Evolução dos investimentos na produção audiovisual 1995/
3.4 – DIVISÃO ADMINISTRATIVA DA ANCINE – REGIMENTO INTERNO
O Regimento Interno da Ancine122 foi publicado no dia 30 de dezembro
de 2002, penúltimo dia da administração de Fernando Henrique Cardoso, constando a divisão administrativa e as funções de cada órgão dentro da estrutura da agência. Este regimento interno foi revogado pelo atual, publicado no dia 16 de agosto de 2006.
Primeiramente, havia a ênfase nas funções da Ancine, em número de vinte e duas que se orientavam pelo tripé regulação, fomento e fiscalização.
Após isso, havia a divisão estrutural da Agência em seis partes:
1 – Diretoria Colegiada, que se dividia no Gabinete do Diretor-Presidente e Diretorias;
2 – Procuradoria-Geral; 3 – Auditoria Interna; 4 – Ouvidoria-Geral;
5 – Secretaria de Gestão Interna;
6 – Superintendências, as quais eram: a) Superintendência de Assuntos Estratégicos; b) Superintendência de Registro, Controle e Fiscalização; c) Superintendência de Desenvolvimento Financeiro; d) Superintendência de Desenvolvimento Industrial; e) Superintendência de Promoção e Comércio Exterior; e f) Superintendência de Tecnologia da Informação.
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BRASIL. Resolução da Diretoria Colegiada da Ancine no 4, de 30 de dezembro de 2002. Dispõe sobre o Regimento Interno da Agência Nacional de Cinema. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 30 dez. 2002.
A Diretoria Colegiada era composta de quatro diretores, sendo um o Diretor-Presidente e mais três Diretores que estariam atuando no plano estratégico da Ancine. Todos os diretores da agência exerceriam a administração da agência, sendo o Diretor-Presidente o executivo principal da organização, tendo o suporte de seu Gabinete nos trâmites burocráticos da organização.
Além disso, a Diretoria Colegiada tinha como funções principais: a aprovação das políticas administrativas e de Recursos Humanos da agência; o cumprimento e o fazer cumprimento das políticas e diretrizes aprovadas pelo Conselho Superior de Cinema; e o desenvolvimento do planejamento estratégico e operacional da Ancine.
A Procuradoria-Geral tinha a função de assessoramento jurídico da Ancine, vinculada à Advocacia-Geral da União, portanto um órgão de apoio, independente da agência e com características de consultoria, envolvendo a emissão de pareceres jurídicos e a elaboração ou o exame dos atos normativos e de outros atos pertinentes à atuação da agência.
A Auditoria Interna tinha a função de fiscalização interna das atividades da Ancine, servindo de referencial para a sistematização das informações financeiras, contábeis, administrativa e orçamentária que poderiam ser requeridas pela controladoria do governo federal, além de elaborar relatório das auditorias realizadas, propondo medidas preventivas e corretivas das impropriedades ou irregularidades detectadas, submetendo-o à Diretoria Colegiada; e coordenar e acompanhar a elaboração da prestação de contas da agência. A Auditoria Interna era um órgão de suporte à Diretoria Colegiada, não vinculada, portanto, à execução das tarefas da Ancine.
A Ouvidoria-Geral tinha a função de dialogar com os agentes externos à Ancine, através da recepção de pedidos de informações, esclarecimentos e reclamações direcionadas à agência; além de propor medidas de ajuste nos procedimentos administrativos, visando à melhoria do desempenho institucional; e de manifestar-se previamente sobre atos normativos da Ancine dirigidos ao público externo. Assim como a Auditoria Interna é um órgão de suporte à Diretoria Colegiada.
A Secretaria de Gestão Interna tinha a função de coordenação na Ancine do processo de planejamento financeiro e administrativo; do sistema de avaliação dos processos organizacionais e da elaboração dos relatórios de gestão relacionados com as atividades, tornando-se outro órgão de suporte.
As Superintendências assumiam a função administrativa direta da Ancine de forma a planejar, organizar e executar os processos, projetos e programas da agência, com vistas ao cumprimento de seus objetivos, em deliberações da Diretoria Colegiada e em consonância com as políticas e diretrizes aprovadas pelo Conselho Superior de Cinema, sendo suas divisões de escopo os focos de atuação da Agência.
