DO ARGUIDO E DO SEU DEFENSOR
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A lei não nos fornece uma definição de arguido apenas refere quem, como, quando é que alguém assume a qualidade de arguido.
Para além disso, a lei diz-nos também qual a posição processual do arguido e que direitos e deveres ele tem.
É automática para aquele contra quem for deduzida acusação ou requerida instrução num processo penal e conserva-se durante todo o decurso do processo.
A qualidade de arguido pode ser de constituição automática ou não, consoante o momento em que se opera a constituição
A constituição de arguido é obrigatória nos termos do art.º 58.º do CPP logo que:
Correndo inquérito contra pessoa determinada em relação à qual haja suspeita fundada da prática de crime, esta prestar declarações perante qualquer autoridade judiciária ou órgão de polícia criminal
Tenha de ser aplicada a qualquer pessoa uma medida de coação ou de garantia patrimonial;
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Um suspeito for detido, nos termos e para os efeitos previstos nos artigos 254.º a 261.º;
E ainda quando for levantado um auto de notícia que dê uma pessoa como agente de um crime e aquele lhe for comunicado,
salvo se a notícia for manifestamente Ou seja, sempre que ocorra uma detenção
em flagrante delito ou fora de flagrante delito.
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De acordo com preceituado no art.º 58.º, n.º 2 do CPP, a constituição de arguido
opera-se através da comunicação, oral ou
por escrito, feita ao visado por uma
autoridade judiciária ou um órgão de polícia criminal.
Tal comunicação refere obrigatoriamente que:
“a partir desse momento aquele deve considerar-se arguido num processo penal e da indicação e, se necessário, explicação dos direitos e deveres processuais referidos no artigo 61.º que
A constituição de arguido feita por órgão
de polícia criminal é comunicada à
autoridade judiciária no prazo de 10 dias
e por esta apreciada, em ordem à sua validação, no prazo de 10 dias.
A constituição de arguido implica a entrega, sempre que possível no próprio ato, de documento de que constem a
identificação do processo e do defensor, se este tiver sido nomeado, e os direitos e deveres processuais referidos no
artigo 61.º.
A omissão ou violação das formalidades previstas nos números anteriores implica que as declarações prestadas pela pessoa visada não podem ser utilizadas como prova.
A não validação da constituição de arguido pela autoridade judiciária não
prejudica as provas anteriormente obtidas.
Como se faz se, durante qualquer inquirição feita a pessoa que não é arguido, surgir fundada suspeita de ela ter cometido um crime?
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A entidade que procede ao ato suspende-o imediatamente e procede à constituição de arguido, nos termos do n.º 2 do art.º 58.º do CPP. Por força do art.º 59.º, n.º 1, do CPP).
Por último, a pessoa sobre quem recair suspeita de ter cometido um crime tem direito a ser constituída, a seu pedido, como arguido sempre que estiverem a ser
efetuadas diligências, destinadas a
comprovar a imputação, que pessoalmente a afetem. art.º 59.º, n.º 2 do CPP.
DIREITOS DO ARGUIDO
O arguido goza, em especial, em qualquer fase do processo e, salvas as exceções da lei, dos direitos de:
a) Estar presente aos atos processuais que
diretamente lhe disserem respeito;
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b) Ser ouvido pelo tribunal ou pelo juiz de instrução sempre que eles devam tomar
qualquer decisão que pessoalmente o
afete;
c) Ser informado dos factos que lhe são
imputados antes de prestar declarações perante qualquer entidade;
d) Não responder a perguntas feitas, por qualquer entidade, sobre os factos que lhe forem imputados e sobre o conteúdo das declarações que acerca deles prestar;
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e) Constituir advogado ou solicitar a nomeação de um defensor;
f) Ser assistido por defensor em todos os atos processuais em que participar e, quando detido, comunicar, mesmo em privado, com ele;
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g) Intervir no inquérito e na instrução, oferecendo provas e requerendo as
diligências que se lhe afigurarem
h) Ser informado, pela autoridade judiciária ou pelo órgão de polícia criminal perante os quais seja obrigado a
comparecer, dos direitos que lhe
assistem;
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i) Recorrer, nos termos da lei, das decisões que lhe forem desfavoráveis.
Adianta o n.º 2 do mesmo art.º 61.º que:
“A comunicação em privado referida na alínea f) do número anterior ocorre à vista quando assim o impuserem razões de segurança, mas em condições de não
ser ouvida pelo encarregado da
vigilância”.
Concretiza o conceito “comunicar em privado”.
DEVERES DO ARGUIDO
a) Comparecer perante o juiz, o Ministério Público ou os órgãos de polícia criminal sempre que a lei o exigir e para tal tiver sido devidamente convocado;
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b) Responder com verdade às perguntas
feitas por entidade competente sobre a sua identidade e, quando a lei o impuser, sobre os seus antecedentes criminais;
c) Prestar termo de identidade e residência logo que assuma a qualidade de arguido;
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d) Sujeitar-se a diligências de prova e a medidas de coação e garantia patrimonial especificadas na lei e ordenadas e efetuadas por entidade competente.
