1 O DIREITO E A REPRESSÃO: PODER JUDICIÁRIO E AS DITADURAS DO CONE SUL
1.2 O DIREITO E A REPRESSÃO: A ATUAÇÃO DO JUDICIÁRIO URUGUAIO DURANTE A DITADURA (1973-1986)
1.2.2 DITADURA E REPRESSÃO: AS MODALIDADES URUGUAYAS DO TDE
Em junho de 1973 teve início a ditadura uruguaia, peculiar por ter sido promovida por um presidente civil, democraticamente eleito menos de dois anos antes. O período ditatorial foi marcado pelo forte protagonismo das Forças Armadas e pela complexificação do sistema repressivo e das práticas de TDE, esboçados no período anterior e que se tornaram política de estado com a ditadura, sendo ampliadas e potencializadas a partir do golpe do Estado.
A historiografia uruguaia sobre a ditadura destaca uma periodização em três fases. A primeira, iniciada logo após o golpe, se estendeu até o afastamento de Bordaberry pelas Forças Armadas, em 1976. Foi nesse período que, além da violência brutal, teve início a repressão contra a comunidade uruguaia exilada na Argentina, e também o confronto de dois projetos autoritários, o do próprio presidente e dos militares. A segunda fase se iniciou com o crescimento do poder militar, após a derrubada de Bordaberry, e o seu controle sobre a ordem social e a política interna, impondo definitivamente a DSN e disseminando seus princípios por todo o tecido social mediante disposições e normatização da vida sindical, do sistema educativo e da vida cotidiana. Tratou-se de um projeto orgânico, transformado em projeto constitucional, que foi levado à plebiscito e rejeitado pela população em 1980. A terceira fase iniciou-se após esta derrota no
172 CAETANO, Gerardo; RILLA, José. Breve historia de la dictadura. Montevideo: Ediciones de la
Banda Oriental, 1987. p. 23.
173 Entre os diversos presos estava Líber Seregni, que foi submetido à justiça militar e permaneceu preso
Plebiscito, dando a partida para a transição política e a redemocratização, concretizada em 1985.
A primeira fase foi caracterizada por uma forte repressão contra lideranças políticas e sindicais, já que o plano repressivo focou na prisão como método principal, o que levou ao aumento vertiginoso do número de presos políticos, criando a condição inédita de “refém” – que consistia basicamente no sequestro de lideranças (especialmente tupamaras), mantidos presos de maneira ilegal e utilizado como coerção na atuação do que havia restado da guerrilha. A censura, como era de se esperar, foi implementada em todos os meios de comunicação, nos meios culturais, e na educação, exemplificada na forte intervenção na educação especialmente na Universidad de la República174.
Durante este período, o funcionalismo público foi alvo de contínuo escrutínio. Todos os funcionários deveriam apresentar uma certidão de “fé democrática”, que devia ser solicitada junto à autoridade policial do bairro de moradia do cidadão. A não apresentação do documento podia implicar na perda de direitos e na destituição imediata do emprego. Essa prática aumentava a sensação de medo e o clima de insegurança, passando a criar categorias entre os indivíduos. Assim, os cidadãos classificados com a letra A eram considerados idôneos e nada constava contra eles ate prova em contrário. Aquelas pessoas portadoras da letra B eram motivo de suspeita e monitoramento; algo no seu passado ou alguma relação pessoal as tornava alvos em potencial. Quanto aos cidadãos catalogados com a letra C, estes eram considerados diretamente inimigos, podiam ser presos a qualquer momento e ter recusa de atendimento em qualquer órgão público e perda de trabalho se fosse funcionário estatal175.
Em fevereiro de 1974, foi aprovada a Ley Orgánica Militar, que definiu o regime e seu campo de atuação, sedimentando a aplicação da Doutrina de Segurança Nacional no país. O Estado foi militarizado, e as Forças Armadas passaram a ter ingerência e controle de todos os setores da administração estatal através da rede de oficiais de ligação, que passaram a exercer cargos anteriormente ocupados por civis, devidamente removidos logo após o golpe.
Em termos econômicos, foi implementado um plano baseado nas orientações do FMI, o que intensificou a subordinação do país à economia mundial. O setor agropecuário foi beneficiado e a ênfase no mercado e nos agentes privados foi à tônica do período. De maneira esperada, os salários foram congelados, as relações trabalhistas precarizadas e o
174 PADRÓS, op. cit., p. 382. 175 Ibid., p. 382.
custo das mudanças econômicas afetou diretamente uma população que já sentia os efeitos da crise desde o final da década de 50.
