ATAS E RESOLUÇÕES DO CONDIR E CONSUN POR ANO
4 RESULTADOS: AS POLÍTICAS INSTITUCIOINAIS PARA A GESTÃO DA DIVERSIDADE DA UFU
4.1 Categorizas analisadas
4.1.4 Diversidade sexual
Consideramos nessa categoria as ações ou eventos que tratam a questão da homossexualidade com dignidade e respeito a fim de reconhecer as identidades sociais dos indivíduos e minimizar o constrangimento da comunidade LGBT.
Em reunião do CONSUN N ° 01/2015 antes de colocar em discussão a Proposta de Resolução que "Estabelece política de uso do nome social de transgêneros nos Registros Acadêmicos da UFU”, o presidente do CONSUN fez a leitura da nota sobre o assunto em questão, encaminhada pelo professor do Instituto de Psicologia e coordenador do Programa Em cima do Salto. O texto da referida nota menciona que foi realizada a mesa redonda “A questão da transexualidade na UFU”, em comemoração ao Dia da Visibilidade Trans, com exibição de vídeos constando depoimentos de discentes trans da UFU. Consta na nota que após debate com os participantes foi possível observar o sofrimento decorrente do uso do nome civil em discentes e alunas transexuais, e, consequentemente, a necessidade e importância do uso do nome social na Universidade (ATA REUNIÃO CONSUN N° 01/2015).
Conselheiro substituto da diretora do Instituto de Psicologia em reunião do CONSUN informou que não constava o nome social de alguns discentes na lista dos discentes de uma urna para consulta eleitoral para reitores. Uma aluna não votou por não ter o nome social na lista e mostrou sua indignação. De acordo com a carta este fato provocou constrangimentos entre os presentes e também foi considerado uma afronta à dignidade das pessoas que ficaram impedidas do pleno exercício do voto (ATA REUNIÃO CONSUN N° 08/2016). A Resolução do CONSUN N° 01/2015 assegura às pessoas travestis, transexuais e transgêneros o direito do uso do nome social no âmbito da UFU. Neste caso específico cabe destacar que não foi respeitado o Art. 5° “A utilização do nome social fica assegurada aos estudantes da UFU nos seguintes documentos de âmbito interno”: VI “listas nominais de votantes por ocasião de qualquer tipo de pleito realizado na Instituição”.
O Conselheiro, Pró-reitor de Assistência Estudantil, apoiou o conteúdo de carta acerca das dificuldades vividas pela população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT). Falou da importância de que a Universidade dê o exemplo e consiga responder, adequadamente, a este tipo de demanda, sobretudo no sentido de preservar direitos e garantir a dignidade. Informou que, com esse objetivo, a “Administração Superior emitirá uma Portaria de criação de uma Comissão para elaborar um projeto de política de promoção de igualdade e de combate às discriminações no campo LGBT” (ATA REUNIÃO CONSUN N° 08/2016).
Embora o Art. 5° e inciso VI sejam claros quanto ao uso do nome social, observamos que ainda ocorrem falhas nesse sentido que poderiam ser evitadas, desde que os responsáveis em aplicar a Resolução estejam atentos para que essas pessoas sejam identificadas e reconhecidas socialmente como realmente são. Conforme Art. 15 da Resolução N° 01/2015, “No âmbito da Universidade, toda norma, regulamento ou procedimento deverá respeitar o direito humano à identidade de gênero das pessoas” [...].
Nos documentos analisados, como Atas, Resoluções e PIDE, notamos que, na última década, questões sobre diversidade sexual, homossexualidade, relações homoafetivas na Instituição é assunto que praticamente não foi discutido e debatido em reuniões do CONDIR e do CONSUN. Contudo, em consulta ao site da Diretoria de Comunicação da Instituição, constatamos alguns eventos voltados para essa temática, como: a) I Mostra Cultural da Diversidade Sexual da UFU, sendo uma das atividades o concurso fotográfico “Múltiplos Olhares sobre a Diversidade”; b) II Mostra Cultural da Diversidade Sexual, com apresentações de peças teatrais e performances, além da exibição de filmes que abordam diversos aspectos acerca dessa temática. O objetivo da II Mostra foi sensibilizar a comunidade acadêmica para as questões LGBT e divulgar a produção cultural da área. As Mostras I e II foram realizadas, respectivamente, em maio e outubro de 2016, pelo Instituto de Psicologia, em parceria com o IARTE, DICULT e o Programa Em Cima do Salto.
A Resolução CONSUN N° 01/2015 foi o único documento oficial da Instituição, dentre os analisados neste estudo, a tratar a questão LGBT. Verificamos que, embora essa
Resolução tenha sido criada, considerando a Constituição Federal de 1988 (em que todos são iguais perante a lei sem qualquer discriminação), a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), a Declaração da Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, o Programa Nacional de Direitos Humanos, o Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra Lésbicas, Gays, Transgêneros, Transexuais e Bissexuais e de Promoção da Cidadania Homossexual ("Brasil Sem Homofobia"), o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Transexuais (PNLGBT), a Conferência Nacional de Educação (CONA), a Portaria n° 233, de 18/05/2010, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), a Portaria n° 1.612 de 1811/2011, do Ministério da Educação e o Estatuto da UFU, ainda assim percebemos que a referida Resolução, além de contemplar somente o aspecto do uso social do nome dos travestis, transexuais e transgêneros, restringe sua utilização apenas no âmbito da Instituição. Levando em consideração a quantidade de legislação consultada para formular a referida Resolução, a UFU, em reunião do CONSUN, poderia ter discutido e debatido amplamente a diversidade sexual e elaborado uma Resolução mais abrangente em que fossem abordados todos os aspectos que envolvem a vida da comunidade LGBT, objetivando, assim, garantir a dignidade a essas pessoas, evitar os constrangimentos sofridos por elas, tanto no ambiente acadêmico, quanto na sociedade, possibilitando maior visibilidade, respeito e igualdade de oportunidades não somente na educação e no trabalho, mas em todos os aspectos necessários para o exercício pleno de sua cidadania.
Assim sendo, mesmo que tenha sido mencionado em reunião do CONSUN N° 08/2016 que a Administração Superior emitirá Portaria para criar uma Comissão, com vistas a elaborar um projeto de política de promoção de igualdade e de combate às discriminações no campo LGBT, observamos que há certa omissão por parte da Instituição em relação a essa temática.
Apesar da quantidade de legislações governamentais, conforme supracitado, envolvendo essa temática, consideramos que o maior desafio, talvez, não esteja em elaborar e implementar políticas públicas, mas, sim, em garantir sua efetividade, ou seja, assegurar que essas políticas não sejam somente formalizadas e tornem parte dos discursos ideológicos das Instituições, mas que haja coerência entre o discurso e a prática. Conforme constataram Saraiva e Irigaray (2009) nos resultados de sua pesquisa com homossexuais e lésbicas, os discursos empresariais não são tão efetivos, pois há discrepância entre o discurso e as práticas de diversidade.