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2 DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE:

2.2 DO FLAGRANTE DO ATO INFRACIONAL:

Ato infracional, é a ação equiparada ao crime ou contravenção cometido pelo cidadão na idade adulta, conforme o art. 103 do ECA:

Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal.(BRASIL, 1990)

Leciona Maciel a respeito do Ato infracional:

O Estatuto da Criança e do Adolescente considera ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal (art. 103, ECA).Ato infracional é, portanto, a ação violadora das normas que definem os crimes ou as contravenções. É o comportamento típico, previamente descrito na lei penal, quando praticado por crianças ou adolescentes (art. 103, ECA). A definição acima decorre do princípio constitucional da legalidade. É preciso, portanto, para a caracterização do ato infracional, que este seja típico, antijurídico e culpável, garantindo ao adolescente, por um lado, um sistema compatível com o seu grau de responsabilização, e por outro, a coerência com os requisitos normativos provenientes da seara criminal.(2010, p. 795)

O adolescente só poderá ter sua liberdade cerceada em razão da apreensão em flagrante de ato infracional, ou ordem do juiz competente.

Art. 106. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente.

A norma do art. 106 do Estatuto, de que nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da Autoridade Judiciária competente (Juiz da Infância e Juventude), está em simetria com os direitos de ir e vir, a liberdade individual e a legalidade da prisão, conforme previsto no art. 5º, LXI, da Constituição Federal, podendo, em caso de desobediência, ser o responsável punido com pena de detenção de seis meses a dois anos, na forma do art. 230 do ECA. (2010, p.802)

Entende-se por ordem judicial neste caso segundo a ordem escrita que determina a apreensão do adolescente por ele encontrado para o comparecimento em audiência de apresentação, para o cumprimento de medida socioeducativa de internação com prazo indeterminado, pois o adolescente encontrava-se em liberdade durante o processo socioeducativo, para o retorno ao cumprimento de medida socioeducativa. (CUNHA; LÉPORE; ROSSATO, 2010 p.313)

Nesse caso o adolescente será encaminhado para autoridade competente, assim como na apreensão em flagrante, conforme art. 171 do ECA:

Art. 171. O adolescente apreendido por força de ordem judicial será, desde logo, encaminhado à autoridade judiciária.( (BRASIL, 1990)

A apreensão em flagrante da criança ou adolescente deve seguir as mesmas formalidades da prisão do adulto no que diz respeito aos direitos e garantias referentes à prisão em flagrante, além de aspectos específicos em razão da pouca idade do autor.

A criança não poderá ser conduzida para delegacia pela autoria do ato infracional, ela deve ser detida no local por quem realizou sua apreensão, e ainda no local deverá ser acionado o Conselho Tutelar, que encaminhará aos pais sob termo de responsabilidade ou outra medida que julgar necessária de acordo com o art. 101 do ECA:

Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:

I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;

II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;

III - matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental;

IV - inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da família, da criança e do adolescente; V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime

hospitalar ou ambulatorial;

VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e

tratamento a alcoólatras e toxicômanos;

VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar

IX - colocação em família substituta.

§ 1o O acolhimento institucional e o acolhimento familiar são medidas provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade.(BRASI, 1990)

Já o adolescente após apreendido deverá ser conduzido por quem realizou a apreensão em flagrante para apresentação à autoridade de polícia judiciária competente para a lavratura do auto de apreensão em flagrante, e caso haja além do adolescente, adultos envolvidos na mesma ocorrência, deverá ser observado o critério da especificidade em razão do adolescente, e o flagrante deverá ser lavrado na delegacia especializada, conforme art. 172 do ECA:

Art. 172. O adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será, desde logo, encaminhado à autoridade policial competente.

Parágrafo único. Havendo repartição policial especializada para

atendimento de adolescente e em se tratando de ato infracional praticado em co-autoria com maior, prevalecerá a atribuição da repartição especializada, que, após as providências necessárias e conforme o caso, encaminhará o adulto à repartição policial própria. .(BRASI, 1990)

Em relação ao uso de algemas no adolescente adotam-se a ele as mesmas garantias ao adulto, sendo elas admissíveis somente em fundado receio de fuga, resistência e perigo a integridade física própria ou de terceiros conforme a Súmula 11 do STF de 2008.

Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado (BRASIL, 2008)

O adolescente apreendido não poderá ser conduzido em compartimento fechado de preso conforme o art. 178 da lei 8069/90:

Art. 178. O adolescente a quem se atribua autoria de ato infracional não poderá ser conduzido ou transportado em compartimento fechado de veículo policial, em condições atentatórias à sua dignidade, ou que impliquem risco à sua integridade física ou mental, sob pena de responsabilidade. .(BRASI, 1990)

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