A ação repressiva das Forças Armadas focou em um grupo vasto e homogêneo da sociedade, nele foram englobados tanto os integrantes de organizações armadas como cidadãos pertencentes a partidos e sindicatos. A perseguição ao inimigo interno, típica da Doutrina de Segurança Nacional, foi aplicada no pequeno país platino, que teve como método repressivo principal o encarceramento massivo (o que não esconde que também ocorreram execuções sumárias, aplicação massiva de tortura e desaparecimento de opositores).
O Informe Uruguay Nunca Más define o encarceramento como la forma uruguaya de represión. As razões para tal escolha decorreram da idiossincrasia da comunidade uruguaia, que, como vimos, desenvolveu uma sociedade com um modelo social de convivência, baseado em um sistema liberal democrático, respaldada em um império da lei e do direito, que penetrava as instituições. Segundo aponta o relatório:
Ante este cumulo de factores, las FFAA tuvieron que seleccionar una modalidad represiva para destruir a sus enemigos que estuviera en consonancia con la idiosincrasia nacional. Esa estrategia represiva a la uruguaya comprendió un vasto operativo de encierro a miles de personas para que, a la vez, se realizó con un escrupuloso cumplimiento de las formalidades legales, aunque, como se verá, en los hechos fuera la cobertura de procedimientos reñidos con las más elementales normas de justicia176.
Outros fatores também foram importantes para o predomínio deste tipo de metodologia repressiva. De acordo com Padrós, a elasticidade da definição do “inimigo interno” implicaria em um número de fuzilamentos ou desaparecimentos impossíveis de ser assimilada nessa sociedade, pela tradição democrática e pelo tamanho da população, concentrada em 50% em uma só cidade177. O método, ademais, contribuía para a disseminação do medo e o impacto psicológico gerado no tecido social.
Segundo dados do SERPAJ, a maioria das detenções ocorria nos domicílios das pessoas, sendo que em 40% dos casos, havia algum familiar presente. Quando não havia ninguém, a família e os amigos tomavam conhecimento pela imprensa ou por vizinhos. Entre 1972 e 1977, a maioria dos detidos recebeu a primeira visita meses após a confirmação e o reconhecimento da sua prisão pelo Executivo. Quando o detido era
176 SERPAJ. Uruguay Nunca Más. Informe sobre la violación a los derechos humanos (1972-1985).
Montevideo: Servicio Paz y Justicia Uruguay, 1989. p. 114.
colocado à disposição da Justiça Militar, deixava para trás uma experiência de sequestro que podia ter durado meses, geralmente envolvendo tortura e deterioração física e psicológica178.
As Forças Armadas optaram pela prisão prolongada, que dava uma aparência de legalidade à repressão, e que possuía diversos objetivos:
Como toda ação desencadeada a partir da lógica do TDE, o primeiro objetivo era ameaçar tanto os diretamente atingidos por aquele mecanismo específico (os presos políticos) quanto às pessoas situadas fora dele. Não era pretensão da política carcerária restituir os presos à sociedade em melhores condições. Pelo contrário, o intuito era destruí-los mediante sua decomposição moral, a perda de sua identidade psíquica e a eliminação das suas reservas éticas e políticas.
Outro objetivo consistia em anular completamente a capacidade mobilizadora do prisioneiro mediante rigoroso confinamento, segregando-o do resto da sociedade. Este isolamento imposto gerou atitudes e sentimentos entre a população carcerária que não eram diferentes dos padrões individuais e coletivos constatados no conjunto da sociedade: o silencio, a submissão a cumplicidade e a resignação. Em terceiro lugar, a aplicação de todo o rigor da Justiça Militar fez com que os processados sofressem com uma expectativa de futuro de inabilitação e, portanto, profundas restrições das atividades sócio- políticas. Em quarto lugar, a ferocidade e eficiência do sistema correcional estruturado pelas Forças Armadas amedrontava a sociedade e reduzira ao silêncio toda reivindicação de mudança.179.
O encarceramento produzia a deterioração mental e psicológica dos presos, causada não só pela tortura e violência física, mas pela improdutividade e proibição de atividades manuais ou intelectuais. A despersonalização, simbolizada nos uniformes e na atribuição de números às pessoas, bem como a proibição do uso de barba e a necessidade de raspar os cabelos, contribuíram para o agravamento das condições de vida dessas pessoas – que era precisamente o objetivo da ditadura.
