A industrialização crescente depois da Segunda Guerra Mundial, conduziu a um aumento significativo dos acidentes que envolvem substâncias perigosas.
Mas mais importantes manifestações relativas ao surgimento do moderno ambientalismo ocorrem a partir de 1970, resultado direto de manifestações culturais e políticas vividas durante os últimos anos da década de 60, os anos rebeldes.
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Nesse contexto caótico, plural, rico e diversificado, o problema do meio ambiente (res)surge propondo articulações muito diferentes às tradicionais análises sobre a vida na terra, o consumo, a exploração dos recursos naturais, a qualidade de vida, a manutenção dos padrões de produção e a aquisição de bens, entre outros.
Desenvolve-se uma nova idéia: que é perfeitamente possível refletir, criticar, negar e substituir verdades, antes inquestionáveis, apresentadas pelos Estados e pelo poder, assuma ele a forma que assumir, subvertendo ordens muitas vezes profundamente prejudiciais à população e aos grupos ou tribos .
É dentro dessa conjunção revolucionária que se desenvolve a mentalidade ambientalista, que viria a proliferar-se, socializando-se.
Esta mentalidade alargaria seus contornos, antes restritos aos especialistas, e o ambientalismo passará a integrar vários conteúdos, abrangendo uma complexidade de conhecimentos, entendendo o ser humano como um elemento co-responsável, fundamental, para a sobrevivência física do planeta e da própria qualidade de vida.
Nesse panorama reinventa-se o poder, reinventa-se a maneira do fazer ciência, dos comportamentos, da espiritualidade, do sentir, do ensinar, da política, do pedir.
Sob essa ótica, desenvolve-se uma mentalidade ambientalista que compreenderá os pensamentos complexos, abrangentes, multicentrada, abarcando vários aspectos da vida contemporânea, permeando outras conjunturas e necessidades humanas, redesenhando a arquitetura do desejo humano de viver bem, ampliando o discurso sobre o meio, sobre as exigências e condições de qualidade de vida.
Ao defrontar-se com a relação entre a vida e a morte, através da limitação do uso dos recursos naturais toda forma de poluição, fim dos recursos naturais e a destruição absoluta, pela guerra nuclear, os humanos, no limite de sua sobrevivência física, redescobrem, quase instintivamente, a importância de saber viver. As preocupações com o que o cerca, ampliam-se, resgatando valores, que aparentemente, encontravam-se desaparecidos. E buscam mudanças nos paradigmas que determinam sua relação com o meio natural. (LUCHIARI, 2001).
No final dos anos 30 do século XX, existia uma euforia na comunidade cientifica internacional sobre o futuro. Aparentemente, todos os princípios científicos estavam bem estabelecidos e previa-se que o mais importante a fazer era aplicá-los ao desenvolvimento tecnológico para o bem-estar, riqueza e saúde das sociedades.
Em 1945, a explosão das bombas nucleares no Japão, alertou o mundo, seriamente sobre os perigos do uso descontrolado da ciência e da tecnologia. Depois da
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utilização desenfreada e indiscriminada de pesticidas, freons, as descargas brutais de poluentes industriais para os mares, rios, lagos e atmosfera, e a acumulação de lixos tóxicos, enegreceram o panorama paradisíaco que se antevia.
Os anos 60 foram marcados pela publicação de livros que são considerados clássicos da literatura ambiental: Primavera Silenciosa de Rachel Carson (1962), foi uma das obras mais polêmicas. A autora se propõe à utilização sensata da tecnologia e da ciência para prevenir desastres ambientais.
No ano de 1968, cientistas, educadores, e empresários de países desenvolvidos realizaram vários encontros de estudos, para discutir o futuro do planeta. Esse grupo ficou conhecido como Clube de Roma , e era dirigido por Dennis Meadows, chegaram a conclusões sobre a vida na Terra, e a discussão que mais haviam considerado era a de que o homem devia analisar a si próprio - seus objetivos e valores- tal como o fazia com relação ao mundo que procurava mudar.
A preocupação ambiental tornou-se mais severa nas décadas de 1970 e 1980, onde desastres ambientais alertaram para a adoção de legislação que visou à prevenção e o controle de tais acidentes: Seveso, no norte da Itália, em 10 de julho de 1976; Bhopal, na Índia em 03 de dezembro de 1984; Chernobyl, na Rússia (atual Ucrânia) em abril de 1986; Basiléia, na Suíça, em 1986. Embora em 1972, na cidade de Estocolmo, foi organizada a primeira Conferência Mundial de Meio Ambiente Humano, somente após os desastres ambientais, o movimento pelo meio ambiente ganhou crédito em todo o mundo, contribuindo com pesquisas científicas e influenciando currículos de escolas e universidades.
