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acreditadas”. Nesta perspectiva, no momento da produção jornalística, os media colocam-se numa posição de subordinação estruturada aos primary definers (HALL, 1993 apud COLLING, 2002, p. 97).

Gurevitch e Blumer (apud McLeod, 1996 apud Colling, 2002) afirmam que os enquadramentos da mídia se concentram em correntes políticas majoritárias, deixando o público "carente de alternativas políticas e incapaz de oferecer, inclusive, seu próprio ponto de vista a respeito, uma vez que um diálogo só é eficaz quando a mídia comparar diversos pontos de vista de forma sistemática e alternar seus enquadramentos" (p. 98).

enquadramentos de mídia são atributos da mídia, enquanto enquadramentos individuais são esquematas individuais usado para processar essas informações.

Enquadramentos de mídia são definidos na produção da notícia por aqueles que a constroem; enquadramentos individuais são usados pela audiência para processar os conteúdos.

Scheufele (1999) propõe um modelo de efeitos de enquadramentos dividido em entradas, processos e saídas - as saídas de determinados processos servem de entradas para outros processos. Ele conceitualiza quatro processos:

construção de enquadramentos (frame building), fixação de enquadramentos (frame setting), efeitos em nível individual (individual-level effects of framing) e uma conexão entre enquadramentos individuais e enquadramentos de mídia (link between individual frames and media frames).

Construção de enquadramentos diz respeito à como os enquadramentos são criados por jornalistas e quais características individuais, profissionais e sociais impactam estes. Ele identifica no mínimo três fontes de influência: atitudes e características individuais do profissional; tipo e orientação política do veículo de comunicação; e atores políticos externos (SCHEUFELE, 1999).

A fixação dos enquadramentos depende da acessibilidade (conceito discutido acima) e da importância percebida pela audiência no processo (consciente) de juntar e processar informações (SCHEUFELE, 1999). Efeitos em nível individual dizem respeito a penetração e sucesso dos enquadramentos de mídia nos enquadramentos individuais.

A conexão entre os enquadramentos individuais e enquadramentos de mídia pode ser percebida se examinada o impacto de enquadramentos de mídia em jornalistas e elites políticas, que os produzem, e, ao mesmo tempo, estão suscetíveis a eles. O autor argumenta que o processo de enquadramento não é hierárquico, e sim recíproco (SCHEUFELE, 1999).

Maia et al (2008) defendem que o campo político é competitivo - e que essa competição também acontece para definir quem ganha acesso ao espaço público de discussão mediado por meios de comunicação. Segundo os autores, jornalistas advogam por certas posições de atores sociais e/ou desqualificam outras antes

mesmo de apresentá-las no texto. Portanto, perguntam "se os profissionais dos media constroem ambientes informativos em que há controvérsia interpretativa e se a coletividade de atores que se expressa nos media oferece diferentes pontos de vista e opiniões ou se, ao invés disso, um campo do debate torna-se tão dominante a ponto de marginalizar ou excluir outras visões" (MAIA et al, 2008, p.

2).

É preciso examinar a disputa entre discursos de fontes opostas no mesmo enquadramento, argumentam eles. Enquadramentos com perspectivas diferentes e/ou conflitantes se "tornam publicamente disponíveis" em "situações de debate pluralista". Para Maia et al (2008), o debate é definido pela disputa entre pacotes interpretativos que "possuem uma idéia central que delimita o campo interpretativos que busca dar sentido a uma questão, definindo posições e buscando destacar elementos relevantes em disputa" (p. 6). A disputa está baseada também nas reputações e oportunidade/recursos dos atores sociais.

Porém, segundo eles, os pacotes interpretativos não costumam ser apresentados de forma neutra, e sim hierarquizados por meio da seleção de fontes, controle de

"proeminência de certas reivindicações" e disponibilidade de "aspectos conceituais ou factuais que sustentam certas interpretações em detrimento de outras" (MAIA et al, 2008, p. 6).

Portanto, a partir do momento em que certo assunto político está em disputa, os enquadramentos sobre este assunto também estarão em disputa.

Chong e Druckman (2007 apud MAIA et al, 2008) desenvolveram uma "tipologia de condições de concorrência de enquadramentos": (1) situação assimétrica:

audiências é exposta apenas a enquadramentos a favor ou contra determinado assunto; (2) situação dual simétrica: audiência tem acesso a enquadramentos a favor e contra certo assunto em quantidade e frequência iguais; (3) situação dual assimétrica: audiência recebe enquadramentos a favor e contra certo assunto em quantidade e frequência variáveis.

