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Do Conceito de Padrão do Design

No documento CIRENE LINZMEIER HEYSE (páginas 77-82)

3.1 CONCEITOS NORTEADORES

3.1.3 Do Conceito de Padrão do Design

Quando se fala em padrão, quase que automaticamente se reporta a algo que possui regras e modelos a serem seguidos, determinados por órgãos oficiais ou organizações. Porém, este conceito popularmente concebido, vai além. Para o termo Padrão, Michaelis (1998) define como: “método ou sistema tão amplamente utilizado que se tornou padrão, apesar de não ter sido reconhecido oficialmente por qualquer comitê” (MICHAELIS, 1998, p. 1527).

Enquanto, que o conceito de design ultrapassa a função de “melhorar a aparência estética” de um produto, pois vai além da estética, engloba desde a concepção do produto na fábrica à avaliação deste pelo consumidor.

Para entender esse conceito, se faz necessário estudar também, suas definições e dimensões, pois ele além de agregar valor ao produto. Neste sentido, torna-se importante salientar o papel dos designers nas organizações empresariais e industriais de modo a compreender que no mercado atual existem setores responsáveis pela criação, uso e inserção de novas tecnologias em projetos aceitos no mercado global.

Nos estudos de Maldonado (1991, p.11) encontra-se o registro de que o

design sempre esteve ligado à produção em série, ou seja, produzir uma ideia

através de maquinários que facilitariam a repetição de modelos contínuos. Isso se dava pela objetivação do aproveitamento maior da matéria- prima, bem como do tempo de fabricação, não esquecendo que aí ainda se insere o tempo da embalagem e do transporte.

Etimologicamente a palavra Design é de origem latina e advém de designo - com os sentidos de: designar, descrever, indicar, representar, marcar, ordenar, dispor, regular. Na língua inglesa, o sentido da palavra Design sofre alteração, pois significa: projeto, configuração, pois se diferencia de drawing, que por sua vez significa: desenhos, representação de formas por meio de linhas e sombras. No entanto, Novo Dicionário Aurélio a definição de Design é - (dizáin), [Ingl] s.m. 1. Concepção de um projeto ou modelo, planejamento; 2. O produto deste planejamento; 3. Restr. Desenho Industrial; 4. Restr. Desenho de Produto; 5. Restr. Programação Visual (FERREIRA, 2004, p.387).

Porém, Giustina (2007, p. 03) aponta que quando se pensa em design, pode haver controvérsias, quando os

[...] preceitos de design, herdados como produção em grandes séries, forma e função, a pretensão de saber as necessidades básicas de uma população e como atendê-las, e um temor das dificuldades de linguagem e de interação, contribuíram para afastar os designers da produção artesanal. Entretanto podemos seguir uma lógica que, qualquer produto que tenha preocupação estética, tecnológica com o meio ambiente e o social, está inserido no conceito de design. Os móveis brasileiros que tem como matéria-prima as madeiras alternativas, mesmo os que são feitos em peças únicas, têm o design como valor agregado.

Com a popularização do design pela mídia e absorção pelas empresas como elemento estratégico, a década de 1990 tornou-se marcante para esse profissional, pois o novo modelo de gestão passou a exigir qualidade associada à adequação de uso, ou seja, o foco de trabalho desse profissional se centrou mais no negócio.

De acordo com Santos (2000), a gestão estratégica passou a exigir como pré-requisito à sobrevivência e o sucesso de uma organização, a inclusão do design estratégico, ou seja, esse tem como papel promover o diferencial competitivo para maior participação no mercado, bem como na fabricação de produtos mais adequados aos consumidores e ao meio ambiente. O autor anteriormente citado ressalta que o profissional da área de design, ao atuar como tal, necessita ter claro que na concepção e desenvolvimento dos produtos deve ter amplo conhecimento de como o consumidor e o mercado pensam, agem e avaliam os produtos.

Antes de avançar esse estudo, torna-se necessário lembrar que o trabalho do design nasceu com a primeira Escola Superior de Design, a Bauhaus (Figura 44). Esta escola foi criada por Walter Gropius em 1919, na cidade de Dessau, na Alemanha. Pode-se afirmar que com o nascimento dessa escola consolidou-se uma identidade para o Design. Naquela época, esta identidade definia seu perfil basicamente pela condição da relação que este profissional fazia entre a forma e a função, porém, mais do que formar profissionais esta instituição buscava formar cidadãos ligados aos fenômenos culturais e sociais mais expressivos do mundo moderno, tendo como foco a inspeção da forma, introduzindo o design como o meio para atribuir valor estético aos objetos de uso diário, como cadeiras, sofás, eletrodomésticos e objetos decorativos, dentre outros.

