∼ 60% da quantidade inicial de g´as dentro da gal´axia. O halo de mat´eria escura mais maci¸co, por outro lado, impede a sa´ıda de g´as da gal´axia gerando uma taxa de perda de massa bem mais modesta at´e o final do per´ıodo de 1 Gano: apenas 5% ´e perdido.
5.2
Outflow de um buraco negro central
Evidˆencias observacionais recentes indicam a presen¸ca de buracos negros centrais no centro de gal´axias an˜as, por´em com massas menores - os chamados buracos negros de massa intermedi´aria (IMBH), com massas entre 104M e 106M (MACCARONE et
al. 2005, LORA et al. 2009, NUCITA et al. 2013, MANNI et al. 2015). Em gal´axias espirais, tanto trabalhos observacionais quanto te´oricos procuram estimar a contribui¸c˜ao do feedback de um buraco negro central supermaci¸co (SMBH) (M > 106M
) para a
remo¸c˜ao de g´as da gal´axia hospedeira (AALTO et al. 2012, CICONE et al. 2014, GEN- ZEL et al. 2014; TIMBESI et al. 2015, MELIOLI & de GOUVEIA Dal PINO 2015). Enquanto observa¸c˜oes indicam intensa perda de massa, MELIOLI & de GOUVEIA Dal PINO (2015) alegam que o jato sozinho n˜ao ´e capaz de causar perda intensa de g´as, mas pode esporadicamente acelerar material que est´a saindo da gal´axia. Em gal´axias an˜as ainda faltam evidˆencias observacionais da influˆencia do outflow de um IMBH na dinˆamica do conte´udo gasoso da gal´axia, por´em trabalhos te´oricos j´a come¸cam a mostrar como os parˆametros do outflow podem influenciar a perda de massa ou n˜ao (HAZENFRATZ et al. 2020,OLIVEIRA, LANFRANCHI & CAPRONI 2019).
Um fator n˜ao analisado ainda ´e como o outflow do IMBH ir´a se comportar em dife- rentes cen´arios para a distribui¸c˜ao de mat´eria escura. Para essa an´alise o feedback estelar n˜ao ´e considerado, sendo levado em conta apenas o outflow. Seguindo o procedimento da Se¸c˜ao anterior, s˜ao adotados dois cen´arios idˆenticos por´em com halos de mat´eria escura de diferentes massas: simula¸c˜oes VC21 com Mh = 3,05 ×109 M dentro de um raio do
halo de Rh = 30,29 kpc e VC38 com Mh = 1, 82 × 1010 M dentro de um raio do halo de
Rh = 54,81 kpc. Nos dois casos, a massa total de g´as ´e Mg0 = 5, 99 × 108 M, a densidade
inicial do outflow ´e ρ = 0.03 cm−3 e a velocidade inicial, no eixo z, ´e v0 = 1000 km.s−1.
43 5.5) e diferentes distribui¸c˜oes do g´as. Na Figura 5.15 pode ser visto, claramente, que no caso VC38 a densidade central ´e aproximadamente 9 vezes maior e o g´as fica bem mais concentrado que no caso VC21.
Figura 5.15: Densidade do g´as em fun¸c˜ao de z (kpc) no instante t = 0 ano nas simula¸c˜oes VC21 (esquerda) e VC38 (direita).