O argumento central dos autores é de que a competição e relação de argumentos contrários dentro dos enquadramentos pode gerar novos "temas,

novas informações e perspectivas" a serem "incluídos no debate (MAIA et al, 2008). Em resumo:

Quando há competição de enquadramentos plurais e controversos (...) os argumentos se entrecruzam de modo conflituoso no ambiente mediático.

O vai-e-vem de razões em público obriga aos parceiros da interlocução, muitas vezes, a rever suas premissas, a trazer novas informações relevantes ao debate, a considerar objeções de outros e a tornar mais complexos os próprios argumentos - na tentativa de construir “os melhores argumentos” ou ter sucesso no debate. Isso contribui para modificar o contexto de entendimento dos problemas, as atribuições de responsabilidade e as proposições de solução (MAIA et al, 2008, p. 28).

Concordamos com essa perspectiva, porém acreditamos que o modelo de ativação em cascata de Entman, apresentado mais à frente, é mais refinado.

Motta (2007) afirma que não são os jornalistas que constroem os enquadramentos. Diz que, diferentemente das concepções vistas até agora, eles se utilizam de frames narrativos pertencentes à cultura da sociedade - e que permitem a ele que enquadre a complexidade da realidade em uma narrativa fácil de ser compreendida pela audiência. O argumento central é de que existe reciprocidade - entre emissor e receptor - nos enquadramentos, surgidos de origens comuns.

Segundo o autor, os enquadramentos predominantes na mídia seriam enquadramentos dramáticos, enraizados "na sociedade e na cultura: ordenador, prático, fácil, compreensível" (p. 9). Esses enquadramentos permitem ao interlocutor revelar ou criar conflitos, tensões e clímaxes. Para Motta, são enquadramentos "culturais e por isso ensinam sem serem didáticos" (p. 9). Nessa perspectiva, tanto jornalistas quanto audiência organizam e interpretam, de forma inconsciente, a realidade forma narrativa, "buscando uma conclusão para cada estória", de forma a tornar esta realidade compreensível (MOTTA, 2007, p. 9).

Para tanto, jornalistas apresentam o sistema político como um campo em conflito, colocando atores políticos como opositores e reforçando os conflitos.

"Nesse sentido, as narrativas jornalistas não são apenas representações, mas

apresentações da realidade. Elas não representam apenas; elas apresentam o mundo, produzem sentido ao combinar associativamente as relações" (p. 10).

Assim, Motta destaca o uso de enquadramentos de metáfora de jogos, chamados de "dramáticos lúdicos" - enquadramentos de guerra, jogo de xadrez, jogos esportivos, corrida de cavalos, quebra-cabeças, ciclo do herói - para traduzir o campo político e capturar a atenção e seduzir o leitor.

Mauro Porto utiliza da distinção feita por Iyengar (1991 apud PORTO, 2004) entre enquadramentos episódicos - com foco em eventos - e temático - com interpretações analíticas que vão além de fatos. Para Iyengar, o "enquadramento episódico faz com que as pessoas atribuam a responsabilidade pelos problemas políticos e sociais a indivíduos, em lugar da consideração de forças ou fatores sociais mais amplos. Em conseqüência, a relação entre estes problemas e a ação, ou falta de ação, de líderes políticos fica obscurecida. O autor ressalta, todavia, que os efeitos de enquadramento tendem a depender do tema, em lugar de refletir um mesmo padrão universal" (PORTO, 2004, p. 86). A partir dessa definição, Porto propõe que a distinção entre "enquadramentos noticiosos", geralmente criados por jornalistas, e "enquadramentos interpretativos", em geral formulados por atores políticos.

Enquadramentos noticiosos são padrões de apresentação, seleção e ênfase utilizados por jornalistas para organizar seus relatos. No jargão dos jornalistas, este seria o “ângulo da notícia”, o ponto de vista adotado pelo texto noticioso que destaca certos elementos de uma realidade em detrimento de outros. (...) Uma característica importante dos enquadramentos noticiosos é o fato de que eles são resultado de escolhas feitas por jornalistas quanto ao formato das matérias, escolhas estas que têm como conseqüência a ênfase seletiva em determinados aspectos de uma realidade percebida. Já os enquadramentos interpretativos operam em um nível mais específico e possuem uma independência relativa em relação aos jornalistas que os relatam.

Enquadramentos interpretativos são padrões de interpretação que promovem uma avaliação particular de temas e/ou eventos políticos, incluindo definições de problemas, avaliações sobre causas e

responsabilidades, recomendações de tratamento etc. (PORTO, 2004, p.

91).