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Divisão territorial do trabalho

No documento Diane Daniela Gemelli (páginas 82-92)

Vimos anteriormente que a indústria alimentícia é o setor industrial que mais emprega no Paraná, porém a concentração destes empregos não ocorre de forma homogênea, incluindo e excluindo trabalhadores e territórios de acordo com os anseios do capital.

É sob esse crivo que ocorre a divisão territorial do trabalho na indústria alimentícia no estado do Paraná, com destaque para a Mesorregião Norte Central com 38. 648 trabalhadores empregados, seguida da Oeste com 32. 308, da Metropolitana de Curitiba com 30. 884 e da Noroeste com 27. 77232.

No mapa a seguir é possível visualizar a espacialização do trabalho fabril nas indústrias alimentícias do Paraná, de acordo com as mesorregiões geográficas. Desta maneira nota-se a maior representatividade quanto ao número de trabalhadores nas indústrias alimentícias, nas Mesorregiões Norte Central, Oeste, Metropolitana de Curitiba e Nproeste.

Mapa III

Mesmo sendo a Mesorregião Norte Central a que emprega mais trabalhadores nas indústrias alimentícias, verificamos que foi no Oeste Paranaense que o trabalho nesse setor industrial cresceu de maneira mais representativa nos últimos anos (essa evolução pode ser observada no gráfico a seguir).

32 Dados do ano de 2006.

GRÁFICO VII - Evolução do e mpre go nas indústrias alimentícias por mesorregiões (1996-2006)

0 5.000 10.000 15.000 20.000 25.000 30.000 35.000 40.000 45.000

1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006

Norte Central Paranaense Oeste Paranaense Metropolitana de Curitiba Noroeste Paranaense

Fonte: Dados da RAIS/Ministério do trabalho e Emprego Org:Gemelli, 2008

Analisando a evolução do trabalho formal nesse setor industrial segundo as mesorregiões que mais concentram trabalhadores, podemos verificar a ascensão do Oeste Paranaense, que no período compreendido 1996-2006, saltou da quarta para a segunda mesorregião que mais emprega trabalhadores na indústria de alimentos.

Notamos que enquanto as outras mesorregiões apresentam ora estagnação no crescimento e mesmo decréscimo em alguns momentos o Oeste apresenta crescimento constante, com destaque entre 1999-2001, com a geração ou regulamentação de 6. 268 postos de emprego, outro período de crescimento é o verificado entre os anos de 2002-2006 com outros 14. 612 trabalhadores admitidos. O que fez da mesorregião Oeste a que mais empregou trabalhadores neste setor entre as quatro mesorregiões que mais empregam no Paraná no período compreendido entre 2002-2006.

Deste modo, acreditamos que essas mesorregiões tem representado possibilidades e vantagens para o capital empregado no setor alimentício se reproduzir, também notamos que nesse sentido a divisão territorial do trabalho é estrutura de acordo com as necessidades e interesses de expansão de tal setor, o que faz com que por momentos se observe crescimento seguido de estagnação e diminuição do trabalho formal na indústria alimentícia em algumas mesorregiões, e paralelamente se observa o crescimento ascendente em outras mesorregiões.

A dinâmica da autoexpansão do capital aponta a valorização capitalista do espaço onde este aparece para a produção como parte do valor e na forma de valor constante. O processo de valorização

capitalista do espaço não é outro senão a própria valorização do capital. É o próprio movimento do capital, enquanto histórias de homens e lugares reais, se territorializando a partir de formas espaciais desiguais. (MENDONÇA: 2004 p. 72)

Assim, entendemos a expansão do trabalho na indústria alimentícia no estado Paraná e principalmente no Oeste Paranaense, fazendo parte, portanto, da dinâmica territorial do capital em busca de novos territórios de acumulação e exploração, em sua lógica contraditória produzindo espaços de acumulação desiguais mesmo dentro de um mesmo estado (como vimos anteriormente), ou mesmo em uma mesorregião como é o caso da Oeste Paranaense.

