racteriza a liberalidade existente na época, onde muitos se
nhores e coronéis poderiam ter várias concubinas além de suas esposas e em muitos casos os filhos ilegítimos eram considerados socialmente e reconhecidos.
A chegada do africano, com uma cultura de estrutura social tribal, trouxe crenças que envolviam divindades, numa ordem animatista e fetichista, que compatibilizou-se com a crença indígena, onde tudo na natureza traz o anima, a alma das coisas, presente nas águas, nos mares e nos animais.
Por outro lado, o encontro deste contexto primitivo religioso africano e indígena com a doutrina católica portu
guesa jesuítica foi fortemente conflitante. No processo de adaptação o mais primitivo tende a assimilar gradualmente o mais evoluido num processo de aculturação forçada através da escravidão ao branco. Em determinado período tudo que vinha do negro e do índio era inferior e despresado.
Esse aculturamento forçado fez com que o africano no Brasil mascarasse sua crença tentando um sincretismo religi
oso. Neste sincretismo associou suas divindades com os san
tos da Igreja Católica, tentando, assim, compatibilizar suas crenças com a imposta pelos padres católicos, surgindo dessa maneira a umbanda, quimbanda e o candomblé.
Todo brasileiro, mesmo aqueles descendentes diretos
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de europeus radicados no Brasil, traz culturalmente esse processo sincrético que está na música brasileira, m a sua cadência, no seu ritmo, nos seus sons, etc. Inclusive o ani
ma no brasileiro se manifesta quando houve os sons das músi
cas de raízes africanas sente impulsos de movimentação de pernas e pés ou, pelo menos, instintivamente pôe-se a dedi
lhar com as mãos, tentando acompanhar o seu ritmo.
; Uma cultura em formação, tendo a língua portuguesa com base e a presença religiosa católica, configuraram ini
cialmente o tradicionalismo português tentando adaptar-se ao novo habitat.
Porém muitos dos usos, costumes, hábitos, etc, modi
ficam-se na Nova Terra. As características do novo habitat, a presença de outras culturas, basicamente a indígena, a &a- fricana, a francesa no Nordeste devido a invasão e outras culturas que influiram mais tarde, determinaram diferenças regionais no comportamento do brasileiro, criando particula
ridades nos elementos da cultura popular.
A educação no Brasil iniciada pelos jesuitas trouxe
ram todo o ranso e o tradicionalismo da escola portuguesa, transmitindo valores culturais religiosos tomistas, pouco a
dequados ás necessidades da Colónia, desenvolvendo um conhe
cimento com deficiente aplicação prática, mística uma vez que impôs uma verdade religiosa sem reflexão.
Antes da visão pragmática que mais tarde chega à es
cola brasileira o conhecimento transmitido e assimilado ser
via de puro diletantismo de uma elite privilegiada, tratado o conhecimento, por muitos, artificialmente, revelando um indivíduo como se fora um verniz muito frágil que com um pe
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queno arranhão mostrava a madeira podre, isto é, a fragili
dade da estrutura de seu conhecimento vivenciado.
Esse comportamento, próprio da cultura portuguesa no Brasil, popularizou-se com a expressão "por fora bela viola e por dentro bolo bolorento", identificando a realeza dq.
Corte Portuguesa que apresentava e alimentava.uma realeza de fachada no meio a uma pobreza cultural da Colonia®
Mesmo dentro dessa hipossuficiência cultural o povo se comunica com a Elite através de suas manifestações cultu
rais, danças, festas populares, tomando conotações diferen
tes conforme a região, com coloridos os mais variados, devi
do as influências européias, indígenas, africanas e orien
tais, tentando um sincretismo dessas culturas®
No interior do país as festas das igrejas contribui- ram fortemente para as manifestações culturais rurais do po
vo brasileiro, desde as quermesses até as festas dedicadas aos santos da Igreja® Como exemplo a Bahia lidera com mani
festações festivas ligadas aos santos o ano todo, num pro
cesso sincrético religioso com o africanismo®
As romarias tem seu espaço que somadas a uma força de fé popular tem sido manifestações contínuas do povo brasi
leiro, desde as promessas a serem pagas até os jejuns pro
longados® Muitas dessas manifestações, inicialmente religio
sas, se transformaram no tempo em folguedos, caracterizando a necessidade do povo da alegria e da descontração.
No ambiente rural do sertão se caracterizou o mutirão, com o trabalho coletivo para o plantio e para a colheita, culminando com a festa da colheita, no caso, por exemplo do milho,com a feitura da pamonha, do curai, etc, animadas com
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a moda de viola no final da tarde, música sertaneja por ve
zes triste porém extremamente emotivas.
Por outro lado, a vida urbana com seus coretos, suas praças com festas, com um nível transacional social muito peculiar de cada localidade permitiu a vitalidade das mani
festações culturais populares, com as bandas da própria co
munidade, crianças correndo, suas brincadeiras, desde a"ama
relinha " até as cantigas de roda e o jogo de bola. Aos comí
cios em praça pública aliaram^se sempre manifestações cultu
rais, permitindo uma politização do povo que tinha interesse em ouvir os candidatos entusiasmados muitas vezes em seus discursos demagógicos.
 cultura chega também pelos jornais das cidades, o fermentador da política local e a crítica à comunidade;os a
grados a Elite pelas notícias das colunas sociais; a revela
ção dos acontecimentos dramáticos da cidade extremamente constrangedores. Por outro lado, com o advento do rádio pro
pagaram-se mais intensamente as novidades,.a música, os ído
los populares, como»também o cinema que reunia aos domingos, desde a matinê até a sessão da noite os interessados pelo novo difusor de cultura.
No processo cultural brasileiro um marco significati
vo é-o movimento da semana de arte moderna em São Paulo em 1922. Propunha uma nova mentalidade, promovendo a criação artística nacional, destacava a sua singularidade e origina
lidade como sua qualidade concorrendo com as produções es
trangeiras.
0 pensamento nacionalista tornou-se significativo uma