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Do Direito de Arena e da Licença de Uso de Imagem

No documento Direito - Imagem (páginas 105-108)

4 UMA NOVA PERSPECTIVA DO DIREITO À IMAGEM DO ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL

4.2 O CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE IMAGEM DO ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL

4.2.2 Do Direito de Arena e da Licença de Uso de Imagem

Arena é palavra latina que significa areia. O termo é usado no meio esportivo, tendo em vista que, na Antiguidade, no local onde os gladiadores se enfrentavam entre si ou animais ferozes, o piso era coberto de areia277.

277 ZAINAGHI, Domingos Sávio. Os atletas profissionais de futebol no direito do trabalho. São Paulo: Julex Livros, 1999, p. 145. .

Nas competições esportivas, a imagem do atleta nos jogos pode ser utilizada mesmo sem a sua anuência, pois é inerente ao exercício desta profissão o atleta estar em contato com o público, pois sua atividade é equiparada ao trabalho artístico.

O direito de arena foi previsto na Lei de Direitos Autorais de 1973, entre os direitos conexos, os relativos a artistas, intérpretes e executantes. Em 1993, com a edição da chamada Lei Zico (Lei n.º 8672, de 06 de julho de 1993), que disciplinou todo regime desportivo nacional, o direito de arena passou a ser tutelado por ela.

Mais tarde, em 1998, com a Lei Pelé, o direito de arena foi definitivamente confirmado como sendo instituto específico do direito desportivo, tendo desaparecido da nova lei de direitos autorais, também de 1998.

Assim, o direito de arena está consagrado no artigo 42 da Lei Pelé278, o qual assegura aos atletas incluídos no espetáculo uma participação no lucro dos clubes na comercialização dos jogos.

Também a Constituição Federal no artigo 5º, inciso XXVIII, letra a, assegura o direito de arena. Dispõe o referido dispositivo legal: “são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas”.

A Constituição Federal disciplina o chamado direito de arena como forma de proteção da imagem do atleta e também retribuição pecuniária pela sua utilização.

Na doutrina e jurisprudência de forma majoritária tem entendido que o valor pago a título de direito de arena integra a remuneração do empregado e se equipara às gorjetas, pois esse valor é pago por terceiros e não diretamente pelo empregador.

Outros entendem que o valor pago a título do direito de arena não tem feição salarial, se aproximando da natureza jurídica de participação nos lucros279.

278 “Art. 42. Às entidades de prática desportiva pertence o direito de negociar, autorizar e proibir a fixação, a transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo ou eventos esportivos de que participem.

§ 1º Salvo convenção em contrário, vinte por cento do preço total da autorização, como mínimo, será distribuído, em partes iguais, aos atletas profissionais participantes do espetáculo ou evento.

§ 2º O disposto neste artigo não se aplica a flagrantes de espetáculo ou evento desportivo para fins, exclusivamente, jornalísticos ou educativos, cuja duração, no conjunto, não exceda de três por cento do total do tempo previsto para o espetáculo.

§ 3º O espectador pagante, por qualquer meio, de espetáculo ou evento desportivo equipara-se, para todos os efeitos legais, ao consumidor, nos termos do art. 2º da Lei n.º 8.078, de 11 de setembro de 1990.”

279 Nesse sentido, destaca-se a seguinte ementa: “Atleta profissional. Não tem natureza salarial a retribuição econômica, a cargo das emissoras de televisão, resultante da cessão a elas, pelo Atleta

Assim, quando se equipara o direito de arena às gorjetas, conclui-se que é de natureza remuneratória.280

Para o presente trabalho, a importância paga a título do direito de arena decorre da utilização da imagem do atleta na sua atividade principal, que se dá durante a partida de futebol. Embora não seja paga pelo empregador, é devida em razão do contrato de trabalho e da prestação pessoal de serviços do atleta. Por isso, acredita-se que a natureza jurídica seja de gorjeta281.

Como já explicado anteriormente, direito de explorar a imagem do atleta profissional pode ser cedido ao Clube empregador por meio de cláusula constante do contrato de trabalho, ou por meio de um contrato de natureza civil.

Nesse sentido, deve ser destacada a diferença entre o ‘Contrato de Direito de Imagem’ e o direito de arena, o qual remunera a imagem do atleta: “O valor pago como direito de arena tem natureza jurídica remuneratória, uma vez sua similitude com as gorjetas, já que é pago por terceiros. Já com o contrato de direito de imagem é diferente, pois neste, quem remunera o atleta é o próprio clube empregador.” 282

Outro ponto a ser observado é que a Lei Pelé , assim como as demais legislações anteriores que tratavam da matéria, nunca definiram de forma clara como este valor seria dividido entre os atletas e quais teriam direito efetivamente ao recebimento da verba destinada a este fim, persistindo uma lacuna. Assim, preferiu resumir a questão no parágrafo único do artigo 42, afirmando que vinte por cento do preço total da autorização, como mínimo, será distribuído, em partes iguais, aos atletas participantes do espetáculo ou evento.

Todavia, ainda se observam com certa freqüência decisões que prescrevem que o direito de arena é apenas o outro nome do direito à imagem, ou então que aquele é uma espécie deste, havendo similaridade entre os dois institutos.283

Profissional, através do empregador, o uso de uso de sua imagem”. TRT – 3ª Região – RO 8879/01 1ª T. – Rel. Juiz Maurílio Brasil. DOE 31.08.01

280 MARTINS, Sérgio Pinto. O Atleta Profissional de Futebol e os seus Direitos Trabalhistas. Revista

de Direito do Trabalho. São Paulo, n. 98, p. 145, abr/jun, 2000.

281 Nos termos do artigo 42 da Lei 9.615/98, o direito de arena pertence às entidades desportivas que repassam uma porcentagem aos jogadores. Se a exibição das imagens das partidas for gratuita, o atleta nada receberá pela transmissão de sua imagem, uma vez que exerce atividade pública, e é inerente à sua profissão estar em contato com o público.

282ZAINAGHI, Sávio Domingos. Nova Legislação Desportiva: aspectos trabalhistas. 2.ed. São Paulo: LTr, 2004, p. 36.

283 DIREITO DE ARENA E DIREITO DE IMAGEM - SIMILARIDADE – o art. 42 da Lei n.º 9. 615/98 não faz qualquer alusão a Direito de Arena, mas ao direito da entidade de prática desportiva de

“negociar, autorizar e proibir a fixação, a transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo ou evento desportivos que participem “, sendo a referida lei uma extensão do Direito de Imagem previsto

No entanto, tal similaridade não existe. São dois institutos distintos, uma vez que seus titulares são distintos. No caso do direito à imagem seu detentor é a pessoa física, no presente trabalho, o jogador de futebol, sendo prerrogativa dele negociá-la ou não de forma individual. Já o direito de arena, por determinação legal, tem como detentor a entidade da prática desportiva, o clube de futebol, a pessoa jurídica. E é assim que entende o Judiciário Trabalhista.284

Portanto, o direito de arena é válido então somente no campo de jogo, para a comercialização da transmissão do espetáculo, sendo qualquer utilização da imagem do atleta fora deste ambiente, direito individual deste e com ele diretamente negociável. Daí decorre a impossibilidade de confusão entre os dois direitos. Mas, tanto o direito de arena como contrato de licença de uso de imagem voltam-se para o aspecto econômico da pessoa em si.

No documento Direito - Imagem (páginas 105-108)