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III. Classificação das notícias segundo as categorias da CNN

7. Do conteúdo das manchetes e imagens no interior dos jornais

Figura 12 apresenta – em porcentagem – a distribuição das manchetes e imagens dos dois jornais com relação ao 11 de Setembro, e 11 de Março, agrupadas segundo seu conteúdo em: (1) manchetes / imagens relacionadas ao evento e vítimas, (2) manchetes / imagens relacionadas à repercussão, (3) manchetes / imagens que mencionavam outros eventos relacionando-os aos eventos em questão e, (4) outras manchetes / imagens.

Sobre o 11 de Setembro:

Embora a maior manchete e a principal foto de primeira página da FSP, no primeiro dia sobre o 11 de Setembro possam ser classificadas como relacionadas ao evento (ver Figura 9), nesta mesma edição as notícias com manchetes classificadas como relacionadas à repercussão ocuparam 83,7% do total de matérias, enquanto que apenas 7,3% das matérias foram classificadas como tendo títulos sobre o evento e vítimas. O mesmo ocorreu com o OESP: a principal manchete e as fotos de primeira página podem ser classificadas como descrição do evento, mas as manchetes desta edição cujos títulos enfocavam a repercussão ocuparam 89,2% do total e as manchetes sobre evento e vítimas apenas 5,8%.

O segundo dia de publicação sobre o 11 de Setembro, não foi muito diferente do primeiro, em ambos os jornais. Na FSP, o número de manchetes que destacaram a repercussão aumentou para 89,1% e as manchetes sobre evento e vítimas aumentaram, para 7,6%. No OESP, as matérias com manchetes sobre repercussão aumentaram para 91,6%, e as manchetes sobre o evento e vítimas, e sobre eventos relacionados passaram – ambas as classificações - a ocupar apenas 4,2% do total.

No 3º dia analisado não parece ter havido diferenças significativas na cobertura do evento, uma vez que se repetiu em ambos os jornais o vasto predomínio de manchetes sobre repercussão.

Já as imagens, quando considerada a sua classificação por conteúdo, variaram ao longo das edições analisadas em relação às manchetes nos dois jornais como indicado na Figura 12, nos quadros (superior e inferior), do lado direito.

Figura 12. Classificação das manchetes e imagens publicadas nos jornais analisados, sobre o 11 de Setembro e o 11 de Março, de acordo com o seu conteúdo.

Com relação ao 11 de Setembro no primeiro dia de publicação, 40,54% das imagens da FSP foram classificadas como repercussão, enquanto que 33,78% das imagens nesta edição foram classificadas como sobre o evento e vítimas, e 25,68% de imagens sobre outros eventos relacionados. No primeiro dia do OESP, as imagens classificadas como evento e vítimas representavam 35,71% do total - um percentual superior ao das manchetes assim classificadas na edição (apenas 5,8%). Ainda assim, mais da metade das imagens foram classificadas como sobre repercussão (57,14%).

Imagens sobre outros eventos relacionados somaram apenas 7,14% do total.

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No segundo dia analisado houve, nos dois jornais, aumento das imagens relacionadas à repercussão: na FSP elas passaram a representar 90,11% do total, e no OESP subiram para 87,3%. Já as imagens sobre e evento e vítimas sofreram uma grande redução: na FSP elas caíram para 4,4%, e no OESP chegaram aos 4,8% do total de imagens. O aumento de imagens sobre a repercussão do evento, somado à redução nas imagens sobre o evento e vítimas neste dia, acabou tornando a distribuição das imagens semelhante à distribuição dos textos em ambos os jornais.

O terceiro dia de publicação conservou, em ambos os jornais, a predominância de imagens sobre repercussão, apesar do leve aumento no percentual de imagens sobre o evento e vítimas. Na FSP, as imagens sobre repercussão caíram para 79,52% do total, enquanto as imagens sobre evento e vítimas aumentaram para 8,4%. A FSP publicou também - diferentemente do OESP - 7,2% de imagens sobre outros eventos relacionados e 4,8% de outras imagens - não relacionadas ao evento. As imagens publicadas no OESP, por sua vez, dividiram-se apenas entre os 90,7% de imagens sobre repercussão, e os 9,3% de imagens sobre o evento e vítimas.

11 de Março:

Como pode ser visto na Figura 12, as manchetes na ocasião do 11 de Março tiveram, nos dois jornais, uma configuração semelhante a das manchetes do 11 de Setembro com relação à preponderância de manchetes relacionadas à repercussão - que oscilaram entre 73,3% e 87% na FSP, e entre 87% e 100% no OESP. Houve, no entanto, diferenças na cobertura dos jornais que se destacaram nos percentuais de manchetes sobre o evento e vítimas e sobre eventos relacionados. Na FSP, as manchetes que enfocavam o próprio evento e vítimas foram 10,5% do total no primeiro dia, 13%

no 2º dia, e não apareceram na terceira edição – dando espaço às manchetes sobre eventos relacionados (13%), ou manchetes classificadas como outros (idem).

Já no OESP, diferentemente da FSP, só houve manchetes sobre o evento e vítimas no primeiro dia de publicação, e elas representaram apenas 3,2% do total. No 2º dia, 100% das matérias foram classificadas como de repercussão, caindo para 92,9% no terceiro dia, quando apareceram 7,1% de notícias cujo título tratava de outros eventos relacionados ao 11 de Março – dentre eles, o 11 de Setembro.

As imagens publicadas na ocasião do 11 de Março (ver Figura 11) também variaram de maneira parecida nos dois jornais com relação ao predomínio de imagens sobre repercussão em todas as edições analisadas. Na FSP, as imagens que retratavam a repercussão eram 68,4% no primeiro dia - com tendência crescente – chegando aos 91% do total no segundo dia e aos 100% na terceira edição. As imagens sobre o evento e vítimas variaram entre 26,3% e 9% no primeiro e segundo dias. E por fim, imagens sobre outros eventos relacionados também apareceram no primeiro dia de publicação com 5,2%. No OESP, as imagens do evento e vítimas apareceram apenas no primeiro dia e eram 26,09% do total, sendo substituídas, nos outros dias, por imagens sobre repercussão. Estas últimas, que já somavam 73,91% do total no primeiro dia, passaram a 100% no segundo, e caíram para 84,6% no terceiro dia, quando dividiram espaço com ilustrações - que foram classificadas como ‘outro’ (15,4%).

Uma comparação entre imagens e textos em ambos os jornais:

Considerando-se todas as imagens houve ainda semelhança entre os dois jornais, em ambos os eventos. O percentual de imagens sobre o evento e vítimas foi sempre mais alto no primeiro dia de publicação, tanto na FSP como no OESP - no 11 de Setembro, como no 11 de Março – em relação (a) ao percentual de imagens dos dias posteriores, e

(b) ao percentual de manchetes que foram classificadas como evento e vítimas. Quando os textos já apresentavam alto percentual de relatos sobre repercussão nas primeiras edições publicadas, as imagens dessas edições retratavam mais diretamente o momento de ocorrência (11 de Setembro) ou os minutos imediatamente posteriores (11 de Março) aos eventos. Do segundo para o terceiro dia, as imagens passaram a acompanhar o texto, retratando a repercussão dos eventos em seus muitos aspectos, como por exemplo: fotos dos danos materiais, da ação das equipes de resgate na busca de sobreviventes, de líderes políticos mundiais, além de gráficos e esquemas sobre a repercussão econômica, ou contendo pequenos conjuntos de relatos especulativos sobre os suspeitos pela autoria dos eventos.