Assim, a Superintendência de Assuntos Estratégicos tinha como função executar atividades relacionadas aos estudos econômicos e de prospecção mercadológica da atividade audiovisual, a fim de subsidiar as políticas e ações da agência; além de desenvolver e acompanhar as relações internacionais, em nível bilateral e multilateral.
A Superintendência de Registro, Controle e Fiscalização tinha a função mais similar ao padrão das agências reguladoras, visando registrar e fiscalizar empresas do setor e obras audiovisuais, tanto no acompanhamento das receitas de exploração comercial, quanto ao cumprimento das disposições legais.
A Superintendência de Desenvolvimento Financeiro tinha como função de executar as atividades de monitoramento dos incentivos fiscais, receitas institucionais e mecanismos de fomento às atividades cinematográfica e audiovisual; acompanhar a evolução das receitas, a política tributária do setor, e os mecanismos internacionais de fomento e apoio à atividade; estudar e propor novas modalidades de estímulo, visando ao incremento e à capitalização da indústria cinematográfica e audiovisual ao nível nacional, bilateral e multilateral; além de estudar e propor medidas de política tributária para o desenvolvimento da indústria cinematográfica e audiovisual.
A Superintendência de Desenvolvimento Industrial tinha como função executar as atividades relacionadas ao desenvolvimento de programas de incentivo, apoio, fomento e financiamento das atividades cinematográfica e
audiovisual e propor os critérios para a realização no âmbito destes programas; além de analisar e acompanhar os projetos apresentados, sua execução e respectiva prestação de contas.
A função desta Superintendência é uma das mais difíceis, pois esta justamente se correlaciona com as funções de estabelecimento de isonomia de mercado que foi comentada no capítulo sobre a Subcomissão de Cinema do Senado Federal, devendo assim coordenar funções que permitam desenvolver a atividade dentro de seu próprio mercado.
A Superintendência de Promoção e Comércio Exterior tinha como função a difusão e a busca de visibilidade ao produto nacional no exterior. Esta superintendência sofria de uma dificuldade que foi colocada por Gustavo Dahl123, a definição de qual produto brasileiro no exterior seria de
responsabilidade desta Superintendência, portanto da Ancine e qual seria de responsabilidade da Secretaria do Audiovisual (SAv).
De forma bem simplista, dever-se-ia considerar que produtos de caráter industrial cultural seriam de função da Agência, enquanto os de caráter cultural seriam da SAV, porém a dificuldade na divisão dos filmes nesta relação se tornou muito complicada. Um exemplo fictício, somente para entender a problemática seria o filme Central do Brasil (Wlater Salles, 1998), o filme conseguiu mais de 1 milhão de espectadores no Brasil, portanto um filme bem sucedido como produto industrial, porém o filme ganhou prêmios em vários festivais, como o de Berlim. Então como classificá-lo? Sem dúvida, uma grande problemática a ser resolvida entre os entes estatais na representação externa dos filmes brasileiros.
A Superintendência de Tecnologia de Informação tinha como função prover, gerenciar, projetar, desenvolver, implantar, manter e operar atividades de infraestrutura tecnológica e de gestão de informação da Ancine.
Com uma sumária descrição das funções dos órgãos de composição da agência, pode-se concluir que as Superintendências eram os órgãos diretamente vinculados a Ancine, e que a de Tecnologia de Informação parecia
123 Entrevista concedida por Gustavo Dahl a Marcus Vinícius Tavares de Alvarenga. Rio de Janeiro, 28
mais um órgão de suporte do que claramente um órgão executor de serviços externos.
Quatro áreas servem de suporte, uma jurídica, uma de ouvidoria, uma de auditoria e outra de gestão interna, destas uma possui vinculação externa a Ancine, as outras são vinculados como órgão de apoio.
Por último, reforça-se o fim da subordinação da Ancine perante a Casa Civil até o dia 31 de dezembro de 2002, considerando a passagem para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior já no começo de 2003, início da gestão de Luís Inácio Lula da Silva.
3.5 – FALTA DE DEFINIÇÃO SOBRE A ANCINE E RACHA NO MEIO