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2. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

2.3 Diversidade

Um dos valores que passa a ser reconhecido como essencial para a sustentabilidade da vida na Terra é o da conservação da diversidade biológica (biodiversidade). E para a sustentabilidade social, reconhece-se a importância da diversidade dos tipos de sociedades, de culturas (sociodiversidade) (BRASIL, 1997).

Os seres vivos evoluíram por milhões de anos, chegando o mundo à forma como está hoje, num equilíbrio químico e climático que permitiu o aparecimento das espécies atuais, entre elas a espécie humana. A diversidade biológica ou biodiversidade consiste no conjunto total de disponibilidade genética de diferentes espécies e variedades, de diferentes ecossistemas. Por lentos processos evolutivos, surgem novas variedades, novas espécies, constituem-se novos sistemas. E por mudanças nas condições ecológicas, outras variedades, espécies e ecossistemas desaparecem. Mas as atividades humanas estão agora acelerando muito as mudanças nas condições ecológicas, levando a rápidas mudanças climáticas e à extinção de espécies e variedades, o que tem uma gravidade considerável.

Pouco se sabe ainda do papel relativo de cada espécie e de cada ecossistema na manutenção desse equilíbrio em condições viáveis para a sobrevivência. Mas sabe-se que todas as espécies são componentes do sistema de sustentação da vida, que a conservação da biodiversidade é estratégica para a qualidade de vida. Cada vez mais descobrem-se substâncias de grande valor para a saúde, alimentação, obtenção de tinturas, fibras e outros usos, no grande laboratório representado pelas diferentes espécies de plantas e animais, muitas até pouco tempo desconhecidas ou desprezadas pela cultura oficial. A diversidade biológica deve ser conservada

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não só por sua importância conhecida e presumível para a humanidade, mas por uma questão de princípio: todas as espécies merecem respeito, pertencemos todos à mesma e única trama da vida neste planeta (BRASIL, 1997).

Quanto à diversidade das formas de sociedade e cultura, em poucas palavras, é importante reconhecer a imensa variedade de modos de vida, de relações sociais, de construções culturais que a humanidade chegou a desenvolver.

Historicamente, em 1987, a Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Comissão Brundtland) publicou o relatório intitulado “Nosso Futuro Comum”, que passou a constituir a referência central para o desenvolvimento futuro, propagando o conceito de desenvolvimento sustentável: “desenvolvimento que atende as necessidades e aspirações do presente, sem comprometer a capacidade de atendimento das futuras gerações” (CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1998).

A partir da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 1992 no Rio de Janeiro, os conceitos de desenvolvimento sustentável e sustentabilidade transformaram-se em um importante referencial para as estratégias de desenvolvimento social e ambiental para as organizações privadas (GOMES, 2005; DIAS, 2009).

Entretanto, não há um consenso sobre o significado preciso ou operacional desses conceitos. Souza (1998) relatou que a proposta de desenvolvimento sustentável, como uma forma alternativa de desenvolvimento, possui todos os ingredientes de uma proposta utópica, já que busca a conciliação de interesses contraditórios, sem que a ordem estabelecida em nível da economia mundial atual seja, sequer, mexida.

Contudo, alguns autores afirmam que o desenvolvimento sustentável pode ser visto como um novo paradigma cultural e científico, pois anseiam pela construção de novos valores, percepções, conceitos e pensamentos que determinarão como a sociedade irá enxergar a realidade vivida e como a

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ciência irá se organizar, diante desse novo campo de atuação disciplinar ou interdisciplinar (MOREIRA, 1994).

De forma mais operacional, o desenvolvimento sustentável pode ser conceituado como o processo de mudança social e de elevação das oportunidades da sociedade, compatibilizando, no tempo e no espaço, o crescimento e a eficiência econômica, a conservação ambiental, a qualidade de vida e a equidade social, partindo de um claro compromisso com o futuro e a solidariedade entre gerações (BUARQUE, 1996).

Em consonância com esse conceito, o Forum for the Future relatou que o desenvolvimento sustentável é um processo dinâmico que permite que todas as pessoas realizem seu potencial e melhorem sua qualidade de vida de maneira que, simultaneamente, protejam e melhorem os sistemas de suporte de vida da Terra (GOMES, 2005).

Assim sendo, o desenvolvimento compreende as seguintes condições:

• Social, no sentido de acesso a educação, moradia, serviços de saúde, alimentação, uso racional e sustentável dos recursos e respeito da cultura e tradições no seu entorno social;

• Econômico, em relação às oportunidades de emprego, satisfação das necessidades básicas e uma boa distribuição da riqueza; e,

• Político, a respeito da legitimidade não só em termos legais, mas também em termos de prover a maioria da população de benefícios sociais (REYES, 2004 apud Gomes, 2005).

Esses conceitos evidenciam a integração dos propósitos sociais, econômicos e ambientais, orientados para a qualidade de vida, estando em sintonia com a tese de Sem (2000), na qual o desenvolvimento pode ser visto como um processo de expansão das liberdades reais que as pessoas desfrutam.

Nesse sentido, o desenvolvimento requer que se removam as principais fontes de privação da liberdade: pobreza e tirania, carência de oportunidades econômicas e destituição social sistemática, negligência dos serviços públicos e intolerância ou interferência excessiva de Estados repressivos (SEN, 2000).

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A aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável evidencia a necessidade de avaliar os impactos da execução de projetos industriais e de seus papéis sociais como elementos importantes na implementação de políticas públicas de inclusão social e de proteção e uso racional dos recursos naturais. O elemento essencial dessa avaliação está na potencialização dos impactos positivos e na minimização dos negativos e seus controles no momento das decisões econômicas.

A agricultura e a utilização dos recursos florestais são temas centrais para o desenvolvimento sustentável, devido à grande quantidade de empregos gerados, ao valor econômico da produção e aos impactos extensos e diretos que ambas têm sobre os recursos renováveis e o meio ambiente (SCHMIDHEINY, 1992) e sobre as relações sociais.

Podemos tomar como exemplo, as plantações de eucalipto as quais têm sido vistas apenas como uma “unidade de produção de madeira”, sendo ignorado o contexto ambiental, social e cultural da região onde se instalam.

Segundo Guerra (1997), somente um modelo responsável e consequente de administração dos recursos florestais, dentro dos princípios do desenvolvimento sustentável, poderia trazer o progresso e a modernização para as regiões onde os empreendimentos estão instalados, além de garantir a sustentabilidade e a qualidade de vida razoável para os trabalhadores e suas famílias.

Assim, de acordo com Schettino et al (2000), o estabelecimento de modelos de desenvolvimento com base em planos de gestão sustentável é a melhor forma de aproveitamento das potencialidades oferecidas pelas florestas, o que pode contribuir para o desenvolvimento socioeconômico de regiões que tenham vocação florestal.

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