A lógica de expansão capitalista faz do espaço um dos elementos cruciais para sua acumulação, obviamente não o espaço por si só, mas com os demais elementos que o compõe (como o trabalho), por outro lado é justamente esse espaço que pode se tornar um gargalo para a lucratividade e, portanto para a reprodução do capital, fazendo com que este busque novos espaços a serem incorporados em sua lógica reprodutiva/destrutiva, reorganizando assim a divisão territorial do trabalho (territorialização-desterritorialização-reterritorialização). Tal lógica atribui conseqüentemente novos sentidos à relação capital-trabalho, isso por que:

A forma de ser da sociedade capitalista é portadora de uma lógica auto-destrutiva que submete a totalidade das relações sociais a sua dinâmica societal, o que implica em extrair das potencialidades humanas aquilo que for necessário para a produção/reprodução do capital, não importando qual a sustentabilidade ambiental e humana de sua dinâmica. (CARVALHAL: 2004 p. 209)

Isso pode ser verificado em conversa com os trabalhadores que relataram as condições extremamente destrutivas de trabalho nas indústrias alimentícias, trabalhando em ambientes inadequados a saúde como câmeras frias, ou em ambientes com barulho ensurdecedor de máquinas, com jornada de trabalho que chega a 12 horas diárias com rebatimento salarial em torno de R$500,00 mensais. Assim o capital vai reproduzindo-se sobremaneira, ancorado em reproduzindo-seu caráter destrutivo que reproduzindo-se revela, sobretudo nas condições de trabalho e salário dos trabalhadores, que vêem as indústrias alimentícias como última alternativa de trabalho, fato que muitos trabalhadores entrevistados destacaram conforme podemos verificar no depoimento a seguir, “sou de Guaíra fui para Marechal Cândido Rondon estudar, como não tinha condições de me manter sem trabalhar, comecei a trabalhar na Copagril. Saía de casa às duas horas da manhã, e

voltava depois das três da tarde, chegava em casa e dormia não conseguia estudar, ia mal na faculdade o que me obrigou a largar o curso e voltar pra Guairá”33.

Na fala deste jovem observamos a própria contradição do sistema, que por um lado alardeia a educação e a qualificação profissional como possibilidade de inserção e manutenção no mercado de trabalho formal, e por outro não oferece as mínimas condições de acesso à educação para estes jovens trabalhadores. Condição esta contraditória, mas inerente à própria lógica reprodutiva e desigual do sistema, pois enquanto totalidade social, principalmente através do Estado, é necessário a criação/manutenção de um exército industrial de reserva mobilizado e qualificado para as exigências do capital, mas enquanto capital individual não pode haver dispêndio de tempo de trabalho para aumentar a qualificação do trabalhador empregado, até porque também podemos argumentar que no caso a educação não é completamente voltada à formação para o trabalho capitalista, ampliando as possibilidades de leitura do mundo que não perpassam pela visão de mundo exclusivamente burguesa.

Percebemos em conversa com os trabalhadores que as indústrias alimentícias representam a última alternativa de trabalho, deste modo observamos de alguma forma a resistência a incorporarem-se no emprego fabril. Resistência está que também pode ser constatada através das declarações dos representantes de recursos humanos das indústrias estudadas, que destacaram a considerável rotatividade de trabalhadores, além de muitos não completarem o tempo de experiência, demitindo-se assim antes mesmo de ser efetivado. Essas considerações permitem-nos vislumbrar como a mobilização para o emprego assume uma função primordial para essas empresas, pois a despeito da inexistente resistência sindical, os próprios trabalhadores não aceitam passivamente a condição brutal da exploração do trabalho, desistindo desse emprego quando podem, fazendo com quê as empresas tenham uma massa de trabalhadores desempregados ou subempregados disponíveis para empregarem-se, o quê envolve muitas vezes incorporar trabalhadores de municípios vizinhos.

Ainda quanto à resistência dos trabalhadores ao trabalho extenuante das indústrias alimentícias, alguns trabalhadores entrevistados da Sadia, declaram que mediante a dificuldade de conseguir trabalhadores, esta indústria adotou a prática de não demitir nenhum trabalhador, deste modo se algum trabalhador não se adapta ao trabalho em um determinado setor, é transferido para outro (s) até que consiga ser produtivo em

33 Entrevista realizada dia 05 de agosto de 2008.

alguma atividade. Assim a indústria busca aproveitar o trabalho daqueles que se submetem às condições do trabalho fabril.