Alguns direitos consignados no art.º 61.º do CPP têm origem na Constituição da República portuguesa, n.º 1, 2 e 3 do art.º 32.º
designadamente:
- Direito a garantias de defesa
- Presunção de inocência até ao trânsito em julgado da sentença condenatória
- Direito à escolha de defensor que lhe assista
Pegando no direito constitucionalmente consagrado de ser assistido por defensor diremos que se por um lado o arguido nos termos do n.º 1, do art.º 62.º do CPP pode constituir advogado em qualquer altura do
processo, casos há em que essa
constituição é obrigatória, a saber:
art.º 64.º, n.º 1, do CPP - é obrigatória a assistência por defensor, para o que nos importa:
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Em qualquer ato processual, à exceção da constituição de arguido, sempre que o arguido for:
- Cego; - Surdo;
- menor de 21 anos, ou
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- Analfabeto;
- desconhecedor da língua portuguesa;
- se suscitar a questão da sua
inimputabilidade ou da sua imputabilidade diminuída.
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Ser nomeado defensor ao arguido, a pedido do tribunal ou do arguido, sempre que as circunstâncias do caso revelarem a necessidade ou a conveniência de o arguido ser assistido
Por exemplo: em caso de cegueira momentânea pode?
O não cumprimento das regras relativas à assistência de defensor é prevista na al. c) do art.º 119.º do CPP implica a nulidade insanável
Segundo o mesmo: constituem nulidades insanáveis, ... c) A ausência do arguido ou do seu defensor, nos casos em que a lei exigir a respectiva comparência;
Artigo 63.º
Direitos do defensor
1 - O defensor exerce os direitos que a lei reconhece ao arguido, salvo os que ela reservar pessoalmente a este.
2 - O arguido pode retirar eficácia ao ato realizado em seu nome pelo defensor, desde que o faça por declaração expressa anterior a decisão relativa àquele ato.
DO ASSISTENTE
À semelhança do que acontece com o arguido, o CPP também não nos dá um conceito de assistente, limita-se no seu art.º 69.º a fazer referência à posição e atribuições dos assistentes.
Em todo o caso, podemos dizer que o assistente enquanto sujeito processual é um colaborador do Ministério Público.
Para o que ora releva, compete em especial aos assistentes:
a) Intervir no inquérito e na instrução,
oferecendo provas e requerendo as diligências que se afigurarem necessárias;
DO ASSISTENTE
b) Deduzir acusação independente da do
Ministério Público e, no caso de procedimento dependente de acusação particular, ainda que aquele a não deduza;...
Resulta do art.º 68.º do CPP
Quem pode constituir-se assistente
Quando e até que momento o assistente tem poder de intervenção
Quem decide sobre a admissibilidade ou não do assistente em determinado
Quem se pode constituir assistente
a) Os ofendidos, considerando-se como tais os titulares dos interesses que a lei especialmente quis proteger com a incriminação, desde que maiores de 16 anos;
b) As pessoas de cuja queixa ou acusação particular depender o procedimento;
c) No caso de o ofendido morrer sem ter
renunciado à queixa, o cônjuge sobrevivo não
separado judicialmente de pessoas e bens ou a pessoa, de outro ou do mesmo sexo, que com o ofendido vivesse em condições análogas às dos cônjuges, os descendentes e adotados,
ascendentes e adaptantes, ou, na falta deles,
irmãos e seus descendentes, salvo se alguma destas pessoas houver comparticipado no
d) No caso de o ofendido ser menor de 16 anos ou por outro motivo incapaz, o representante legal e, na sua falta, as pessoas indicadas na alínea anterior, segundo a ordem aí referida, salvo se alguma delas houver comparticipado no crime;
e) Qualquer pessoa nos crimes contra a paz e a
humanidade, bem como nos crimes de tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, denegação de justiça, prevaricação, corrupção, peculato, participação económica em negócio, abuso de poder e de fraude na obtenção ou desvio de subsídio ou subvenção.
E bem assim entidades a quem leis especiais confiram esse direito, designadamente:
Lei n.º 20/96, de 06/07 – permite a constituição como assistente em processo no caso de crime de índole racista ou xenófoba por parte das comunidades de imigrantes e demais associações de defesa dos interesses em causa
Lei n.º 83/95, de 31/08 – Direito de participação procedi mental e acção popular
Lei n.º 10/87, de 04/04 – Lei das associações de defesa do ambiente
Lei n.º 24/96, de 31/07 – Regime legal aplicável à defesa dos consumidores
A partir de que momento e até quando é
que o assistente tem poder de
intervenção no processo
Tratando-se de procedimento dependente de acusação particular, o requerimento tem lugar no prazo de dez dias a contar da declaração referida no artigo 246.º, n.º 4.
art. 246.º do CPP - O denunciante pode declarar, na denúncia, que deseja constituir-se
assistente. Tratando-se de crime cujo
procedimento depende de acusação particular, a declaração é obrigatória, devendo, neste caso, a autoridade judiciária ou o órgão de polícia criminal a quem a denúncia for feita
verbalmente advertir o denunciante da
obrigatoriedade de constituição de assistente e DO ASSISTENTE
Nos restantes casos (art. 68.º nºs 2 e 3), os assistentes podem intervir em qualquer altura do processo, aceitando-o no estado em que se encontrar, desde que o requeiram ao juiz:
a)Até cinco dias antes do início do debate instrutório ou da audiência de julgamento;
b) Nos casos dos artigos 284.º e 287.º, n.º 1, alínea b),
no prazo estabelecido para a prática dos respetivos atos.
No que diz respeito à pergunta quem decide sobre a admissibilidade ou não do assistente em determinado processo crime, de acordo com o disposto no art. 68.º, n.º 4, do CPP, o
juiz, depois de dar ao Ministério Público e ao
arguido a possibilidade de se pronunciarem sobre o requerimento, decide por despacho que é logo notificado àqueles.
Nos termos do n.º 3, do art. 70.º do CPP:
“Os assistentes podem ser
acompanhados por advogado nas diligências em que intervierem”.