Figura 44 - Vista do Predio da Bauhaus- Dessau (Alemanha). Fonte: www.esfcastro.com

Por volta de 1933 com o crescimento do Nazismo na Alemanha, a Escola foi fechada, somente vinte anos depois,em 1953, é que surgiu uma nova Instituição de Ensino responsável em formar profissionais da área do Design. Esta foi a Escola Superior da Forma (Hochschule für Gestaltung – HfG) da cidade de Ulm (Figura 45) também na Alemanha, esta, porém se diferenciava da primeira, pois trazia forte o sentido da consolidação do Design com o uso da ciência e da técnica como forma de assegurar qualidade ao processo dando cunho mais sério a atividade deste profissional (MALDONADO, 1991).

Figura 45 - Vista aérea da Escola de Ulm – Alemanha (1955) Fonte: www.parana-online.com.br

Paralelamente, no Brasil, a atividade começou a ser vista sob outro olhar e o design recebeu nova designação e termo, que foi conhecido como Desenho Industrial. O mesmo foi,

[...], marcado pela transferência e assimilação de teorizações e modelos curriculares estrangeiros. Essa tradução foi inadequada, pois deturpou o significado original do Design, na medida em que prevaleceu a conotação de habilidade de representar graficamente ao invés de projetar (DIAS, 2004, p.73).

A partir da década de 1960, na cidade do Rio de Janeiro foi criada a Escola Superior de Design (ESDI), (Figura 46), que a partir deste período consolidou o ensino de design na academia. Isso ocorreu em uma época em que o Design se expandiu pelo mundo com o objetivo de dar mais qualidade na fase inicial e final do produto.

Figura 46 - Vista aérea da Escola de Ulm – Alemanha (1955)

Fonte: www.timtimxtimtim.org

Em outras cidades brasileiras as universidades foram sendo estimuladas pela política de exportação de produtos manufaturados e pelo desenvolvimento econômico, criaram ou adaptaram cursos do gênero a partir de 1970 (FILIPACK, 2002).

Portanto, com intenções de responder as expectativas da produção industrial que crescia especialmente na Região Sul e Sudeste do país, criou-se Escola

Superior do Designer de Móveis. Neste sentido, os estudos de Filipack (2002) apontam para o Centro Federal de Educação Tecnológica - CEFET-PR, que passou a ofertar este curso, em Curitiba-PR, a partir de 1999.

Enquanto que em Santa Catarina, o Pólo Moveleiro do Alto Vale do Rio Negro, que já despontava, nacional e internacionalmente, incentivou a Universidade do Contestado – UnC, Campus de Mafra, no núcleo universitário de Rio Negrinho-SC, a criar em 2001 o curso de Tecnólogo em Design de Móveis e Decoração de Interiores, propostas nesta mesma linha foram seguidas pela Universidade do Estado de Santa Catarina- UDESC, com um pólo avançado na cidade de São Bento do Sul.

Dias (2004, p.32) assevera que é comum encontrar, nas esquinas das grandes cidades, estabelecimentos comerciais e de serviços, como Hair Design,

Sound Design, Designer da Luz e Web design. Entende-se que este autor pode

estar se referindo a publicidade, em muitos casos, mas compreende-se que esse fato auxilia na descaracterização da atividade, pois se utiliza o termo de forma inapropriada quando se quer designar qualquer atributo estético, formal, moderno e inovador de um produto, pessoa ou entidade.

Para que esta possível descaracterização da profissão e valorização do design, enquanto atividade anterior à fabricação é preciso que a sociedade e empresários percebam que único fator de inovação próprio da indústria de móveis é dado pelo design, que, ao propiciar a diferenciação do produto frente aos demais, constitui-se em um dos elementos-chave para as condições de concorrência nesta indústria (DIAS, 2004, p.38)

Neste contexto, o desenho, a estética, a funcionalidade, a ergonomia e o conforto passaram a fazer parte de um conjunto de processos, no qual a preocupação se volta principalmente para os anseios do consumidor final. Essa capacidade de materializar as experiências do consumidor é predominante na atividade de um design, que busca sempre inserir ao produto as sensações e emoções que irão influenciar na decisão de compra deste mesmo consumidor.

No documento CIRENE LINZMEIER HEYSE (páginas 77-82)