De acordo com o Informe Nunca Más, a maioria dos encarceramentos ocorreu entre 1972, quando foi declarado o estado de guerra interna, e 1980, quando o plebiscito rejeitou a continuidade militar. Uma primeira grande onda ocorreu entre 1972 e 1974 e foi centrada na militância do MLN; a segunda ocorreu entre 1975 e 1977, focada em membros do Partido Comunista Uruguaio e pequenas organizações, em especial o Partido por la Victoria del Pueblo (PVP) e Grupos de Acción Unificada (GAU)180.
Outra modalidade uruguaia de repressão foi a citada política dos reféns, um regime de detenção aplicado a determinados presos políticos, inédito nas ditaduras do
178 SERPAJ, op. cit., p. 129. 179 PADRÓS, op. cit., p. 548/549. 180 SERPAJ, op. cit., p. 116.
Cone Sul. A origem dessa política ocorreu em setembro de 1973, quando as Forças Armadas sequestraram 9 lideranças masculinas do MLN que estavam no Penal de Libertad, e 8 destacadas militantes feministas da mesma organização, detidas no Presídio Punta de Rieles181. A partir desse momento, a ditadura os identificou com os reféns do regime, e afirmou que seriam imediatamente executados caso as organizações remanescentes realizassem alguma ação contra representantes do Estado de exceção.
A tortura começou a ser aplicada no Uruguai em presos comuns e nada década de 60, foi expandida aos presos políticos. A tortura também foi largamente utilizada como método do TDE, tendo se institucionalizado ainda em 1972, a partir da declaração do Estado de Guerra Interna. Durante a ditadura, diversas modalidades perversas foram aplicadas aos presos políticos, como a picana elétrica, o submarino, violências sexuais, dentre outras, descritas no relatório Uruguay Nunca Más. O desaparecimento forçado também foi método de eliminação; no Informe, o SERPAJ, registrou a ocorrência de 160 desaparecimentos182.
Apesar da violenta repressão, uma parcela da população e parte da oposição tinha esperança de que a normalização institucional fosse alcançada com as eleições de 1976. Contudo, o próprio presidente acabou com qualquer esperança nesse sentido, quando afirmou que o tempo dos partidos políticos tinha dado espaço ao tempo da Nação. De certa forma, repetia-se o que sucedera no Brasil com a suspensão da eleição de 1966, as Forças Armadas uruguaias, por sua vez, não se posicionaram quanto à continuidade do regime imposto até então. Em meio a tudo isso, o TDE ampliava sua atuação, como nos casos dos assassinatos do ex-senador Zelmar Michelini e do ex-presidente da Câmara dos Deputados Hector Gutierrez Ruiz, ocorridos na Argentina em 1976, onde também ocorria vasta perseguição aos exilados, especialmente de pessoas vinculadas ao Partido por la Victoria del Pueblo (PVP)183. Tudo isso ocorria sob a sombra da conexão repressiva regional e do marco da Operação Condor.
As divergências entre Bordaberry e as Forças Armadas começaram a aumentar, principalmente no que diz respeito à discussão em torno do papel dos militares no cenário
181 Eram eles: Raúl Sendic, Eleutério Fernandez Huidobro, Jorge Manera, Julio Marenales, Jose Mujica,
Jorge Zabalza, Adolfo Wasem, Henry Engler e Mauricio Rosencof. As mulheres: Alba Antunez, Estela Sánchez, Cristina Cabrera, Flavia Schilling, Graciela Dry, Jessie Macchi, Raquel Cabrera e Maria Elena Curbelo (um ano depois Elisa Michelini também foi sequestrada). O filme La Noche de doce años, de 2018, retrata a experiência de Huidobro, Mujica e Rosencof ao longo dos doze anos em que estiveram sequestrados.