Associado ainda à resistência dos trabalhadores a fatigante rotina nas indústrias, o que provoca além da alta rotatividade do trabalho a própria dificuldade em encontrar trabalhadores, como destacaram os representantes das indústrias estudadas, com destaque para a Copagril e a Faville, que diante da dificuldade de encontrar trabalhadores e da necessidade expansionista de suas atividades, aderiram ao anúncio de contratação de trabalhadores, seja nas ruas através da utilização de carro de som pela Copagril, ou do anúncio impresso e afixado em locais de considerável movimentação de pessoas, assim encontramos na universidade um anúncio da Faville, em busca de trabalhadores, como pode ser observado no ANEXO VI.

Por outro lado, percebemos que outros tantos vêem estas indústrias como a possibilidade de um primeiro emprego, até porque a chance de ser contratado em uma das indústrias alimentícias é de quase 100%. Deste modo verificamos que boa parte dos trabalhadores empregados nestas indústrias são jovens, alguns que tentam intercalar trabalho e estudo, mas a maioria que apenas trabalham não conseguindo estudar sob a justificativa da rotina extremamente cansativa de trabalho, muitos viajam diariamente de outros municípios para trabalhar em Palotina, Toledo e Marechal Cândido Rondon o que torna a rotina ainda mais cansativa, já outros moram com colegas de trabalho no município que trabalham, dividindo as despesas com o aluguel e portanto morando longe da família.

Ainda sobre o custo humano deste trabalho industrial, um trabalhador de Guairá que vai todos os dias para Palotina trabalhar na C. Vale ressaltou “o trabalho é muito pesado, então é difícil parar alguém na indústria por muito tempo, assim muitos trabalhadores começam a trabalhar enquanto muito mais trabalhadores ainda saem da indústria” 34.

Associada a alta rotatividade no trabalho industrial, o representante da Copagril, nos disse “que o povo de Marechal Cândido Rondon não está acostumado a trabalhar em dois turnos, dormir de dia e trabalhar a noite, e que isso é fruto da cultura rondonense de trabalhar de segunda a sexta-feira e descansar no final de semana” 35.

Com a declaração dos trabalhadores e dos próprios representantes das indústrias, referente à alta rotatividade no trabalho industrial, podemos de alguma maneira verificar

34 Entrevista realizada dia 05 de agosto de 2008.

35 Entrevista realizada dia 09 de setembro.

a própria resistência dos trabalhadores em trabalharem nessas indústrias, assim muitos cumprem apenas o tempo de experiência, mas antes de serem efetivados param de trabalhar na indústria, mas tem muitos também que não ficam trabalhando nem durante todo o período de experiência, ficam alguns dias e desistem, como nos relatou o representante da Copagril.

Portanto as condições de trabalho nas indústrias alimentícias interferem no momento de decidir em não mais trabalhar nessas indústrias, mas existem outros fatores destacados pelos trabalhadores que também são representativos, como a própria perda de sociabilidade como destacou um trabalhador da Sadia36.

Você trabalha nove, dez horas por dia, fazendo hora extra, até chegar ao trabalho levo uma hora, pra voltar pra casa mais uma, chego em casa e só penso em tomar banho e dormir quando acordo já está na hora de me arrumar para ir de novo pro trabalho, quase não vejo meus pais e meus irmãos, como minha folga é durante a semana, vejo eles apenas a noite porque também trabalham fora, aí fico vendo T.V. vou pagar uma conta, essa vida é difícil viu moça, e pra piora no trabalho a gente só conversa com os outros trabalhadores na hora da refeição, as vezes eu não sei nem o que está acontecendo, as notícias assim do mundo e mesmo lá de casa muitas vezes eu nem fico sabendo.

Mas para muitos não existe possibilidade de escolha, e deste modo o trabalho nas indústrias alimentícias é a única forma de manter-se no mercado de trabalho e garantir mesmo que de forma extremamente perversa a sobrevivência da família.

