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A segurança da região era um assunto caro à administração territorial, principalmente por haver, naquela zona de fronteira, alto índice de contrabando e violência, sobretudo na fronteira seca de Pedro Juan Caballero com Ponta Porã. Não se tem informações da data de instalação da Divisão de Segurança e da Guarda Territorial; sabe-se, a partir do descrito no relatório desta seção, somente que este prédio existia e que passou por obras com a finalidade de ampliação.

As definições das finalidades da Divisão de Segurança e Guarda do Território foram elaboradas a partir do artigo 8º do Decreto-lei nº 7.771, de 22 de julho de 1945, que estabelecia o seguinte:

I - ter a seu cargo os serviços de polícia judiciária e administrativa, preventiva e repressiva;

II - manter a ordem e a tranquilidade públicas no Território;

e leis vigentes;

IV - cooperar, por intermédio da Guarda Territorial, na execução dos programas de obras públicas da administração territorial;

V - colaborar com as autoridades federais incumbidas da vigilância da faixa de fronteiras. (BRASIL, 1945)

As ações dessa Divisão se fizeram sentir em três setores bem distintos: ordem e segurança, repressão ao contrabando e banditismo e execução das providências emanadas do poder judiciário. Cabia à Divisão supervisionar os seguintes serviços: administração da penitenciária, aprovisionamento (almoxarifado, armazém reembolsável, cozinha e rancho), rádios, identificação, gabinete médico-legal, guarda, patrulhamento em lanchas, música, delegacias, transportes, subdelegacias e finalmente a Diretoria da Divisão, também com as suas subseções respectivas. (RELATÓRIO, 1947, p.106).

Concomitantemente com a nacionalização das fronteiras, a ação administrativa territorial priorizou a repressão ao crime e ao contrabando, feita, sobretudo, através da manutenção de postos de guardas ao longo da faixa fronteiriça. Dessa atitude “[...] resultou o decréscimo do crime em mais de 70% e o aumento da renda federal originada da exportação da erva-mate, sem que, na mesma proporção houvesse crescido a produção”. (RELATÓRIO, 1947, p.7). Também foi relatada a participação da Comissão dos acordos de Washington, por intermédio da Secretaria Geral do Território. A Comissão orientava a ação repressora ao contrabando, enviando instruções, preestabelecendo cotas, estipulando limites no consumo interno e, sobretudo, quanto à exportação.

Sobre a ação da Guarda Territorial, corporação civil destinada à manutenção da ordem, o último governador do TFPP afirmou que “[...] a ação da guarda territorial se fazia sentir sem o auxílio de guardas fiscais aduaneiros, como seria lógico, por que, ante a sua organização, não dispunha a Guarda de prerrogativas inerentes àqueles”. Estudava, o governo, uma fórmula pela qual, nos postos da Guarda, estivessem, também, os guardas aduaneiros, atendidos e garantidos nos seus atos pelos Guardas do Território. “[...] nesse particular, chegamos mesmo a enviar expediente ao Snr. Ministro da Fazenda, quando tivemos de nos manifestar a respeito da criação de postos fiscais, nos pontos chaves da fronteira, nos quais já mantínhamos guardas territoriais”. (RELATÓRIO, 1947, p. 8).

Para ampliar e melhor possibilitar a repressão ao contrabando, o governo havia construído lanchas para o patrulhamento da fronteira molhada no Rio Paraguai, sendo empregadas a tais serviços, bem como usadas para o transporte de funcionários do TFPP, quando necessário. Com a extinção do mesmo e por ordem feita através de despacho pelo Presidente da República, as lanchas foram entregues à administração do Território Federal do

Acre. (RELATÓRIO, 1947, p. 8).

Em relação à Delegacia especial, ligada diretamente à Diretoria de Divisão de Segurança, as suas atribuições eram as seguintes:

1º controlar a ação funcional da Divisão de Segurança e Guarda, quando ocorrer, relativamente à ordem pública no Território.

2º participar ao Diretor da Divisão de Segurança e Guarda, quando ocorrer, relativamente à ordem pública no Território.

3º determinar sobre a estação do lugar de serviço das autoridades policiais 4º requisitar a Guarda Territorial para manter a ordem, prender os criminosos e efetuar diligências.

5º remeter, até 15 de fevereiro, ao Diretor da Divisão, relatório circunstanciado do ano anterior. (RELATÓRIO, 1947, p.106).

O trabalho mais notório da Delegacia especial, depois de instalada, parece ter sido a movimentação de considerável quantidade de inquéritos policiais que se encontravam parados, sendo, então, estudados e preenchidos em suas formalidades processuais e encaminhados ao judiciário. (RELATÓRIO, 1947, p.107).