182 SERPAJ, op. cit., p. 285. 183 PADRÓS, op. cit., p. 388.
político. O presidente entendia que a participação militar deveria ser limitada, devendo restringir-se à defesa da Segurança Nacional e do governo civil; contudo, as Forças Armadas entendiam que para garantir a segurança, deviam atuar como protagonistas no governo. O posicionamento de Bordaberry não dialogava com a realidade, uma vez que os militares já ocupavam os cargos administrativos, como visto antes, além do fato de que a DSN impregnava os quartéis e, sobretudo os corações e mentes da maioria dos altos escalões militares, os quais se viam como essenciais no combate ao inimigo interno, que ameaçava o país e seus valores vitais. Portanto, tornava-se evidente que a intervenção militar não pretendia ficar restrita a uma ação de limpeza política e devolução do exercício do governo (descontaminando os setores político-partidário confiáveis). A novidade era a intenção da aplicação de uma das diretrizes essenciais da DSN: as Forças Armadas deviam realizar profunda reestruturação do sistema estatal e política do país; somente elas estavam aptas para tal tarefa, pois mesmo os setores aliados dos políticos tradicionais eram questionadas por não terem contido a tempo o avanço dos setores de esquerda na dinâmica política e social do país.
O contexto dessa mudança deve ser levado em conta: o golpe de estado na Argentina, em março, fortaleceu ainda mais o autoritarismo na região, e no final do ano, em novembro, deveriam ocorrer as eleições nacionais no Uruguai. A relação entre os militares e o Executivo já vinham estremecidas, pois desde o fim de 1975, um projeto de Constituição estava sendo gestado pelo presidente e seus assessores, que previa a eliminação dos partidos políticos tradicionais e o lugar que ocupariam as Forças Armadas no novo regime, pontos que eram inaceitáveis para os militares. O rompimento definitivo ocorreu em 12 de junho de 1976, quando Bordaberry foi destituído e substituído por Alberto Demichelli, presidente do Conselho de Estado, que no mesmo dia, promulgou os Atos Institucionais n. 1 e n. 2, estabelecendo um novo marco legal da ditadura uruguaia184.
Com relação aos atos institucionais, é importante refletir sobre a importância destes mecanismos. Como bem aponta Martín Barboza, a criação dessa ferramenta legal buscou dotar de uma hierarquia particular as decisões feitas pelas Forças Armadas após a destituição de Bordaberry185. Homônimos à modalidade brasileira de legislar via
184 BARBOZA, Martin Peralta. Actos Institucionales de la dictadura uruguaya. Análisis de la
producción legal del período (1973-1984). Monografía de grado de la licenciatura en ciencia política. Facultad de Ciencias Sociales. Universidad de la Republica Uruguay. Montevideo, 2013, p. 28.
Executivo, os actos institucionais uruguaios foram a expressão jurídica do projeto militar, definidos como instrumentos de modificação progressiva da Constituição de 1967.
Segundo Emilio García Méndez, que analisou os casos de Argentina, Chile e Uruguai, foram duas as maneiras utilizadas pelas ditaduras para legitimar a resolução violenta dos conflitos sociais via normas legais: através da aplicação arbitrária do direito liberal e mediante formulações jurídicas que incorporavam práticas autoritárias, buscando legitima-las. De acordo com a análise dos casos do Cone Sul, os ordenamentos jurídicos seriam acomodados de acordo com a etapa em que se encontrasse o regime: em um primeiro momento, no qual ainda existiam governos formalmente democráticos, as leis repressivas eram promulgadas via Parlamento ou, eventualmente, via Executivo (como no caso das Medidas de Pronta Seguridad de Pacheco Areco); em um segundo momento, mediante o uso de Estatutos, Atas ou Decretos baixados pelas Juntas Militares ou pelo próprio Executivo, que mantinha formalmente vigente a Constituição, mas deixava claro a necessidade de burlar os dispositivos que impediam os planos dos novos regimes e, por fim, uma terceira etapa caracterizada pela promulgação de novas Constituições que representavam a negação formal do estado de direito liberal186.