Em face da gravidade dos problemas ambientais identificados em todo planeta, a Assembléia Geral das Nações Unidas, indicou em 1983, a então primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, para presidir a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD). O objetivo dessa comissão era formular uma lista com as mudanças necessárias para que todo o mundo alcançasse um desenvolvimento sustentável até a virada do século.
Em 1986, na Conferência Mundial sobre a Conservação e o Desenvolvimento em Ottawa, Canadá, o conceito desenvolvimento sustentável foi colocado como um novo paradigma e posteriormente, em 1987, publicado como Our Commom Future , conhecido também como o Relatório Brundtland.
Esse relatório baseava-se na idéia de que nós não herdamos a Terra de nossos
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Nesse documento encontra-se uma síntese do que poderia ser dito sobre desenvolvimento e os problemas ambientais do mundo contemporâneo.
A principal decorrência do Relatório Brundtland foi a realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (UNCED) ou a Rio-92, também conhecida como ECO-92. Nessa conferência muitos debates e discussões gravitavam em torno do conceito de sustentabilidade.
O termo desenvolvimento sustentável difunde-se a partir dos anos 80. É uma expressão de influência anglo-saxônica, (sustainable development), utilizada primeiramente pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (correspondente em inglês IUCN), em alguns artigos por ela publicados.
Seria preciso construir um novo padrão de desenvolvimento, que buscasse atender aspectos sociais e ambientais. Surgiu o termo ecodesenvolvimento, que mais tarde foi substituído (no movimento ambientalista) por desenvolvimento sustentável.
A palavra ecodesenvolvimento foi introduzida por Maurice Strong, secretário geral da Conferência de Estocolmo-72 e largamente difundida por Ignacy Sachs, a partir de 1974. Ela significa o desenvolvimento de um país ou de uma região, baseado em suas próprias potencialidades, portanto endógeno, sem criar dependência externa, tendo por finalidade harmonizar os objetivos sociais e econômicos de desenvolvimento com uma gestão prudente dos recursos e do meio.
Esta abordagem coloca em igualdade os aspectos sociais, ambientais e econômicos. E possui uma posição ética fundamental: o desenvolvimento voltado para as necessidades sociais mais prementes que dizem respeito à melhoria da qualidade de vida da população, apresentados no Quadro 7.
QUADRO 7: Pressupostos do ecodesenvolvimento.
Solidariedade Sincrônica
Comprometimento com os povos atuais, na medida que desloca o enfoque da lógica da produção para a ótica das necessidades fundamentais da população.
Solidariedade Diacrônica
Fundamentada na economia de recursos naturais e na perspectiva ecológica para garantir possibilidade de qualidade de vida às próximas gerações.
FONTE: Ignacy Sachs (1993). Adaptado pela autora.
Quando comparamos os componentes do Desenvolvimento Sustentável, contidos na CMMAD (1988) e demonstrados anteriormente na Tabela 6, às dimensões
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de Ecodesenvolvimento elaboradas por Ignacy Sachs, um dos autores mais conhecidos na literatura ambiental, apresentados a seguir no Quadro 8, percebemos identidade entre eles.
Sachs (1993) propõe crescimentos ambientalmente prudentes, sustentáveis, socialmente responsáveis, voltados para qualidade de vida, de grau superior e eqüitativamente distribuídos. Afirma que ao planejar o desenvolvimento, devemos considerar simultaneamente cinco dimensões. (SACHS, 1993). Só conseguiremos ecodesenvolvimento se contemplarmos essas possibilidades expostas no Quadro 8.
QUADRO 8: As cinco dimensões do desenvolvimento sustentável.
DIMENSÕES e PROPOSTAS OBJETIVOS Sustentabilidade Social
Fomentar a criação de postos de trabalho. Permitir renda individual. Qualificação profissional. Produção de bens dirigidos às necessidades sociais básicas.
Para que sejam diminuídas as desigualdades sociais.
Sustentabilidade Econômica
Investimentos públicos e privados em permanente fluxo. Cooperativismo. Manejar com eficiência os recursos. As empresas devem absorver os custos ambientais. Contar com o meio endógeno. Criatividade.
