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DISTRITOS INDUSTRIAIS

No documento NILVAM JERONIMO RIBEIRO BRAVIN (páginas 87-91)

As primeiras ideias acerca dos Distritos Industriais foram desenvolvidas por Alfred Marshall41, a partir de 1890, e tinham com foco a localização de empresas e a formação de economias externas para a ampliação do capital (MELO, 2005). A

41 Economista e matemático inglês (1842-1924) que se destacou, entre outras coisas, pelos estudos acerca

das vantagens da concentração das indústrias, visando à redução de custos da produção de empresas de um mesmo ramo em um espaço comum. Marshall destaca aspectos importantes dessa concentração para a formação de externalidades positivas para a aglomeração e beneficio para o grupo.

88 concentração geográfica de unidades produtivas de um mesmo setor, em um Distrito Industrial, é apontada pelo economista, como aspecto de cooperação entre forças sociais e econômicas.

Apesar de a aglomeração industrial ser um fenômeno que se inicia no século XIX, os Distritos Industriais surgem, com maior frequência no século XX, a partir da ideia de descentralização industrial dos núcleos urbanos, provocada pela introdução de novas técnicas produtivas e pelo aumento da escala de produção. Essa descentralização passa a exigir amplos terrenos, tornando assim, para muitas indústrias, inviável a localização na área central das cidades, devido ao elevado preço do solo urbano, e culmina com a possibilidade da concentração industrial em outras áreas do espaço urbano, entre elas, em um Distrito Industrial (CORRÊA, 2003). A formação e concentração dos DI ocorrem, preferencialmente, em zonas periféricas da cidade ou do município, onde eles se beneficiam de terrenos mais amplos e baratos. Com a atuação do Estado, os DI podem se beneficiar também de vantagens como a preparação do terreno, acessibilidade à água, energia, rodovias, incentivos fiscais, entre outras.

Meirelles (2004) corrobora com a discussão sobre a concepção de DI, e o concebe como uma divisão administrativa e particular de empresas instituída por um município, e que por isso mesmo, não tem autonomia política, jurídica ou financeira.

Becatini (1994), sob outra perspectiva, aborda os Distritos Industriais na Itália42, de forma mais específica e tradicional, os relaciona a uma grande quantidade de pequenas empresas concentradas em determinado local, e especializadas em determinada fase da produção, com mercado de trabalho local. Assim, o referido autor define o Distrito Industrial como uma entidade socioterritorial caracterizada pela presença de pessoas e de empresas em um determinado espaço geográfico e histórico.

Na concepção de Benko (1996) os Distritos industriais se caracterizam por uma fragmentação organizacional, com um progressivo desenvolvimento de um sistema

42 Cabe aqui descrever, de maneira breve, o surgimento dos Distritos Industriais na Itália. Os DI surgem

após a década de 1950, a partir do dualismo existente entre o norte e o sul do país, no que tange às atividades industriais. O norte era a região em que se concentrava a maior parte das indústrias do país, principalmente as grandes empresas, enquanto no sul, a produção concentrava, principalmente, pequenas empresas. No início dos anos de 1970, surge a chamada Terceira Itália entre o norte e o sul do país. Nessa região, o crescimento das micro, pequenas e médias empresas foi, aos poucos, sendo impulsionado pela formação de Distritos Industriais, estabelecendo um sistema de confiança e de cooperação entre tais empresas, o que diferenciou essa região das do restante do país. Cabe frisar, que a chamada Terceira Itália compreende as regiões onde se localizam Milão, Turim, Bolonha, Florença, Ancona, Veneza, Modena e Gênova, e caracteriza-se pela existência de grupos de pequenas empresas, cuja principal estratégia é a inovação contínua e a utilização de métodos flexíveis de produção.

89 relacional e não padronizado entre as firmas industriais. Quanto ao sistema relacional o referido autor destaca que elas podem se desenvolver da seguinte maneira:

As relações podem ser verticais – entre fases diferentes de um mesmo processo produtivo; laterais – entre as mesmas fases de processos de produção semelhantes; diagonais – quando se trata de atividades de serviço prestado às indústrias do distrito (BENKO, 1996, pag. 229).

Esse conceito se assemelha ao proposto por Amin e Robins (1994), que ao analisar os DI, salientam que eles são caracterizados, fundamentalmente, por uma forte divisão do trabalho entre pequenas empresas, e que envolve a troca de produtos, a cooperação e a proximidade entre si. As suas características essenciais são, por um lado, a aglomeração espacial de pequenas empresas especializadas e independentes, e por outro, os laços estreitos que as unem, devido às suas relações concorrenciais.