A promulgação do Acto Institucional n. 1, em 12 de junho de 1976, evidenciou a visão das Forças Armadas sobre o processo eleitoral e os partidos políticos ao suspender as eleições gerais em virtude da “incompatibilidade da paz social e o livre jogo dos partidos políticos nas atuais circunstâncias”187. O Acto Institucional n. 2, promulgado no mesmo dia, criou o Consejo de la Nación, integrado pelo Conselho de Estado e pela Junta de oficiais generais das três armas, ao qual cabia indicar o Presidente da República, os membros da Suprema Corte, do Tribunal Contencioso Administrativo e da Corte Eleitoral. Além de estabelecer o Consejo, o Ato n. 2 retomou a narrativa do combate à subversão (apesar da derrota dos Tupamaros em 1972) e deixou claro o objetivo do Poder Executivo e das Forças Armadas de restabelecer a ordem social, econômica e moral da nação desde uma perspectiva de institucionalização da ditadura (autodenominada processo revolucionário):
186 No caso uruguaio, essa terceira etapa não ocorreu devido à derrota do Plebiscito de 1980. As ditaduras
de Brasil e Chile conseguiram concluir a terceira etapa, aprovando suas Constituições autoritárias em 1967 e 1980, respectivamente. Na Argentina, a questão constitucional sequer chegou a ser cogitada pelas Juntas que governaram o país entre 1976 e 1983. GARCÍA MÉNDEZ, Emilio. Autoritarismo y control social. Argentina, Chile, Uruguay. Buenos Aires: Hammurabi, 1987, p. 26.
187 Os textos completos dos Atos Institucionais podem ser encontrados no site do Centro de Información Oficial. URUGUAI. Ato Institucional n. 1, de 12 de junho de 1976. Disponível em:
Considerando: 1) Que para la adaptación institucional requerida por la situación de emergencia que vivió el país, el Poder Ejecutivo, como órgano vertebral de la organización política responsable de la existencia y ejercicio del poder público, hizo uso de potestades constituyentes, disolviendo ambas Cámaras y creando el Consejo de Estado con competencia legislativa, control de la legalidad de la administración, del respecto de los derechos individuales y la tarea de formular un proyecto de Carta Política (Decreto del 27 de junio de 1973).
Considerando: 2) Que este nuevo orden, admitido pacíficamente en el plano nacional e internacional, debe ser institucionalizado para el mejor cumplimiento de las pautas establecidas en las reuniones de San Miguel y Nirvana.
Considerando: 3) Que esta institucionalización, tanto por la especial situación que vive el país como por el clima político internacional, perturbados por la obra sistemática y desembozada de una permanente agresión marxista, no puede llevarse a la práctica por los mecanismos constitucionales previstos para una vida normal, en la que es legítimo, sin riesgo para la paz social, el juego regular de los Partidos Políticos.
Considerando: 4) Que el panorama social, económico y político contemporáneo nos pone en presencia de un período crítico de transición en el que solamente pueden subsistir, de manear regular, las asociaciones políticas adecuadamente constituidas.
Considerando: 5) Que en esa situación los gobernantes tienen la obligación de tomar las medidas necesarias para afrontar todas las contingencias, asegurando la posibilidad de sobrellevar las crisis circunstanciales y sobrevivir con las energías requeridas para restaurar el orden social e institucional, en su plenitud, cuando el mundo, y el país en él, lleguen a la ansiada estabilidad que nos espera en el próximo ciclo histórico.
Considerando: 6) Que con las soluciones transitorias debe irse preparando el conjunto de fórmulas requeridas para la próxima normalidad, trabajo que requiere el tiempo razonable de asentamiento de todos los factores que son el presupuesto de un orden institucional regular.
Considerando: 7) Que las medidas conducentes a la consecución de tales fines importa un sacrificio de nuestra generación, que los gobernantes no vacilamos realizar, en beneficio de los que vendrán, y una responsabilidad que afrontamos, también sin vacilar, en todos los términos.
El Poder Ejecutivo, en uso de las facultades que le confiere la institucionalización del proceso revolucionario188
Demicheli, contudo, não durou muito no poder, já que entrou em colisão com os militares, que exigiram a proscrição de todos os políticos que haviam atuado nos últimos anos. Em consequência, foi substituído apenas três meses depois de sua chegada à presidência por outro membro do Conselho de Estado, o jurista Aparício Mendez, colocado pelas Forças Armadas189.
188 URUGUAI. Ato Institucional n. 2, de 12 de junho de 1976. Disponível em:
<https://www.impo.com.uy/bases/decreto-constitucional/2-1976/1>. Acesso em: 26 ago. 2019.
O Ato Institucional n. 4 concretizou o desejo militar e excluiu da vida política, por um prazo de 15 anos, mais de 15 mil cidadãos, como se infere do artigo 3º:
Prohíbese, por el término de quince años, el ejercicio de todas las actividades de carácter político que autoriza la Constitución de la República, con exclusión del voto, a:
a) La totalidad de candidatos a la Presidencia y Vicepresidencia de la República que integraron las listas para las elecciones de 1966 y 1971.