Para que o aumento da produção e a riqueza social não criem dependência externa.
Sustentabilidade Ecológica
Respeitar os ciclos ecológicos dos ecossistemas. Prudência ao usar os recursos naturais não-renováveis. Reduzir os gastos energéticos. Aumentar a conservação de energia. Usar tecnologias e processos produtivos com baixo índice de resíduos. Cuidados ambientais.
Para que a melhoria da qualidade do meio ambiente e a preservação das fontes de recursos energéticos e naturais sejam repassadas para as gerações futuras.
Sustentabilidade Espacial
Desconcentrar espacialmente tanto as atividades quanto as populações. Democratizar /desconcentrar o poder local e regional. Equilibrar a relação cidade/campo.
Para que sejam evitadas as aglomerações.
Sustentabilidade Cultural
Adaptar as soluções a cada ecossistema. Respeitar a formação cultural comunitária.
Para que sejam evitados conflitos culturais.
FONTE: Baseado em Ignacy Sachs (1993). Adaptado pela autora.
Sachs (1993), defende que o Relatório percebe a necessidade de maior crescimento econômico com formas, conteúdos e usos sociais completamente
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transformados, atendendo as necessidades das pessoas buscando uma distribuição mais justa de renda, a conservação dos recursos naturais e enfatizando técnicas limpas de produção.
A polêmica em torno do Relatório Brundtland, opondo crescimento quantitativo a desenvolvimento qualitativo e considerando que o crescimento sustentável é uma contradição em termos, deve-se, de certo modo, a uma interpretação semântica equivocada. (SACHS, 1993).
A conceituação da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Renováveis UICN (1991), é relevante, onde considera desenvolvimento sustentável o processo que melhora as condições de vida das comunidades humanas e, ao mesmo tempo, respeita os limites da capacidade de carga dos ecossistemas.
Pode soar um tanto estranho que a UICN (1991), não se refira às gerações futuras em sua formulação. Contudo, ao respeitar os limites dos ecossistemas estaremos intrinsecamente legando condições de vida às futuras gerações.
É dentro dessa abordagem que a atividade turística deverá se pautar para que possamos praticar um turismo sustentável.
2.2 - CONSIDERAÇÕES SOBRE TURISMO SUSTENTÁVEL
O debate sobre turismo sustentável é influenciado pelo conceito geral de desenvolvimento sustentável discutido anteriormente.
Há muito tempo pratica-se o chamado turismo predatório que tantos danos vem causando ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural de inúmeros países. Como reação a estas práticas, o turismo sustentável tornou-se um tema relevante. Nos últimos anos o conceito de turismo sustentável ganhou o centro das atenções no mundo do turismo e estimulou inúmeras conferências, livros acadêmicos e relatórios empresariais.
O conceito de desenvolvimento sustentável, que inclui a prática do turismo sustentável, foi adotado pelas Nações Unidas, pela OMT e por muitos governos nacionais, regionais e locais. Turismo sustentável significa que os recursos naturais, históricos e culturais para o turismo sejam preservados para o uso contínuo no futuro, bem como no presente. Na verdade esses recursos podem ser ampliados pelo turismo
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onde for necessário. O turismo sustentável significa também que a prática do turismo não acarrete sérios problemas ambientais ou socioculturais, que a qualidade ambiental da área seja preservada ou melhorada, que um nível de satisfação do turista seja mantido, de forma a conservar os mercados para o turismo e a expandir suas vantagens amplamente pela sociedade.
A Agenda 21 é um programa abrangente de ação adotado na Conferência da Terra, em 1992. A partir dele, a OMT e outras agências elaboraram a Agenda 21 para Viagens e Turismo, que apresenta o papel que as viagens e o turismo devem desempenhar na conquista do desenvolvimento sustentável, como veremos mais adiante. (AGENDA 21, 1999).
Há várias décadas, tem havido um debate que levou a maior aceitação e desenvolvimento do conceito de turismo sustentável. A expressão turismo sustentável passou a ser usada a partir do final dos anos 80, quando os estudantes de cursos superiores e os profissionais de turismo começaram a considerar as implicações do Relatório Brundtland em suas próprias atividades.
O debate sobre o conceito de turismo sustentável é um fenômeno dos anos 90, mas suas origens pertencem ao sentido mais amplo de desenvolvimento sustentável e convivem conosco há muitos séculos.
