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diz: Marina, use sua forma de discursar e

FACEBOOK E ELEIÇÕES BRASILEIRAS DE 2014:

Comentarista 7  diz: Marina, use sua forma de discursar e

de falar com garra, também nos debates! Vai pra cima deles! Você quando fala pausadamente, demonstra insegurança sobre o que está falando, como se não soubesse sobre o assunto e ficasse “cassando” palavras. Você está se depreciando com essa forma de agir! Tanto o pastor Everaldo, quanto o Eduardo Jorge lhe deram chances de discorrer sobre dois temas espinhosos: corrupção e sistema carcerário, e você não atacou, apenas concordou com a posição de ambos. Sequer citou os problemas ocorridos no Maranhão recentemente... Não citou a insegurança de todos que ficam nesse epicentro catastrófico. A melhor defesa é o ataque! Pra trás, nem pra pegar impulso!!! Você tem perdido muitos eleitores com essa postura! Reaja!!!

Marina Silva, em resposta à comentarista 7, diz:  Olá

Torres,  Marina acredita que a melhor campanha é aquela baseada em propostas, e não em ataques. Em um debate, e não em um embate. Esses são pilares da nova política, em oposição à velha política que Marina quer deixar para trás. Ela vai manter sua postura até o final. Abraço, #Equipe40

Comentarista 8,em resposta à comentarista 7,diz:  Tem

razao, tem que ser a encarnaçao do espirito de indignaçao e mudança; como o discurso feito recentemente em SP. Força, obstinaçao e coerencia nessa reta final!

Comentarista 9, em resposta à comentarista 7, diz: O PT

bateu em Marina, a atacou, e ela não reagiu a altura. Por isso mudei pro Aécio, ela não demostra segurança emocional.

Comentarista 10, em resposta à comentarista 7, diz:  Tu

querias o que amigo? que ela subisse no pescoço dela e desse um locaute. Pense antes de digitar suas palavras, não ganhamos com ignorância e sim com sabedoria. #RogerioPiva

Fonte: Perfil oficial da candidata Marina Silva. Disponível em: <https://www. facebook.com/marinasilva.oficial?fref=ts>. Acesso em: 20 maio 2015.

Nesse sentido, vemos a formação de zonas de contato entre os políticos e os atores sociais. Como Fausto Neto (2010) menciona, essas zonas também são caracterizadas por forte indeterminação, visto que, conforme apontado anteriormente, tais processos não se findam simplesmente com a resposta dos candidatos, mas se configuram no que Braga (2006) chama de “interatividade difusa”. Assim, “indo além das relações diretas entre produtor e receptor, importa o fato de que este último faz seguir adiante as reações ao que recebe” (BRAGA, 2012, p. 39). Nesse exemplo apresentado, o assunto fora redirecionado pelo primeiro comentarista, depois o polo emissor (equipe de campanha) responde à proposição e vários outros receptores se engajam na discussão formando um fluxo contínuo e adiante sobre a questão

em pauta. Em tal processualidade, os assuntos vão a todo o momento sendo redirecionados, com comentários que algumas vezes chegam a destoar totalmente do que fora inicialmente proposto e outros que complementam o conteúdo inicialmente postado.

Considerações finais

A observação das campanhas políticas no Facebook nos permite identificar diversas marcas da política em vias de midiatização. Nesse contexto, damos especial destaque para a participação dos eleitores, que ao se engajarem nas campanhas acabam estabelecendo entre si relações de sociabilidade e conflito, ao passo que se inserem na cena produtiva das postagens, fazendo circular conteúdos nas páginas dos presidenciáveis em questão.

Não obstante, sabemos que ainda muitas outras questões podem ser suscitadas diante dos pressupostos apontados ao lon- go desse texto. A hipótese do eleitor fã, por exemplo, precisa ser melhor articulada à luz das teorias construídas sob essa catego- ria “fã”, para refletir como pensar a ideia de um fanatismo, que tradicionalmente se pressupõe irracional, mas, nesse caso, revela marcas racionais também, ao passo que os eleitores lançam mão de argumentos e afetos para se engajarem nas campanhas em análise. Outro ponto diz respeito à divisão binária entre eleitores que suponhamos fãs e eleitores adversários que ocupam os perfis dos candidatos para denegri-los ou apoiá-los, sabemos que tal di- visão não engloba todas as posições que poderiam ser encontra-

Ressaltamos, porém, que, mesmo se tratando de um processo tão incipiente ainda, o fenômeno do engajamento dos cidadãos na constituição das campanhas políticas merece destaque, tendo em vista que ao eleitor, normalmente, cabia apenas participar do processo democrático mediante o voto. Agora, ele é instado a fazer parte da mensagem que lhe é direcionada e isso muda a forma como são produzidas as campanhas e como interagimos com os políticos e com outros eleitores, formando, assim, uma teia discursiva que quiçá possa contribuir para o debate democrático.

Referências

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FAUSTO NETO, Antônio. Midiatização – Prática social, prática de sentido. Encontro da rede Prosul “Comunicação e processos sociais”, 2005, UNISINOS/PPGCC.

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HJAVARD, Stig. A midiatização da cultura e da sociedade. São Leopoldo: Unisinos, 2014.

HJAVARD, Stig. Midiatização: conceituando a mudança social e cultural. Matrizes, v. 8, n. 1, 2014.

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SIMMEL, Georg. Questões fundamentais da sociologia: indivíduo e sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

IDENTIDADES E LEGITIMIDADE: A