Enquanto ainda existirem estes trabalhadores a lucratividade das indústrias alimentícias está garantida, agora pode chegar um momento que a resistência a tal trabalho atinja proporções que inviabilizem a lucratividade do empreendimento, de modo que possa significar a transferência de unidades produtivas para territórios mais vantajosos. Mas ressaltamos que esta possibilidade por enquanto ainda encontra-se no campo das hipóteses, haja vista que até o momento os empreendimentos das indústrias estudadas ainda se mostram rentáveis, o que pode ser comprovado pela própria expansão das indústrias, no sentido de buscar novos mercados consumidores.

Mas lembramos que a possibilidade de instalação de um frigorífico de suínos em Marechal Cândido Rondon e de uma fábrica de biscoitos em Santa Helena37, pode representar um problema quanto à disponibilidade de mão-de-obra, haja vista que os representantes de algumas indústrias apontaram dificuldades em encontrar

36 Entrevista realizada dia 15 de agosto.

37 Informação repassada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação.

trabalhadores, situação que em nosso modo de entender pode se agravar com a instalação de outras unidades produtivas que passem a demandar um contingente considerável de trabalhadores. Paradoxalmente a possibilidade de instalação dessas unidades industriais, pode significar que o Oeste Paranaense continua sendo um território vantajoso para a expansão das indústrias de produção de alimentos, mesmo que em alguma medida os trabalhadores representem certa resistência ao trabalho fabril o que pode significar um prejuízo à expansão dessas indústrias.

Assim constamos que o capitalismo nos municípios estudados tem se expandido através de sua lógica mais perversa, ancorada na destrutibilidade do trabalhador enquanto ser social, consumindo a mão-de-obra deste trabalhador enquanto este estiver na indústria, mas também se apropriando de sua sociabilidade externa a indústria, e tendo isso como uma forma de controle do trabalho, para que este trabalhador chegue em casa e se prepare, repondo energias para o próximo dia de trabalho. Condição esta que pode representar um risco para a própria indústria à medida que permite aos trabalhadores a leitura de sua condição dentro da lógica reprodutiva do capital, fazendo com que já não mais se submetam a determinada situação de trabalho e de vida, fato que pode ser expresso, talvez, na alta rotatividade de trabalho. Risco este que pode ser amenizado pelo capital à medida que encontrar novos territórios para sua acumulação.

A categoria trabalho é fundante na interpretação do espaço geográfico, possibilitando o desvendamento da relação capital x trabalho, seus contornos territoriais e perceber as tramas espaciais (re) criadas no processo de autoexpansão pelos “novos territórios”, hegemonizados pelas demandas colocadas pelo capital industrial e financeiro mundializados. (MENDONÇA: 2004 p. 99)

Assim compreendemos o trabalho como categoria chave para entender a mobilidade e expansão capitalista bem como a divisão territorial do trabalho, deste modo, podemos entender o trabalho como uma categoria de análise geográfica à medida que este pode revelar a inclusão ou exclusão de territórios na lógica de reprodução capitalista, mostrando em alguns momentos vantajoso e em outros impossibilitando ou prejudicando a lucratividade de determinado empreendimento.

Verificamos no caso estudado que o trabalho ainda se mostra vantajoso para a lucratividade das indústrias alimentícias na Mesorregião Oeste Paranaense, fato que já não podemos assegurar com tanta convicção nos municípios estudados, haja vista a

mobilidade diária de trabalhadores de outros municípios que se deslocam diariamente para trabalhar principalmente na Copagril, C.Vale e Sadia.

Segundo informações disponibilizadas pela Copagril, constatamos que além de Marechal Cândido Rondon outros 11 municípios tem participação na mão-de-obra empregada nesta unidade industrial de aves, conforme mostra a tabela abaixo.

TABELA IV: Trabalhadores que se deslocam diariamente para trabalhar na COPAGRIL.