Desde o início dos anos 90 a expressão turismo sustentável passou a ser usada com freqüência. Ela concentra uma abordagem do turismo que reconhece a importância da comunidade local, a forma como as pessoas são tratadas e o desejo de maximizar os benefícios econômicos do turismo para essa comunidade. (SWARBROOKE, 2000a).
Encontrar o equilíbrio entre os interesses econômicos que o turismo estimula e os seus desenvolvimentos planejados, que preserve o meio ambiente, não é tarefa fácil, principalmente porque o controle da atividade depende de critérios, valores subjetivos e de uma política ambiental e turística adequada que ainda não se encontrou no nosso país nem em outros países.
Poucas pessoas parecem pensar sobre uma razão fundamental para o turismo sustentável, preferindo em vez disso simplesmente vê-lo como uma boa idéia.
Não há uma definição completamente aceita de turismo sustentável. Swarbrooke (2000a), sugere que a definição deve estar ligada ao conceito de sustentabilidade definida no Relatório Brundtland (1988).
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Formas de turismo que satisfaçam hoje as necessidades dos turistas, da indústria do turismo e das comunidades locais, sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem suas próprias necessidades . (SWARBROOKE 2000a, p. 19).
A Organização Mundial de Turismo (OMT) cita uma lista de benefícios do turismo sustentável, destacados no Quadro 9, em seguida. (OMT 2003).
QUADRO 9: Benefícios do turismo sustentável conforme OMT.
O planejamento do turismo e seu desenvolvimento devem ser parte das estratégias do desenvolvimento sustentável de uma região, estado ou nação. Esse planejamento deve envolver a população local, o governo, as agências de turismo, etc. para que consiga maiores lucros possíveis.
- Agências, associações, grupos e indivíduos devem seguir princípios éticos que respeitem a cultura e o meio ambiente da área, da economia e do modo tradicional de vida, do comportamento da comunidade e dos princípios políticos.
-O turismo deve ser planejado de maneira sustentável levando em consideração a proteção do meio ambiente.
O turismo deve distinguir os lucros de forma eqüitativa entre os promotores de turismo e a população local.
É essencial ter boa informação, pesquisa e comunicação da natureza do turismo, especialmente para os moradores do local, dando prioridade para desenvolvimento duradouro, que envolve a realização de uma análise contínua e um controle de qualidade sobre os efeitos do turismo.
A população deve se envolver no planejamento e no desenvolvimento dos planos locais junto com o governo, os empresários e outros interessados.
Ao iniciar um projeto, há necessidade de realizar análise integrada do meio ambiente, da sociedade, da economia, dando enfoques distintos aos diferentes tipos de turismo.
Os planos de desenvolvimento do turismo devem permitir a população local que se beneficie deles ou que possa explicar as mudanças que se produzem na situação inicial.
FONTE: Organização Mundial de Turismo, 2003.
Turismo sustentável é:
Aquele que atende às necessidades dos turistas atuais, sem comprometer a possibilidade do usufruto dos recursos pelas gerações futuras. (Organização Mundial de Turismo, 2003).
O turismo e o meio ambiente estão intimamente inter-relacionados. O ambiente construído e natural oferece muitos atrativos para os turistas, e o desenvolvimento
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turístico é capaz de causar tanto impactos positivos quanto negativos ao ambiente. A prática do turismo sustentável depende da proteção dos recursos naturais para o turismo.
Como meio ambiente entende-se a biosfera, isto é, as rochas, as águas e o ar que envolve a Terra, juntamente com seus ecossistemas constituídos de comunidades integradas por indivíduos e todos os tipos de vida animal e vegetal.
Essa definição também inclui todos os tipos de construções feitas pelas mãos dos homens: as cidades, os monumentos históricos, os sítios arqueológicos e, ainda, os padrões de comportamento das populações - o folclore, o vestuário, a gastronomia e o modo de vida das comunidades.
Alguns estudiosos consideram perigoso tentar produzir definições de turismo sustentável porque definições gerais (em qualquer área) podem dar a impressão de simplicidade do que na verdade é uma área complexa, definições rígidas poderiam, também, limitar o alcance de questões a serem cobertas sob o domínio do turismo sustentável... As definições tendem a ser irrelevantes, enganosas, e a mudar constantemente. (SWARBROOKE, 2000a).