Normalmente, os Distritos Industriais especializam-se em um determinado setor industrial, mas em alguns países, como no Brasil, há forte presença do Estado para a sua institucionalização e a coexistência de várias atividades industriais em um DI. Entretanto, a experiência italiana aponta para características dos “micro-clusters ou

clusters locais” direcionados para uma atividade ou para uma gama muito restrita de

atividades interrelacionadas nos DI’s (PROINOV, 2002). Conforme Proinov (2002, p. 9-10), são algumas das características-chaves dos Distritos Industriais italianos:

• Elevado intercâmbio de informação e de mão-de-obra, entre fornecedores e clientes nas várias fases do processo de produção;

• Alto grau de cooperação entre empresas “rivais” na partilha dos riscos de investimento, de infraestruturas, da inovação tecnológica e na salvaguarda da instabilidade dos mercados (mecanismos conjuntos de partilha de riscos e de estabilização econômica);

• Intervenção dos governos locais na regulação e promoção dos principais setores industriais.

De acordo co Corrêa (2003), os DI’s surgem a partir da existência de estabelecimentos industriais muito próximos uns aos outros, beneficiando-se das vantagens de as empresas estarem concentradas em um mesmo local, o que viabiliza a continuidade da produção. Melo (2006) concorda essa idéia e afirma que um dos elementos fundamentais do conceito de Distrito Industrial marshalliano é a concentração geográfica das empresas, o que lhes permite a redução dos custos de transação, gerando economias de escala às empresas presentes no distrito.

Os DI trabalham em uma unidade coletiva, entretanto, sem perder a competitividade de cada empresa que o compõe. Para isso, utilizam-se de estratégias de

90 inovação, visando aumentar a qualidade e a produtividade a médio e longo prazo, dependendo da capacidade e unidade do conjunto, vindo a minimizar custos e inovar produtos. Tais estratégias competitivas das empresas pertencentes a um aglomerado de indústrias são facilitadas pela cooperação entre elas, permitindo-lhes uma redução de custos, de transferência de conhecimento ou disseminação de informação, fatores que agilizam a inovação em processos e produtos (SZAFIR-GOLDSTEIN e TOLEDO, 2008).

Conforme Becattini (1994), as empresas do DI, geralmente se caracterizam por pertencerem a um mesmo ramo industrial, mas isso deve ser entendido em um sentido amplo. Nos estudos acerca dos Distritos Industriais, a expressão ramo têxtil engloba igualmente as máquinas e os produtos químicos necessários à indústria têxtil, bem como as atividades de serviço que lhes são indispensáveis.

Os DI podem surgir de maneira espontânea, mas geralmente, como ocorre no Brasil, surgem a partir de incentivos do Estado, com exceções, para a unificação de empresas que apresentam aspectos semelhantes em sua natureza produtiva em um espaço comum. Assim, os DI têm sido alvo de políticas públicas para o seu desenvolvimento, incitando, por suas vantagens, processos de descentralização de indústrias concentradas em grandes cidades. De acordo com a classificação da ONU (apud MELO, 2006), os DI correspondem a áreas nas quais o planejador promove a implantação de uma infraestrutura necessária à indução de um processo de desenvolvimento industrial.

Uma característica importante do Distrito Industrial é a sua concepção como um sistema socioeconômico, no qual pode ser observada a estreita interação entre as esferas social, política e econômica, e cuja eficiência de cada uma dessas esferas é condicionada e moldada pelo funcionamento e organização das restantes, ou seja, o funcionamento de uma das esferas é influenciado pelo funcionamento e organização das outras (PROINOV, 2002).

Como o Distrito é igualmente um grande consumidor de matérias-primas, tende a concentrar, em seu meio, um número relativamente importante de compradores especializados. O DI obedece a uma lógica pela qual os clientes procuram certo serviço ou certa mercadoria em um local conhecido por reunir atividades que se correspondem. É um aglomerado de empresas que serve a uma determinada área (BENKO; LIPIETZ 1994). Sendo assim, a constituição de um Distrito Industrial está na forma com que estas se organizam, destacando-se a importância da existência de fortes redes

91 interempresariais e a disponibilidade de mão-de-obra qualificada.

2.4 ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS E SISTEMAS

No documento NILVAM JERONIMO RIBEIRO BRAVIN (páginas 87-91)