Essa diferen¸ca na distribui¸c˜ao do g´as leva a diferentes comportamentos do outflow em cada caso. Quando a densidade central inicial de g´as ´e menor e mais distribu´ıda (simu- la¸c˜ao VC21), o outflow do IMBH ´e capaz de se propagar por um meio quase homogˆeneo (com a densidade de g´as variando apenas radialmente) criando uma estrutura em forma de jato (Figura 5.16). Ap´os 10 Mano do in´ıcio da simula¸c˜ao percebe-se a forma¸c˜ao de uma estrutura fina, de aproximadamente 150 pc de espessura, nos dois sentidos do eixo z, o mesmo da propaga¸c˜ao da velocidade inicial do outflow (Figura 5.16 - painel superior esquerdo). Essa estrutura se propaga quase livremente, de maneira sim´etrica nos dois sentidos do eixo, removendo o g´as que est´a no seu caminho e deixando uma regi˜ao fina de baixa densidade e alta temperatura para tr´as. A velocidade de propaga¸c˜ao na frente de onda da estrutura do jato ´e de aproximadamente 510 km.s−1. A cont´ınua inje¸c˜ao de den- sidade sempre na mesma dire¸c˜ao, com a mesma velocidade inicial, impulsiona a estrutura que se desloca para regi˜oes mais externas, chegando a uma distˆancia de aproximadamente 300 pc, com uma velocidade aproximada de 600 km.s−1, ap´os 20 Mano (painel superior direito da Figura 5.16). A estrutura de jato deixa a regi˜ao mais densa da gal´axia, equi- valente ao seu raio de mar´e (950 pc), por volta de 400 Mano ap´os o in´ıcio da simula¸c˜ao,
com uma velocidade na frente de onda superior a 800 km.s−1. O g´as presente no eixo de propaga¸c˜ao do outflow ´e deslocado para regi˜oes bem al´em do raio de mar´e da gal´axia, com pode ser obervado no painel inferior esquerdo da Figura 5.16, caracterizando perda de massa. Entretanto, apenas esse g´as (e um pouco nas regi˜oes externas, pr´oximo a es- trutura de jato e do eixo z) ´e removido da gal´axia. A maior parte do meio interestelar n˜ao ´e afetado pela passagem do ”jato”. Ap´os 50 Mano, nota-se apenas uma estrutra fina, de 200 pc de espessura, e sim´etrica nos dois sentidos do eixo de propaga¸c˜ao do outflow. A quantidade de g´as nessa regi˜ao externa que se perde da gal´axia aumenta com o passar do tempo, como pode ser percebido pela estruturas formadas ao redor da sa´ıda da estrutura de jato ap´os 150 Mano (painel inferior direito da Figura 5.16). Entretanto, deve-se sempre manter em mente que a densidade do g´as nessa distˆancia galactocˆentrica ´e bem baixa.
Figura 5.16: Corte no plano zy do perfil de densidade no instante t = 10 Mano (painel superior esquerdo), 20 Mano (painel superior direito), 50 Mano (painel inferior esquerdo) e 150 Mano (painel inferior direito) na simula¸c˜ao VC21.
45 Quando, entretanto, a massa do halo de mat´eria escura, e consequentemente a densidade inicial central, ´e maior, a situa¸c˜ao muda drasticamente. No caso VC38, a densidade de g´as na regi˜ao central da gal´axia ´e tal que o mesmo ouflow considerado anteriormente, n˜ao ´e capaz de se propagar. Na Figura 5.17, em dois instantes diferentes (10 e 50 Mano) n˜ao se percebe nenhuma estutura de jato (como no caso anteorior), nem menos qualquer perturba¸c˜ao no meio. Ele permanece completamente inalterado. Apenas no ponto central, onde ´e inserida a densidade e a velocidade iniciais do ouflow ´e que aparece uma pequena estrutura. Essa estrutura est´a relacionada `a c´elula computacional central onde essas grandezas s˜ao inseridas.
Figura 5.17: Corte no plano zy do perfil de densidade no instante t = 10 Mano (esquerda) e 50 Mano (direita) na simula¸c˜ao VC38.
Cap´ıtulo 6
Conclus˜oes e Perspectivas
Gal´axias Esferoidais An˜as cl´assicas s˜ao sistemas pequenos, estruturalmente sim- ples, caracterizados por baixas luminosidades, baixo conte´udo de metais, popula¸c˜oes es- telares antigas e total ausˆencia de g´as. O conte´udo gasoso dessas gal´axias pode ter sido removido por ventos gal´acticos gerados pelo ac´umulo, no ISM, da energia liberada por supernovas durante uma escala de centenas de milh˜oes de anos. Essa energia depositada pelas explos˜oes estelares aumenta a temperatura e a velocidade do g´as, atrav´es de ondas de choque que diluem o meio. Regi˜oes de instabilidades s˜ao criadas, levando g´as quente e menos denso para fora do potencial gravitacional da gal´axia, originando perda de massa. Por outro lado, mecanismos como press˜ao de mar´e e for¸ca de arraste devido `a proximidade de grandes gal´axias, com po¸cos gravitacionais profundos e extensos, e a um denso meio intergal´actico tamb´em podem puxar g´as para fora da gal´axia an˜a. Em ambos os casos, entretanto, um fator importante e que pode limitar a perda de massa da gal´axia an˜a ´e o seu pr´oprio potencial gravitacional, definido principalmente pelo halo de mat´eria escura, tendo em vista que em dSph locais a raz˜ao mass-luminosidade est´a entre 100 e 1000.