Município Nº de

trabalhadores

% em relação ao total de

trabalhadores Marechal Cândido

Rondon

976 62,5

São José das Palmeiras 178 11,5

Santa Helena 144 9,3

São Pedro do Iguaçu 50 3,3

Guaíra 49 3,2

Ouro Verde do Oeste 35 2,2

Entre Rios do Oeste 29 1,8

Mundo Novo - MS 26 1,7

Pato Bragado 22 1,4

Toledo 20 1,2

Mercedes 20 1,2

Quatro Pontes 11 0,7

Total 1560 100

Fonte: Copagril

Organização: Gemelli, 2008

Notamos que é considerável o deslocamento diário de trabalhadores de outros municípios da região para trabalhar na Copagril em Marechal Cândido Rondon, sendo que 37 % dos 1.560 trabalhadores desta indústria viajam diariamente de ônibus, com destaque para os municípios de São José das Palmeiras com 178 trabalhadores e Santa Helena com 144. A Copagril recebe trabalhadores até de outro estado como podemos verificar no caso do município de Mundo Novo – MS, de onde deslocam-se diariamente 26 trabalhadores.

Esse total de trabalhadores de outros municípios pode ainda aumentar se levássemos em consideração os trabalhadores que passaram a morar em Marechal Cândido Rondon quando começaram a trabalhar na Copagril, porém não temos estes dados, apenas podemos verificar no trabalho de campo uma quantidade considerável de trabalhadores que passaram a morar em Marechal Cândido Rondon, na maioria das vezes com outros colegas de trabalho. Estes trabalhadores são na maioria jovens que vão, quando podem, visitar a família em seus municípios.

Além desses trabalhadores que vem diariamente de outros municípios para trabalhar na Copagril, o representante desta indústria destacou que é considerável o deslocamento de trabalhadores dos distritos de Marechal Cândido Rondon para trabalhar na indústria, embora nesse caso não disponhamos de dados concretos, que comprovem tal informação.

Nas outras indústrias alimentícias de Marechal Cândido Rondon estudadas nessa oportunidade (Faville, Frimesa), verificamos que o número de trabalhadores que vem de outros municípios diariamente é bem mais restrito que no caso da Copagril.

Deste modo na Faville, 14 trabalhadores vêm diariamente de Quatro Pontes, 1 vem de Nova Santa Rosa e outro vem de Mercedes. Já na Frimesa apenas 1 trabalhador vem de Nova Santa Rosa.

Porém do mesmo modo que a Copagril, tanto a Faville como a Frimesa, destacaram que muitos trabalhadores vêm diariamente de distritos de Marechal Cândido Rondon, embora também não disponhamos de tais dados.

Essa diferença no número de trabalhadores de outros municípios que vêm diariamente para trabalhar nas indústrias de Marechal Cândido Rondon, pode se justificar pela diferença no total de trabalhadores existentes em cada uma das indústrias estudadas.

Assim a Copagril tem uma maior necessidade de trabalhadores, como destacamos, emprega 1560 trabalhadores, já Faville e Frimesa empregam bem menos, respectivamente 570 e 270 trabalhadores diretamente ligados à produção.

Não conseguimos informações concretas a respeito dos trabalhadores da Sadia e da C.Vale que vem diariamente de outros municípios, apenas conseguimos saber em conversa com trabalhadores de ambas as indústrias que é considerável o número de trabalhadores provenientes de outros municípios, inclusive alguns de nossos entrevistados deslocam-se diariamente para o trabalho em Toledo e Palotina.

Esse contingente considerável de trabalhadores que se deslocam diariamente de outros municípios para trabalhar nas indústrias alimentícias estudadas pode significar uma

necessidade do capital para garantir sua reprodução, sem buscar novos territórios para a acumulação, busca-se trabalhadores.

Levantamos algumas hipóteses quanto a esses trabalhadores que vem de outros municípios para trabalhar nas indústrias alimentícias, no que se refere à qualificação enquanto incorporação de habilidades técnicas será que estes trabalhadores conseguem realizar cursos? (devemos lembrar da rotina diária de trabalho destes e de retorno a seus municípios), ou será que essas habilidades técnicas se restringem ao dia-a-dia de trabalho?

Deste modo, acreditamos que a formação desses trabalhadores se reflete em uma maior submissão a indústria, do que os trabalhadores que trabalham e moram no mesmo município. Essa busca de trabalhadores em outros municípios pode representar, também uma estratégia das indústrias quando ao debilitamento da organização sindical, haja vista que pode criar barreiras para a organização dos trabalhadores.

3.2 Sob a perversidade do capital a qualificação profissional expressa no trabalho

No documento Diane Daniela Gemelli (páginas 82-92)