Existia, também, no TFPP, a Delegacia auxiliar, tendo como seu responsável o Capitão Benedito Paula Corrêa, que por longos anos exercera o cargo de Delegado de polícia em Ponta Porã. Esse Capitão teria elaborado um relatório sobre o serviço policial do Território, na oportunidade em que assumiu o cargo de delegado auxiliar.

Nesse relato, alguns elementos merecem destaque, por exemplo, o fato de não existir uma cadeia pública na região em que foi criado o TFPP. Segundo Benedito Corrêa, “Os presos civis, uns sentenciados e outros por sentenciar, alguns elementos perigosos, eram recolhidos ao xadrez das praças do Destacamento, a qual nenhuma segurança oferecia para os mesmos”. (RELATÓRIO, 1947, p.107). No decorrer do ano, o referido xadrez ia sendo preenchido, sempre com maior número de presos do que o lugar poderia suportar.

A prefeitura de Ponta Porã, por sua vez, somente fornecia pensão aos presos reconhecidamente indigentes, mesmo após insistentes pedidos da Delegacia de Polícia, chegando ao ponto de, em várias ocasiões, os detentos, forçados pela fome, tentarem revoltar- se contra a Guarda, sendo preciso, para acalmá-los, fornecer-lhes, por conta dos próprios salários do Delegado, alimentação até que, por interferência do M.M Juiz de Direito da Comarca, fossem resolvidas as situações. (RELATÓRIO, 1947, p. 107-108).

Após ser criado o Território de Ponta Porã, e segundo o delegado, adaptou-se ao mesmo xadrez uma acomodação para os detentos, na qual existiam camas, colchões etc. A administração municipal recebia, por preso, cerca de seis cruzeiros, mantidos pelo Território, havendo também a possibilidade do recebimento de vantagens pecuniárias aos que

trabalhassem.

Segundo relato do Capitão, e em relação ao destacamento policial existente nos tempos de administração de Mato Grosso da região, trabalhavam nele apenas sete homens, sendo um sargento, um cabo e cinco soldados; o restante de Ponta Porã permaneceria sem policiamento se não houvesse, também ali, o 11º Regimento da Cavalaria, uma guarda diária, mais precisamente na linha divisória, a qual mantinha relativa ordem. Do lado paraguaio a situação era um pouco diferente, pois o governo do país mantinha uma comissária, ao lado de uma escola, com o seu destacamento policial.

Grandes latrocínios se davam, do lado paraguaio, sobre a linha divisória, e seus criminosos autores, prevalecendo-se da facilidade em transpor as fronteiras, passavam para o nosso país e ficavam a vagar livre e impunemente afrontando as autoridades do país vizinho, as quais, perdendo o devido controle e esquecidas de suas responsabilidades, transpunham armadas, as nossas divisas, em perseguição a tais criminosos. (RELATÓRIO, 1947, p. 108).

Segundo o relatório, não foram poucos os momentos nos quais a Delegacia de polícia territorial, para perseguir e combater o grupo de bandoleiros e atender outros casos graves, tinha de solicitar o auxílio da Força Federal; outras vezes, a solicitação era feita a elementos civis, como os diversos comandos da 11º R.C., com quem mantinha boa relação. De acordo com o relatado, “[...] eram frequentes perambularem os bandoleiros pelos Municípios, cometendo constantes assaltos, assassínios, defloramentos, estupros e outros crimes e depredações”. (RELATÓRIO, 1947, p.108).

Depois de assumir novamente o cargo de Delegado de Polícia no TFPP, o Cap. Benedito Paula Corrêa afirmou ter constatado uma melhora considerável, principalmente no que se referia à repressão aos criminosos e contraventores. Segundo ele, naquele momento, o TFPP possuía guardas e inspetorias suficientes para a manutenção da ordem, distribuídos nos pontos principais do interior, o que resultava em mais segurança para seus habitantes. A presença das guardas e inspetorias na fronteira teria resultado num aumento da renda de erva-mate e assegurado aos proprietários a posse e a disposição de seus bens. (RELATÓRIO, 1947, p.110) Com o advento do Território foram criadas sete delegacias de polícia, uma em cada município, além da delegacia especial e da delegacia auxiliar, instaladas na capital. Dezoito era o número de subdelegacias criadas e distribuídas nas localidades mais ermas. Além destas, existiam ainda diversos destacamentos e postos da Guarda Territorial, distribuídos em pontos chaves do TFPP. (RELATÓRIO, 1947, p. 110).

contém a discriminação dos seus destacamentos e postos. A divisão é feita a partir do município em que se situavam, tendo as cidades de Ponta Porã e Dourados maior número de postos e destacamentos, com dezesseis e dez, respectivamente. Também aparecem no quadro as localidades em que esses destacamentos e postos estavam situados dentro dos municípios, a quantidade de inspetores e guardas que havia, em cada um deles, além do ano de criação de cada um. Do total, nove (9) foram criados em 1944, quinze (15), em 1945 e quinze (15), também, foram criados em 1946.