H´a ainda controv´ersia sobre como o potencial de mat´eria escura pode ser definido em gal´axias an˜as. Enquanto observa¸c˜oes indicam que a densidade de mat´eria escura deva ter um n´ucleo central de densidade constante com ρ ∝ r0, simula¸c˜oes cosmol´ogicas com
gal´axias an˜as resultam em perfis de densidade descritos por uma distribui¸c˜ao seguindo uma lei de potˆencia intensa (ρ ∝ rα). Independente do perfil para a densidade de mat´eria
escura, a massa total do halo tamb´em deve influenciar diretamente a perda de massa de g´as nessa gal´axias. Em cen´arios simples, adotados em modelos de evolu¸c˜ao qu´ımica, por exemplo, a perda de g´as come¸ca quando a sua energia cin´etica ´e superior `a energia de
47 liga¸c˜ao da gal´axia, a qual, por sua vez, depende fortemente da massa total de mat´eria escura do sistema.
Neste trabalho foi investigado o papel da massa do halo de mat´eria escura na dinˆamica do g´as do ISM de uma gal´axia esferoidal an˜a cl´assica e a consequente perda de massa, atrav´es de simula¸c˜oes hidrodinˆamicas tridimensionais n˜ao cosmol´ogicas, levando em conta a energia injetada no meio por supernovas, em dois cen´arios para a massa do halo de mat´eria escura, ambos com a mesma massa de g´as e todos outros parˆametros idˆenticos. No primeiro cen´ario, VC21, a massa de mat´eria escura ´e Mh= 3,05 × 109 M, distribu´ıda
dentro de um raio do halo de Rh = 30,29 kpc, enquanto no segundo cen´ario (VC38), o halo
de mat´eria escura mais maci¸co (MH = 1, 82 × 1010M) se estende at´e 54,81 kpc. Essa
diferen¸ca entre massa e raio do halo leva a uma diferen¸ca na concentra¸c˜ao da mat´eria escura e consequentemente do g´as, com a simula¸c˜ao VC38 apresentado uma densidade central inicial de g´as de ρ0 = 2, 86 × 10−21 g.cm−3, aproximadamente 9 vezes maior que
em VC21.
Ao final do per´ıodo simulado (1 Gano) observou-se uma perda de g´as aproxima- damente 8 vezes maior na simula¸c˜ao VC21, comparada ao caso VC38: aproximadamente 40% e 5%, respectivamente, dentro do raio de mar´e da gal´axia. Al´em dessa diferen¸ca na perda de g´as, os locais de ocorrˆencia das supernovas do tipo II se distribuem de maneira diferente em cada simula¸c˜ao, devido `a dependˆencia com a densidade do g´as. A maior concentra¸c˜ao de g´as em VC38 (veja Figura 5.15) faz com que as supernovas tamb´em fi- quem mais concentradas, todas elas ocorrendo dentro de uma regi˜ao de raio aproximado de 200 pc. Por outro lado, o g´as menos concentrado em VC21 permite que as supernovas ocorram at´e distˆancias um pouco acima de 400 pc do centro da gal´axia. As supernovas ocorrendo na regi˜ao mais central da gal´axia, onde o g´as est´a mais concentrado no caso VC38, diminuem o impacto da inje¸c˜ao de energia no meio, diminuindo tamb´em seu efeito na dinˆamica do g´as. A energia das supernovas ´e absorvida sem que haja um aumento significativo na temperatura e velocidade do g´as. Dessa maneira, quando comparado `a simula¸c˜ao VC21, observa-se um menor fluxo de g´as para regi˜oes externas e, portanto, menor perda de g´as.
Essa mesma diferen¸ca na densidade central inicial e na concentra¸c˜ao do g´as causa efeitos semelhantes na propaga¸c˜ao de um outflow de um IMBH central. Em duas simu- la¸c˜oes similares a VC21 e VC38, por´em sem o feedback estelar, foi inserido um outflow
com densidade inicial ρ = 0.03 cm−3 (compat´ıvel com um buraco negro de massa ∼ 105
M) e velocidade inicial v0 = 1000 km.s−1 na dire¸c˜ao do eixo Z positivo e negativo. No
caso VC21 observa-se a cria¸c˜ao de uma estrutura em jato que se propaga pelo eixo Z livremente e de maneira sim´etrica em ambos os sentidos. Ap´os alguns milhares de anos, essa estrutura passa do raio de mar´e da gal´axia criando uma esp´ecie de canal por onde a energia do outflow ir´a se propagar. J´a em VC38, n˜ao h´a nenhum impacto observ´avel no ISM. A densidade, temperatura e velocidade do g´as al´em do ponto central n˜ao se alteram e nenhum estrutura de jato ´e formada.
Mesmo em um cen´ario simples, em que apenas a massa do halo de mat´eria escura ´e modificada, mantendo iguais todos os outros parˆametros da simula¸c˜ao (em especial a massa de g´as), percebe-se o efeito na perda de g´as, na distribui¸c˜ao espacial das supernovas