O turismo sustentável se relaciona com outros termos, portanto é comum vermos relacionadas com turismo sustentável as palavras:
- turismo responsável, turismo alternativo, ecoturismo, turismo propício ao meio ambiente, turismo brando, turismo de impacto mínimo -
Apesar de estarem relacionadas com o turismo sustentável, nenhumas das definições é seu sinônimo.
O turismo sustentável engloba muitos elementos que compõe o sistema de turismo, caracterizando-se como uma área muito ampla, e até agora, mal definida.
Polarizar o turismo é condená-lo aos valores de bom turismo e mau turismo. Há elementos favoráveis e desfavoráveis nos dois enfoques do turismo. Sabemos que as coisas nem sempre são brancas ou pretas, às vezes, elas podem ter nuances de cinza.
Chegar a um consenso sobre o que envolve e de como o turismo sustentável poderá ser praticado e alcançado é muito complexo, em função de se ter uma gama de interesses diversos. Nessas discussões, é relevante, considerar que cada ambiente possui suas características próprias e essas particularidades deverão ser contempladas na gestão do turismo.
A seguir, o Quadro 10, apresenta contraste entre desenvolvimento de turismo sustentável e não sustentável:
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QUADRO 10: Comparações entre turismo sustentável e não sustentável.
SUSTENTÁVEL NÃO SUSTENTÁVEL
Conceitos gerais Desenvolvimento lento Desenvolvimento controlado Escala adequada Longo prazo Qualitativo Controle local Conceitos gerais Desenvolvimento rápido Desenvolvimento descontrolado Escala inadequada Curto prazo Quantitativo Controle remoto Estratégias de desenvolvimento
Planejamento com posterior desenvolvimento Esquemas baseados em conceitos
Preocupação com as paisagens Pressão e benefícios difusos
Promotores de desenvolvimento locais Moradores locais empregados Arquitetura nativa
Estratégias de desenvolvimento
Desenvolvimento sem planejamento Esquemas baseados em projetos Concentrado nas sensações do momento Capacidade de crescimento
Promotores de desenvolvimento no exterior Força de trabalho importada
Arquitetura de outros tipos (exótica).
Comportamento do turista
Pouca valorização Algum preparo mental Aprende a língua local Tem tato e é sensível Fala baixo
Repete as visitas
Comportamento do turista
Muita valorização
Pouco ou nenhum preparo mental Não aprende a língua local Fala alto
É enérgico e insensível Improvável que volte FONTE: Baseado em Swarbrooke (2000a). Adaptado pela autora.
A discussão sobre turismo sustentável sugere que certos tipos de turismo são vistos como mais sustentáveis do que outros.
Um exemplo dessa distorção é o turismo litorâneo e o ecoturismo. Há uma tendência em classificar o ecoturismo como sustentável, e o litorâneo, como não- sustentável, em função de conglomerar um maior número de pessoas.
A visão do ecoturismo é, ainda, excessivamente cor-de-rosa e talvez seja apenas em função de ser um fenômeno novo. Se ele crescer, em escala de massa, como aconteceu no Quênia (África) com os safáris, então passará a exibir muitas características do turismo litorâneo de massa. Portanto, o ecoturismo talvez não seja mais sustentável do que qualquer outra forma de turismo.
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Qualquer planejamento turístico deve considerar essa perspectiva.
Toda atividade turística, se não for bem planejada, poderá caracterizar-se como não sustentável, pois estará comprometendo vários componentes dos sistemas ambiental e turístico, o que poderá comprometer, também, a qualidade desses recursos para as futuras gerações.
O planejamento turístico, com base nas características do espaço em que será implantado, e definir qual o setor do turismo que o ambiente poderá aceitar sem grandes impactos é tarefa para turismólogos.
Cada setor do turismo tem suas próprias questões em relação ao turismo sustentável:
Acomodação: impacto ambiental de novas acomodações e operações (por exemplo,
tratamento de rejeitos), papel das cadeias multinacionais, políticas de recursos humanos (por exemplo, discriminação sexual e racial e níveis salariais).
Gestão das destinações: planejamento do setor público e regulamentação da
indústria de turismo, incentivos financeiros para novos desenvolvimentos, encargos dos turistas e alternativas de aplicação da receita.
Viagens no varejo: seu papel na criação de expectativas do turista, sugestões sobre
destinos (por exemplo, religião, cultura, questões de saúde, problemas políticos, etc.).
Atrações para os turistas: impacto ambiental de novas construções e operações,
relações com a comunidade local, políticas de empregos.
Operadoras de viagem: número de tipos de viagens que os turistas fazem até a